ANO VIII - Nº. 226, em 10 de setembro de
2009.
Poesia
CARTAS ANTIGAS
Leio Manuel.
Faço versos à Bandeira.
Desfraldados.
Vieram-me às mãos
cartas antigas,
Que também leio e que
não me pertencem.
São de destinatários de
um tempo.
As que recebi não as
retive.
Não gosto de lembrar
tempos outros, quando,
“Se fui pobre, não me
lembro”.
Numa das cartas gabo a
minha “formação religiosa”!
Clichê que me
inculcaram quando criança,
Adulto, ainda o repetia
como um papagaio.
Depois me vi cabotino,
senhor de refinado senso de humor.
Pois sim! Espertezas,
subterfúgios!
Fazia graça para
preencher vazios cheios de inseguranças.
As cartas deram-me a
noção de como agora sou mais autêntico.
“Não mais o sonho...”
Mais solto. Sem comedimentos.
Sem credos, sem
penduricalhos, sem piadas, sem condimentos.
A vida:
I want it plain.
Viver é desbastar-se.
Bastar-se.