ANO VIII - Nº. 235, em 20 de dezembro de
2009.
Proesia
EFÊMERO,
DEMASIADO EFÊMERO
Larva, lagarta,
crisálida,
Enfim, diáfana
borboleta,
Da espécie dos
lepidópteros,
O mais belo dos
espécimes.
Ao flanar por aí
voando,
Enamorou-se por
uma flor.
Sorveu-lhe o
perfume e todo o ser
E nessa flor se
transformou.
A orquídea,
descoberta por botânico,
Florboleta
brasiliensis batizada,
Ficou presa em
orquidário,
Até que, cedo,
despetalou-se.
Outra orquídea
também silvestre
Apaixonou-se por
borboleta
Que livre, leve e
solta voava
Pelas ramas da
floresta.
Atraiu suas
coloridas asinhas
Incorporou-se no
belo inseto,
E assim curtiu
curta vida
A pousar de galho
em galho.
Um circunspecto
zoólogo
Muito mais que de
repente
Prendeu-a numa
rede e
Alfinetou a nova
espécie.
Enquanto isso, o
sábio homem,
Botânico ou
zoólogo,
Apaixonou-se por
alguém
Que, no entanto,
amava outrem.
A pobre rima,
enfim achada,
Fez-lhe um mal
desmesurado,
Definhou-se até o
talo
E morreu de tanto
amor.