No número anterior [referência 1] desta
revista foi feita a revisão dos investimento no Brasil, através de uma
“retropolação” dos dados das Contas Nacionais anteriores a 1995, para que
fossem usados no programa de projeção econômica projetar_e[1].
Neste trabalho esses
dados são usados (período 1947 a 2007) para analisar, com o auxílio do
programa projetar_e: 1) os papeis da poupança interna e da externa
na formação do investimento; 2) os estoques de capital e 3) a
produtividade de capital. Com auxílio do índice de utilização da
capacidade industrial como proxi do fator de utilização da
capacidade produtiva, sugere-se procedimento para apuração de índice
trimestral de produtividade de capital.
No programa projetar_e, os
investimentos são tomados como os valores da Formação Bruta de Capital
Fixo (FBKF) das Contas Nacionais. São usados os valores de FBKF em
“Construção” e “Máquinas e Equipamentos” (inclui “Outros”). A Figura 1
mostra a evolução dos investimentos nesses agregados para o período 1947 a
2007[2].
Deve-se chamar a atenção
que a revisão das contas nacionais reduziu em cerca de cinco pontos
percentuais do PIB o valor da participação da FBKF em construções (de
cerca de 13% para 8% do PIB no período 1995 a 2005) mas aumentou o da
participação do FBKF em máquinas e equipamentos (cerca de 2% do PIB). A
participação da FBKF no PIB caiu cerca de 3% e, como conseqüência, houve
considerável alteração na proporção da participação dos dois itens no
investimento. Com a “retropolação”, estas mudanças repercutiram também nos
valores anteriores a 1995.
Nos valores revistos mostrados na Figura 1,
os investimentos em máquinas e equipamentos superam os em construção até o
início das “décadas perdidas” de oitenta e noventa voltando a superá-los a
partir do início da década atual[3].
Figura 1:
Evolução dos Investimentos (formação bruta de capital fixo) no Brasil, os
valores para 2007 são baseados nos três primeiros trimestres;
a participação de máquinas e equipamentos no investimento
nos dois últimos anos foi suposta igual à de 2005.
Também é interessante observar a
participação das poupanças interna e externa nos investimentos. O
investimento é a soma da poupança interna (fração do PIB não consumida
internamente[4])
e a poupança externa (transferências do exterior)[5].
A evolução da participação dos dois tipos de poupança é mostrada na Figura
2.
Figura 2:
Evolução das poupanças interna e externa na formação do
investimento no Brasil, com forte predominância da primeira
A trajetória da poupança interna foi
crescente até o início da década de noventa quando sofreu uma brusca queda
na crise econômica, no início do Governo Collor. Com a implementação do
Plano Real, o consumo foi favorecido e a poupança interna sofreu nova
redução. Já a poupança externa experimentou, entre 1995 e 2000, um
ingresso líquido da ordem de 2% do PIB. No entanto, como a poupança
interna fora reduzida para 15% o nível de investimentos ficou em 17% do
PIB, bem abaixo do nível de 20% do início da década oitenta.
Este acréscimo de recursos externos que
aconteceu no Brasil, como em outros países da América Latina que adotaram
a chamada abertura econômica, resultou em imediato alívio da pressão sobre
a balança de bens e serviços que ela possibilitou. Houve muita expectativa
de que esse aporte de recursos externos gerasse o crescimento. No entanto,
particularmente após o Plano Real houve um estímulo ao consumo que, aliado
ao controle da inflação, trouxe popularidade ao plano, mas não o
crescimento.
Analogamente ao que já havia acontecido na
época do “milagre econômico” do regime militar, os anos de entrada de
recursos externos cobraram seu preço nos anos seguintes. Isto fica
evidente na Figura 3 onde é mostrada a evolução, em dólares de 2006, da
poupança externa acumulada ao longo do tempo.
Figura 3: Poupança
externa acumulada ao longo do período 1947 a 2007 mostrando, a partir de
1970, dois grandes ciclos de entrada e saída da poupança externa com
resultado acumulado de - 230 bilhões de dólares de 2006.
Entre 1947 e 1970, o fluxo acumulado de
recursos externos foi praticamente nulo. Nos anos setenta, a poupança
externa foi financiada por empréstimos que fluíam com facilidade no
sistema financeiro internacional. O choque nos preços de petróleo em 1979,
a queda no preço das commodities e o choque de juros nos meados da década
de oitenta agravaram a herança da dívida resultante do aporte de capital
externo. Os dados da Figura 3 mostram que o fluxo positivo até 1982 foi de
91 bilhões de dólares e que entre aquele ano e 2004 houve uma remessa
líquida de recursos ao exterior de 234 bilhões de dólares. A saída de
recursos foi mais de duas vezes e meia a entrada. No ano de 1994, o
resultado líquido acumulado era negativo em 143 bilhões.
Nos anos noventa, iniciou-se outro ciclo de
entrada da poupança externa financiada desta vez por investimentos diretos
e “em carteira”. Estava sendo acumulado, no entanto, um passivo externo na
forma de investimentos que mostraram ser de alta volatilidade. As crises
econômicas da Rússia, da Argentina e da Ásia vieram agravar a cobrança
desse passivo que, após a crise de 2001, sofreu o impacto da alta de juros
internos e da cotação do dólar. Note-se que o passivo externo,
representado pelos investimentos diretos e em carteira, é mais difícil de
contabilizar do que a dívida externa, já que a taxa de remuneração desses
investimentos só pode ser contabilizada na medida em que são remetidos os
dividendos ou feitas retiradas das aplicações em carteira.
Na Figura 3 mostra-se que entre 1994 (Plano
Real) e a crise de 2001 houve uma entrada líquida de 105 bilhões de
dólares a valores de 2006. A partir de 2002 foi invertido o fluxo de
recursos externos e, até o final de 2007 (valores preliminares), foram
remetidos 169 bilhões de dólares.
Deve-se assinalar que não é de se esperar
que um investimento externo seja sustentado eternamente. Os que emprestam
querem o retorno na forma de juros, assim como os que fazem investimentos
diretos esperam remeter lucros e dividendos. Se os investimentos
propiciassem um aumento de produção, a remessa resultante estaria sendo
paga com esta produção adicional. A desproporção entre as entradas e
saídas é que constitui motivo de preocupação no caso brasileiro.
Como já foi aqui assinalado em outras
oportunidades, não existe nenhum país de médio e grande porte cujo
crescimento fosse propiciado pela poupança externa. Os investimentos
externos, como o demonstra o exemplo atual da China, têm importância na
medida que permitem acrescentar tecnologia e mercados ao produto local.
Sua importância para o desenvolvimento é mais qualitativa que quantitativa
e depende da política econômica e tecnológica do país que o recebe.
O cálculo do estoque de capital é feito
conforme descrito na Referencia 2. Os valores da formação bruta de capital
fixo para construção e máquinas e equipamentos + outros (ref 1) são
expressos como frações do PIB (a preços correntes de cada ano) e este,
expresso em valor real em relação a um ano de referência.[6]
Os investimentos são depreciados usando-se
uma curva de sucateamento logística adotando-se vinte anos de vida média
para máquinas e equipamentos e quarenta anos para construções. Uma
estimativa dos investimentos anteriores ao ano inicial (1947) também é
adotada, conforme descrito na referência 2.
Os valores obtidos para o estoque de capital
estão reunidos na Tabela A1 (em valores relativos ao PIB de 1980) e na
Tabela A2 (Valores em US$bi de 2006) do Anexo. Os valores em dólares de
2006 foram obtidos a partir do PIB daquele ano, expresso pelo câmbio médio
desse ano. Na Figura 4 pode-se observar o comportamento dos valores do
estoque de capital para os anos de 1947 a 2006.
Figura 4: Estoque
de Capital (K) e PIB, onde se pode observar a mudança ocorrida a partir de
1973 quando K passa a crescer mais rapidamente que o PIB.
O estoque de capital segue aproximadamente
o PIB até o ano de 1962 (um dólar de estoque de capital gerava cerca de
0,9 dólar de PIB). Com a crise político-militar de 1963/64, houve uma
queda no PIB, mas a evolução do produto seguiu “paralela” à do estoque de
capital. Foi a partir de 1973 (início do milagre econômico) que o estoque
de capital e o produto passaram a ter comportamentos divergentes com
redução da produtividade de capital, como é mostrado mais adiante.
A Figura 5 mostra que os estoques de máquina
e equipamentos (inclui outros) e os de construção tinham valores parecidos
até o início da década de oitenta, quando começou a estagnação econômica
que durou duas décadas e meia. A partir deste ponto, o estoque de bens de
construção passou a predominar sobre o de máquinas e equipamentos.
Figura 5: Os
estoque de capital em construção e em máquinas e equipamentos eram
aproximadamente iguais até o ano de 1982 (início da recessão),
divergindo a partir desse ano
Na Tabela A2 também é mostrada a idade dos
bens que compõem o estoque de capital e de máquinas e equipamentos. Esta
evolução é mostrada na Figura 6. A idade média dos bens de construção é
crescente após haver passado por um mínimo de 7,6 anos no início da década
de oitenta. Em 2007 a idade média dos bens de construção chegou a 12 anos.
Figura 6: A idade
média dos bens de capital depende do histórico dos investimentos e da
curva de sucateamento e apresenta um mínimo correspondente aos maiores
investimentos
na década de setenta
A idade média de máquinas e equipamentos
passou por um mínimo de 4,8 anos quando era maior a taxa de investimentos
(meados da década de setenta) e estabilizou-se em torno de 6,6 anos nos
últimos anos. Note-se que a taxa de depreciação fixa a necessidade de
investimentos para repor o estoque. Quanto maior a idade média maior é a
taxa de depreciação do investimento, como é mostrado na Figura 7[7].
Figura 7: A taxa
de depreciação do estoque de capital depende, bem como a idade média dos
bens, do histórico dos investimentos e das curvas de sucateamento; de uma
forma geral, quando o conjunto de bens é mais novo, menor é a taxa de
depreciação.
Deve-se notar que as mudanças nas Contas
Nacionais aumentaram a participação de máquinas e equipamentos (de menor
tempo de vida) em relação aos bens de construção no estoque de capital.
Com isso, a taxa de depreciação média a ser considerada passou de cerca de
4% para 5,7% ao ano sobre o estoque de capital
[8].
Resumindo: a revisão das Contas Nacionais
provocou alterações importantes nos valores calculados do estoque de bens
de capital na economia brasileira, do estoque total. Os de bens de
construção foram sendo reduzidos e os de máquinas e equipamentos foram
aumentados. Disso resultou maior participação de máquinas e equipamentos
no total, com o aumento da taxa de depreciação média anual.
A razão Y/K (PIB / Estoque de Capital) pode
ser tomada diretamente como medida da produtividade de capital. Este
procedimento não distingue, no entanto, uma mudança estrutural na economia
(na produtividade de capital propriamente dita) de uma alteração
conjuntural, que seria devida ao fator de utilização do parque produtivo.
No programa projetar_e é feito um ajuste dos dados históricos desta
variável ao longo do tempo. Os valores ajustados são tomados como a
produtividade de capital. A variação em torno deste ajuste (valor anual/
ajustado) é considerada como fator de utilização.
Espera-se que a produtividade de capital
assim medida esteja relacionada a variações estruturais na produção. No
caso do crescimento da produtividade, por exemplo, as variações poderiam
estar ligadas tanto à mudança da participação relativa nos setores
(favorecendo os de maior Y/K), como às mudanças tecnológicas e/ou
gerenciais em setores específicos favoráveis à produtividade do capital
investido ou ainda a uma valorização duradoura de produtos do país no
exterior.
A metodologia em que se baseiam as projeções
do programa identificou na queda da produtividade do capital (a partir dos
meados da década de setenta) a causa principal da estagnação dos anos
oitenta e noventa. A Figura 8 mostra os valores anuais e o valor do
ajuste.
Como indica a Figura 8 (e é também possível
observar na Figura 4), até meados dos anos setenta um dólar de estoque de
capital gerava cerca de 0,85 dólares de PIB. Este valor caiu para um
patamar de cerca de 0,47 na década de noventa. Isto significa que para uma
unidade de estoque de capital gerava-se pouco mais da metade da produção
que seria obtida no patamar anterior. Nos anos noventa, para repor a
depreciação do estoque de capital (cerca de 5,7% ao ano) era necessário
investir 12,1% do PIB[9]para manter o mesmo estoque de
capital e, com produtividade de capital constante, o mesmo PIB
(crescimento zero).
Na década de noventa, para cada ponto
percentual de crescimento do PIB era necessário acrescentar ao
investimento o equivalente a 2,1% do PIB para crescimento zero. Como o
investimento foi 17%, havia uma sobra de 5%[10]para
aumentar efetivamente o capital e o PIB. O crescimento esperado do PIB
era, assim, de cerca de 2,5% ao ano. Isto foi, em realidade, o que
aconteceu na década de noventa.
Figura 8:
Produtividade de capital e ajuste do programa projetar_e mostrando
a queda a partir de 1973, a estabilização verificada nos anos noventa e a
recuperação verificada nos últimos quatro anos.
Uma boa questão é por que foi possível
crescer cerca de 4,4% nos últimos quatro anos se o investimento continuou
na base de 17% ao ano?
Como o investimento esteve no mesmo patamar,
o crescimento esperado seria dos mesmos 2,5%. A diferença é que nos
últimos quatro anos houve um crescimento de 6% na produtividade de capital
com igual repercussão sobre o PIB. Com o aumento da produtividade de
capital o crescimento do PIB esperado seria de 4,0% ao ano.
Também se pode observar na Figura 8 que o
baixo crescimento em 2001 (1,3% a.a.) colocava a produção abaixo da
esperada havendo, portanto, uma margem de recuperação no fator de
utilização da capacidade produtiva. Para os últimos anos, entretanto, o
fator de capacidade está uns 2% superior ao esperado. O programa supõe que
este ganho seja perdido ao longo dos próximos anos.
A variação da produção efetiva em relação à
esperada (PIB Real /PIB esperado) é calculada pelo programa e definida
como fator de utilização da capacidade produtiva. Ele deve guardar relação
com a “Utilização da Capacidade Instalada da Indústria” (UCI), que foi
apurada pela Fundação Getúlio Vargas de 1970 a 2005 e atualmente é
calculado pela Confederação Nacional da Indústria (índice mensal). Deve-se
notar que o fator de utilização avaliado pelo programa abrange toda a
economia, ao contrário dos índices da FGV e da CNI que se referem apenas à
indústria. Existe uma boa correlação dos três índices, como pode ser
observado na Figura 9 que apresenta os valores normalizados para a média
1992-2005 (anos em que os três índices estão disponíveis). Considerando a
diversidade da abrangência do fator de utilização e dos índices UCI, a
coincidência chega a ser surpreendente.
Figura 9: O fator
de utilização do estoque de capital e a utilização da capacidade instalada
na indústria apresentam comportamentos
semelhantes ao longo do período.
A relativa coincidência entre os dois
índices justifica um procedimento alternativo que seria o de usar os
valores da razão Y/K divididos pelo UCI (renormalizado para a média) para
deduzir a produtividade de capital. O índice UCI seria utilizado como
proxy do fator de utilização.
Os índices de produtividade de capital
calculados pelo programa e os obtidos a partir dos valores de Y/K (também
do programa) divididos pelos da UCI (FGV e CNI) são mostrados na Tabela
A2. A evolução da produtividade de 1947a 2007 (dados preliminares para os
dois últimos anos) está mostrada na Tabela A3. A Figura 10 mostra o
comportamento dos valores da produtividade do capital conforme o ajuste e
os deduzidos da divisão de Y/K pelo índice UCI.
Figura 10: A
produtividade de capital calculada a partir do ajuste dos dados de Y/K é
comparada com os valores obtidos da divisão de Y/K pelo índice de
utilização do capital industrial (UCI)
Na construção de um índice de produtividade
que possa ter uma periodicidade trimestral (a dos dados de FBKF do IBGE),
os valores relativos de (Y/K)/UCI podem ser usados, seja diretamente como
índice, seja para determinar a variação da produtividade de capital
(estimada pelo ajuste) em relação ao ano anterior. Este procedimento
torna-se necessário, já que os valores do ajuste dependem de se dispor do
dado final para o ano ou pelo menos de três trimestres, como foi feito
para 2007.
O IPEA publica em sua base de dados valores
do estoque de capital calculados a partir da depreciação dos investimentos
em uma metodologia semelhante à usada no programa, mas considerando uma
depreciação linear. Os dados são calculados a partir de trabalho de L.
Morandi (ref 3) e atualizados no sistema. A partir desses valores, é
possível estabelecer uma avaliação da produtividade de capital
dividindo-se o valor encontrado pela UCI apurada pela CNI. Os valores
obtidos pelo IPEA para o estoque de capital são 15% superiores aos da e&e.
Os dados a partir de 1995 são praticamente coincidentes quando se toma a
produtividade relativa a um ano determinado. Ou seja, a diferença
observada no estoque de capital pode ser principalmente devida à
“retropolação” nos dados deste trabalho. Os valores da produtividade de
capital resultantes do ajuste do programa, da divisão de Y/K (da e&e e do
IPEA) pela UCI (CNI) são mostrados na Tabela 1 referidos ao ano 2000. A
Figura 11 mostra a evolução destes dados entre 1992 e 2007.
Tabela 1: Valores
da Produtividade de Capital relativos à do ano 2000
Ajuste e&e
(Y/K e&e )/(UCI CNI)
(Y/K IPEA)/(UCI CNI)
1992
103
106
105
1993
102
105
104
1994
102
106
105
1995
101
106
105
1996
101
104
105
1997
101
105
105
1998
100
102
103
1999
100
100
101
2000
100
100
100
2001
100
100
100
2002
100
99
100
2003
101
102
103
2004
102
103
103
2005
103
104
105
2006
105
106
-
2007
108
107
-
Figura 11: Produtividade de capital
pelo ajuste de Y/K (e&e)
e (Y/K)/UCI com dados de Y/K da e&e e do IPEA e de UCI da CNI
Pode-se observar que os valores da
produtividade de capital obtidos dividindo-se os valores de K/Y do
programa e do IPEA pela UCI apresentam uma boa coincidência devida aos
valores relativos praticamente iguais das duas séries[11].
Também é importante constatar que os dados do IPEA e da CNI conduzem a uma
estimativa de produtividade de capital passando por um mínimo por volta do
ano 2000 e crescendo desde então, confirmando o comportamento obtido nos
procedimentos adotados neste trabalho. A comprovação desta tendência é
importante no procedimento de ajuste aqui adotado, já que não é possível
distinguir à priori o desvio atual de uma oscilação em torno da média,
como as observadas em alguns anos anteriores.
Um dado interessante fornecido pelo programa
é o comportamento da razão estoque de capital / PIB (razão capital/
produto) considerando os componentes bens de construção e máquinas e
equipamentos no estoque do PIB. As curvas de evolução da razão K/Y
(inverso de Y/K usado anteriormente) estão mostradas na Figura 12[12].
Figura 12:
Componentes construção e máquinas e
equipamentos da razão capital / produto
Note-se que a razão estoque de máquinas e
equipamentos / produto é decrescente desde a crise de 1982 sendo que a
perda de produtividade (aumento de K/Y) observada até 1990 é devida ao
componente construção. No que concerne a máquinas e equipamentos, houve, a
partir de 1982, um aumento da produtividade de capital.
Isto significa que os ganhos que se possa
obter na produtividade de capital em setores que usam intensivamente
máquinas e equipamentos (como a indústria) devem ser menores do que os
referentes à infra-estrutura.
Para que o Brasil alcance um crescimento
sustentado é necessário perseguir a melhoria na produtividade de capital e
elevar a taxa anual de investimento.
A elevação do investimento pode ser
conseguida, em parte, com a redução da remessa de recursos ao exterior
considerando que, segundo avaliação feita com o programa, o passivo
externo líquido está sensivelmente reduzido em relação ao início do
século.
As simulações feitas com o programa
projetar_e confirmam que o crescimento da economia depende de seguir
incrementando a produtividade de capital. Isto se dá em um quadro onde a
infra-estrutura começa a dar sinais de saturação na capacidade produtiva.
Com algum incremento da produtividade de
capital e a redução da remessa de recursos para o exterior, é possível,
com a poupança interna retomando lentamente a tendência de crescimento
anterior, chegar a um crescimento sustentado de 4,5 a 5% ao ano.
Caso a produtividade de capital volte aos
níveis do início do século, o crescimento voltará à faixa insatisfatória
dos 2,5% ao ano.