Economia & Energia
Ano XI-No 65
Dezembro 2007 - Janeiro 2008
ISSN 1518-2932

 

 

BUSCA

CORREIO

DADOS ECONÔMICOS

DOWNLOAD

OUTROS NÚMEROS

e&e  No 65

Apoio:


 

Página Principal

Produtividade de Capital e  Crescimento

Estoque de Capital no Brasil e Produtividade de Capital no Brasil

Concentração do Metano na Atmosfera

Custos para Termelétricas Vencedoras do Leilão de  16/10/07 e  Custos Previstos para Angra 3

Download:

bal_eec

Arquivo zipado do Balanço de Carbono gerando programa Excel com macros em Visual Basic que tem que ser ativadas para que o programa funcione

 

e&e por autor
e&e por assunto

http://ecen.com
Vínculos e&e

Veja também nosso suplemento literário

http://ecen.com/
jornalego

 

 

Texto para Discussão:

O Estoque de Capital no Brasil e a
Produtividade de Capital após a
Revisão das Contas Nacionais pelo IBGE

Carlos Feu Alvim feu@ecen.com
Frida Eidelman
Olga Mafra
Omar Campos Ferreira

 

1 - Introdução

No número anterior [referência 1] desta revista foi feita a revisão dos investimento no Brasil, através de uma “retropolação” dos dados das Contas Nacionais anteriores a 1995, para que fossem usados no programa de projeção econômica projetar_e[1].

Neste trabalho esses dados são usados (período 1947 a 2007) para analisar, com o auxílio do programa projetar_e: 1) os papeis da poupança interna e da externa na formação do investimento; 2) os estoques de capital e 3) a produtividade de capital. Com auxílio do índice de utilização da capacidade industrial como proxi do fator de utilização da capacidade produtiva, sugere-se procedimento para apuração de índice trimestral de produtividade de capital.

2 – Investimentos no Brasil com a Revisão das Contas Nacionais

No programa projetar_e, os investimentos são tomados como os valores da Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF) das Contas Nacionais. São usados os valores de FBKF em “Construção” e “Máquinas e Equipamentos” (inclui “Outros”). A Figura 1 mostra a evolução dos investimentos nesses agregados para o período 1947 a 2007[2].

Deve-se chamar a atenção que a revisão das contas nacionais reduziu em cerca de cinco pontos percentuais do PIB o valor da participação da FBKF em construções (de cerca de 13% para 8% do PIB no período 1995 a 2005) mas aumentou o da participação do FBKF em máquinas e equipamentos (cerca de 2% do PIB). A participação da FBKF no PIB caiu cerca de 3% e, como conseqüência, houve considerável alteração na proporção da participação dos dois itens no investimento. Com a “retropolação”, estas mudanças repercutiram também nos valores anteriores a 1995.

Nos valores revistos mostrados na Figura 1, os investimentos em máquinas e equipamentos superam os em construção até o início das “décadas perdidas” de oitenta e noventa voltando a superá-los a partir do início da década atual[3].

Figura 1: Evolução dos Investimentos (formação bruta de capital fixo) no Brasil, os valores para 2007 são baseados nos três primeiros trimestres;
a participação de máquinas e equipamentos no investimento
nos dois últimos anos foi suposta igual à de 2005.

Também é interessante observar a participação das poupanças interna e externa nos investimentos. O investimento é a soma da poupança interna (fração do PIB não consumida internamente[4]) e a poupança externa (transferências do exterior)[5]. A evolução da participação dos dois tipos de poupança é mostrada na Figura 2.

Figura 2: Evolução das poupanças interna e externa na formação do
investimento no Brasil, com forte predominância da primeira

A trajetória da poupança interna foi crescente até o início da década de noventa quando sofreu uma brusca queda na crise econômica, no início do Governo Collor. Com a implementação do Plano Real, o consumo foi favorecido e a poupança interna sofreu nova redução. Já a poupança externa experimentou, entre 1995 e 2000, um ingresso líquido da ordem de 2% do PIB. No entanto, como a poupança interna fora reduzida para 15% o nível de investimentos ficou em 17% do PIB, bem abaixo do nível de 20% do início da década oitenta.

Este acréscimo de recursos externos que aconteceu no Brasil, como em outros países da América Latina que adotaram a chamada abertura econômica, resultou em imediato alívio da pressão sobre a balança de bens e serviços que ela possibilitou. Houve muita expectativa de que esse aporte de recursos externos gerasse o crescimento. No entanto, particularmente após o Plano Real houve um estímulo ao consumo que, aliado ao controle da inflação, trouxe popularidade ao plano, mas não o crescimento.

Analogamente ao que já havia acontecido na época do “milagre econômico” do regime militar, os anos de entrada de recursos externos cobraram seu preço nos anos seguintes. Isto fica evidente na Figura 3 onde é mostrada a evolução, em dólares de 2006, da poupança externa acumulada ao longo do tempo.

Figura 3: Poupança externa acumulada ao longo do período 1947 a 2007 mostrando, a partir de 1970, dois grandes ciclos de entrada e saída da poupança externa com  resultado acumulado de - 230 bilhões de dólares de 2006.

Entre 1947 e 1970, o fluxo acumulado de recursos externos foi praticamente nulo. Nos anos setenta, a poupança externa foi financiada por empréstimos que fluíam com facilidade no sistema financeiro internacional. O choque nos preços de petróleo em 1979, a queda no preço das commodities e o choque de juros nos meados da década de oitenta agravaram a herança da dívida resultante do aporte de capital externo. Os dados da Figura 3 mostram que o fluxo positivo até 1982 foi de 91 bilhões de dólares e que entre aquele ano e 2004 houve uma remessa líquida de recursos ao exterior de 234 bilhões de dólares. A saída de recursos foi mais de duas vezes e meia a entrada. No ano de 1994, o resultado líquido acumulado era negativo em 143 bilhões.

Nos anos noventa, iniciou-se outro ciclo de entrada da poupança externa financiada desta vez por investimentos diretos e “em carteira”. Estava sendo acumulado, no entanto, um passivo externo na forma de investimentos que mostraram ser de alta volatilidade. As crises econômicas da Rússia, da Argentina e da Ásia vieram agravar a cobrança desse passivo que, após a crise de 2001, sofreu o impacto da alta de juros internos e da cotação do dólar. Note-se que o passivo externo, representado pelos investimentos diretos e em carteira, é mais difícil de contabilizar do que a dívida externa, já que a taxa de remuneração desses investimentos só pode ser contabilizada na medida em que são remetidos os dividendos ou feitas retiradas das aplicações em carteira.

Na Figura 3 mostra-se que entre 1994 (Plano Real) e a crise de 2001 houve uma entrada líquida de 105 bilhões de dólares a valores de 2006. A partir de 2002 foi invertido o fluxo de recursos externos e, até o final de 2007 (valores preliminares), foram remetidos 169 bilhões de dólares.

Deve-se assinalar que não é de se esperar que um investimento externo seja sustentado eternamente. Os que emprestam querem o retorno na forma de juros, assim como os que fazem investimentos diretos esperam remeter lucros e dividendos. Se os investimentos propiciassem um aumento de produção, a remessa resultante estaria sendo paga com esta produção adicional. A desproporção entre as entradas e saídas é que constitui motivo de preocupação no caso brasileiro.

Como já foi aqui assinalado em outras oportunidades, não existe nenhum país de médio e grande porte cujo crescimento fosse propiciado pela poupança externa. Os investimentos externos, como o demonstra o exemplo atual da China, têm importância na medida que permitem acrescentar tecnologia e mercados ao produto local. Sua importância para o desenvolvimento é mais qualitativa que quantitativa e depende da política econômica e tecnológica do país que o recebe.

3 – Novos Valores do Estoque de Capital

O cálculo do estoque de capital é feito conforme descrito na Referencia 2. Os valores da formação bruta de capital fixo para construção e máquinas e equipamentos + outros (ref 1) são expressos como frações do PIB (a preços correntes de cada ano) e este, expresso em valor real em relação a um ano de referência.[6]

Os investimentos são depreciados usando-se uma curva de sucateamento logística adotando-se vinte anos de vida média para máquinas e equipamentos e quarenta anos para construções. Uma estimativa dos investimentos anteriores ao ano inicial (1947) também é adotada, conforme descrito na referência 2.

Os valores obtidos para o estoque de capital estão reunidos na Tabela A1 (em valores relativos ao PIB de 1980) e na Tabela A2 (Valores em US$bi de 2006) do Anexo. Os valores em dólares de 2006 foram obtidos a partir do PIB daquele ano, expresso pelo câmbio médio desse ano. Na Figura 4 pode-se observar o comportamento dos valores do estoque de capital para os anos de 1947 a 2006.

Figura 4: Estoque de Capital (K) e PIB, onde se pode observar a mudança ocorrida a partir de 1973 quando K passa a crescer mais rapidamente que o PIB.

 O estoque de capital segue aproximadamente o PIB até o ano de 1962 (um dólar de estoque de capital gerava cerca de 0,9 dólar de PIB). Com a crise político-militar de 1963/64, houve uma queda no PIB, mas a evolução do produto seguiu “paralela” à do estoque de capital. Foi a partir de 1973 (início do milagre econômico) que o estoque de capital e o produto passaram a ter comportamentos divergentes com redução da produtividade de capital, como é mostrado mais adiante.

A Figura 5 mostra que os estoques de máquina e equipamentos (inclui outros) e os de construção tinham valores parecidos até o início da década de oitenta, quando começou a estagnação econômica que durou duas décadas e meia. A partir deste ponto, o estoque de bens de construção passou a predominar sobre o de máquinas e equipamentos.

Figura 5: Os estoque de capital em construção e em máquinas e equipamentos eram aproximadamente iguais até o ano de 1982 (início da recessão),
divergindo a partir desse ano

Na Tabela A2 também é mostrada a idade dos bens que compõem o estoque de capital e de máquinas e equipamentos. Esta evolução é mostrada na Figura 6. A idade média dos bens de construção é crescente após haver passado por um mínimo de 7,6 anos no início da década de oitenta. Em 2007 a idade média dos bens de construção chegou a 12 anos.

Figura 6: A idade média dos bens de capital depende do histórico dos investimentos e da curva de sucateamento e apresenta um mínimo correspondente aos maiores investimentos
na década de setenta

A idade média de máquinas e equipamentos passou por um mínimo de 4,8 anos quando era maior a taxa de investimentos (meados da década de setenta) e estabilizou-se em torno de 6,6 anos nos últimos anos. Note-se que a taxa de depreciação fixa a necessidade de investimentos para repor o estoque. Quanto maior a idade média maior é a taxa de depreciação do investimento, como é mostrado na Figura 7[7].

 

Figura 7: A taxa de depreciação do estoque de capital depende, bem como a idade média dos bens, do histórico dos investimentos e das curvas de sucateamento; de uma forma geral, quando o conjunto de bens é mais novo, menor é a taxa de depreciação.

Deve-se notar que as mudanças nas Contas Nacionais aumentaram a participação de máquinas e equipamentos (de menor tempo de vida) em relação aos bens de construção no estoque de capital. Com isso, a taxa de depreciação média a ser considerada passou de cerca de 4% para 5,7% ao ano sobre o estoque de capital [8].

Resumindo: a revisão das Contas Nacionais provocou alterações importantes nos valores calculados do estoque de bens de capital na economia brasileira, do estoque total. Os de bens de construção foram sendo reduzidos e os de máquinas e equipamentos foram aumentados. Disso resultou maior participação de máquinas e equipamentos no total, com o aumento da taxa de depreciação média anual.

4 - Produtividade do Capital

A razão Y/K (PIB / Estoque de Capital) pode ser tomada diretamente como medida da produtividade de capital. Este procedimento não distingue, no entanto, uma mudança estrutural na economia (na produtividade de capital propriamente dita) de uma alteração conjuntural, que seria devida ao fator de utilização do parque produtivo. No programa projetar_e é feito um ajuste dos dados históricos desta variável ao longo do tempo. Os valores ajustados são tomados como a produtividade de capital. A variação em torno deste ajuste (valor anual/ ajustado) é considerada como fator de utilização.

Espera-se que a produtividade de capital assim medida esteja relacionada a variações estruturais na produção. No caso do crescimento da produtividade, por exemplo, as variações poderiam estar ligadas tanto à mudança da participação relativa nos setores (favorecendo os de maior Y/K), como às mudanças tecnológicas e/ou gerenciais em setores específicos favoráveis à produtividade do capital investido ou ainda a uma valorização duradoura de produtos do país no exterior.

A metodologia em que se baseiam as projeções do programa identificou na queda da produtividade do capital (a partir dos meados da década de setenta) a causa principal da estagnação dos anos oitenta e noventa. A Figura 8 mostra os valores anuais e o valor do ajuste.

Como indica a Figura 8 (e é também possível observar na Figura 4), até meados dos anos setenta um dólar de estoque de capital gerava cerca de 0,85 dólares de PIB. Este valor caiu para um patamar de cerca de 0,47 na década de noventa. Isto significa que para uma unidade de estoque de capital gerava-se pouco mais da metade da produção que seria obtida no patamar anterior. Nos anos noventa, para repor a depreciação do estoque de capital (cerca de 5,7% ao ano) era necessário investir 12,1% do PIB[9] para manter o mesmo estoque de capital e, com produtividade de capital constante, o mesmo PIB (crescimento zero).

Na década de noventa, para cada ponto percentual de crescimento do PIB era necessário acrescentar ao investimento o equivalente a 2,1% do PIB para crescimento zero. Como o investimento foi 17%, havia uma sobra de 5%[10]para aumentar efetivamente o capital e o PIB. O crescimento esperado do PIB era, assim, de cerca de 2,5% ao ano. Isto foi, em realidade, o que aconteceu na década de noventa.

Figura 8: Produtividade de capital e ajuste do programa projetar_e mostrando a queda a partir de 1973, a estabilização verificada nos anos noventa e a recuperação verificada nos últimos quatro anos.

Uma boa questão é por que foi possível crescer cerca de 4,4% nos últimos quatro anos se o investimento continuou na base de 17% ao ano?

Como o investimento esteve no mesmo patamar, o crescimento esperado seria dos mesmos 2,5%. A diferença é que nos últimos quatro anos houve um crescimento de 6% na produtividade de capital com igual repercussão sobre o PIB. Com o aumento da produtividade de capital o crescimento do PIB esperado seria de 4,0% ao ano.

Também se pode observar na Figura 8 que o baixo crescimento em 2001 (1,3% a.a.) colocava a produção abaixo da esperada havendo, portanto, uma margem de recuperação no fator de utilização da capacidade produtiva. Para os últimos anos, entretanto, o fator de capacidade está uns 2% superior ao esperado. O programa supõe que este ganho seja perdido ao longo dos próximos anos.

5 - Fator de Utilização da Capacidade e
Construção de Indicador de Produtividade de Capital

A variação da produção efetiva em relação à esperada (PIB Real /PIB esperado) é calculada pelo programa e definida como fator de utilização da capacidade produtiva. Ele deve guardar relação com a “Utilização da Capacidade Instalada da Indústria” (UCI), que foi apurada pela Fundação Getúlio Vargas de 1970 a 2005 e atualmente é calculado pela Confederação Nacional da Indústria (índice mensal). Deve-se notar que o fator de utilização avaliado pelo programa abrange toda a economia, ao contrário dos índices da FGV e da CNI que se referem apenas à indústria. Existe uma boa correlação dos três índices, como pode ser observado na Figura 9 que apresenta os valores normalizados para a média 1992-2005 (anos em que os três índices estão disponíveis). Considerando a diversidade da abrangência do fator de utilização e dos índices UCI, a coincidência chega a ser surpreendente.

Figura 9: O fator de utilização do estoque de capital e a utilização da capacidade instalada na indústria apresentam comportamentos
semelhantes ao longo do período.

A relativa coincidência entre os dois índices justifica um procedimento alternativo que seria o de usar os valores da razão Y/K divididos pelo UCI (renormalizado para a média) para deduzir a produtividade de capital. O índice UCI seria utilizado como proxy do fator de utilização.

Os índices de produtividade de capital calculados pelo programa e os obtidos a partir dos valores de Y/K (também do programa) divididos pelos da UCI (FGV e CNI) são mostrados na Tabela A2. A evolução da produtividade de 1947a 2007 (dados preliminares para os dois últimos anos) está mostrada na Tabela A3. A Figura 10 mostra o comportamento dos valores da produtividade do capital conforme o ajuste e os deduzidos da divisão de Y/K pelo índice UCI.

Figura 10: A produtividade de capital calculada a partir do ajuste dos dados de Y/K é comparada com os valores obtidos da divisão de Y/K pelo índice de utilização do capital industrial (UCI)

Na construção de um índice de produtividade que possa ter uma periodicidade trimestral (a dos dados de FBKF do IBGE), os valores relativos de (Y/K)/UCI podem ser usados, seja diretamente como índice, seja para determinar a variação da produtividade de capital (estimada pelo ajuste) em relação ao ano anterior. Este procedimento torna-se necessário, já que os valores do ajuste dependem de se dispor do dado final para o ano ou pelo menos de três trimestres, como foi feito para 2007.

O IPEA publica em sua base de dados valores do estoque de capital calculados a partir da depreciação dos investimentos em uma metodologia semelhante à usada no programa, mas considerando uma depreciação linear. Os dados são calculados a partir de trabalho de L. Morandi (ref 3) e atualizados no sistema. A partir desses valores, é possível estabelecer uma avaliação da produtividade de capital dividindo-se o valor encontrado pela UCI apurada pela CNI. Os valores obtidos pelo IPEA para o estoque de capital são 15% superiores aos da e&e. Os dados a partir de 1995 são praticamente coincidentes quando se toma a produtividade relativa a um ano determinado. Ou seja, a diferença observada no estoque de capital pode ser principalmente devida à “retropolação” nos dados deste trabalho. Os valores da produtividade de capital resultantes do ajuste do programa, da divisão de Y/K (da e&e e do IPEA) pela UCI (CNI) são mostrados na Tabela 1 referidos ao ano 2000. A Figura 11 mostra a evolução destes dados entre 1992 e 2007.

Tabela 1: Valores da Produtividade de Capital relativos à do ano 2000

 

Ajuste e&e

(Y/K e&e )/(UCI CNI)

(Y/K IPEA)/(UCI CNI)

1992

103

106

105

1993

102

105

104

1994

102

106

105

1995

101

106

105

1996

101

104

105

1997

101

105

105

1998

100

102

103

1999

100

100

101

2000

100

100

100

2001

100

100

100

2002

100

99

100

2003

101

102

103

2004

102

103

103

2005

103

104

105

2006

105

106

-

2007

108

107

-

Figura 11: Produtividade de capital pelo ajuste de Y/K (e&e) e (Y/K)/UCI com dados de Y/K da e&e e do IPEA e de UCI da CNI

Pode-se observar que os valores da produtividade de capital obtidos dividindo-se os valores de K/Y do programa e do IPEA pela UCI apresentam uma boa coincidência devida aos valores relativos praticamente iguais das duas séries[11]. Também é importante constatar que os dados do IPEA e da CNI conduzem a uma estimativa de produtividade de capital passando por um mínimo por volta do ano 2000 e crescendo desde então, confirmando o comportamento obtido nos procedimentos adotados neste trabalho. A comprovação desta tendência é importante  no procedimento de ajuste aqui adotado, já que não é possível distinguir à priori o desvio atual de uma oscilação em torno da média, como as observadas em alguns anos anteriores.

Um dado interessante fornecido pelo programa é o comportamento da razão estoque de capital / PIB (razão capital/ produto) considerando os componentes bens de construção e máquinas e equipamentos no estoque do PIB. As curvas de evolução da razão K/Y (inverso de Y/K usado anteriormente) estão mostradas na Figura 12[12].

Figura 12: Componentes construção e máquinas e
equipamentos da razão capital / produto

Note-se que a razão estoque de máquinas e equipamentos / produto é decrescente desde a crise de 1982 sendo que a perda de produtividade (aumento de K/Y) observada até 1990 é devida ao componente construção. No que concerne a máquinas e equipamentos, houve, a partir de 1982, um aumento da produtividade de capital.

Isto significa que os ganhos que se possa obter na produtividade de capital em setores que usam intensivamente máquinas e equipamentos (como a indústria) devem ser menores do que os referentes à infra-estrutura.

6 - A Continuação do Crescimento depende
da Produtividade de Capital

Para que o Brasil alcance um crescimento sustentado é necessário perseguir a melhoria na produtividade de capital e elevar a taxa anual de investimento.

A elevação do investimento pode ser conseguida, em parte, com a redução da remessa de recursos ao exterior considerando que, segundo avaliação feita com o programa, o passivo externo líquido está sensivelmente reduzido em relação ao início do século.

As simulações feitas com o programa projetar_e confirmam que o crescimento da economia depende de seguir incrementando a produtividade de capital. Isto se dá em um quadro onde a infra-estrutura começa a dar sinais de saturação na capacidade produtiva.

Com algum incremento da produtividade de capital e a redução da remessa de recursos para o exterior, é possível, com a poupança interna retomando lentamente a tendência de crescimento anterior, chegar a um crescimento sustentado de 4,5 a 5% ao ano.

Caso a produtividade de capital volte aos níveis do início do século, o crescimento voltará à faixa insatisfatória dos 2,5% ao ano.

Anexo: Valores do Estoque e Produtividade de Capital

Tabela A1: Estoque de Capital e PIB – Valores Relativos ao PIB de 1980

 

Indice do PIB

Estoque Capital em Construção

Estoque Capital em Máquinas e Equipamentos

Estoque de Capital

UNID

PIB 1980 =100

PIB 1980 =100

PIB 1980 =100

PIB 1980 =100

1947

9,3

5,5

6,1

11,6

1948

10,2

5,8

6,5

12,3

1949

11,0

6,2

6,7

12,8

1950

11,8

6,5

6,9

13,4

1951

12,4

6,9

7,1

14,1

1952

13,3

7,5

7,6

15,0

1953

13,9

8,0

7,9

16,0

1954

15,0

8,7

8,2

16,9

1955

16,3

9,3

8,9

18,2

1956

16,8

9,8

9,4

19,2

1957

18,1

10,5

9,9

20,4

1958

20,0

11,2

10,5

21,7

1959

22,0

12,2

11,4

23,6

1960

24,0

13,3

12,7

26,1

1961

26,1

14,4

13,8

28,2

1962

27,8

15,3

14,7

30,0

1963

28,0

16,5

15,9

32,4

1964

28,9

17,9

17,3

35,1

1965

29,6

19,1

18,2

37,3

1966

31,6

20,3

19,0

39,3

1967

32,9

21,6

20,2

41,9

1968

36,2

23,2

<