Economia & Energia
Ano XI-No 64
Outubro - Novembro 2007
ISSN 1518-2932

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“Retrapolando” as Contas Nacionais até 1947

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“Retrapolando” as Contas Nacionais até 1947

 

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Texto para Discussão:

"Retropolação" das Contas Nacionais até 1947:
Como Compatibilizar os Dados da Nova Série do Sistema de Contas Nacionais do IBGE com Modelos de Longo Prazo, como o
projetar_e

 

Aumara Feu
aumara.souza@planejamento.gov.br

Carlos Feu Alvim   
feu@ecen.com

 

 

RESUMO

O IBGE ampliou e modificou a apuração das Contas Nacionais o que afetou os valores do crescimento do PIB e alterou profundamente sua estrutura. Isto tornou difícil  aglutinar os valores da série antiga com a nova sem compatibilizar as séries. A mudança atinge o funcionamento de modelos de longo prazo como o projetar_e usado pela e&e. Sugere-se uma metodologia de “retropolação” até 1947 e apresenta-se o resultado.

1 - Introdução

O programa de projeções macroeconômicas Projetar_e da e&e utiliza os dados das Contas Nacionais do IBGE, os quais foram recentemente revistos. Nas novas séries, provenientes desta revisão, o IBGE, dentre outros aprimoramentos, passou a adotar o ano 2000 como referência, incorporou dados das pesquisas anuais econômicas e domiciliares e informações tributárias das Pessoas Jurídicas. Como resultado, alterou-se não somente os valores do PIB, preço e quantidade, mas a distribuição do valor do PIB entre os seus diversos componentes.

O IBGE divulgou a nova série para o período 2000/2005, bem como uma “retropolação”, com base nas informações disponíveis, até 1995. As informações preliminares para o ano 2006 também podem ser obtidas no Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE. 

Como o modelo projetar_e é de longo prazo e baseia-se em dados históricos anuais, torna-se necessário analisar as mudanças entre as séries, antiga e nova do IBGE, de forma a aglutinar as informações. Apesar dos problemas de compatibilidade gerados pelo uso de séries com diferença metodológica e de amostragem no seu computo, um modelo de longo prazo e a construção do estoque de capital pelo método do estoque perpétuo só são factíveis se estão disponíveis sérias longas no tempo dos principais agregados macroeconômicos.

Assim, pretende-se verificar as diferenças nos dados entre as séries nova e antiga das Contas Nacionais do IBGE de forma a analisar como construir sérias longas no tempo, dadas as informações disponíveis das Contas Nacionais, mais especificamente, das séries do produto interno Bruto (PIB) na Seção 2 e da formação bruta do capital fixo (FBKF) na Seção 3. Ao final, apresenta-se uma tabela com a composição do PIB pela ótica da despesa de 1947-2006, segundo a aglutinação proposta neste trabalho.

2 – Produto Interno Bruto

A seguir serão comparados os dados do Produto Interno Bruto na séries nova e antiga das Contas Nacionais do IBGE (conforme Tabela 2.1), bem como determinado como será realizada a aglutinação entre os índices do PIB para o uso do modelo projetar_e.

 Tabela 2.1 – Crescimento Real e Índice  do PIB

Ano

Crescimento Real do PIB (%)

Índice do PIB (1995=100)

 

Antiga

Nova

Antiga

Nova

1995

4,2

 

100,0

100,0

1996

2,7

2,2

102,7

102,2

1997

3,3

3,4

106,0

105,6

1998

0,1

0,0

106,2

105,6

1999

0,8

0,3

107,0

105,9

2000

4,4

4,3

111,7

110,5

2001

1,3

1,3

113,1

111,9

2002

1,9

2,7

115,3

114,9

2003

0,5

1,1

115,9

116,2

2004

4,9

5,7

121,7

122,8

2005

2,3

3,2

124,4

126,7

2006

2,9

3,5

128,0

131,1

Fonte: IBGE Elaboração: e&e

Observa-se que na nova série o maior crescimento do PIB previsto a partir do ano 2000 foi, em parte, compensado com o menor crescimento nos anos até 2000. Assim, enquanto até 2000, a série antiga tinha um crescimento acumulado maior em 1,2 pontos percentuais, a partir de 2000, a série nova acumula um maior crescimento de 4,4 pontos percentuais. Disto resulta uma diferença de 3,2 pontos percentuais[1], ao final do período de 1995/2006, entre as duas séries do produto interno bruto, conforme representado na Figura 2.1.

Figura 2.1: Índices do PIB segundo a série antiga e a nova do IBGE.

           Fonte: IBGE Elaboração: e&e

Quando se trata do PIB a preços nominais, a diferença entre a série antiga e atual se eleva para 12,5% ao final do período (diferença de 257,8 bilhões de reais em um PIB de 2,3 trilhões de reais na série nova em 2006). Assim, o PIB em 2006 na nova série é maior que o na antiga, tendo em vista um maior crescimento real acumulado no período de 1995/2006 (3,2 pontos percentuais), uma maior variação do deflator implícito do PIB (0,7 pontos percentuais), bem como uma reavaliação do valor do PIB em 2000 (7,1%), ano de referência (conforme dados da Tabela 2.2).

Tabela 2.2 – PIB a Preços Correntes e Deflator Implícito

Ano

PIB a preços correntes (bilhões R$)

Deflator do PIB

Índice do Deflator

 

Antiga

Nova

Antiga

Nova

Antiga

Nova

1995

646,2

705,6

 

 

100

100

1996

778,9

844,0

17,4

17,1

117,4

117,1

1997

870,7

939,1

8,3

7,6

127,1

126,0

1998

914,2

979,3

4,9

4,2

133,3

131,4

1999

973,8

1.065,0

5,7

8,5

140,9

142,5

2000

1.101,3

1.179,5

8,4

6,2

152,6

151,3

2001

1.198,7

1.302,1

7,4

9,0

164,0

164,9

2002

1.346,0

1.477,8

10,2

10,6

180,7

182,3

2003

1.556,2

1.699,9

15,0

13,7

207,7

207,3

2004

1.766,6

1.941,5

8,2

8,0

224,7

224,0

2005

1.937,6

2.147,2

7,2

7,2

241,0

240,1

2006

2.065,0

2.322,8

3,6

4,3

249,7

250,4

Fonte: IBGE Elaboração: e&e

Dado o exposto, como o Projetar-e trabalha com os valores do PIB a preço constante e há uma pequena diferença entre as séries, nova e antiga (Figura 2.1), 3,2 pontos percentuais de crescimento em dez anos, parece aceitável para as avaliações do programa a junção das duas séries pela variação real da série antiga.

3 – Formação Bruta do Capital Fixo (FBKF)

A seguir serão comparados os dados da Formação Bruta do Capital Fixo nas séries nova e antiga das Contas Nacionais do IBGE (conforme Tabela 3.1), sua participação no PIB a preços correntes, bem como determinado como será realizada a aglutinação entre as séries da participação da FBKF no PIB para o uso do modelo projetar_e.

3.1 – Comparação dos dados

A Tabela 3.1 mostra que a diferença entre a série nova e a antiga é ainda menor quando se analisa o comportamento do investimento (FBKF); 0,8 pontos percentuais de diferença no crescimento longo de dez anos (1995/2006),  com pequenas oscilações para mais ou para menos no crescimento anual entre as duas séries.

Tabela 3.1 – Crescimento Real e Índice da FBKF

Ano

Crescimento Real da  FBKF (%)

Índice FBKF (1995=100)

 

Antiga

Nova

Antiga

Nova

1995

 

 

100,0

100,0

1996

1,2

1,5

101,2

101,5

1997

9,3

8,7

110,6

110,4

1998

-0,3

-0,3

110,3

110,0

1999

-7,2

-8,2

102,3

101,0

2000

4,5

5,0

106,9

106,1

2001

1,1

0,4

108,0

106,5

2002

-4,2

-5,2

103,5

100,9

2003

-5,1

-4,6

98,2

96,3

2004

10,9

9,1

108,9

105,1

2005

1,6

3,6

110,7

108,9

2006

6,3

8,7

117,6

118,4

Fonte: IBGE Elaboração: e&e

Cabe observar, contudo, que a revisão nos dados das Contas Nacionais gerou alterações relevantes na composição do PIB. Em particular, houve sensível mudança nos dados de investimento em termos de sua participação no PIB e na sua composição (máquinas e equipamentos, bens de construção e outros). Estas diferenças se devem a uma revisão nos preços relativos, tendo em vista a incorporação pelo IBGE de informações obtidas na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica e nas pesquisas anuais nas áreas da indústria e da construção.

A produtividade marginal do capital, por depender da quantidade deste insumo utilizado na produção, bem como o estoque de capital, por ser resultante da soma dos investimentos passados, considerando taxas de depreciação diversas para máquinas e equipamentos e para bens de construção, é significativamente afetada por alterações na composição do PIB e da FBKF.

Em termos de participação do PIB a preços correntes, a Tabela 3.2 compara os valores nas séries, antiga e nova, da FBKF e de seus componentes.

Tabela 3.2: Participação no PIB da Formação Bruta de Capital Fixo

 

FBKF Construção

FBKF máquinas e equipamentos

FBKF outros

FBKF

 

Nova

Antiga