Economia & Energia
Ano XIII-No 75
Outubro/Dezembro de 2009
ISSN 1518-2932

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Existe esperança depois da COP 15 em Copenhague?

Inventário Nacional Brasileiro de Emissões de GEE

Metas Brasileiras de Redução de Emissão de GEE

O Acordo de Copenhague

Álcool para exportação aumentaria a emissão brasileira contabilizada?

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Arquivo zipado do Balanço de Carbono gerando programa Excel com macros em Visual Basic que tem que ser ativadas para que o programa funcione

 

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A adoção de metas para o Brasil pode inviabilizar a exportação de álcool?

Carlos Feu Alvim
feu@ecen.com

A adoção por países em desenvolvimento, como o Brasil, de compromisso (voluntário ou resultante de acordo internacional) com metas de redução da emissão de gases de efeito estufa exige a escolha de uma maneira coerente de contabilizá-los.

As regras de Quioto para as emissões estabelecem uma contabilidade por países em função de onde os gases de efeito estufa (GEE) são emitidos. O CO2 da biomassa não é registrado por se considerar que ele provém da atmosfera[1]. O procedimento, normalmente adotado nos inventários inclusive o do Brasil, para tratar a captura de carbono nos combustíveis extraídos da biomassa não é coerente com o que é feito com as emissões (positivas) já que a emissão negativa não é contabilizada por país. Ele é também incoerente com o procedimento de captura subterrânea de carbono e mesmo com o adotado para tratar a biomassa acumulada nas florestas.

O Brasil tem o maior programa de combustíveis líquidos de biomassa no mundo. A exportação de álcool combustível já é uma realidade no comércio externo brasileiro e tem sido considerada como instrumento técnica e comercialmente viável para a redução da emissão de GEE.

Do ponto de vista de contabilidade das emissões, o fato de considerar como neutras as emissões (positivas e negativas) da biomassa não afetavam o programa porque o Brasil não tinha metas a cumprir.

A produção do álcool, como já foi bem estabelecido, implica em emissões de CO2, no consumo de diesel no plantio, de óxidos de nitrogênio, na adubação do solo, e de metano nos rejeitos. Essas emissões são (no caso do álcool de cana) mais do que compensadas pelo carbono retido e pelas emissões evitadas de gás carbono em substituição à gasolina. De maneira aproximada, para a produção de 3 unidades de carbono de álcool de cana, existe um consumo de uma unidade de carbono de origem fóssil. Existem ainda emissões indiretas (embutida nos equipamentos para a produção do álcool) e emissões evitadas pelo bagaço a serem consideradas. Pode-se supor que a aproximação de 1 um átomo de carbono emitido na produção para 3 não emitidos permaneça, se os efeitos se compensarem, válida.

No caso da exportação de álcool para cada três unidades de carbono poupadas no exterior será necessária a emissão adicional de uma unidade de carbono no país produtor. Se adotada a contabilidade atual, o acréscimo de emissão na produção de álcool no país produtor pode inviabilizar a produção de álcool para consumo em outros países. A adoção do critério do balanço de carbono para apuração das emissões da biomassa (contabilizando a captura e emissões da biomassa onde ocorrem) eliminaria este inconveniente. A compensação do país importador pode ser considerada dentro do mecanismo do desenvolvimento limpo já existente.

Outras aplicações da biomassa também poderiam ser consideradas dentro do mesmo critério como a exportação de óleo vegetal e mesmo de carvão vegetal para a siderurgia. Contabilizar incorretamente as emissões do ponto de vista local pode inviabilizar iniciativas que se revelaram viáveis economicamente.

O procedimento do balanço de carbono que contabiliza as emissões negativas na produção da biomassa e as positivas no seu uso é coerente com o proposto pelo IPCC e deveria ser adotado pelo Brasil já no presente inventário. Também deveria ser cuidado para que não fossem introduzidas novas regras para o inventário das emissões procedimentos que não considerassem o local da captura pela biomassa.

Ainda não se sabe ainda qual a maneira que será quantificada a meta brasileira se ela for apresentada como uma meta absoluta, baseada no consumo suposto para um ano futuro, o aspecto aqui abordado seria importante. Se, ao contrário, ela se basear (como na Índia) no crescimento do PIB (intensidade de emissões) o problema não existiria.


 

[1] E que a variação do estoque de biomassa como o das florestas é contabilizado separadamente.

 

Graphic Edition/Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
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Revised/Revisado:
Tuesday, 25 October 2011
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