Economia & Energia
Ano X- No 55:
Abril-Maio 2006
ISSN 1518-2932

Patrocínios:

BUSCA

CORREIO

DADOS ECONÔMICOS

DOWNLOAD

e&e ANTERIORES

e&e No 55

Apoio:

Ministério do Desnvolvimanto, indústria e Comércio Exterior

Ministério da ciência e Tecnologia

 

Página Principal

A Evolução da Concentração de Metano na Atmosfera

Cenário Macroeconômico Horizonte 2026:

Resultados para Cenário de Referência

Variáveis determinantes do Crescimento no Brasil
Nota 1:A Poupança Interna 

 

 

Download

e&e No 54 completo em pdf para download e impressão

 

e&e por autor
e&e por assunto

http://ecen.com
Vínculos e&e

guestbook

Veja também nosso suplemento literário

http://ecen.com/
jornalego

setae.gif (977 bytes) e&e English Version   

Texto para Discussão:

 Cenário Macroeconômico Horizonte 2026:

 Resultados para Cenário de Referência

Introdução

Periodicamente a Organização Economia e Energiae&e apresenta cenário de previsão de crescimento. O Cenário dito Referencial corresponde ao prosseguimento das tendências observadas. Isto significa que a evolução dos parâmetros que determinam o crescimento tende a manter o comportamento histórico, mas leva em especial consideração o acontecido nos últimos anos.

A atual publicação corresponde a “rodada” com os dados disponíveis para 2005. Uma revisão está em elaboração considerando o resultado de estudos sobre o comportamento histórico dos principais parâmetros usados na projeção do PIB.

Esta apresentação não tem por objetivo discutir a metodologia adotada ou os procedimentos de projeção que já foram descritos anteriormente nesta publicação. O objetivo é apresentar os resultados. Uma descrição do programa e projeções de rodada anterior estão descritos no No 19 desta Revista disponíveis na Internet (http://ecen.com/eee19/ecen19.htm).

Cenário de Referência  

O Cenário Macroeconômico de Referência foi gerado a partir do programa projetar_e. Reproduzimos, a seguir, os quadros gerados pelo programa. Os dados transcritos permitem visualizar as principais premissas adotadas e os resultados alcançados. As telas mostradas permitem ainda, com auxílio do programa, reproduzir os cenários criados para serem usados em projeções como as de demanda energética.

 

Poupança Interna ou Territorial:

Tela Referência 1: Poupança Interna

Os valores da poupança interna relativa ao PIB foram obtidos a partir da fração do PIB excluída do consumo aparente, ou seja:

Poupança Interna/PIB = 1 – Consumo Aparente/PIB

A projeção dos valores foi obtida a partir de ajuste dos dados históricos e considerando um limite de 30% do PIB no longo prazo para a poupança interna de 26% do PIB em 2025. A constante de tempo para “casar” o ajuste com o dado histórico foi tomada como de 3 anos.

Note-se que houve um substancial incremento na poupança territorial, que representa o investimento interno. Esta poupança sofreu uma queda expressiva com o Plano Real e foi recuperada nos últimos anos. 

Razão Capital/Produto:

Foi suposto que essa razão (inverso da produtividade de capital) permaneça no mesmo nível observado nos últimos anos (cerca de 2,7). Essa razão indica a quantidade de unidades de bens de capital necessária para produzir uma unidade de produto. No caso, para produzir 1000 dólares é necessário, em média, um estoque de bens de capital de 2700 dólares.

Tela Referência 2: Razão Capital/Produto

Comércio Exterior

Tela Referência 3: Comércio Exterior

O Comércio Exterior brasileiro (média de participação no PIB de exportação e importação) manteria sua tendência crescente, mas sua participação no PIB seria reduzida nos próximos anos dentro do comportamento histórico.

Tela Referência 4: Exportações e Importações

O saldo do Balança Comercial permaneceria positivo, mas seria reduzido para permitir maior investimento, estabilizando-se em torno de 2,5% do PIB; as transferências externas (relativas a bens reais) passariam a ser 1,4% do PIB. Isso significa um investimento externo (negativo) de –1,4% do PIB.

Como resultado, obtém-se os investimentos indicados na tela seguinte. Note-se que a recuperação da poupança interna ainda não trouxe a recuperação esperada nos investimentos. Para fazê-lo é necessário reduzir a remessa de recursos reais para o exterior.

Tela Referência 5: Investimentos externos e internos como percentual do PIB

Limites do Passivo Externo

Tela Referência 6: Passivo Externo Líquido (dívida externa + estoque de investimentos diretos)

Para regular as transferências externas, foi suposta uma limitação do passivo externo líquido em 25 % do estoque total de capital ou cerca de 68% do PIB para uma razão K/Y (capital/produto) de 2,7.

Para manter esse limite, é necessário gerar excedentes (na prática obtido pela compressão do consumo interno) e manter a remuneração do capital externo dentro de limites razoáveis (no caso, foram mantidos os valores dos últimos 7 anos: 8% de juros reais e 4%  de remuneração do capital). Taxas superiores exigem transferências maiores para o exterior, que comprometem o investimento e o crescimento econômico. Cabe observar que as taxas de remuneração do capital externo produtivo são calculadas a partir das remessas legais de dividendos e de outras remunerações do capital.

Fator de Utilização

O fator de utilização mede a utilização da capacidade de produzir e foi suposto  retornando à média histórica (indicada no eixo secundário) de 100%. Também é indicado o valor relativo à máxima utilização. Este fator, como mostra a figura, é fortemente influenciado pela conjuntura. O programa permite que se façam hipóteses para os primeiros anos, como é indicado na Tela 7. Nesta projeção foram mantidos os valores projetados pelo programa.

Tela Referência 7: Fator de utilização da capacidade de produção em relação aos níveis máximo e médio.

Resultados para o PIB

Tela Referência 8: Resumo da evolução do PIB no cenário considerado

 

 

Cenário:

Referência

 

 

 

 

 

 

Variável

Unidade

2005

2006

2007

2008

2011

2016

2021

2026

PIB

US$bi 2003

531

552

573

592

651

790

992

1264

Variação

% aa

 

3,9%

3,8%

3,3%

3,3%

4,0%

4,7%

5,0%

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Razão Capital/Produto

 

2,64

2,60

2,57

2,57

2,62

2,67

2,67

2,67

Investimentos

US$bi 2003

103

115

125

132

152

189

242

314

Variação

% aa

 

11,7%

9,1%

5,6%

4,9%

4,4%

5,1%

5,3%

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comércio Externo [(X + M)/2]

US$bi 2003

65

67

70

71

74

88

114

150

Exportações

US$bi 2003

80

81

81

81

82

98

127

166

Variação

%aa

 

1,4%

-0,1%

0,5%

0,2%

3,7%

5,2%

5,5%

Importações

US$bi 2003

50

54

58

61

66

78

102

134

Variação

%aa

 

7,7%

8,6%

4,4%

2,6%

3,6%

5,4%

5,7%

Balança Comercial

US$bi 2003

30

28

23

21

16

20

25

32

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bens e Serviços Não Fatores

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Exportações BSNF

US$bi 2003

108

95

95

95

96

115

148

194

Importações BSNF

US$bi 2003

80

73

78

81

79

95

123

162

Transferências ao Exterior

US$bi 2003

28

22

17

14

9

11

14

18

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Consumo Aparente *

US$bi 2003

400

415

431

445

489

590

736

932

População

Milhões hab

184,2

186,8

189,3

191,9

199,3

210,7

221,1

230,7

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Consumo per capita

US$2003/hab

2172

2224

2277

2321

2456

2803

3331

4041

Variação Consumo percapita

% ano

 

2,4%

2,4%

1,9%

1,9%

2,7%

3,5%

3,9%

PIB per capita

US$2003/hab

2882

2954

3026

3084

3266

3751

4487

5478

Variação PIB percapita

% ano

 

2,5%

2,4%

1,9%

1,9%

2,8%

3,6%

4,1%

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FBCF

US$bi 2003

103

115

125

132

152

189

242

314

Poupança Territorial

US$bi 2003

131

136

142

146

161

200

256

331

Transferências para o Exterior

US$bi 2003

28

22

17

14

9

11

14

18

Saldo Comercial

US$bi 2003

30

28

23

21

16

20

25

32

Serv. Não Fatores (Líq.)

US$bi 2003

-2

-6

-6

-6

-7

-9

-11

-14

Tela Referência 9: Cenário de Referência

Os resultados das premissas adotadas (e de outras variáveis endógenas) permitem extrapolar o crescimento do produto que pode ser usado em outras aplicações como a projeção da demanda de energia. O programa permite a escolha da moeda em que vão ser apresentados os resultados. Foi escolhido o dólar de 2003 para expressar os dados. Os principais dados do cenário acham-se resumidos na Tela 9

Comentários sobre os Resultados

O programa e a metodologia utilizados nas projeções é fruto de um modelo exposto no livro “Brasil: o Crescimento Possível” publicado em 1996 com base nos dados até 1993. Na época, contrariando o otimismo vigente foi apontada uma limitação de 3,5% na taxa de crescimento entre 1993 a 2003. As hipóteses eram consideradas pessimistas, pois se acreditava que o Brasil estava entrando em um círculo virtuoso de crescimento com a liberalização econômica.

O resultado do Plano Real que vinha de ser lançado (em termos de crescimento da economia real) não correspondeu às expectativas. Foi criado um hiato de poupança interna de -6% do PIB. Mesmo com a entrada de recursos externos da ordem de 2% do PIB, não foi possível reconstituir as taxas de investimentos anteriores que sofreram uma queda de 4%.

A partir do ano 2000, foi iniciada uma penosa reversão da tendência ao consumo gerada pelo plano. Isto gerou um incremento da poupança interna. Além disto, foi interrompida, na década de noventa, a queda na produtividade de capital das duas décadas anteriores. Como resultado, é a primeira vez que o cenário de referência do programa assinala possibilidades de crescimento superiores a 4%. Nos próximos anos ainda deve pesar a falta de investimentos causada pela remessa de riquezas para o exterior que, para retomar o crescimento, deverá ser reduzida. Com isso, na atual previsão somente a partir de 2016 seria possível um crescimento sustentado superior a 4%.

A análise efetuada aponta, portanto, para um crescimento econômico aquém das expectativas nacionais. O artigo seguinte dá início a uma série de notas nas quais se procura estudar a evolução dos principais parâmetros que, na abordagem aqui adotada, determinam o crescimento. O objetivo é definir as condições nas quais um cenário de maior crescimento seria possível.

- Variáveis determinantes do Crescimento no Brasil : A Poupança Interna

(Nota 1 de revisão do comportamento das variáveis usadas na projeção)

 

Graphic Edition/Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a

Revised/Revisado:
Sunday, 12 August 2007
.

Contador de visitas