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Economia & Energia
Ano XVII-No 90
Julho
/Setembro 2013
ISSN 1518-2932

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Homenagem ao Prof. Francisco Magalhães Gomes

Desenvolvimento da Energia Nuclear: Minas e o BRASIL

 

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Nº 90: Julho / Setembro de 2013

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Economia e Energia - e&e  OSCIP

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Homenagem:

Francisco de Assis Magalhães Gomes
(1906-1990).

Marcio Quintão Moreno

Magalhães Gomes desempenhou papel fundamental para o avanço da ciência em Minas Gerais. Engenheiro de formação, exerceu por vários anos essa profissão mas optou em definitivo pelo magistério, tornando-se professor de Física, por concurso, na Escola de Minas de Ouro Preto, em que se formara, e na Escola de Engenharia de Belo Horizonte (integrante da UFMG a partir de 1947).

Na década de 1950 a energia nuclear parecia ser a solução ideal para a geração de energia abundante, barata e segura. Essa foi a motivação da proposta de Magalhães Gomes e de seu colega Candido Holanda de Lima à Escola de Engenharia da UFMG, em que eram professores, para criar em 1952 o Instituto de Pesquisas Radioativas – IPR, destinado às aplicações da energia nuclear e à formação dos engenheiros correspondentes. Além disso, argumentavam que essa nova área tecnológica, de nascimento tão recente, por requerer engenheiros de formação científica mais apurada, contribuiria também para modernizar domínios afins, como a Metalurgia e a Ciência dos Materiais.

Designado primeiro diretor do novo Instituto, empenhou-se Magalhães Gomes em sua organização com a energia já demonstrada em outras missões semelhantes. Já em 1952, nele foi estabelecido o primeiro curso de engenharia nuclear do Brasil e que atraiu um grupo significativo de jovens engenheiros que aspiravam a desafios inovadores. Alguns dos engenheiros nucleares nele formados iriam responsabilizar-se, a partir de 1960, pela montagem e operação do reator nuclear do Instituto, voltado para o treinamento de pessoal e a produção de radioisótopos, para cuja aquisição a Escola recebeu importante aporte financeiro do governo estadual.

Patriota sem resvalar para o nacionalismo vulgar, na década de 30 Magalhães Gomes liderara a Sociedade Mineira de Engenheiros na campanha dessa entidade em prol da criação em nosso País da indústria siderúrgica autônoma, afinal alcançada com a usina de Volta Redonda. Coerentemente, era defensor de um programa nuclear autônomo para nosso País e incentivou no IPR a tentativa de projetar um reator nuclear brasileiro, objeto das atividades do seu “Grupo do Tório”, as quais não puderam frutificar por terem sido interrompidas pelo golpe militar de 1964. Membro da Comissão Nacional de Energia Nuclear, dela se exonerou Magalhães Gomes no governo Castelo Branco, que reformulou profundamente a política nuclear nacional, caracterizada pela renúncia a qualquer veleidade de autonomia nessa questão, mas que para ele deveria ser objetivo prioritário.

A partir de 1968, coube a Magalhães Gomes organizar outra instituição importante na UFMG: o Instituto de Ciências Exatas (ICEx), criado no âmbito da reforma universitária então implantada. Seu descortino e sua habilidade foram decisivos para que fosse alcançada a necessária convivência harmônica de docentes e servidores administrativos de origem e formação diversas, antes pertencentes a diferentes unidades universitárias. Criaram-se sob sua direção as condições que permitiram  sustentar a modesta atividade de pesquisa já existente em algumas das áreas transferidas ao ICEx e os primeiros cursos de pós-graduação em Matemática, Física,  Química e Ciência da Computação; estabeleceram-se relações proveitosas com as agências financiadoras da pesquisa, tanto nacionais, como FINEP e CNPq, como estrangeiras, caso do BID e da Fundação Rockefeller. Empreendeu-se importante programa de doutorado de jovens docentes em Universidades estrangeiras de grande reputação, o que contribuiu, como se desejava, para consolidar a pesquisa científica como atividade regular e vigorosa em todos os departamentos do Instituto.

Magalhães Gomes assumiu a direção do ICEx quatro dias antes de editado o funesto AI-5 em 13 de dezembro de 1968; sua gestão iria pois transcorrer no clima angustiante da ditadura militar assumida, o que contrastava com suas convicções humanísticas inabaláveis. Para ele, a tolerância era uma prática cotidiana e inerente ao ambiente universitário, não um princípio abstrato a ser mencionado em discursos. Foi por isto, com risco pessoal, que ele assegurou na nova unidade universitária a indispensável liberdade de expressão e evitou que servidores e alunos fossem atingidos pela intolerância policial dominante.

Mesmo um resumo tão breve da vida de Magalhães Gomes não pode omitir que, para ele, exercer cargos públicos - e foram vários os que ocupou - era sinônimo de prestar serviço ao bem comum, jamais ocasião para adquirir notoriedade ou benefício pessoal, atitude tão infrequente em nossos dias.

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O brinde da foto faz parte da série: Criticalidade do reator TRIGA do acervo do CDTN. Vê-se na primeira fila, da direita para esquerda: Jair Carlos Mello, Mílton Campos, Omar Campos Ferreira, fundador da e&e e seu primeiro superintendente, Francisco Magalhães Gomes, Carlos Urban, Carlos Rodrigues. Na segunda fila, aparecem da esquerda para direita: duas pessoas não identificadas e Harry Gomes. Na terceira fila, da esquerda para direita estão Maurício Mendes Campos e um técnico da General Atomic e, por último, sozinho aparece uma pessoa não identificada.

Graphic Edition/Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
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Revised/Revisado:
Friday, 07 November 2014
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