Economia & Energia
Ano XV-No 79
Outubro/Dezembro
de 2010
ISSN 1518-2932

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Workshop sobre Produtividade de Capital no Brasil: Diagnóstico e Proposições

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Artigo:

Workshop sobre Produtividade de Capital no Brasil: Diagnóstico e Proposições

Economia & Energia OSCIP

Resumo: São apresentadas as palestras dos participantes no evento. Foi enfatizada a necessidade de aumentar a produtividade de capital no Brasil para que os investimentos possam propiciar o desenvolvimento necessário na presente década. Foi proposta a criação de um Centro de Excelência sobre Produtividade de Capital de modo a buscar melhores resultados para os mesmos investimentos.

Abstract: A summary of the presentations of the participants in the event is given. It was emphasized the need of increasing capital productivity in Brazil so that investments could propitiate the necessary development in the present decade. It was proposed the creation of an Excellence Center in Capital Productivity that will help to obtain better results for the same investments.

Keywords: Brazil, capital productivity, workshop, Excellence Center

A Produtividade de Capital no Brasil é Tema de Workshop no BNDES

Foi realizado no auditório do BNDES o workshop “Produtividade de Capital no Brasil: Diagnósticos e Proposições” realizado no auditório da sede do BNDES no dia 13/12/2010. O tema foi tratado do ponto de vista nacional considerando o comportamento da economia como um todo e os setores petróleo e agropecuário. A constituição de uma rede coordenada por um centro de excelência sobre o assunto foi discutida como forma de propiciar o incremento da produtividade de capital e desse modo possibilitar o ritmo de desenvolvimento desejável para a presente década.

Termo de Parceria inclui Workshop para discussão do tema.

A Organização Economia & Energia (e&e) assinou um Termo de Parceria sobre Produtividade de Capital com o MCT (Secretaria de Tecnologia Industrial

Básica). O objetivo deste Termo de Parceria foi diagnosticar a Produtividade de Capital no Brasil, discutir e propor instrumentos capazes de incentivar medidas que incrementem a produtividade dos investimentos.

Esse workshop estava previsto dentro deste Termo de Parceria, que contou com o suporte do CNPq através da Linha de Fomento Pró-Inova desta instituição e o apoio do Espaço Centros e Redes de Excelência - ECENTEX/COPPE/UFRJ.

As intervenções dos participantes e as propostas feitas para possibilitar a melhora deste índice no País forneceram uma base para a criação de um centro que possa integrar todos os que poderão contribuir para aumentar a produtividade de capital.

O Evento

O evento contou com a participação de 60 pessoas pertencentes ao quadro de funcionários do BNDES, da Petrobrás, ECENTEX/COPPE/UFRJ, além de estudantes e professores da UFRJ, FGV, dentre outros.

A mesa de abertura do workshop, foi composta pelos seguintes menbros: o Dr. João Carlos Ferraz (Diretoria do BNDES), o Sr. Sérgio Quintela (Vice-Presidente do FGV-RJ) e o Dr. José Israel Vargas (Presidente do Conselho da Organização Economia & Energia e ex-Ministro de Ciência e Tecnologia).

Como anfitrião do evento, o Dr. João Carlos Ferraz fez a abertura do Workshop frisando a importância da tríade “investimentos - inovação e produtividade de capital”. Mencionou, o resultado positivo no investimento a ser alcançado no ano de 2010, que deve atingir cerca de 19% do PIB. Ele estima que os dados do BNDES, baseados em informações do lado da demanda de bens de capital indicam, inclusive, um valor superior ao do IBGE, baseado na oferta desses bens. Como exemplo, mencionou o setor de energia para o qual os dados do IBGE são 20% inferiores aos do BNDES.

A seguir, o Dr. Ferraz informou que o BNDES submeteu ao governo de transição uma proposta de renovação da política industrial do desenvolvimento produtivo, tendo como foco os investimentos, a inovação, as exportações e o apoio às micro, pequenas e médias empresas. O objetivo da proposta é incorporar à política industrial a qualificação do trabalho, a produtividade de trabalho (por exemplo, no setor de manufatura o Brasil tem um índice de 15 e os EUA, 100); e finalmente, incorporar metas de produção mais limpa.

Ele ressaltou ainda que o emprego industrial no Brasil tem aumentado, mas as exportações de produtos manufaturados estão decrescendo, e se for feita a relação “valor de transformação industrial/valor bruto da produção”, notar-se-á que existe uma queda na indústria de transformação do produto no Brasil. Por isso, o BNDES esta envidando esforços para aumentar a participação da indústria intensiva em conhecimento na estrutura industrial brasileira.

Em seguida, foi passada a palavra ao Dr. José Israel Vargas, que inicialmente ressaltou a grande contribuição feita ao País pelo senhor Sérgio Quintela (componente da mesa) ao fundar a empresa Internacional Engenharia. Frisou, também, a importante contribuição do senhor Jose Pelucio Ferreira, ex-diretor do BNDES e lançador do primeiro programa estatal direcionado a Ciência & Tecnologia (C&T), e que determinava que 1% do lucro do BNDES deveria ser alocado a esta área, além de ter sido co-fundador da COPPE/UFRJ.

Continuando sua exposição  o Dr. Vargas mencionou que estudos preliminares têm mostrado que a produtividade de capital no Brasil decresce com a renda do trabalho e que os investimentos em C&T podem reduzir essa queda. Frisou que o Brasil enfrenta uma situação complicada, mormente na inovação e agregação de valor aos produtos e a participação dos setores de transformação industrial, que está decrescendo como conseqüência do aumento das exportações de commodities.

Elucidou ademais, que não há inovação sem inteligência e não há inteligência sem educação. Paralelamente, o Brasil se ressente do analfabetismo que persiste (10 % em adultos). O quadro fica pior quando se acessa o trabalho da OCDE e se nota que na avaliação (conhecimentos de leitura e ciências) de jovens de até 15 anos, o Brasil ocupa 53º lugar entre 154 países. A China foi a primeira classificada em todas as matérias. Ainda que se considere que houve progressos no caso do Brasil, tal quadro é incompatível com a posição de décima economia do mundo.

A economia brasileira é uma economia que só é grande porque é perdulária (usa matéria prima e tem rendimento do trabalho baixo). Segundo o palestrante os fundamentos do desenvolvimento/inovação comprovam essa tese, se não vejamos: do total de patentes registradas no Brasil, 90% são de não residentes e apenas 10% são de residentes. Dos residentes, a “maioria” provavelmente é de firmas internacionais que aqui se estabeleceram. A título de comparação, só a universidade da Califórnia detém mais patentes que a Índia e a China juntas. Na lista dos países em desenvolvimento, o Brasil ocupa o 13º lugar e o 35º lugar de maneira universal.

Mencionou também que qualquer que seja a atividade criativa, a transformação do conhecimento em produtos/serviços passa pela engenharia. “É preciso engenheirar as coisas”, frisou o palestrante. O Brasil possui 130 mil vagas para os cursos de engenharia, dos quais se formam anualmente 30 mil estudantes e destes, apenas 10 mil são considerados de qualidade aceitável. A melhor universidade do Brasil, a USP é a 150º na classificação universal e a universidade de Pequim é a 12º. 

Por último, foi passada a palavra ao senhor Sergio Quintela. Este concordou com o postulado do Dr. Vargas, frisando que o Brasil vive um momento ímpar de grandes desafios, e que há carência de meios para responder aos desafios como os do pré-sal, por exemplo. A Petrobras possui números de investimentos que a engenharia brasileira não está inteiramente preparada para absorver, e já se cogita de ajustar  os cronogramas da Petrobras para que seja mantida a participação dos fornecedores nacionais de bens e serviços. No entender do palestrante, a indústria brasileira como um todo não está preparada para a demanda atual e, em particular, a engenharia brasileira não está preparada para dar resposta aos projetos de engenharia básica que estão surgindo. Ressaltou a importância do trabalho do BNDES, juntamente com as entidades privadas, para enfrentar e vencer as dificuldades existentes, como ele acredita que acontecerá.

Assim finalizou-se a abertura do evento e iniciou-se a abertura dos painéis.

Seção I – Produtividade de  Capital no Brasil

O primeiro palestrante foi o Sr. Eustáquio Reis (IPEA) e o título de sua palestra foi “Comportamento do Estoque e da Produtividade de Capital no Brasil de 1950/2010”. Este iniciou sua explanação pontuando que a produtividade de capital tem um grande problema, que é o de definir o que é capital.

Em termos macroeconômicos, a produtividade determina os fundamentos de lucratividade, competitividade, salários, taxa de crescimento econômico e bem estar da economia em longo prazo.

Assume-se sempre que o fluxo de produto e o fluxo do estoque estão relacionados. O fluxo de capital geralmente calcula estoques líquidos pelo método do estoque perpétuo, onde a média de depreciação industrial é de 20 anos, e o de casas e residências é de 50 anos. Os EUA têm agencias que calculam cada componente do estoque de capital. Calcula-se a produtividade pela relação produto/insumo (produto/trabalho no caso deste insumo). No caso da produtividade de capital,  substitui-se o denominador trabalho pelo capital.

A forma mais canônica de se calcular a produtividade é através da produtividade total dos fatores onde a elasticidade do produto em relação ao emprego do capital ou trabalho está patente. Por sua vez, a função produção (Cobb-Douglas) descreve a relação entre fluxo de produto e o fluxo de serviços prestados pelos fatores de produção.

Finalmente, apresentou os resultados do estoque de capital para a indústria. São resultados preliminares e não conclusivos, que mostram a redução da produtividade. Concluiu afirmando que na agricultura a na agroindústria é onde está o desafio tecnológico e mercadológico no que tange ao problema de agregação de valor aos produtos.

A seguir, o Dr. José Gasques (IPEA/MAPA) tomou a palavra para proferir a palestra “A Produtividade de Capital na Agropecuária Brasileira”.

Iniciou sua fala mostrando a fonte dos seus dados (produto agrícola municipal, produção pecuária municipal, os índices de terra, máquinas, defensivos agrícolas, trabalho e insumos, e a forma de depreciação do estoque de capital, em torno de 16 anos. A grande dificuldade é ter acesso aos dados sobre preços e quantidades anuais.

Para fazer o cálculo utiliza-se o índice de Tornqvist em que a quantidade de produto está relacionada com a quantidade de insumos. A Produtividade Total dos Fatores consegue elucidar que a produtividade aumenta não devido ao aumento dos insumos, mas devido ao aumento da qualidade dos insumos. Neste método, não é preciso deflacionar os valores.

 Nota-se que a produtividade física da agropecuária no período de 1975 – 2009 cresceu a uma taxa média de 3,64%, contra 0,13% do índice dos insumos, 0,68% da produtividade de capital e 3,57% da produtividade total dos fatores. A mão de obra do setor teve crescimento negativo. Isto mostra que a agropecuária brasileira está expandindo o produto com pouco uso deste insumo.

No Brasil a produtividade na agropecuária está crescendo a uma taxa (3,51% ao ano) maior que a dos Estados Unidos (1,87%). Isso se deve aos investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento, acesso a terras férteis, investimentos em créditos rurais, aumento da qualificação da mão de obra e aperfeiçoamento da eficiência das máquinas. Mas a tendência é que essa taxa diminua com o decorrer do tempo, pois não tem como se manter. O grande desafio é aperfeiçoar os métodos de mensuração e possuir uma base de dados como a dos EUA.

Posteriormente, foi passada a palavra ao senhor Hermes Gomes Filho (Petrobrás) para falar sobre “Os investimentos na Petrobrás”. Este iniciou sua palestra falando sobre a participação do Petróleo (33%) na demanda energética mundial e como se projeta que até 2030 o Petróleo continuará tendo um papel predominante na dita matriz. Haverá uma adição da capacidade mundial de 50 milhões de barris/dia. Os recursos para atender tal demanda viriam das águas profundas e ultra-profundas, no caso do Brasil, a um custo de 50 – 70 dólares.

Não se vislumbra escassez de petróleo nem em longo prazo, mas sim o custo de oferta de petróleo. Com o crescimento do consumo per capita subindo, o mercado Brasileiro tem um grande desafio devido à demanda gerada pelas novas capacidades.

A Petrobrás tem um plano de investimentos de 224 bilhões de dólares no período de 2010-2014, 95% do total no Brasil. A parceria com a indústria nacional será de 142,2 bilhões de dólares, uma média de 28,4 bilhões de dólares/ano. Serão 46,4 bilhões dólares em investimentos nos projetos desenvolvidos com parceiros, que têm grande importância no aumento da produtividade. Investimentos em pesquisa e desenvolvimento, tecnologia de informação e segurança do trabalho terão investimentos de mais de 10 bilhões de dólares no período.

Destes investimentos, 50% estarão concentrados na área de Exploração e Produção (E&P), enquanto os outros se dividem em Refino & Transporte, Gás e Energia. A necessidade de recursos de terceiros foi de 96 bilhões de dólares e a Petrobras terá uma grande atuação nas regiões Sudeste e Nordeste, mas colocando investimentos em todo território nacional.

A Petrobras, na camada do pré-sal, tem um índice de sucesso de 80%, sendo que a media da indústria é de 40%. Almeja-se que até 2020 a Petrobras esteja posicionada como umas das 3 melhores do mundo, com uma produção de 5 milhões de barris óleo equivalente dia.

O palestrante encerrou apontando os desafios dos próximos anos: capacidade de execução de elevado número de grandes projetos, fortalecimento e garantia da cadeia de suprimento, controle de recursos (custos X prazos), desafios de recursos humanos e financiabilidade.

Encerrou este primeiro painel o diretor da OSCIP Economia & Energia, o Dr. Carlos Feu Alvim para falar da “Produtividade de Capital como Agente de Inovação, Investimentos e Crescimento do PIB – Resultados alcançados no Termo de Parceria e&e e MCT”.

O Palestrante iniciou a apresentação mostrando a evolução da produtividade de capital no Brasil, de como esta passou de um patamar de 0,85 a 0,65 em 30 anos. Quando se considera a produtividade de capital a preços constantes, a preços correntes bem como o fator de utilização, nota-se que houve uma queda na produtividade de capital, principalmente em meados da década de 70 e 80.

Itália, Japão, Correia e Espanha estão em um processo de queda da produtividade de capital na medida que aumenta a produtividade do trabalho, como descrito na função de produção de Cobb-Douglas. Este é um processo que conduz à retenção de crescimento, mas nos Estados Unidos a produtividade de capital vinha crescendo até a crise atual.

No Brasil, o Setor Petróleo, especificamente, multiplicou a produtividade de capital na área de Exploração e Produção por um fator 4, e chegou a um valor que é o dobro da  economia brasileira em geral. Parte desse aumento (cerca de 50%) se deve ao preço do petróleo. O grande problema nesse setor é que a produção tem um retardo de 4-5 anos em relação ao investimento.

 Já no setor agropecuário, aconteceu uma revolução tecnológica e a produtividade do trabalho cresceu enormemente, já que o crescimento do uso de mão de obra foi negativo. A produtividade em relação à area cultivada (indicador de produtividade de capital) neste setor a preços constantes dobrou, a preços correntes permaneceu mais ou menos constante. Esse aumento da produtividade foi, portanto, transferido para o preço do produto. Os outros países conquistaram resultados semelhantes ou menores com subsídios, o que coloca a agricultura brasileira em condições excepcionais de competitividade. Terminou sua palestra dizendo que o Brasil precisa fazer mais com menos. E com esta palestra terminou o primeiro painel.

Seção II – Bases e Instrumentos para Aumento da Produtividade de Capital. Proposta de Rede de Excelência para Produtividade de Capitalno Brasil

O segundo painel teve como primeiro palestrante o senhor Laerte Galhardo (EPC-Petrobrás) que falou sobre o “Centro de Excelência em EPC13”. O palestrante apresentou inicialmente a instituição, que foi criada em 2008 com a missão de integrar todos os elos da cadeia em prol do aumento da competitividade e produtividade. Possui entre seus associados 4 Operadoras de Óleo e Gás, 19 Instituições de Ensino e Pesquisa 18 Associações de Classe e 47 empresas da Cadeia de EPC que pagam anuidade e ajudam a manter os custos operacionais.

O grande foco do centro de excelência em EPC é trabalhar com métricas de desempenho produtivo, educação continuada, desenhar projetos com alto conteúdo nacional e a busca de integração universidade-empresa. O Centro de Excelência em EPC possui projetos estruturantes com foco em redução de custos, engenharia consultiva, modelo de contrato nacional comparado ao internacional, comissionamento, gestão da cadeia de fornecedores, desenvolvimento de projetos básicos, banco de métrica de soldagem e capacitação continuada online. Recentemente, professores associados ao Centro de Excelência visitaram canteiros de obras internacionais e visitaram também os 5 maiores canteiros de obras nacionais, fazendo comparações entre o observado no exterior e no Brasil e fizeram proposições de melhorias.

Na atualidade, o Centro de Excelência em EPC possui dois projetos relacionados à produtividade: um que já foi concluído, que trata mais de estabelecimento de métricas e incorporação de lições aprendidas. O segundo é a gestão da produtividade em obras da Petrobras, em obras correntes que estão sendo executadas.

Frisou que a produtividade do trabalho brasileira está muito aquém do desejado. A Petrobras age como um indutor de melhorias em todos os setores. Os grandes desafios são: formação de profissionais e criar uma cultura de produtividade no Brasil.

O Engenheiro José Fantine, Coordenador do ECENTEX/COPPE/UFRJ tomou a palavra para fazer a proposição de um “Centro de Excelência para Produtividade de Capital”. Iniciou sua palestra concordando com os demais palestrantes sobre o fato de que o Brasil precisa crescer. E uma alternativa para a contribuição nesse sentido seria a criação do um Centro de Excelência em Produtividade de Capital.

Na atualidade, existe uma grande pressão social; somada a esta questão, está a questão ambiental, a globalização e uma feroz competição, o que levou à seguinte pergunta: como melhorar diante deste cenário?

No caso da formação de um Centro de Excelência em Produtividade de Capital, a primeira coisa a se fazer é entender e dominar os conceitos básicos sobre dita matéria.

É preciso trabalhar para gerar mais com o capital investido, melhorar a escolha dos investimentos, buscar melhores resultados para os mesmos investimentos, redução dos custos e de custeio. Continuando, o palestrante apresentou uma estrutura matricial básica para a formação de centros de excelência visando integrar todos os elementos que se concatenam entre si. A conclusão é que um Centro de Excelência está sempre na busca contínua da vanguarda, do estado da arte.

A seguir tomou a palavra o Sr Solon Guimarrães Filho para falar sobre o “Centro de Excelência em Soldagem”.

Inicialmente apresentou a FBTS (Fundação Brasileira de Tecnologia de Soldagem) e seu organograma, e a seguir apresentou o objetivo do surgimento da FBTS, que era o de dotar o país de uma instituição de desenvolvimento tecnológico em soldagem, a exemplo das existentes nos países desenvolvidos tais como o The Welding Institute da Inglaterra, o Institut de Soudure da França e o Edison Welding Institute dos EUA.

O que catalisou o surgimento da FBTS foi a Implantação dos sistemas definitivos de desenvolvimento da produção, na Bacia de Campos, esta uma obra com uso intensivo de soldagem.

Nesse mesmo momento, havia a construção simultânea de 7 plataformas fixas de grande porte, estas consideradas obras sem precedentes cuja a responsabilidade cabia a uma única empresa, sendo realizada pela primeira vez em águas profundas no Brasil. Nos primeiros anos identificaram-se como lacunas:

· A promoção no país da formação regular de Inspetores de Soldagem Níveis 1 e 2;

· Credenciar-se como Órgão Certificador para Inspetores de Soldagem;

· Capacitar-se como certificadora para equipamentos, produtos e consumíveis de soldagem, produzidos no Brasil ou importados;

· Capacitar-se como certificadora de procedimentos de soldagem;

· Habilitar-se como coordenadora de projetos especiais – multiclientes necessários.

O palestrante afirmou que os recursos da FBTS provêm da prestação das seguintes atividades: Cursos regulares para formação dos Inspetores de Soldagem; Certificação dos Inspetores de Soldagem; Certificação de Produtos e Procedimentos de Soldagem; Consultoria, Contratos de Gestão Tecnológica, Desenvolvimento de Projetos para múltiplos clientes e anuidades de empresas associadas.

Apresentou também alguns projetos estruturantes, alguns já finalizados e outros em andamento. Como ações visando aumentar a produtividade, foi feita a contratação de uma consultoria externa para diagnosticar e propor uma “estratégia para o aumento da produtividade e redução de custos na fabricação e na construção soldada no setor petróleo”. O palestrante finalizou dizendo que o centro de excelência em soldagem está atingindo os objetivos para os quais foi proposto.

A última apresentação foi do Almirante Costa Fernandes, Diretor do Centro de Excelência para o Mar Brasileiro (CEMBRA), cujo titulo da palestra foi: ”Centro de Excelência para o Mar Brasileiro”.

Este iniciou sua fala contextualizando o surgimento desta instituição (CEMBRA), que remonta a 1997, quando o então Ministro da Ciência e Tecnologia, José Israel Vargas, criou no mesmo ano uma Comissão Nacional Independente sobre os oceanos que fazia parte de um escopo maior, a Comissão Mundial sediada na UNESCO, cujo objetivo era elaborar um relatório sobre o Ano Internacional do Mar; em 1998 tal Comissão foi dissolvida.

Visando aproveitar os subsídios que haviam sido gerados no curto espaço de existência de tal Comissão, decidiu-se juntar todo o material e publicar um livro (O Brasil e o Mar no Século XXI: Relatório aos Tomadores de Decisão do País), que abarcava desde os aspectos jurídicos do mar, passando pelos interesses econômicos, os recursos minerais, a pesca, portos, a aqüicultura, turismo marítimo, etc.

Tal publicação tinha sido concebida com três características, a saber: todos os capítulos referentes ao mar deveriam ser abrangentes, com o direcionamento claro de dar subsídios aos tomadores de decisão. A última característica se referia à inclusão da pesquisa nacional da opinião publica sobre o mar.

E mais recentemente, visando suscitar uma discussão sobre o mar, decidiu-se por uma ação que fosse além da reedição do livro anterior. É nesse contexto que surge a oportunidade de conceber um Centro de Excelência do Mar (CEMBRA).

O mar brasileiro possui pouco mais de 4,5 milhões de km2, é extremamente rico, pouco explorado e com influência em quase todos os setores do cotidiano brasileiro. Como exemplos de tal influência, temos a exploração do Petróleo através do pré-sal, ou o transporte marítimo, que é responsável por 95% do transporte no comércio externo do Brasil.  Aqui o palestrante pontuou que o Brasil perde em torno de cinco bilhões de dólares/ano de fretes para navios estrangeiros. Realçou também a potencialidade da biotecnologia marinha. E a Marinha possui um programa intitulado BIOMAR, coordenado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia.

Toda essa riqueza precisa ser protegida e para tal a Marinha possui o “Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul”, que monitora a costa brasileira.

Finalmente, o palestrante abordou o CEMBRA propriamente dito. Apresentou o modelo clássico de centros de excelência e como o CEMBRA se enquadra em tal estrutura. O CEMBRA possui uma gestão compartilhada, através de um conjunto de instituições (Marinha do Brasil, COPPE/UFRJ, FURG, Universidade do Ceará, Fundação de Estudos do Mar (FEMAR), a OSCIP Economia & Energia), que dita seus destinos.

O primeiro projeto estruturante do CEMBRA é a reedição do livro mencionado anteriormente, que já possui 18 capítulos prontos de um total de 20. Em relação à edição anterior, acrescentaram-se três capítulos, a saber: Biotecnologia Marítima, Mudanças Climáticas e Mar e as Fontes Alternativas de Energia Ligadas ao Mar. No final de cada capitulo do livro, são feitas proposições sobre prováveis direcionamentos.

Considerações Finais

O Workshop teve a participação de técnicos do BNDES, da Petrobras, Clube de Engenharia, ONIP e de professores e alunos de algumas universidades (particularmente da UFRJ e FGV).

O evento atingiu os propósitos para ele delineados. Foi grata a surpresa de saber como estão trabalhando várias instituições que estão preocupadas com a produtividade e o nível de qualificação da mão de obra brasileira. São promissores os esforços realizados no Setor Agropecuário e principalmente na cadeia produtiva do petróleo, esta conhecida por ser enorme e complexa. A produtividade de capital foi realçada face aos enormes desafios de investimentos decorrentes do pré-sal e dos grandes investimentos no crescimento da infra-estrutura, além dos eventos grandiosos como as olimpíadas e o mundial que ocorrerão nos próximos anos.

· Todas as palestras estão disponíveis em

http://ecen.com/produtividade_de_capital

 

 

 

 

 

 

 

 

Graphic Edition/Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a

Revised/Revisado:
Thursday, 12 January 2012
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