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No 133:Bodas de Jacarandá
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No 131: Reflexões Gasosas
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No 126: A República dos Sonhos
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ANO VII - N° 212, em 10 de março de 2009.

Alegoria épica  

 

TEMA DE GAIA

 

Gênese 

            No início o Caos e a paz do caos. Deu-se a vida: vegetal, animal. Organismos primários. Animais marinhos, anfíbios, voadores e, finalmente, terrestres e mamíferos. O homem e a mulher. A razão. O medo. A criação dos deuses à imagem e semelhança do ser humano. As profundezas da mente. A consciência da morte. 

Gaia 

Nasceu saudável, cresceu e se transformou numa linda menina. Um nome bonito, um tanto incomum: Gaia. A inocência sofreu seus primeiros reveses quando a matricularam num internato religioso, dirigido por irmãs de caridade não tão caridosas. Aprendeu uma porção de coisas dispensáveis para o seu desenvolvimento físico, cultural e humano. Mentiras, ilusões, fantasias, idealismos românticos, puros exercícios de obscurantismo. E de poder. Mais: ser servil aos seus pais, aos mais velhos, aos superiores, aos mestres e ao marido, única meta que lhe foi apresentada de plena realização. Aprendeu a obedecer, sem nenhuma análise crítica, aos ensinamentos recebidos como o primor da educação. Sua infelicidade decorria da aceitação incontestada a tudo isso, sem decodificação. Ela acreditou sem jamais ousar que poderia desacreditar! 

Zeus 

Chegava a orar várias vezes por dia, ao amanhecer, às refeições, ao dormir e a toda hora em que se encontrava em estado de inquietação. Orava e voltava a declamar suas orações na perspectiva de que não tinham sido bem feitas, sem devoção, sem entrega. Não se despia para tomar banho. O sono era fiscalizado por uma das muitas noviças, que se revezaram nesse meritório mister. Foi batizada, crismada, fez a primeira comunhão, inúmeras outras, retiros espirituais, casamento religioso sem conhecimento da realidade conjugal e com medo de entregar a sua virgindade ao marido. Nove meses depois teve o primeiro filho. Depois outro, outro e mais outro. Todos educados sob rígida disciplina religiosa. O marido exercia o poder total, utilizando os seus direitos preconizados pela religião e os bons costumes da sociedade burguesa.  “Ele é o homem, eu sou apenas uma mulher.” 

Posídon 

As suas leituras se restringiam aos livros românticos e idealistas permitidos por seus superiores no colégio. Depois da adolescência cederam lugar aos livros religiosos (a Bíblia) e, mais recentemente, aos de autoajuda. O tempo de lazer, da faina de dona de casa, passava-o a assistir a novelas televisivas. Seu mundo mudou quando um primo lhe deu de presente, “num dia muito especial”, um livro de Flaubert, que sabia proibido pela Igreja. Abriu-se-lhe um novo mundo! Nunca mais deixou de se envolver com literatura. Leu Amado, Machado, Dumas, Proust e muitos mais. 

Sua vida tornou-se inquietante, desequilibrada entre a rigorosa disciplina que lhe impuseram e se impunha e a realidade do que lia, sentia, via e vivia. Não mais compreendia sua cabeça, seus sonhos, seus instintos, seu sexo, suas vontades, suas fantasias e, agora, o pânico, a insegurança, as enxaquecas, os suores frios, os descontroles emocionais. Muito menos entendia o marido e os filhos, esses em sua desenfreada caminhada através da adolescência para o mundo futuro. 

Fez ioga e, sem saber muito bem como, se deitou no divã de um psicanalista. Foi ele que, no curso do tratamento, lhe emprestou um livro de Freud. A partir daí começou a perceber seu mundo profundo, os mistérios da mente e seus descompassos com a realidade aparente. Mergulhou fundo nas profundezas de seu ser. No cavernoso mundo subconsciente e nos mistérios da mente. Não chegou a abandonar a religião, mas suas convicções se relaxaram; não se separou do marido, mas criou seu espaço, principalmente interior; não se curou, mas o melhor conhecimento das coisas, a verdade (aqui tida somente como a negação da mentira) lhe fez muito bem. Passou a viver mais feliz, a melhor entender a vida, sem a pretensão de explicá-la totalmente. Muita coisa que a atormentava anteriormente agora se fazia mais aceitável e palatável, sem os rigores do pensamento acrítico. Rebelou-se. Libertou-se. Emancipou-se. Não totalmente, ainda lhe restavam alguns grilhões do tempo da dominação. 

Hades 

A vida depois da vida é criação humana que tenta aliviar a dor da morte. O incréu vai ter uma grande surpresa (boa ou má) se estiver errado em suas convicções. O crente, nesse caso, nada. Assim pensava Gaia e conjeturava: como encarar a morte? Talvez os mais intelectualizados e cultos, entre eles os mais céticos e corajosos, não lutassem contra o inevitável. Deixar-se-iam morrer, simplesmente. Na doença optariam pela ortotanásia, quem sabe até pela eutanásia. Na Suíça, já existe o suicídio assistido em clínica especializada e legalizada. Talvez caminhemos para isso. 

Quando, já em idade provecta, a doença a pegou, esqueceu todas as teorias. Lutou galhardamente pela sobrevida ou pela cura. Teve sucesso. Viveu bem durante anos. A medicina posterga a morte e cobra a conta. Lembrou-se de Santo Agostinho: “A vida é mortal, a morte é vital”. Belo e lúcido jogo de palavras. 

Gaia passou a viver mais feliz consciente do ciclo da vida, assumiu seus cabelos brancos, rugas e manchas senis na pele. Mais tarde a idade lhe pesou mais. As pernas, inicialmente. A mente. O corpo inteiro, por fim. 

Apocalipse 

            O ser humano encheu-se de conhecimento, deu à luz avançadas tecnologias e técnicas, sistemas políticos e econômicos, todos exploradores, predatórios e destruidores da natureza, agressivos ao seu habitat e à vida. Gaia fenece e falece. Fecha-se o círculo vicioso. Ao fim, o retorno à paz do caos.

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P.S. do autor: Em interação com um leitor atento ele me fez ver que eu não deveria terminar o texto acima sugerindo o falecimento de Gaia (a Terra). Adverte-me que o falecimento será da vida na face da Terra e não da Terra, na alegoria representada por Gaia (a mulher personagem). Achei perfeita a colocação. Por mais que esteja consciente da armadilha do pensamento antropocêntrico (o homem como o centro do Universo) e queira dele escapar, o entendimento humano está impregnado desse engano. Tanto é que fiz a confusão do desaparecimento do ser humano (e da vida em geral) com o planeta Terra.

 

 

Genserico Encarnação Júnior, 69.

Itapoã, Vila Velha (ES)

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