Economia & Energia
Ano XV-No 81
Abril/junho
de 2011
ISSN 1518-2932

e&e  OSCIP

setae.gif (977 bytes)e&e in English

BUSCA

CORREIO

DADOS ECONÔMICOS

DOWNLOAD

OUTROS NÚMEROS

e&e  No 81

Apoio:

 

Página Principal

A Produtividade de Capital a partir dos Censos Agropecuários Brasileiros

A Construção de Centrais Hidroelétricas e o Desenvolvimento Sustentável

 

http://ecen.com
Vínculos e&e

Veja também nosso suplemento literário

http://ecen.com/
jornalego

A Produtividade de Capital a

partir dos Censos Agropecuários Brasileiros 

Carlos Feu Alvim

Editor - chefe da revista e&e

Claudio David Dimande

Doutorando do PENO/COPPE/UFRJ

Resumo

São feitas aproximações de produtividade de capital utilizando dados dos Censos Agropecuários do IBGE, agregando os grupos de atividade econômica em três setores: Agricultura, Pecuária e Outros. Para calcular a produtividade de capital, se substituiu o valor agregado, que não está disponível nos Censos, pelo valor da produção por se considerar que este último é uma fração constante do PIB agropecuário, o que se revelou uma medida apropriada. Conclui-se que o comportamento da produtividade de capital no período de 1970 -2006 apresentou um decréscimo tanto quando se considera o estoque de capital com o fator terra, ou com a exclusão deste fator.

Palavras-chave: produtividade de capital, agricultura, agropecuária, agronegócios

Abstract

Approximations to capital productivity using data from IBGE Agribusiness Census were made. In order to calculate capital productivity the aggregated values, which are not available in the Census, were substituted by the production values because they are a constant fraction of the agribusiness GDP and this proved to be an appropriate measurement. It was concluded that the capital productivity behavior in the 1970-2006 period has decreased considering the land factor or not. 

 

1.    Introdução

Em nota anterior, publicada na revista Economia & Energia No. 77, foi avaliada a produtividade de capital no setor Agropecuário com base nos censos do mesmo setor, publicados com uma periodicidade média de cinco anos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em tais censos são apresentados dados de estoque de capital e do valor de produção para determinados sub-setores ou atividades.

O objetivo deste trabalho é o de calcular a produtividade de capital em alguns sub-setores agropecuários. Como as atividades consideradas têm tido grande variabilidade ao longo dos censos, foi necessário agrupá-las em três grandes conjuntos, a saber: agricultura (que engloba produção de lavouras temporárias, lavouras permanentes e parte da agropecuária), pecuária (que considera pecuária, criação de outros animais e parte da agropecuária) e outros (que abarca horticultura, floricultura, silvicultura, extração vegetal e finalidades especiais).

Os censos agropecuários brasileiros contêm dados sobre o estoque de capital (K) dos estabelecimentos agropecuários. Além do estoque de capital, para a apuração da produtividade de capital é necessário possuir dados do valor agregado (VA) que não estão disponíveis diretamente. Não obstante, na apuração da produtividade global ou física pode ser usado o próprio produto agropecuário.

No cômputo do comportamento da produtividade de capital no setor agropecuário (como um todo e por atividade) foi usado como proxy de VA/K, a razão VP/K onde VP é o valor da produção que consta diretamente nos censos. Tal ação se baseia na hipótese de que o valor agregado seria uma fração aproximadamente constante do valor da produção.

Na apuração da produtividade de capital, foram consideradas duas hipóteses para o valor do estoque de capital incluindo ou não o valor da terra. Essa distinção se deve ao caráter especial da terra como fator de produção e como reserva de valor.

Este documento esta organizado da seguinte forma: na seção 2 apresenta-se o uso do produto como proxy do valor agregado. Na seção 3 se faz o agrupamento das atividades, na seção 4 apresenta-se o estoque de capital, valor da produção e valor agregado. Na seção 5 aborda-se o valor da produção/estoque de capital e produtividade de capital, finalizando com a seção 6 onde se apresentam as referências bibliográficas.

2.    Uso do Valor do Produto Como Proxy do Valor Agregado

A Tabela 1 apresenta o valor da produção dos estabelecimentos do censo e o valor do produto da agropecuára para o Brasil nos anos que foram realizados os censos. Ao se analisar a razão entre o Valor do Produto e o PIB do setor (que representa o Valor Agregado), nota-se um comportamento com pouca variabilidade, que chega a ser aproximadamente constante ao longo dos 36 anos analisados.

Tabela 1: Valor da Produção e PIB da Agropecuária no Brasil

PRODUTIVIDADE

1970

1975

1980

1985

2006

Unidades

(Mil Cruzeiros)

(Mil Cruzeiros)

(Mil Cruzeiros)

(Mil Cruzeiros)

(Mil Reais)

Valor da Produção (VP)

24.967.914

139.106.512

1.542.298.296

196.702.092

143.821.310

PIB Agropecuária (VA)

20.156.950

107.349.000

1.232.110.000

148.715.095

111.566.000

VA/VP

0,81

0,77

0,80

0,76

0,78

O comportamento de tal razão justifica a adoção VP/K como proxy da produtividade de capital de VA/K para estudo de seu comportamento relativo ao longo dos anos.

Deve-se ter em conta que os valores da razão VA/VP não se referem ao mesmo universo, já que o primeiro termo (VA) refere-se ao conjunto do setor e suprime, portanto, os insumos que são intrínsecos a ele, mas externos às empresas (trocas no mesmo setor). Além disto, o censo se refere às empresas visitadas e o produto da agropecuária, a toda a economia brasileira (Sistema Contas Nacionais, 2000).

Tratando-se de um setor primário, era de se supor que a razão VA/VP fosse alta, ou seja, que a maior parte do valor do produto seja gerada no próprio setor e não tenha origem em insumos externos ao setor ou à empresa, conforme o caso. Isto é o que efetivamente acontece e os valores encontrados (acima de 0,75) indicam também que os universos de apuração não são muito díspares, ou seja, o universo de empresas do censo cobre boa parte da produção do setor.

A Figura 1 ilustra o comportamento das razões VP/K, VA/K e VA/VP com o valor relativo a 1970. Note o comportamento praticamente constante do primeiro indicador e, como conseqüência, a coincidência da trajetória dos dois últimos indicadores.

 

Figura 1: Razões entre VA (produto da agropecuária nas Contas Nacionais e VP e K, que podem ser obtidos diretamente do censo.

Pode-se observar na Figura 1 que VA/K e VP/K têm o mesmo comportamento pelo fato de VA/VP ser aproximadamente constante, conforme assinalado anteriormente, para cada atividade k e ano i, pode-se supor que:

 (VA/K)i,k=(VP/K)i,k*(VA/VP)i                             (1)

onde o último valor se refere ao setor no ano (última linha da Tabela 1), e os valores para as atividades a cada ano de (VP/K)i,k são os apurados no item seguinte. Ou seja, foi adotada a hipótese de que a razão entre o valor agregado e o valor da produção para todas as atividades fosse igual ao do setor como um todo.

3.    Agrupamento das atividades

Os valores desagregados dos diferentes setores que são considerados nos censos agropecuários, em moeda do respectivo ano, são ilustrados na Tabela 2.

Tabela 2: Valor da Produção por setor

 

1970

1975

1980

1985

2006

VALOR DA PRODUÇÃO

24.967.914

139.106.512

1.542.298.296

196.702.092

143.821.310

(Unidades)

(Mil Cruzeiros)

(Mil Cruzeiros)

(Mil    Cruzeiros)

(Mil Cruzeiros)

(Mil Reais)

Agricultura

14.035.294

82.273.860

822.496.042

119.830.639

99.158.420

Pecuária

6.101.933

38.843.897

490.058.699

51.260.020

30.169.667

Agropecuária

2.105.899

5.567.650

54.024.686

3.595.979

 

Horticultura e Floricultura

307.067

1.622.782

16.126.963

2.127.345

5.032.101

Silvicultura e Reflorestamento

546.688

1.377.241

18.311.637

4.527.137

801.647

Avicultura

866.222

5.933.489

102.010.518

11.288.536

 

Apicultura/Cunicultura/Sericultura

18.700

191.928

1.693.733

354.661

 

Invernadas e campos de engorda

155.523

 

 

 

 

Extração Vegetal

700.419

3.295.665

 

 

 

Finalidades Especiais

130.169

 

37.576.018

3.717.775

 

Produção Florestal - Florestas Plantadas

 

 

 

 

5.921.815

Produção Florestal - Florestas Nativas

 

 

 

 

1.822.548

Pesca

 

 

 

 

19.988

Aqüicultura

 

 

 

 

895.124

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na apuração do valor da produção correspondente às atividades consideradas, foi adotado o critério de subdividir a atividade agropecuária entre agricultura e pecuária na mesma proporção de participação relativa desses dois setores no valor agropecuária + agricultura + pecuária. A classificação agropecuária (usada anteriormente para estabelecimentos que exerciam as duas atividades) desapareceu do censo agropecuário de 2006, que passou a classificar o estabelecimento pela atividade predominante, o que justifica essa ação.

Tabela 3: Valores da produção nas atividades como fração do total

Ano

1970

1975

1980

1985

2006

Moeda

Cruzeiros

(Cr$)

Cruzeiros

(Cr$)

Cruzeiros

(Cr$)

Cruzado

(Cr$)

Real

(R$)

Agricultura

0,562

0,591

0,533

0,609

0,689

Pecuaria

0,244

0,279

0,318

0,261

0,210

Agropecuária

0,084

0,040

0,035

0,018

 

Agricultura

0,621

0,619

0,555

0,622

0,689

Pecuária

0,270

0,292

0,331

0,266

0,210

Outros

0,109

0,089

0,114

0,112

0,101

Horticultura e Floricultura

0,012

0,012

0,010

0,011

0,035

Silvicultura e Reflorestamento

0,022

0,010

0,012

0,023

0,006

Avicultura

0,035

0,043

0,066

0,057

 

Apicultura/Cunicultura/Sericultura

0,001

0,001

0,001

0,002

 

Invernadas e campos de engorda

0,006

 

 

 

 

Extração Vegetal

0,028

0,024

 

 

 

Finalidades Especiais

0,005

 

0,024

0,019

 

Produção Florestal - Florestas plantadas

 

 

 

 

0,041

Produção Florestal - Florestas Nativas

 

 

 

 

0,013

Pesca

 

 

 

 

0,000

Aquicultura

 

 

 

 

0,006

  

A Tabela 3 ilustra os valores da Tabela 2 expressos em fração do valor total da produção, em moeda do respectivo ano. A parte sombreada na tabela mostra os valores da nova subdivisão do valor do produto entre agricultura, pecuária e “outros” que corresponde à soma das demais atividades.


4.    Estoque de Capital, Valor da Produção e Valor Agregado

Os valores do estoque de capital recebem tratamento similar obtendo-se os resultados indicados na Tabela 4 cujo comportamento da valorização do estoque de capital entre 1970 e 1985 é semelhante do valor da produção. Esses dados devem ser olhados com atenção porque o período considerado foi uma época de altos níveis de inflação (inclusive com mudanças de moeda) que tornam a avaliação do valor do estoque extremamente difícil. Também estão indicados os valores agregados obtidos pela multiplicação da relação VA/VP do setor para cada ano (última linha da Tabela 1) pelos valores da produção de cada atividade.

 Tabela 4 – Agregação do estoque de capital e Valor da Produção.

VARIÁVEIS

1970

1975

1980

1985

2006

 

Moeda

Cruzeiros
(Cr$) 

Cruzeiros
(Cr$) 

Cruzeiros
(Cr$) 

Cruzado
(Cr$) 

Real
(R$) 

ESTOQUE DE CAPITAL (com terra)

144.709.935

1.349.700.940

15.071.876.972

2.520.173.007

1.238.572.595

Agricultura

67.939.768

616.911.303

6.494.681.354

1.163.486.654

537.135.488

Pecuaria

67.251.233

650.089.134

7.379.230.659

1.218.407.142

610.993.655

Outros

9.518.934

82.700.503

1.197.964.959

138.279.211

90.443.450

 

 

 

 

 

 

VALOR DA PRODUÇÃO

24.967.914

139.106.512

1.542.298.296

196.702.092

143.821.310

Agricultura

15.503.069

86.055.899

856.349.937

122.349.236

99.158.420

Pecuaria

6.740.057

40.629.508

510.229.490

52.337.402

30.169.667

Outros

2.724.788

12.421.105

175.718.869

22.015.454

14.493.223

 

VALOR AGREGADO

20.156.950

107.349.000

1.232.110.000

148.715.095

111.566.000

Agricultura

12.515.847

66.409.649

684.120.137

92.501.194

76.919.813

Pecuária

5.441.344

31.353.939

407.611.717

39.569.288

23.403.410

Outros

2.199.760

9.585.412

140.378.146

16.644.614

11.242.777

5.    Valor da Produção/Estoque de Capital e Produtividade de Capital

5.1.       Estoque de capital incluindo o valor da terra

O valor da produção dividido pelo estoque de capital (com o valor da terra inclusa) para o setor de maneira geral, e para as três atividades é ilustrado na Tabela 5. Esses valores são tomados, neste trabalho, como proxy da produtividade de capital.

  Tabela 5: Valor da produção agropecuária pelo estoque de capital
 (com terra) por atividade.

 

1970

1975

1980

1985

2006

VP/K

0,17

0,10

0,10

0,08

0,12

VP agrícola/ K agrícola

0,23

0,14

0,13

0,11

0,18

VP pecuária/K. pecuária

0,10

0,06

0,07

0,04

0,05

VP outros/ K. outros

0,29

0,15

0,15

0,16

0,16

 

Os valores aproximados da produtividade de capital obtidos com o uso da expressão (1) estão indicados na Tabela 6. Eles resultam da divisão dos valores agregados pelos de estoque de capital, ambos indicados na Tabela 4. Esses valores estão representados na Figura 2.

 Tabela 6: Aproximação do valor agregado no setor da agropecuária pelo estoque de capital por atividade (produtividade de capital por  atividade). 

Produtividade

1970

1975

1980

1985

2006

Moeda

(Cruzeiros)

(Cruzeiros)

(Cruzeiros)

(Cruzeiros)

(Reais)

PIB Agrícola/Estoque de Capital

0,14

0,08

0,08

0,06

0,09

VA agricultura/K agricultura

0,18

0,11

0,11

0,08

0,14

VA pecuária/K pecuária

0,08

0,05

0,06

0,03

0,04

VA outros/K outros

0,23

0,12

0,12

0,12

0,12

 

 Figura 2: Comportamento da produtividade de capital (supondo-se que a razão VA/VP seja a mesma em todas as atividades).

No que concerne a comparação entre as atividades, a agrícola teve sempre produtividade bem acima da pecuária. A de “outros” só foi superada pela agricultura no último censo.

A produtividade de capital (incluindo terra) caiu para todas as atividades no início da década de setenta, como pode ser observado na Figura 2. A partir de 1975, a produtividade da pecuária e de “outros” ficou aproximadamente constante. A produtividade agrícola ainda se reduziu até 1985 para apresentar forte reação entre os censos de 1985 e 2006. Os fortes ganhos de produção por área plantada, apontados na nota anterior, devem ter contribuído para este aumento na produtividade (uma conclusão definitiva depende da análise dos preços dos produtos, do valor dos bens de capital, notadamente da terra, que também influem no resultado).

É ainda interessante comparar a distribuição de capital entre os diversos tipos de atividade e a distribuição do valor do estoque de capital ao longo dos anos. Isto é feito na Figura 3 (VA) e na Figura 4 (K).

Figura 3: Evolução da participação das atividades no Valor do Produto por VA

Esses resultados foram parcialmente comentados anteriormente, não obstante na Figura 3 se destaca a ascensão da participação da produção agrícola. Na nota anterior foi mostrado que a produtividade física (produto agrícola a preços constantes por ha) praticamente dobrou entre 1980 e 2000. Faz todo sentido, pois foi nessa época que as pesquisas da Embrapa começaram a dar resultados depois de anos de investimentos

Participação da Atividade no Estoque de Capital do Setor

Figura 4: Evolução da participação das atividades no estoque de capital

Na Figura 4 representa-se a evolução da participação das atividades no estoque de capital. A participação dos três grupos é aproximadamente constante (ao longo do tempo). Agricultura e pecuária têm valores de participação próximos. No valor da produção, no entanto, predomina a agricultura notando-se um ganho da agricultura sobre a pecuária, provavelmente ligado ao aumento da produtividade física por área plantada.

5.2.       Estoque de capital excluindo o valor da terra

O tratamento dos dados com a exclusão do valor da terra se deve ao caráter especial desse bem (a rigor um recurso natural) que só se enquadra dentro do conceito de capital resultante de investimentos reais na medida em que sejam contabilizados os recursos empregados para torná-la produtiva e que representam apenas uma fração do “valor da terra”.

 Tabela 7 - Valor do estoque de capital com a exclusão do valor da  terra.

VARIÁVEIS

1970

1975

1980

1985

2006

Moeda

(Mil Cruzeiros)

(Mil     Cruzeiros)

(Mil       Cruzeiros)

(Mil     Cruzeiros)

(Mil            Reais)

ESTOQUE DE CAPITAL

66.904.141

408.951.861

5.554.228.143

901.762.754

364.366.053

Agricultura

31.060.340

189.604.266

2.310.755.035

427.610.510

158.230.715

Pecuária

30.686.249

179.738.984

2.489.241.348

410.210.357

173.015.167

Outros

5.157.552

39.608.611

754.231.760

63.941.887

33.120.169

 

Com a exclusão do fator terra, na Tabela 7 e ilustrado percentualmente na Figura 5, passa a existir uma distribuição equitativa entre a agricultura e a pecuária ao longo dos anos. O comportamento esperado é que ao excluir a terra, a pecuária apresentasse comparativamente na Figura 4 uma participação menor (a pecuária é mais intensiva em uso de extensão de terra). A redução, no entanto, é pouco significativa.

Figura 5 - Participação das Atividades no Estoque de Capital do Setor excluindo o valor da terra.

Ao se fazer uma analise do estoque de capital com e sem terra (Tabela 8), vê-se claramente que os valores nos setores de agricultura e pecuária sempre estiveram equitativos, isto é, tiveram quase o mesmo valor, não diferindo muito, não obstante serem atividades diferentes e cada sub-setor ter uma cadeia produtiva com as suas particularidades.

Tabela 8 – Valor da terra, estoque de capital com terra e sem terra.

Estoque de Capital

1970

1975

1980

1985

2006

Unidades

(Mil Cruzeiros)

(Mil Cruzeiros)

(Mil
Cruzeiros)

(Mil Cruzeiros)

(Mil
 Reais)

Estoque de Capital com terra

144.709.933

1.349.700.942

15.071.876.975

2.520.548.289

1.238.572.595

Estoque de Capital sem terra

66.904.141

408.951.861

5.554.228.143

901.762.754

364.366.053

Variáveis

1970

1975

1980

1985

2006

Total valor da terra

77.805.795

940.749.078

9.517.648.832

1.618.691.069

874.206.542

Unidades

(Mil Cruzeiros)

(Mil Cruzeiros)

(Mil Cruzeiros)

(Mil Cruzeiros)

(Mil Reais)

Agricultura

36.879.428

427.307.037

4.183.926.319

735.876.144

378.904.773

Pecuária

36.564.984

470.350.150

4.889.989.311

808.196.785

437.978.488

Outros

4.361.382

43.091.892

443.733.199

74.337.324

57.323.281

A Tabela 9 mostra a participação da terra no estoque de capital (valor dos bens) para o setor agropecuário e as atividades consideradas. Com efeito, o valor da terra tem uma participação ligeiramente superior no estoque de capital em relação à da agricultura.

  Tabela 9 – Participação da terra no valor dos bens.

Estoque de Capital

1970

1975

1980

1985

2006

Total (valor da terra/ K)

54%

70%

63%

64%

71%

Agricultura

54%

69%

64%

63%

71%

Pecuária

54%

72%

66%

66%

72%

Outros

46%

52%

37%

54%

63%

  Tabela 10 - Valor da produção/estoque de capital por atividade (terra excluída)

Produtividade

1970

1975

1980

1985

2006

Moeda

(Mil Cruzeiros)

(Mil Cruzeiros)

(Mil Cruzeiros)

(Mil Cruzeiros)

(Mil Reais)

VP/Estoque de Capital

0,37

0,34

0,28

0,22

0,39

VP Agrícola/ K Agrícola

0,50

0,45

0,37

0,29

0,63

VP Pecuária/ K Pecuária

0,22

0,23

0,20

0,13

0,17

VP Outros/ K Outros

0,53

0,31

0,23

0,34

0,44

 

 Tabela 11 - Aproximação do valor agregado no setor da  agropecuária pelo estoque de capital por atividade  (produtividade de capital por atividade).

Produtividade

1970

1975

1980

1985

2006

Moeda

(Mil Cruzeiros)

(Mil Cruzeiros)

(Mil Cruzeiros)

(Mil Cruzeiros)

(Mil Reais)

PIB Agrícola/Estoque de Capital

0,30

0,26

0,22

0,16

0,31

VA agricultura/K agricultura

0,40

0,35

0,30

0,22

0,49

VA pecuária/K Pecuária

0,18

0,17

0,16

0,10

0,14

VA outros/K outros

0,43

0,24

0,19

0,26

0,34

 

Sem o valor da terra no estoque de capital (K) os valores da produtividade de capital (VA/K) mostrados na Tabela 11 são obviamente maiores que os obtidos considerando-se o valor da terra (Tabela 8). Os valores para o setor são como era de se esperar, valores médios em relação às atividades. A Figura 6 ilustra os dados da Tabela 11.

    

Figura 6 - Produtividade de Capital por atividade (estoque de capital sem terra).

    Para o setor agropecuário, a produtividade de capital decresce até 1985 e cresce no censo de 2006, recuperando o nível de 2006. Esta recuperação se deve sobretudo à agricultura. A recuperação para “outros” também é grande, mas tem pouco peso na média. A pecuária não havia recuperado em 2006 a produtividade do ano inicial.

O cenário de queda na produtividade de capital faz todo sentido para a economia como um todo, pois é nesse período que ocorre o chamado milagre econômico brasileiro, caracterizada pela forte entrada de capital externo, crescimento econômico recorde, inflação baixa e projetos desenvolvimentistas como a Transamazônica e Ponte Rio - Niterói, grandes incentivos fiscais à indústria e à agricultura, construção de importantes rodovias e a conclusão do acordo com o Paraguai para construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Todos esses fatores podem ter contribuído para o decréscimo da produtividade de capital a partir do início da década de 70. A produtividade agrícola seguiu um ritmo semelhante. Diferentemente da produtividade do todo da economia, ela experimentou uma forte recuperação entre 1985 e 2006.

Figura 7: Produtividade de Capital com terra e sem terra

E finalmente, na Figura 7, são comparadas duas produtividades de capital, com terra e sem terra. Em ambos os casos houve um decréscimo até 1985 e uma recuperação em 2006. A diferença de níveis entre ambos se dá devido à fração (terra) subtraída. Note-se que a produtividade de capital foi avaliada para o Brasil (e&e No 74) em cerca de 0,4 para o conjunto da economia. Mesmo sem incluir o valor da terra, a produtividade da agropecuária seria ainda inferior à média da economia no ano de 2006. No entanto, deve-se considerar que o produto originário da atividade agropecuária agrega valor em várias etapas posteriores do ciclo da agroindústria e dos serviços, contribuindo assim para alavancar outros setores da economia menos intensivos em capital.

Conclusão

Os censos agropecuários brasileiros apresentam uma informação importante, que é o estoque de capital subdividido em diversos itens. O componente mais variável desse estoque é o valor atribuído a terra. Quando se exclui a terra nota-se que os componentes agrupados como “Agricultura” e “Pecuária” têm uma distribuição (quase) equitativa, e existe uma notável igualdade do estoque de capital relativo ao valor da produção. Conclui-se que a produtividade de capital (com a terra inclusa e com a sua exclusão) por grupos de atividades apresentou um decréscimo no inicio da década de 70. O fosso de informações que existe de 20 anos em que não foram publicados dados de estoque de capital não permite conhecer a trajetória da produtividade de capital entre 1986 e 2006. O que se pode dizer (certamente) é que a produtividade de capital de ambos os casos (com terra e sem terra) decresceu sistematicamente entre 1970 e 1986 e que a de 2006 é significativamente superior à de 1986.

2.    Referências Bibliográficas

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. 2006. 

Censo Agropecuário Brasil. Rio de Janeiro: IBGE.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. 1995/1996. 

Censo Agropecuário Brasil. Rio de Janeiro: IBGE.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. 1985.

Censo Agropecuário Brasil. Rio de Janeiro: IBGE.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. 1980. 

Censo Agropecuário Brasil. Rio de Janeiro: IBGE.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. 1975.

Censo Agropecuário Brasil. Rio de Janeiro: IBGE.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. 1970

Censo Agropecuário – Brasil. Rio de Janeiro: IBGE.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA/ SISTEMA DE CONTAS NACIONAIS do BRASIL/2000

 

Graphic Edition/Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a

Revised/Revisado:
Monday, 31 October 2011
.

Contador de visitas