Economia & Energia
Ano XI-No 64
Outubro - Novembro 2007
ISSN 1518-2932

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Estão as Emissões de Carbono Brasileiras Crescendo mais que o PIB? 

Notícia e Comentários:

Novidades no Balanço Energético Nacional – BEN 2007

Texto para Discussão:

“Retrapolando” as Contas Nacionais até 1947

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“Retrapolando” as Contas Nacionais até 1947

 

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Texto para Discussão:

"Retropolação" das Contas Nacionais até 1947:
Como Compatibilizar os Dados da Nova Série do Sistema de Contas Nacionais do IBGE com Modelos de Longo Prazo, como o
projetar_e

 

Aumara Feu
aumara.souza@planejamento.gov.br

Carlos Feu Alvim   
feu@ecen.com

 

 

RESUMO

O IBGE ampliou e modificou a apuração das Contas Nacionais o que afetou os valores do crescimento do PIB e alterou profundamente sua estrutura. Isto tornou difícil  aglutinar os valores da série antiga com a nova sem compatibilizar as séries. A mudança atinge o funcionamento de modelos de longo prazo como o projetar_e usado pela e&e. Sugere-se uma metodologia de “retropolação” até 1947 e apresenta-se o resultado.

1 - Introdução

O programa de projeções macroeconômicas Projetar_e da e&e utiliza os dados das Contas Nacionais do IBGE, os quais foram recentemente revistos. Nas novas séries, provenientes desta revisão, o IBGE, dentre outros aprimoramentos, passou a adotar o ano 2000 como referência, incorporou dados das pesquisas anuais econômicas e domiciliares e informações tributárias das Pessoas Jurídicas. Como resultado, alterou-se não somente os valores do PIB, preço e quantidade, mas a distribuição do valor do PIB entre os seus diversos componentes.

O IBGE divulgou a nova série para o período 2000/2005, bem como uma “retropolação”, com base nas informações disponíveis, até 1995. As informações preliminares para o ano 2006 também podem ser obtidas no Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE. 

Como o modelo projetar_e é de longo prazo e baseia-se em dados históricos anuais, torna-se necessário analisar as mudanças entre as séries, antiga e nova do IBGE, de forma a aglutinar as informações. Apesar dos problemas de compatibilidade gerados pelo uso de séries com diferença metodológica e de amostragem no seu computo, um modelo de longo prazo e a construção do estoque de capital pelo método do estoque perpétuo só são factíveis se estão disponíveis sérias longas no tempo dos principais agregados macroeconômicos.

Assim, pretende-se verificar as diferenças nos dados entre as séries nova e antiga das Contas Nacionais do IBGE de forma a analisar como construir sérias longas no tempo, dadas as informações disponíveis das Contas Nacionais, mais especificamente, das séries do produto interno Bruto (PIB) na Seção 2 e da formação bruta do capital fixo (FBKF) na Seção 3. Ao final, apresenta-se uma tabela com a composição do PIB pela ótica da despesa de 1947-2006, segundo a aglutinação proposta neste trabalho.

2 – Produto Interno Bruto

A seguir serão comparados os dados do Produto Interno Bruto na séries nova e antiga das Contas Nacionais do IBGE (conforme Tabela 2.1), bem como determinado como será realizada a aglutinação entre os índices do PIB para o uso do modelo projetar_e.

 Tabela 2.1 – Crescimento Real e Índice  do PIB

Ano

Crescimento Real do PIB (%)

Índice do PIB (1995=100)

 

Antiga

Nova

Antiga

Nova

1995

4,2

 

100,0

100,0

1996

2,7

2,2

102,7

102,2

1997

3,3

3,4

106,0

105,6

1998

0,1

0,0

106,2

105,6

1999

0,8

0,3

107,0

105,9

2000

4,4

4,3

111,7

110,5

2001

1,3

1,3

113,1

111,9

2002

1,9

2,7

115,3

114,9

2003

0,5

1,1

115,9

116,2

2004

4,9

5,7

121,7

122,8

2005

2,3

3,2

124,4

126,7

2006

2,9

3,5

128,0

131,1

Fonte: IBGE Elaboração: e&e

Observa-se que na nova série o maior crescimento do PIB previsto a partir do ano 2000 foi, em parte, compensado com o menor crescimento nos anos até 2000. Assim, enquanto até 2000, a série antiga tinha um crescimento acumulado maior em 1,2 pontos percentuais, a partir de 2000, a série nova acumula um maior crescimento de 4,4 pontos percentuais. Disto resulta uma diferença de 3,2 pontos percentuais[1], ao final do período de 1995/2006, entre as duas séries do produto interno bruto, conforme representado na Figura 2.1.

Figura 2.1: Índices do PIB segundo a série antiga e a nova do IBGE.

           Fonte: IBGE Elaboração: e&e

Quando se trata do PIB a preços nominais, a diferença entre a série antiga e atual se eleva para 12,5% ao final do período (diferença de 257,8 bilhões de reais em um PIB de 2,3 trilhões de reais na série nova em 2006). Assim, o PIB em 2006 na nova série é maior que o na antiga, tendo em vista um maior crescimento real acumulado no período de 1995/2006 (3,2 pontos percentuais), uma maior variação do deflator implícito do PIB (0,7 pontos percentuais), bem como uma reavaliação do valor do PIB em 2000 (7,1%), ano de referência (conforme dados da Tabela 2.2).

Tabela 2.2 – PIB a Preços Correntes e Deflator Implícito

Ano

PIB a preços correntes (bilhões R$)

Deflator do PIB

Índice do Deflator

 

Antiga

Nova

Antiga

Nova

Antiga

Nova

1995

646,2

705,6

 

 

100

100

1996

778,9

844,0

17,4

17,1

117,4

117,1

1997

870,7

939,1

8,3

7,6

127,1

126,0

1998

914,2

979,3

4,9

4,2

133,3

131,4

1999

973,8

1.065,0

5,7

8,5

140,9

142,5

2000

1.101,3

1.179,5

8,4

6,2

152,6

151,3

2001

1.198,7

1.302,1

7,4

9,0

164,0

164,9

2002

1.346,0

1.477,8

10,2

10,6

180,7

182,3

2003

1.556,2

1.699,9

15,0

13,7

207,7

207,3

2004

1.766,6

1.941,5

8,2

8,0

224,7

224,0

2005

1.937,6

2.147,2

7,2

7,2

241,0

240,1

2006

2.065,0

2.322,8

3,6

4,3

249,7

250,4

Fonte: IBGE Elaboração: e&e

Dado o exposto, como o Projetar-e trabalha com os valores do PIB a preço constante e há uma pequena diferença entre as séries, nova e antiga (Figura 2.1), 3,2 pontos percentuais de crescimento em dez anos, parece aceitável para as avaliações do programa a junção das duas séries pela variação real da série antiga.

3 – Formação Bruta do Capital Fixo (FBKF)

A seguir serão comparados os dados da Formação Bruta do Capital Fixo nas séries nova e antiga das Contas Nacionais do IBGE (conforme Tabela 3.1), sua participação no PIB a preços correntes, bem como determinado como será realizada a aglutinação entre as séries da participação da FBKF no PIB para o uso do modelo projetar_e.

3.1 – Comparação dos dados

A Tabela 3.1 mostra que a diferença entre a série nova e a antiga é ainda menor quando se analisa o comportamento do investimento (FBKF); 0,8 pontos percentuais de diferença no crescimento longo de dez anos (1995/2006),  com pequenas oscilações para mais ou para menos no crescimento anual entre as duas séries.

Tabela 3.1 – Crescimento Real e Índice da FBKF

Ano

Crescimento Real da  FBKF (%)

Índice FBKF (1995=100)

 

Antiga

Nova

Antiga

Nova

1995

 

 

100,0

100,0

1996

1,2

1,5

101,2

101,5

1997

9,3

8,7

110,6

110,4

1998

-0,3

-0,3

110,3

110,0

1999

-7,2

-8,2

102,3

101,0

2000

4,5

5,0

106,9

106,1

2001

1,1

0,4

108,0

106,5

2002

-4,2

-5,2

103,5

100,9

2003

-5,1

-4,6

98,2

96,3

2004

10,9

9,1

108,9

105,1

2005

1,6

3,6

110,7

108,9

2006

6,3

8,7

117,6

118,4

Fonte: IBGE Elaboração: e&e

Cabe observar, contudo, que a revisão nos dados das Contas Nacionais gerou alterações relevantes na composição do PIB. Em particular, houve sensível mudança nos dados de investimento em termos de sua participação no PIB e na sua composição (máquinas e equipamentos, bens de construção e outros). Estas diferenças se devem a uma revisão nos preços relativos, tendo em vista a incorporação pelo IBGE de informações obtidas na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica e nas pesquisas anuais nas áreas da indústria e da construção.

A produtividade marginal do capital, por depender da quantidade deste insumo utilizado na produção, bem como o estoque de capital, por ser resultante da soma dos investimentos passados, considerando taxas de depreciação diversas para máquinas e equipamentos e para bens de construção, é significativamente afetada por alterações na composição do PIB e da FBKF.

Em termos de participação do PIB a preços correntes, a Tabela 3.2 compara os valores nas séries, antiga e nova, da FBKF e de seus componentes.

Tabela 3.2: Participação no PIB da Formação Bruta de Capital Fixo

 

FBKF Construção

FBKF máquinas e equipamentos

FBKF outros

FBKF

 

Nova

Antiga

Diferença

Nova

Antiga

Diferença

Nova

Antiga

Diferença

Nova

Antiga

Diferença

1995

8,0

12,8

-4,8

8,8

6,5

2,4

1,5

1,3

0,2

18,3

20,5

-2,2

1996

8,2

13,0

-4,8

7,4

5,3

2,1

1,2

1,0

0,2

16,9

19,3

-2,4

1997

8,6

13,6

-5,0

7,5

5,3

2,2

1,2

1,0

0,3

17,4

19,9

-2,5

1998

8,8

13,8

-5,0

6,9

5,0

2,0

1,2

0,9

0,3

17,0

19,7

-2,7

1999

8,3

13,1

-4,8

6,1

4,8

1,3

1,3

1,0

0,3

15,7

18,9

-3,2

2000

8,3

12,9

-4,6

7,2

5,3

1,9

1,3

1,0

0,3

16,8

19,3

-2,5

2001

7,9

12,5

-4,5

7,8

5,9

1,9

1,3

1,1

0,2

17,0

19,5

-2,4

2002

7,7

11,8

-4,1

7,3

5,5

1,8

1,4

1,0

0,4

16,4

18,3

-1,9

2003

6,8

11,1

-4,4

7,2

5,6

1,5

1,4

1,0

0,3

15,3

17,8

-2,5

2004

7,0

11,8

-4,7

7,7

6,7

1,0

1,3

1,1

0,2

16,1

19,6

-3,5

2005

6,7

11,9

-5,2

7,9

6,8

1,2

1,3

1,2

0,0

15,9

19,9

-4,0

2006(1)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

16,8

 

 

Média

7,9

12,6

-4,7

7,4

5,7

1,7

1,3

1,1

0,2

16,6

19,3

-2,7

1995/2005

(1) Resultado das Contas Nacionais Trimestrais.

 

 

 

 

 

Fonte: IBGE Elaboração: e&e

Observa-se que há uma mudança de nível na participação do investimento (FBKF) no PIB: segundo a série antiga, o país investia em média 19,3% do seu produto no período entre 1995/2005, e, de acordo com a nova série, o investimento médio cai para 16,6%.  A nova série das Contas Nacionais estimou, em média, uma menor participação do investimento (FBKF) no PIB, menos 2,7 pontos percentuais, para o período 1995 a 2005. Desse modo, considera uma maior produtividade marginal do capital, pois o crescimento do país se dá com uma menor quantidade de investimento.

Quando se observa a decomposição do investimento, nota-se que houve  queda na participação no PIB do investimento em bens de construção, média de 4,7 pontos percentuais de 1995/2005, elevação na participação de máquinas e equipamentos, média de 1,7 pontos percentuais, bem como  relativa estabilidade do item outros. Dessa forma, a elevação do investimento em máquinas e equipamentos compensou apenas em parte a queda mais acentuada do valor agregado do  investimento em bens de construção.

Cabe mencionar que, nos outros componentes do PIB pelo lado da demanda, houve aumento de 4,0 pontos percentuais na participação do consumo no PIB na média para o período de 1995/2005; queda de 0,5 p.p. nas exportações e queda de 0,6 p.p. nas importações de bens e serviços, praticamente não alterando a balança comercial de bens e serviços entre as duas séries.

3.2 – Retropolação

Note-se que o programa projetar-e trabalha com a taxa real de crescimento do PIB e com as participações no PIB a preços correntes. Dessa forma, na Figura 3.1 mostra-se a participação no PIB a preços correntes dos principais componentes da Formação Bruta de Capital Fixo nas séries nova e antiga.

Pode-se observar que há pouca diferença de comportamento, mas existe uma mudança significativa de nível entre as séries, devido a mudanças nos preços relativos entre os componentes do PIB. Como já mencionado, a FBKF de construção perde participação no PIB na série nova, enquanto a FBKF de máquinas e equipamentos ganha. Esta descontinuidade entre as séries de participação no PIB impossibilita o uso da série nova de 1995 a 2006 em conjunto com a série antiga, dados até 1995, para o cálculo do estoque de capital. Para uma avaliação coerente do estoque de capital, será necessário uma “retropolação” dos dados do investimento para os anos anteriores, a exemplo do que foi feito entre 1995 e 2000 pelo IBGE.

Na metodologia utilizada na “retropolação” do IBGE, este estima, dentro da disponibilidade das informações, uma nova série de Tabelas de Recursos e Usos (110 produtos e 55 atividades) para 1995 a 1999, revendo a classificação do sistema anteriormente adotado (80 produtos e 43 atividades), de forma a integrar o SCN a partir de 1995. “Admitiu-se que as variações em volume e preços das operações de bens e serviços na classificação N80, entre 1995 e 2000 se mantiveram inalteradas, sendo modificadas apenas quando, ao se trabalhar no reequilibro oferta - demanda das TRU (Tabelas de Recursos e Usos), houvesse clara necessidade de alteração para se respeitar o equilíbrio macroeconômico das TRU”.

O processo de “retropolação” adotado pelo IBGE é demasiado complexo para que seja estendido a todo o período em que estão disponíveis os dados anteriores das Contas Nacionais (a partir de 1947). No que se segue, sugere-se um procedimento mais simples, sendo seu resultado comparado à “retropolação” do IBGE para os anos 1995 a 2000, de forma a verificar a aderência entre os dois procedimentos.

Figura 3.1: Participações no PIB dos principais componentes da Formação Bruta de Capital Fixo no PIB (mostra descontinuidade o que impossibilita o uso dos dados da série antiga para avaliação do estoque de capital.)


Na contabilidade das Contas Nacionais pelo lado da demanda, tem-se

Y+M = X + C + I +  ∆E                                             (1)

onde Y é o valor do PIB, M das importações, X das exportações, C do consumo, I do  investimento (FBKF) e E  a variação do estoque. Como o investimento, pode ser assim decomposto:

I = Ic + Im  + Io                                                            (2)

onde Ic é a formação bruta de capital fixo em construção, Im a FBCF em máquinas e equipamentos e Io a FBKF em outros; então de (1) e (2), tem-se:

X/Y – M/Y + C/Y + Ic /Y + Im/Y + Io/Y + E/Y = 1

ou, expressando os valores em relação a Y (as participação dos componentes do produto) , usando-se minúsculas:

x – m + c + ic + im + io + ∆e= 1                                   (3)

Na apuração do PIB no ano t, soma-se o produto das quantidades (q) e dos preços (p) dos bens e serviços finais (n)

Y (t) = Σ pt,n.qtn   (somatória em n)        

De forma a simplificar a notação, a partir de agora, o ano t não será indicado nas equações quando se referir ao ano para o qual se está apurando a variável, enquanto o ano anterior será indicado com o índice -1.

Para cada componente do produto, tem-se, para cada ano, uma participação. Assim, tomando como exemplo o investimento ter-se-ia:

in = In / Y = pn.qn/Y                                                    (4)

onde a participação do investimento no PIB no ano t, depende do preço e do volume investido e do valor agregado do produto no ano t.  Ao se diferenciar a equação (4), obtem-se:

αin = αpn.qn/Y + αqn.pn/Y – (pn.qn αY / Y2                                 

dividindo-se por in:

αin/in = (αpn.qn/Y + αqn.pn/Y – (pn.qn αY)/Y2) /(pn.qn/Y)

ou

αin/in = αpn/pn + αqn/qn – αY/Y                                                 

Em termos discretos, para a variação anual (representada por Δin), tem-se que

Δin/in = Δpn/pn + Δqn/qnΔY/Y + residuo                  (5)

onde a taxa de variação da participação do componente i no produto no ano t depende das taxas de variação do preço e da quantidade deste componente, bem como da taxa de variação do PIB, mas não diretamente dos preços relativos entre o componente e o PIB no ano t. Esta relação estaria considerada no resíduo, que será tomado como igual a zero neste trabalho.

Conforme visto anteriormente, nos períodos coincidentes entre a série nova e a antiga, 1995 e 2006, a variação real do PIB e da FBKF, bem como a variação do deflator implícito, não se distanciam muito entre as séries (Figura 2.1 e na Tabela 2.1, 2.2 e 2.3). As mudanças entre a série nova e a antiga do IBGE referem-se, sobretudo a alterações no nível dos preços relativos entre os bens e serviços que compõem o PIB, tornando razoável pressupor que as taxas de crescimento dos preços e das quantidades sejam muito próximas entre as séries a cada ano.

Assim, para os dados anteriores a 1995[2], será suposto que as taxas de crescimento do preço e da quantidade dos componentes do PIB e do valor agregado não variaram entre as séries; e, conseqüentemente, segundo a equação (5), que a variação da participação dos componentes no PIB não é diferente entre as séries antiga e nova[3] (somente o nível difere).

Como o uso deste procedimento não obrigatoriamente conduz a valores que satisfaçam à equação (3), usa-se a variação do estoque (E) será usada para que essa equação seja satisfeita. Para isto, após o cálculo (caracterizada por ‘) da participação de cada componente no PIB, segundo descrito acima, faz-se:

e’ = 1 – ( x’ – m’ + c’ + ic‘ + im‘ + io)                        

Deste modo, a variação de estoque é modificada de maneira a satisfazer a equação das contas nacionais pela ótica da demanda[4].

A curva “retropolada” da participação das variáveis que compõem o PIB será “paralela” (eqüidistante) à curva de dados anteriores. De forma semelhante, ao resultado da “retropolação” do IBGE, representado para os principais componentes da FBKF na Figura 3.2

Cabe mencionar que adotando este procedimento para os anos já “retropolados” pelo IBGE, 1995 a 2000, os resultados são similares (Figura 3.2). Assim, o resultado do procedimento adotado neste trabalho para a “retropolação”, considerando apenas as variações observadas na série antiga, não difere significativamente do resultado obtido pelo IBGE, à exceção do ano de 1999 para os dados de exportação e importação de bens e serviços, quando houve grande desvalorização cambial.

Figura 3.2: Participação no PIB: Comparação dos resultados “retropolados” para o período de 1995 a 2000 do IBGE e dos calculados neste trabalho, segundo a variação da participação dos componentes na série antiga do IBGE

A participação dos componentes no PIB de 1947 a 2006 são apresentados na Tabela 3.3, onde se integram os dados da nova série das Contas Nacionais de 1995 a 2006 aos resultados da “retropolação” estimada neste trabalho.

Tabela 3.3: Valores das Contas Nacionais (ótica Despesa) como fração do PIB Anual

 

Consumo

FBKF Construção

FBKF        maq. e equip.

FBKF outros

Variação de Estoques

Exportação de bens e serviços

Importação de bens e serviços

1947

90,3

5,4

8,0

0,4

-3,7

11,9

12,4

1948

90,7

4,8

6,5

0,4

-3,4

10,4

9,4

1949

91,9

5,2

6,0

0,4

-3,8

8,4

8,1

1950

90,4

5,0

6,0

0,4

-3,5

8,6

7,0

1951

91,1

5,9

7,7

0,4

-3,8

9,0

10,4

1952

92,0

5,8

7,0

0,4

-2,8

6,6

9,1

1953

88,6

6,4

6,2

0,4

-2,6

6,2

5,2

1954

87,6

5,7

8,6

0,4

-2,3

6,3

6,3

1955

88,2

5,0

6,9

0,4

-1,4

7,2

6,3

1956

88,8

5,8

6,8

0,4

-2,7

6,4

5,4

1957

87,4

5,9

7,3

0,4

-0,5

5,2

5,7

1958

86,3

6,7

8,3

0,3

-1,3

5,4

5,6

1959

84,1

6,7

9,7

0,3

-0,2

5,6

6,1

1960

88,3

6,1

7,8

0,3

-1,5

5,0

5,9

1961

89,6

4,8

7,0

0,3

-1,5

5,4

5,7

1962

87,8

6,1

7,6

0,3

-0,7

6,3

7,4

1963

86,4

6,6

8,6

0,3

-1,7

8,1

8,3

1964

86,3

6,0

7,1

0,3

-0,7

6,1

5,2

1965

83,3

6,0

6,6

0,3

1,6

7,1

5,0

1966

84,9

6,1

8,1

0,3

-0,1

6,1

5,3

1967

88,0

6,7

7,3

0,3

-2,2

5,4

5,3

1968

85,9

7,5

8,8

0,2

-1,8

5,6

6,2

1969

81,9

7,6

9,3

0,2

0,9

6,3

6,2

1970

83,9

6,8

10,5

0,2

-1,2

6,6

6,9

1971

84,5

7,1

11,5

0,2

-1,8

6,1

7,6

1972

84,4

7,3

11,6

0,3

-2,2

6,8

8,2

1973

83,1

7,6

11,0

0,3

-1,0

7,4

8,3

1974

85,4

8,1

11,9

0,3

-0,5

7,2

12,3

1975

82,0

8,4

13,1

0,4

-0,5

6,8

10,2

1976

83,3

8,3

12,0

0,4

-2,0

6,6

8,7

1977

82,5

8,2

10,8

0,5

-1,4

6,8

7,3

1978

82,1

8,3

11,2

0,9

-1,5

6,3

7,3

1979

82,9

9,2

11,0

0,8

-2,0

6,8

8,6

1980

82,1

9,2

11,0

1,0

-1,4

8,5

10,4

1981

79,7

10,1

10,1

0,9

-0,6

9,0

9,3

1982

82,0

10,0

8,8

0,6

-0,9

7,4

7,9

1983

83,0

8,9

7,1

0,7

-2,2

11,5

8,9

1984

79,9

8,3

7,3

0,3

-1,9

14,1

8,1

1985

77,9

7,7

7,2

0,5

1,5

12,2

6,9

1986

81,2

8,3

8,4

0,8

-1,2

8,7

6,1

1987

77,1

9,8

9,6

0,7

-0,4

9,2

5,9

1988

73,6

10,4

9,6

0,7

0,3

11,0

5,6

1989

73,1

11,7

10,1

0,8

0,8

8,4

5,0

1990

82,5

8,3

9,4

0,6

-2,1

7,7

6,4

1991

83,4

7,5

7,7

0,6

-0,1

8,2

7,3

1992

82,5

7,7

6,8

1,4

-0,8

10,2

7,8

1993

81,6

8,2

6,9

1,4

0,5

9,9

8,4

1994

81,4

8,4

8,2

1,5

0,0

8,9

8,5

1995

83,5

8,0

8,8

1,5

-0,3

7,3

8,8

1996

84,8

8,2

7,4

1,2

0,2

6,6

8,4

1997

84,8

8,6

7,5

1,2

0,1

6,8

9,0

1998

85,0

8,8

6,9

1,2

0,1

6,9

8,9

1999

83,9

8,3

6,1

1,3

-2,0

15,0

12,5

2000

83,5

8,3

7,2

1,3

1,5

10,0

11,7

2001

83,3

7,9

7,8

1,3

1,0

12,2

13,5

2002

82,3

7,7

7,3

1,4

-0,2

14,1

12,6

2003

81,3

6,8

7,2

1,4

0,5

15,0

12,1

2004

79,0

7,0

7,7

1,3

1,0

16,4

12,5

2005

80,2

6,7

7,9

1,3

0,3

15,1

11,5

2006

80,3

 

 

 

0,0

14,7

11,7

4 - Conclusão

As modificações realizadas nas contas nacionais introduziram variações importantes na estrutura dos investimentos históricos brasileiros e na contabilidade de outros componentes do PIB. Para a utilização de séries históricas para reconstituir o comportamento das variáveis macroeconômicas utilizadas em programas para projeções econômicas como o projetar_e, foi efetuada uma “retropolação” dos valores históricos. A metodologia descrita e os resultados obtidos parecem adequados à finalidade proposta.


 

[1] Para 2004 e 2005, os dados já estão atualizados segundo a última revisão da série anual,  divulgada pelo IBGE em novembro de 2007. Nesta revisão, o crescimento do PIB de 2005 passou de 2,9% para 3,2%, elevando a diferença entre a série nova e a antiga em 2005. Contudo, como o IBGE não revisou ainda os dados para 2006 (proveniente do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais), a diferença de crescimento entre as séries no período 1995/2006 não se altera. O crescimento previsto na nova série para 2006 cai, compensando o maior crescimento estimado para 2005 após a revisão, tendo em vista uma menor variação positiva entre o índice revisto para 2005 e o índice de 2006.

[2] Na estimativa para os anos anteriores a 1990, com dados do antigo Sistema de Contas Nacionais (SCN), também foi adotado o procedimento aqui descrito. Partiu-se dos dados obtidos pelo IBGE para o Novo Sistema de Contas Nacionais (NSCN), que se inicia em 1990, "retropolando" de acordo com os dados, levantados por esse Instituto para os  anos anteriores, segundo o antigo sistema (SCN).

[3] Por exemplo: no caso da indústria de construção, a participação no PIB na nova série foi reduzida significativamente. Se for suposto, no entanto, que a variação de preços e de volume na indústria de construção e a variação do PIB sejam iguais nas séries, nova e antiga, também será igual a variação da participação deste setor entre as séries.

[4] O IBGE utiliza a variação de estoque de forma a equilibrar o produto medido pelo lado da demanda e da oferta.     

 

Graphic Edition/Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a

Revised/Revisado:
Monday, 20 July 2009
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