ANO VII - N° 213, em 20 de março de 2009.
Poesia musicada
O LIRISMO DOS
BESOUROS
Como é grande a solidão dessa gente!
A menina varre o arroz da igreja após o casamento.
Sonha espreitando a janela.
Espera alguém. Quem?
Como é grande a solidão dessa gente!
De onde vêm? Quem é essa gente?
O padre escreve o sermão que ninguém dará atenção.
À noitinha trabalha cerzindo suas meias, sem ninguém por
perto.
Ele se dedica a quê?
A menina veio a falecer.
Foi velada na igreja e enterrada com seu nome em uma
lápide.
Ninguém esteve lá.
O padre limpa o sujo das mãos após o enterro.
Ninguém foi salvo.
Como é grande a solidão dessa gente!
De onde vêm? Quem é essa gente?
Dia após dia, sozinho no alto do morro.
O homem de carranca idiota mantém-se silencioso.
Ninguém se interessa por ele.
Ele é um idiota e não reage a nada.
O homem idiota do alto do morro
Vê o sol se pôr e o mundo a girar.
Imaginem que não exista paraíso.
Nenhum inferno abaixo de nós.
Acima, apenas o céu-firmamento.
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Esses versos são traduções livres, descompromissadas e
buriladas extraídas de letras de músicas dos Beatles e de John Lennon: Eleanor
Rigby (Look at all the lonely people), The Fool on the Hill e Imagine.