Economia & Energia
Ano XI-No 64
Outubro - Novembro 2007
ISSN 1518-2932

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Textos para Discussão:

Estão as Emissões de Carbono Brasileiras Crescendo mais que o PIB? 

Notícia e Comentários:

Novidades no Balanço Energético Nacional – BEN 2007

Texto para Discussão:

“Retrapolando” as Contas Nacionais até 1947

Download:

bal_eec

Arquivo zipado do Balanço de Carbono gerando programa Excel com macros em Visual Basic que tem que ser ativadas para que o programa funcione

 

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Notícia e Comentários:

Novidades no Balanço Energético Nacional – 2007

 Frida Eidelman frida@ecen.com

Olga Mafra olga@ecen.com

 

RESUMO

Estão disponíveis no portal do Ministério das Minas e Energia http://www.mme.gov.br/mme os dados do BEN 2007, ano base 2006. Também está disponível a resenha anual que mostra um crescimento de 3,2% do consumo energético entre 2005 e 2006. Os renováveis e o nuclear cresceram mais (5,3%) que os combustíveis fósseis (1,5%). Entre estes, deve-se dar destaque para o gás natural que cresceu 5,8% contra um decréscimo de 1,9% do carvão mineral.

O BEN, editado pela EPE/MME, passou a oferecer para o ano 2006, informações adicionais relevantes sobre: os setores autoprodutores de eletricidade; a estrutura de consumo dos centros de transformação que antes eram incluídos no item Setor Energético; dados sobre alguns setores como o açúcar, alumínio, alumina e pelotização e a subdivisão do item Não Energéticos

 

1 - O BEN 2007

Neste mês de Setembro foi lançado no portal do Ministério de Minas e Energia (MME) o conjunto de dados energéticos do Balanço Energético Brasileiro – BEN 2007, Ano Base 2006, em sua versão preliminar (ver em http://www.mme.gov.br).

O BEN é um documento tradicional do setor energético brasileiro que fornece a matriz energética brasileira no nível nacional. Esta publicação foi editada por mais de trinta anos pelo MME e, a partir de 2006, passou a ser de responsabilidade da Empresa de Pesquisa Energética – EPE, empresa pública vinculada ao MME.

O BEN tem uma versão escrita que normalmente é divulgada poucos meses após a versão eletrônica e que contém ainda informações sobre reservas e recursos energéticos, indicadores sócio econômicos relacionados à energia, informações estaduais, uma série de comentários sobre os resultados e uma apresentação da metodologia. No final da publicação é apresentada na forma de anexo, para cada ano, uma matriz com 49 setores ou contas por 27 tipos de energia. Os valores em energia estão expressos em tonelada equivalente de petróleo - tep.

Na internet está disponível uma matriz mais completa que tem a dimensão 49 setores ou contas X 47 tipos de energia. Os valores originais desta tabela apresentados no BEN estão em unidades naturais - massa em toneladas e volume em metros cúbicos. Quando há agrupamento de fontes, as unidades estão em toneladas equivalentes de petróleo (tep).

O Balanço Energético Nacional é uma das fontes principais de dados utilizados pela equipe da e&e em suas análises e projeções na área energética. Ele é, inclusive, a principal fonte de dados de energia usada para calcular a emissão dos gases formadores do efeito estufa por energético e por setor no Brasil e que constituem o Balanço de Carbono nas Atividades Energéticas que a e&e elaborou para o Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT e cuja edição preliminar foi mostrada no No 62 desta revista.

A versão do programa bal_eec (o download pode ser feito clicando o nome do programa) já incorpora os dados de 2006 contidos no BEN 2007. Os dados em energia final de todo o período 1970/2006 estão acessíveis através do programa bem como os dados em energia equivalente e os de emissão de gases de efeito estufa obtidos pela aplicação de coeficientes de emissão por energético e por setor.

2 - Novidades no BEN 2007

A versão na internet dos dados do Balanço Energético 2007 (base 2006) apresenta, como em outros anos:

a)    os dados básicos da Matriz 49x47 (49 formas de energia por 47 atividades em unidades comerciais);

b)    as tabelas anuais consolidadas de 1970 a 2006 em 103 tep;

c)    os Bunker: abastecimento a navios e aeronaves estrangeiros (dados contabilizados como exportação);

d)    o rendimento térmico e geração por fonte em centrais públicas e autoprodutoras;

e)    fatores de conversão que transformam os montantes em unidades comerciais para montantes em tep (tonelada equivalente de petróleo).

No BEN 2007 foram acrescentados os seguintes dados:

f)       geração e respectivo consumo de energia na geração, por setor autoprodutor e por fonte;

g)     desagregação setorial, por fonte das atividades: outras transformações, setor energético, usos não energéticos e alumínio, alumina, pelotização e açúcar;

h)     matriz 49X47 em mil tep;

i)       matriz 49x47 em mil bep/dia

j)       matriz 49x47 em unidade comercial/dia (barril)/dia; t/dia; kWh/dia).

 

3 - Resenha Energética Brasileira Exercício 2006

Também está disponível na Internet a Resenha Energética Brasileira Exercício de 2006 do MME (ainda em sua versão preliminar) que apresenta alguns fatos interessantes que vale a pena destacar.

O crescimento da Oferta Interna de Energia (OIE) em 2006, de 3,2%, ficou abaixo do crescimento da economia, segundo a nova metodologia de cálculo do PIB (Produto Interno Bruto) do IBGE cujos resultados preliminares indicam um crescimento de 3,7% para 2006.

O aumento na demanda total por energia se deu com incremento no uso das fontes renováveis (hidráulica, biomassa e outras) que cresceu 4,2%, enquanto que as não renováveis cresceram 2,4% (petróleo e derivados, gás natural, carvão mineral e urânio). Com isso, a energia renovável passou a representar 44,9% da Matriz Energética Brasileira, em 2006.

Na Tabela 1 é apresentado um resumo da Oferta Interna de Energia em 2005 e 2006

 

Tabela 1: Oferta Interna de Energia em 2005 e 2006

Fonte: BEN/2007

A expressiva participação da energia hidráulica e o uso ainda não representativo de biomassa no Brasil apresentam indicadores de emissões de CO2 bem menores que a média dos países desenvolvidos. No país, a emissão é de 1,57 toneladas de CO2 por tep, enquanto nos países da OCDE a emissão é de 2,37 toneladas de CO2 por tep, ou seja, 51% maior.

3.1 - Energia Renovável

Cerca de 101,4 milhões ou 44,9% da OIE total correspondem à oferta interna de energia renovável, uma proporção das mais altas do mundo, contrastando significativamente com a média mundial, de 13,2%.

A biomassa, de uso muito pouco representativo nos países desenvolvidos, quase dobrou a sua participação na matriz energética, de 2,3% em 1973, para 4% em 2004, o que pode refletir a preocupação em atenuar as emissões de poluentes atmosféricos e/ou um reflexo do aumento do preço de petróleo.

Comparativamente ao mundo, nota-se que o Brasil apresenta uma significativa diferença na participação da energia hidráulica na Matriz de Oferta de Energia Elétrica, de 85% contra um pouco mais de 16% no mundo. Tal dinâmica contrasta com baixas participações no Brasil da geração a energia nuclear, a gás natural e a carvão mineral.

3.2 - Energia não renovável

A queda na participação da energia não renovável em 2006 foi devida ao crescimento pouco expressivo dos derivados de petróleo e à redução do consumo de carvão mineral, esta última por causa da performance negativa da produção de aço. O crescimento constante na produção do petróleo e do gás natural tem proporcionado ao país, importantes e sucessivas reduções no índice de dependência externa global de energia: de 12,9% em 2004, para 10,2%, em 2005 e para cerca de 7,4% em 2006, destacando-se o superávit líquido da “conta” petróleo de 4,0% neste último ano.

As maiores taxas de crescimento na matriz energética são do gás natural, tendo quase triplicado a sua participação nos últimos anos, de 3,7% em 1998, para 9,6% em 2006. O reflexo deste aumento recai, principalmente, sobre os derivados de petróleo - pela substituição de óleo combustível e gás liquefeito de petróleo - GLP na indústria, e de gasolina no transporte, além de outras substituições em menor escala.

4 - Autoprodutores

Foram introduzidas novas informações, que refletem a crescente importância da geração de energia elétrica pelos autoprodutores, bem como desagregações de várias atividades e setores.

A produção de eletricidade pelos autoprodutores tem crescido continuamente desde 1970, conforme mostrado na Figura 1.

Em 2005, os autoprodutores participaram em 9,1% na Oferta de Energia Elétrica no país com um total de 41,1 TWh, dos quais cerca de 76% provenientes de fontes renováveis e os restantes 24%, de fontes não renováveis. A Figura 2 mostra a participação percentual de cada fonte.

Figura 1: Geração de Autoprodutores de 1970 a 2006

Figura 2: Participação das diversas fontes na geração
             elétrica de auto produtores em 2006

A geração e o respectivo consumo de energia na geração de autoprodutores foram detalhadas nos setores: Energético (exploração e refino de petróleo, álcool e açucar), Comercial, Público, Agropecuário, Cimento, Ferro Gusa e Aço, Ferro Ligas, Mineração e Pelotização, Não Ferrosos e Outros Metalúrgicos, Química, Alimentos e Bebidas e Têxtil.

A Tabela 2 e a Figura 3 a seguir apresentam os setores onde foi usada a geração de autoprodutores.

Tabela 2: Uso da Hidroeletricidade de Autoprodutores
                      nos Diversos Setores em 2006

                            FONTE: BEN 2007

Figura 3: Percentual de Uso da Eletricidade pelos
               Autoprodutores nos Diversos Setores em 2006

Na Tabela 3 são mostrados os energéticos e respectivos setores servidos pelo autoprodutores.

Tabela 3: Energéticos e Setores da Geração de Autoprodutores

ENERGÉTICO

SETORES

Gás Natural Úmido

Energético

Bagaço de Cana

Energético, Alimentos e Bebidas, Papel e Celulose

Carvão Vapor

Química, Papel e Celulose

Lenha

Papel e Celulose

Lixívia

Papel e Celulose

Gás de Coqueria

Ferro gusa e aço

Alcatrão

Ferro gusa e aço

Outros Energéticos de Petróleo

Química

Gás de Refinaria

Refino

Outros renováveis

Ferro gusa e aço, Química, Papel e celulose

FONTE: BEN 2007

5.-.Desagregações

No BEN, tem-se os seguintes conceitos das atividades incluídas na Tabela 4:

·         “Outras Transformações” inclui efluentes (produtos energéticos) produzidos pela indústria química quando do processamento da nafta e outros produtos não energéticos de petróleo;

·         Consumo no Setor Energético refere-se à energia consumida nos centros de transformação e/ou nos processos de extração e transporte interno de produtos energéticos;

·         Consumo Não Energético é a quantidade de energia contida em produtos que são utilizados em diferentes setores para fins não energéticos.

Tabela 4: Desagregações Incluídas no BEN 2007

ATIVIDADE

DESAGREGAÇÃO

OUTRAS TRANSFORMAÇÕES

EFLUENTES PETROQUÍMICOS

 

GÁS NATURAL

 

TRANSFERÊNCIAS

CONSUMO NO SETOR ENERGÉTICO

  PETRÓLEO (EXPLORAÇÃO,  REFINO)

 

ÁLCOOL

 

SETOR ELÉTRICO

 

CARVÃO MINERAL

 

OUTROS

CONSUMO NÃO ENERGÉTICO

MATÉRIA PRIMA DA QUÍMICA

 

  OUTROS USOS

ALUMÍNIO

 

ALUMINA

 

PELOTIZAÇÃO

 

AÇÚCAR

 

FONTE: BEN 2007

Os itens alumínio, alumina, pelotização e açúcar foram introduzidos por ser o Brasil um dos maiores produtores de bauxita, minério de ferro e cana de açúcar no mundo, sendo, portanto, relevante e importante o detalhamento de suas informações.

6 - Conclusão

Com a desagregação de novas atividades na apuração do consumo e a discriminação da participação dos diversas atividades na geração de energia por autoprodutores que também inclui as fontes a partir dos quais a eletricidade é gerada, foram acrescentadas informações relevantes para o diagnóstico energético, projeção das emissões de gases de efeito estufa e para o planejamento energético.

Essas melhorias parecem se configurar como um resultado do esforço investido pela EPE e MME buscando o aperfeiçoamento dos instrumentos de planejamento energético. A isto deve ser acrescentado a implementação na edição anual escrita de maiores informações sobre variáveis que determinam ou influenciam a matriz energética brasileira.

 

Graphic Edition/Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a

Revised/Revisado:
Thursday, 05 May 2011
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