Economia & Energia
Ano XI-No 64
Outubro - Novembro 2007
ISSN 1518-2932

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Textos para Discussão:

Estão as Emissões de Carbono Brasileiras Crescendo mais que o PIB? 

Notícia e Comentários:

Novidades no Balanço Energético Nacional – BEN 2007

Texto para Discussão:

“Retrapolando” as Contas Nacionais até 1947

Download:

bal_eec

Arquivo zipado do Balanço de Carbono gerando programa Excel com macros em Visual Basic que tem que ser ativadas para que o programa funcione

 

e&e por autor
e&e por assunto

http://ecen.com
Vínculos e&e

 

Texto para Discussão

Estão as Emissões de Carbono Brasileiras

Crescendo mais que o PIB?

Carlos Feu Alvim feu@ecen.com
Frida Eidelman frida@ecen.com
Olga Mafra olga@ecen.com
Omar Campos Ferreira

 

RESUMO

Os dados das emissões de gases do efeito estufa (GEE) nas atividades energéticas foram atualizados para 2006 usando o programa bal_eec (disponível para download). Em 2006 as emissões de carbono tiveram crescimento zero apesar do crescimento de 3,7% do PIB. A mudança do perfil energético, relatada no artigo seguinte, explica este comportamento.

As emissões de carbono contido nos GEE cresceram mais que o PIB a partir de 1994. Esta tendência começou a ser revertida a partir de 2001. O valor da emissão de carbono por produto (expresso em kg de carbono por mil dólares de 2005) chegou a 112 em 2001 e reduziu-se para 99 em 2006. O valor em 2006 (99) é próximo da média histórica (98), mas ainda 5% superior ao valor de 1994 (94).

A emissão de carbono por produto, analisada por setor, revela que é a Indústria que emite mais por unidade de PIB e o Setor Agropecuário o que emite menos. O Setor Serviços reúne dois extremos o Transporte forte emissor e o Comercial e Público que pouco emitem. A evolução ao longo dos anos mostra que o Setor Industrial liderou o aumento das emissões e é o que mais rapidamente está revertendo esta tendência. Nas atividades industriais há forte predomínio nas emissões da Metalurgia e grande desproporcionalidade na participação no PIB em relação a das emissões.

1 - Emissões de Carbono e PIB

A Folha de São Paulo repercutiu na manchete principal de sua edição de 19 de setembro último sob o título “Poluição cresce mais que o PIB no País” o estudo sobre o Balanço de Carbono nas Atividades Energéticas realizado pela Organização Economia e Energia e publicado no Nº 62 desta revista. O artigo de Claudio Angelo, editor de Ciência da Folha, que deu origem à manchete, chamou a atenção para o fato de que as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) entre 1994 e 2005 cresceram 45% e o PIB, 32%.

A abordagem do artigo é relevante porque se os países em desenvolvimento como o Brasil alegam que não podem restringir seu crescimento econômico para reduzir as emissões pode parecer inquietante que no Brasil as emissões estejam crescendo mais do que o PIB.

Não se pode deixar de considerar, no entanto, que nossa base de partida é uma matriz energética excepcionalmente “limpa” em termos de emissões de gases de efeito estufa e não devemos ser punidos por isto. A pergunta implícita na inquietação levantada pelo artigo da Folha é se o Brasil poderá prosseguir seu crescimento com a mesma matriz limpa que ostenta nos dias de hoje.

Pelo menos em um dos aspectos nossa matriz energética pode deixar de ser tão limpa. É o caso da energia hidráulica cuja participação está e deverá continuar sendo reduzida. Isto está ocorrendo pela dificuldade de construir grandes reservatórios, que torna necessária uma complementação térmica para regular o abastecimento. No longo prazo, existe também a limitação do potencial economicamente aproveitável. Como alternativas existem as usinas a biomassa e as nucleares nas quais não existem emissões diretas.

O outro crescimento inevitável da demanda dentro do atual modelo econômico é a resultante do incremento do uso do veículo individual. Esta necessidade, no entanto, pode ser atendida pelo álcool carburante.

Antes de responder a questão levantada pela Folha, vale a pena analisar e comparar a evolução da emissão de gases de efeito estufa e do PIB, já que as estatísticas necessárias estão disponíveis. Na Tabela 1 estão indicados os valores do PIB, expressos em dólar de 2005, e das emissões totais de carbono nos GEE no Brasil.

Tabela 1: Emissões de Carbono nas Atividades Energéticas
               (Combustíveis não Renováveis) e PIB do Brasil

Ano

PIB  US$bi 2005(1)

Emissões milhão t C(2)

Emissões (3) kgC/1000 US$ 2005

Emissões de C relativas a 1994

PIB relativo a 1994

1970

225,5

22,2

99

35

34

1971

251,0

24,8

99

39

38

1972

281,0

27,0

96

43

42

1973

320,3

31,8

99

50

48

1974

346,4

34,3

99

54

52

1975

364,3

36,8

101

58

54

1976

401,6

40,4

101

64

60

1977

421,5

42,0

100

67

63

1978

442,4

45,8

103

73

66

1979

472,3

48,6

103

77

71

1980

515,8

48,0

93

76

77

1981

493,9

45,2

91

72

74

1982

498,0

45,7

92

72

74

1983

483,4

43,8

91

70

72

1984

509,5

44,4

87

70

76

1985

549,5

47,6

87

76

82

1986

590,6

52,2

88

83

88

1987

611,5

53,6

88

85

91

1988

611,1

54,9

90

87

91

1989

630,4

55,7

88

88

94

1990

603,0

54,5

90

86

90

1991

609,2

56,7

93

90

91

1992

606,4

58,1

96

92

91

1993

634,6

60,4

95

96

95

1994

668,5

63,0

94

100

100

1995

698,0

67,8

97

108

104

1996

713,0

73,1

103

116

107

1997

737,1

77,9

106

124

110

1998

737,4

80,1

109

127

110

1999

739,2

82,4

112

131

111

2000

771,1

85,6

111

136

115

2001

781,2

87,6

112

139

117

2002

802,0

87,2

109

138

120

2003

811,2

85,4

105

135

121

2004

857,5

89,7

105

142

128

2005

882,7

91,1

103

145

132

2006

915,4

91,1

99

145

137

(1)     PIB em valor real, expresso em função de seu valor em dólares americanos (câmbio médio de 2005)

(2)     As emissões em toneladas de CO2 podem ser obtidas multiplicando os valores da coluna por 44/12. Não foi usada a equivalência a CO2 pelo critério de GWP (Global warming potential)  estabelecida no Protocolo de Quioto.

(3)     As emissões devidas aos combustíveis não renováveis incluem as relativas à queima do gás natural não aproveitado (cerca de 1% do total) e o consumo não energético (cerca de 2% do total).

FONTE: índice do PIB http://ipeadata.gov.br/ e emissões calculadas pelos autores usando o programa bal_eec (o download pode ser feito clicando o nome do programa)

Na Figura 1 mostram-se a Evolução do PIB e das emissões de carbono em relação a 1994 (último ano do inventário nacional).

A Figura 2 mostra que as emissões no Brasil por unidade de PIB vêm oscilando em torno da média histórica de 98 quilogramas de carbono por mil dólares de 2005. O valor para 2006 (99 k C/1000 US$ de 2005) é praticamente igual à média do período 1970/2005 e o crescimento das emissões entre 2005 e 2006 foi praticamente nulo (redução de 0,005%), não obstante o crescimento de 3,7% do PIB, como é mostrado na Tabela 1.

A Figura 2 mostra que a queda, a recuperação e a nova queda no conteúdo de carbono no PIB  coincide com os choques no preço de petróleo. Deve-se lembrar que o petróleo correspondia (em 2006) a 70% das emissões de combustíveis fósseis no Brasil, já que o carvão mineral (16%) e o Gás Natural (14%) têm ainda uma participação relativamente modesta nas emissões que resultam de sua participação também modesta na matriz energética brasileira.

Ou seja, a partir de 2001 a emissão de carbono nas atividades energéticas está crescendo menos que o PIB.

Figura 1: Evolução das Emissões de Carbono em Atividades Energéticas comparada com a do PIB, mostrando um aumento maior do crescimento das emissões que o do PIB a partir de 1994 e a reversão desta tendência a partir do ano de 2000.

Figura 2: Emissões de Carbono por dólar de produto no Brasil, mostrando um decréscimo após o segundo choque no preço de petróleo (1979), que foi revertido com o “choque frio” de 1986 e está se recuperando depois de 2001.

A Figura 3 mostra a evolução dos preços de petróleo em US$ de 2006, destacando a ocorrência dos quatro choques de petróleo. Note-se que quase não houve resposta na curva da Figura 2 ao primeiro choque no Brasil, que vivia uma época de “milagre econômico” impulsionada pela alta do preço das commodities simultânea com a ocorrência do primeiro choque de petróleo. É interessante notar que as médias para 2006 e para o primeiro semestre de 2007 não superaram ainda os preços médios verificados em 1979 e 1980, em torno de 90 dólares o barril. As cotações diárias do Brent, no entanto, já superaram, no segundo semestre deste ano, os 100 dólares o barril.

Figura 3: Preços médios anuais de petróleo, mostrando os quatro choques de preço de petróleo incluindo o “choque frio” de 1986; os preços correspondem à média anual sendo que os de 2007 referem-se ao primeiro semestre.

FONTE: BP

2 - A Contribuição dos Setores nas Emissões de Carbono

O Balanço Energético Nacional - BEN, editado anualmente pela EPE/MME (Empresa de Pesquisas Energéticas do Ministério das Minas e Energia), apresenta os dados econômicos em uma abertura setorial compatível com a adotada para energia. Com as tabelas disponíveis é possível acompanhar a evolução da intensidade energética dos diversos setores (Energia/PIB setorial). A partir dos dados de emissões fornecidos pelo  software bal_eec (o download pode ser feito clicando o nome do programa) e usando os dados econômicos disponíveis no BEN, é possível estimar a intensidade (ou conteúdo) de carbono no uso da energia por setores. Para fazer isto, basta reunir os dados de emissão de carbono fornecidos pelo programa na mesma agregação dos dados econômicos e energéticos do BEN.

A Tabela 2 mostra os dados econômicos (produtos setoriais) e a Tabela 3 os dados de consumo de energia final por setor fornecidos pelo BEN. Os dados são apresentados em intervalos de cinco anos. A Tabela 4 mostra os dados das emissões de carbono. Note-se que a emissão na geração de eletricidade foi incorporada na emissão de cada setor proporcionalmente ao seu consumo.

Tabela 2: Produto Interno Bruto - PIB                        109 US$ (2005)

SETORES

1970

1975

1980

1985

1990

1995

2000

2005

T O T A L

205,6

332,2

470,6

501,4

550,2

640,0

714,6

796,3

   SERVIÇOS

96,2

161,1

233,7

267,6

305,4

356,7

395,9

410,9

     COMÉRCIO E OUTROS (1)

89,9

149,3

215,7

249,7

284,6

335,4

377,0

395,0

     TRANSPORTES

    6,3

 11,8

 18,0

 17,9

  20,8

  21,3

  18,9

  15,9

   AGROPECUÁRIO              

30,7

37,8

48,0

47,5

42,4

55,8

55,8

66,9

   INDÚSTRIA

73,3

124,8

175,6

165,9

178,9

204,7

220,3

255,5

     EXTRATIVA MINERAL (2)

   1,6

   2,7

   3,9

   4,1

   3,1

   2,7

    2,6

   4,7

     TRANSFORMAÇÃO

  71,7

122,0

171,7

161,7

175,8

202,0

217,7

250,8

      NÃO METÁLICOS

3,3

5,8

8,3

6,8

6,9

7,1

6,6

7,8

      METALURGIA

7,1

11,3

17,0

15,0

15,4

17,0

17,3

25,4

      QUÍMICA (3)                     

5,7

10,2

15,4

17,6

18,5

19,5

22,8

35,7

      ALIMENTOS E BEBIDAS  

8,8

12,3

16,0

15,8

17,2

22,0

23,3

27,5

      TÊXTIL (4)                   

6,0

7,7

10,1

8,7

8,2

5,3

3,5

3,0

      PAPEL E CELULOSE      

2,3

2,6

4,5

5,1

6,3

6,9

10,6

12,5

      OUTROS (5)                   

38,4

72,2

100,4

92,8

103,4

124,2

133,6

138,9

   ENERGÉTICO (6)         

5,4

8,5

13,3

20,4

23,6

22,7

42,6

63,0

FONTE: BEN 2006 EPE/MME com dados do IBGE anteriores à revisão de 2007

(1) Corresponde a comércio, comunicações, instituições financeiras, administrações públicas, aluguéis, outros serviços e SIUP (Serviços Industriais de Utilidade Pública) menos geração elétrica

 (2) Exclusive extração de petróleo e de carvão mineral

 (3) Exclusive refino de petróleo, destilação de álcool e produção de coque

 (4) Têxtil, exclusive vestuário, calçados e artefatos de tecido

 (5) Corresponde a  mecânica, mat. elet. e comunicação, mat. transporte, madeira, mobiliário, borracha, farmacêutica, perf. sabões e velas, prod. de mat. plásticas, fumo, construção e diversos

 (6) Corresponde a extração de petróleo, extração de carvão mineral, refino de petróleo, destilação de álcool, geração de eletricidade e produção de coque

Nota: Dummy financeiro distribuído proporcionalmente aos grupos de setores econômicos

 (*) Dólar constante de 2005

Deve-se salientar que os dados de PIB ainda estão expressos na estrutura publicada em 2006, que foi posteriormente alterada pelo IBGE. As mudanças no PIB alteraram as participações relativas no PIB mas não devem alterar substancialmente o comportamento ao longo do tempo da razão emissões/PIB, embora tenham influência no seu valor absoluto.

As emissões correspondentes ao consumo final energético são comparáveis às emissões totais na área energética mostradas na Tabela 1. Deve-se ter em mente, no entanto, que os valores do PIB foram modificados em 2007 pelo IBGE. Para uma comparação, o valor do PIB para 2005 passou de 883 US$ bilhões (dados da Tabela 1 correspondentes à apuração em 2007) para 796 US$ bilhões (dados da Tabela 2 da apuração de 2006) e é coerente com a variação nominal do PIB nas duas apurações, que foi de cerca de 11% em valores nominais (ver artigo sobre dados das Contas Nacionais neste mesmo número). Existe ainda uma diferença nas emissões entre os dados da Tabela 1 (emissão de 91,1 milhões de tC) e os da Tabela 4 (87,7 milhões de tC) que se referem a o consumo final e não incluem as emissões referentes ao uso não energéticos e ao GN não aproveitado.

Tabela 3: Consumo Final Energético  106 tep

SETORES

1970

1975

1980

1985

1990

1995

2000

2005

CONSUMO FINAL ENERGÉTICO

60,6

80,6

98,7

108,0

117,6

136,9

157,7

182,7

  SERVIÇOS

14,5

24,2

28,7

30,9

37,6

47,4

55,6

61,4

      COMÉRCIO E OUTROS (1)

1,3

2,1

3,0

3,6

4,7

6,1

8,2

8,9

      TRANSPORTES

13,2

22,2

25,7

27,3

33,0

41,3

47,4

52,5

  AGROPECUÁRIO             

5,4

5,3

5,8

6,1

6,0

7,1

7,3

8,4

  INDÚSTRIA

17,2

25,8

37,5

41,0

43,5

51,5

61,2

73,5

     EXTRATIVA MINERAL (2)

0,3

0,7

1,3

1,3

1,3

1,6

2,3

2,9

     TRANSFORMAÇÃO

16,9

25,1

36,2

39,7

42,2

49,9

58,9

70,6

       NÃO METÁLICOS  (3)

2,8

4,2

5,3

4,6

4,6

4,9

6,4

6,2

       METALURGIA  (4)

3,8

7,0

10,9

14,6

16,5

18,8

20,8

24,5

       QUÍMICA

1,2

2,0

3,7

4,1

4,2

4,8

6,4

7,2

       ALIMENTOS E BEBIDAS    

5,7

6,6

8,1

8,7

8,3

11,3

12,5

17,9

       TÊXTIL

0,8

1,0

1,1

1,0

1,2

1,1

1,1

1,2

       PAPEL E CELULOSE        

0,9

1,5

2,7

3,2

3,6

4,9

6,2

7,7

       OUTROS

1,7

2,9

4,4

3,5

3,7

4,2

5,4

5,9

  ENERGÉTICO             

1,6

3,2

5,9

11,5

12,0

12,8

12,8

17,6

  RESIDENCIAL                  

22,1

22,0

21,0

18,5

18,0

18,1

20,7

21,8

FONTE: BEN 2006 EPE/MME

(1) Corresponde aos setores comercial e público  (2) Corresponde a mineração e pelotização  (3) Corresponde aos setores cimento e cerâmica   (4) Corresponde aos setores ferro-gusa e aço, ferro-ligas e não-ferrosos.     

Tabela 4: Emissões de Carbono por Combustíveis não Renováveis
                  Incluindo Emissões na Geração Elétrica    10³ tC

SETORES

1970

1975

1980

1985

1990

1995

2000

2005

CONSUMO FINAL ENERGÉTICO     

21,6

36,1

47,1

44,9

52,0

65,3

82,0

87,7

  SERVIÇOS

11,1

18,6

20,7

19,7

23,4

29,9

36,7

39,7

      COMÉRCIO E OUTROS (1)

0,6

0,7

0,9

0,8

1,2

1,7

2,8

2,8

      TRANSPORTES

10,5

17,9

19,8

18,9

22,2

28,1

33,9

36,9

  AGROPECUÁRIO                 

0,4

1,1

2,0

2,6

2,8

3,8

4,1

4,4

  INDÚSTRIA

7,3

12,1

18,8

15,8

17,5

22,6

29,9

31,4

     EXTRATIVA MINERAL (2)

0,2

0,5

0,9

0,7

0,7

1,0

1,7

2,2

     TRANSFORMAÇÃO

7,1

11,6

17,9

15,1

16,8

21,6

28,2

29,2

       NÃO METÁLICOS  (3)

1,4

2,3

3,1

1,6

2,0

2,4

3,9

3,5

       METALURGIA  (4)

2,5

3,6

6,3

8,3

8,6

11,8

14,1

15,5

       QUÍMICA

0,8

1,4

2,6

2,4

2,5

2,9

4,3

4,5

       ALIMENTOS E BEBIDAS          

0,7

1,1

1,5

0,8

1,0

1,3

1,5

1,4

       TÊXTIL

0,4

0,6

0,7

0,3

0,5

0,4

0,5

0,5

       PAPEL E CELULOSE             

0,5

0,8

1,1

0,6

0,8

1,1

1,4

1,3

       OUTROS

0,9

1,8

2,6

1,1

1,3

1,6

2,5

2,4

  ENERGÉTICO             

1,1

2,3

2,9

3,3

3,8

3,9

4,9

6,4

  RESIDENCIAL                  

1,7

2,0

2,7

3,4

4,3

5,2

6,4

5,9

  CONSUMO NÃO-IDENTIFICADO

0,0

0,0

0,0

0,0

0,2

0,0

0,0

0,0

FONTE: e&e

A Tabela 5 mostra as emissões de carbono devido ao consumo final de energia nos setores por mil dólares de produto setorial. A Figura 4 compara esses valores para os principais setores. É interessante que quando o setor transportes aparece incluído no setor serviços, a intensidade deste setor fica comparável à dos demais já que a intensidade do setor comércio e outros é muito baixa (7 kgC/1000 US$ em 2005), o que compensa a alta intensidade do setor transportes (2317 kgC/1000 US$ em 2005). Deve-se salientar ainda que na emissão do setor transporte está incluída a da gasolina automotiva usada no transporte individual (cerca de 30% da total). Mesmo fazendo a correção, a emissão por dólar de produto adicionado no transporte ainda é uma ordem de grandeza superior à média.

Comparando as emissões por setor, pode-se verificar na Figura 5 que com a inclusão dos transportes no setor Serviços passa a haver uma distribuição percentual semelhante no produto dos setores e nas emissões setoriais de gás de efeito estufa.

Tabela 5: Emissões de carbono Setor/ Produto (1)    kC/ mil US$ 2005

SETORES

1970

1975

1980

1985

1990

1995

2000

2005

CONSUMO FINAL ENERGÉTICO     

105

109

100

89

95

102

115

110

  SERVIÇOS

115

115

89

74

77

84

93

97

      COMÉRCIO E OUTROS

6

5

4

3

4

5

7

7

      TRANSPORTES

1.655

1.516

1.102

1.057

1.068

1.322

1.792

2.317

  AGROPECUÁRIO                 

11

28

42

55

67

68

73

65

  INDÚSTRIA

100

97

107

95

98

110

136

123

     EXTRATIVA MINERAL

133

193

230

166

238

360

651

459

     TRANSFORMAÇÃO

99

95

104

94

95

107

130

116

       NÃO METÁLICOS

418

403

368

236

297

341

594

452

       METALURGIA

355

315

370

553

561

693

812

611

       QUÍMICA

144

139

170

136

136

150

187

125

       ALIMENTOS E BEBIDAS          

75

92

95

52

58

58

67

52

       TÊXTIL

65

79

67

39

62

85

140

158

       PAPEL E CELULOSE             

198

301

249

111

121

152

133

107

       OUTROS

22

25

26

12

13

13

19

17

  ENERGÉTICO             

212

272

217

163

159

171

116

101

  RESIDENCIAL (2)                

8,3

6,0

5,7

6,7

7,9

8,1

9,0

7,4

(1) Inclui consumo correspondente à geração de energia elétrica, (2) Relativo ao PIB

Figura 4: Emissões de carbono e produtos setoriais, os transportes estão incluídos nos serviços

 Figura 5: Comparação da distribuição setorial do produto, da participação energética e das emissões; observe-se uma proximidade entre a distribuição do produto e a de emissões de gases de efeito estufa quando se inclui o transporte no setor serviços.

A Figura 6 mostra a evolução da razão emissão de GEE por produto setorial. A curva para o consumo final incluindo o consumo  residencial corresponde à curva mostrada na Figura 2, a menos das diferenças já assinaladas nas emissões (gás natural não aproveitado e consumo não energético) e no produto (mudança de base). Também está representada a curva referente ao setor industrial, onde foi registrado o maior aumento das emissões por produto. Tanto o Setor Industrial como o de Serviços passaram por um mínimo em torno de 1986 que foi o ano do “choque frio” nos preços de petróleo. O setor industrial reagiu mais rapidamente ao aumento de preços do petróleo no início dos anos 2000[1].

Pode-se ver também na Figura 6 que o coeficiente de emissão por produto cresceu na Agropecuária, o que se deve muito provavelmente ao processo de mecanização que aumentou o uso de combustíveis não renováveis (principalmente óleo diesel) no setor. Esta modificação não pode ser acompanhada na Tabela 3, onde está incluída a biomassa (principalmente lenha) cujo consumo decresceu quase no mesmo ritmo em que penetrou o diesel.

Figura 6: Evolução do coeficiente de emissões de carbono por produto para os principais setores econômicos.

3 - Emissões de Carbono por Atividade Industrial

As emissões de carbono na indústria estão concentradas em algumas atividades que agregam relativamente pouco valor ao PIB. A comparação da participação das atividades industriais no produto, na energia e nas emissões de carbono está mostrada na Tabela 6 e na Figura 7. A atividade Outros, que reúne principalmente as manufaturas, agrega muito valor e quase não é responsável por emissões. Em compensação, a atividade Metalurgia, responsável por 10% do PIB, responde por mais da metade das emissões de carbono.

Figura 7: A participação das emissões nas diversas atividades industriais é bastante distinta da verificada para o produto e mesmo para a energia final

 Tabela 6: Participação no Produto, Energia Final e
Emissões de Carbono nas Atividades Industriais

Atividade Industrial

PIB Industrial

Energia Final

Emissões C
Não Renováveis

EXTRATIVA MINERAL

1,8%

4,0%

7,1%

NÃO METÁLICOS

3,0%

8,5%

12,1%

METALURGIA

10,0%

33,3%

51,7%

QUÍMICA

14,0%

9,8%

14,5%

ALIMENTOS E BEBIDAS

10,8%

24,4%

3,7%

TÊXTIL

1,2%

1,6%

1,1%

PAPEL E CELULOSE

4,9%

10,5%

3,7%

OUTRAS

54,3%

8,0%

6,1%

Pode-se notar que também a participação nas emissões difere da participação na energia não só porque nesta estão incluídos os derivados da biomassa (cuja emissão não é computada), como é o caso de Alimentos e Bebidas, como também existe mesmo entre os não renováveis muita diferença entre as emissões por unidade de energia. Elas são maiores para os compostos, como o carvão vapor ou metalúrgico, que têm em sua composição uma menor proporção de hidrogênio que no gás natural[2] Esta é uma das razões da Metalurgia, que inclui toda a parte ligada à siderurgia e usa intensivamente o carvão, apresentar alto índice de emissão.

Na Figura 8, pode-se observar a grande disparidade da razão emissões de carbono/ produto que atinge 563 kg de carbono por mil dólares de produto na Metalurgia comparada à do item Outros, que é de apenas 12 kg carbono por mil dólares de produto.

Figura 8: As emissões por produto são muito diferentes nas diferentes atividades industriais.

Na escala ao lado da Figura 8 está indicada a emissão em kg de CO2 por dólar[3]. Fica claro que a modificação do perfil das atividades industriais poderia trazer uma sensível redução das emissões. Isto é válido principalmente para os produtos exportados que não fazem parte da cadeia de produção brasileira para consumo interno.

A evolução das emissões por produto (valor agregado) é mostrada na Figura 9 para as atividades industriais consideradas. As atividades que apresentam maiores emissões de carbono por unidade de produto, Metalurgia, Extrativa Mineral e Não Metálicos, destacam-se também por apresentar grandes variações ao longo do tempo. Na metalurgia houve um expressivo incremento do teor de carbono por produto (surpreendentemente depois do primeiro choque de petróleo) provavelmente por mudança de perfil da indústria. Já na atividade de Extração Mineral, houve um grande incremento a partir de 1985

Figura 9: Evolução das emissões por Produto nas atividades industriais.

A emissão da atividade Não Metálicos, cujo principal componente é o cimento, mostra a grande capacidade deste setor de absorver os mais variados tipos de energéticos. Como pode ser observado na Figura 10, este setor absorveu, após o segundo choque de petróleo, biomassa adicional e o carvão mineral para o qual foi montado, inclusive, um programa de subsídio ao transporte. Com a queda dos preços de petróleo, o subsídio ao transporte do carvão foi extinto e houve um grande aumento do uso de derivados de petróleo, notadamente o coque de petróleo (um resíduo do refino) na indústria do cimento. Após o ano 2000 houve uma expressiva penetração do GN que é um combustível de grandes vantagens comparativas na indústria cerâmica.

Figura 10: Emissões de Carbono  na Atividade “Não Metálicos” (cimento e cerâmica) que mostram  as variações resultantes da substituição de energéticos; as emissões dos renováveis (biomassa) não são contabilizadas no inventário, sendo representadas por uma superfície “vazada”.

4 – Conclusão

As emissões de carbono por unidade de produto acompanharam no Brasil a evolução dos preços internacionais do petróleo: reduziram-se com o aumento do petróleo após o segundo choque (1979) e se elevaram a partir do “choque frio” dos preços do petróleo (1986). Com a nova elevação do seu preço e a recuperação no preço das commodities (2001), no início do atual século, as emissões por produto voltaram a diminuir.

A estrutura industrial, muito voltada para produtos metalúrgicos, é responsável por grande parte do crescimento das emissões verificado a partir de 1986 nas atividades industriais.

Para manter estável a relação emissões de Carbono/ PIB, o Brasil teria que compensar em outros setores o provável aumento da emissão que se espera na geração de eletricidade; medidas de conservação de energia, de substituição por biomassa e de mudanças na estrutura industrial, que parecem ser eficazes para essa redução. A alteração da estrutura industrial em benefício de produtos de maior valor agregado (e conteúdo tecnológico) surge da análise como um caminho para a redução das emissões de carbono por produto.


[1] Recorde-se que a análise feita (emissões por produto) não permite concluir se esta queda se deu pela redução das emissões ou por um aumento relativo de preços que modifica (para o ano seguinte) a ponderação e o preço de referência dos setores no sistema de base móvel do IBGE. Uma análise a preços constantes poderia resolver a dúvida quanto ao comportamento dos preços

[2] A maioria dos energéticos gera energia pela reação do carbono e/ou do hidrogênio com o oxigênio que é o processo de queima. Quanto maior for o teor de carbono, maior é a quantidade de gás carbônico gerado. Quanto maior a participação do hidrogênio nas moléculas do combustível, menores as emissões (zero no caso do hidrogênio puro), já que na queima desse elemento gera-se apenas água. Dos combustíveis que existem com alguma abundância na natureza (o hidrogênio tem que ser produzido a partir de outra forma de energia), a maior emissão é a do carvão (quase só carbono) e a menor do gás natural (um átomo de carbono e quatro de hidrogênio).

[3] A quantidade de CO2 é obtida multiplicando a massa de C por 44/12. Na escala da direita os valores do produto estão expressos por dólar em dólar de 2005 e na da direita, por mil dólares.

 

Graphic Edition/Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a

Revised/Revisado:
Thursday, 05 May 2011
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