JORNALEGO
ANO VII - Nº. 206, em 20 de
dezembro de 2008.
Análise cínico-irônica
QUE DELÍCIA DE
CRISE!
Diante dos excelentes resultados
decorrentes da atual crise financeira para o Establishment (os poderosos
e ricos do mundo), seria o caso de perguntar: teria ela, a crise, sido adrede
preparada para alcançar tais objetivos? Ou foi mera coincidência, simples obra
do acaso?
Que fique bem entendido: o Establishment
não tem nada a ver com a nação americana ou com qualquer outra nação. Nada a ver
com os Estados Unidos da América. O país, seu povo, suas contas nacionais, seu
nível de emprego, seu PIB. A propósito, o Produto e a Renda Nacionais são fluxos
periódicos. O que interessa mais é o estoque, o acúmulo de renda (formação de
capital): a riqueza nacional ou individual. Alguém, por exemplo, acredita que o
sistema financeiro mundial estaria perdendo dinheiro, enquanto se deterioram os
clássicos indicadores econômicos? E a indústria automobilística? E a indústria
petroleira?
Por acaso estariam perdendo seus
patrimônios ou o que está ocorrendo são meras transações virtuais que oscilam
diariamente. E à medida que oscilam grandes lucros vêm sendo gerados ou
transferidos para mãos mais espertas.
Grandes subsídios estão sendo
concedidos a esses grandes grupos. Alguém acredita que o sistema capitalista
esteja em perigo? Que os Estados Unidos estejam perdendo posição no concerto
mundial?
São bilhões e bilhões de dólares
transferidos às grandes corporações, num programa Robin Hood (ou da
bolsa-família) às avessas, onde se rouba dos pobres para doar aos ricos, sempre
sob a ameaça da espada de Dâmocles do desemprego.
A noção de pais vem sendo
superada. Não existe o país, a nação americana, por exemplo; o que existe é a
preservação do capital americano, na Europa, na Ásia, na América Latina, na
África, no cofre, debaixo do colchão. Na China, na Rússia, no Vietnam, na Arábia
Saudita, em Israel, no Brasil. Essa é a principal regra do investidor: não
colocar todos os ovos numa mesma cesta. O poder bélico americano existe para
defender os interesses americanos all over the world. Estejam onde
estiverem.
Isso que está acontecendo é
inerente ao sistema capitalista. Nada como uma bela crise (ou uma bela guerra)
para justificar a dilapidação do Tesouro da Nação, do bolso do contribuinte e a
intimidação do fator trabalho, do trabalhador. Não há ética, moral, porr...
caria nenhuma. Os governantes, os governos, os Estados são feitos por quem? Oh!
Pobre democracia!
Senão, vejamos: O preço do
petróleo caiu à terça parte do que estava sendo cotado em maio passado. Isso, no
começo do inverno do hemisfério norte quando a demanda por óleo se acirra, e os
preços costumam subir. Isso foi ótimo para uma economia dependente de petróleo
do exterior.
O Oriente Médio, os árabes, a
OPEP, os produtores de petróleo se fu... fulminaram. O perigo iraniano sossegou.
O Chavéz, da Venezuela, perdeu o ímpeto. O programa do biocombustível brasileiro
também. Com ele, postergou-se o grande sonho do aproveitamento de nossas
descobertas do petróleo do pré-sal.
Os países emergentes sentiram
profundamente o golpe. A classe trabalhadora mundial está oprimida, sob a ameaça
de desemprego em massa. Já se fala, no Brasil, do relaxamento da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT). Os Fundos de Pensão estão tremendo na base.
A Rússia, maior produtora de
petróleo e detentora das maiores reservas de óleo do planeta, viu diminuída a
sua importância. A China, o grande potencial concorrente do poderio econômico
americano, também vacila. A Europa e o Euro estão navegando em águas turvas. O
arquipélago japonês continua à deriva. O dólar se valorizou relativamente a
outras moedas, incluindo o Real.
De gorjeta pode ainda ter havido
certo benefício ambiental, com a redução da atividade econômica, sem a
necessidade de assinar nenhum Protocolo Internacional ou de tomar outras
providências mais drásticas.
Quanto à esperada mudança no
Executivo e no Legislativo na maior potência mundial da atualidade, quais são as
expectativas? Como diria o grande filósofo Luiz Inácio Lula da Silva, antes de
assomar à Presidência da República: “a diferença entre o Partido Democrata e o
Partido Republicano nos Estados Unidos é a mesma que existe entre a Coca Cola e
a Pepsi Cola”. Ou como diria outro grande filósofo brasileiro (Ibrahim Sued): “Sorry
periferia”.
Ó! Que delícia de crise!
God bless America!
Jingle
bells, jingle bells, jingle all the way...
Merry
Christmas and Happy New Year!
Estados Zunidos, jamais
serão vencidos!
Ho! Ho! Ho!