Economia & Energia
Ano IX -No 52:
Outubro-Novembro
2005 
ISSN 1518-2932

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Opinião:

O Espírito Santo Vai Virar Bolívia
Genserico Encarnação

Artigo:

Balanço de Carbono nas Emissões Causadoras do Efeito Estufa
e no Uso e Transformação de Energia no Brasil:

Comparação das Emissões nas Metodologias
 “Top-Down” Estendida e “Button-Up”
– Análise de Resultados e Conclusões.

Carlos Feu Alvim, Frida Eidelman e Omar Campos Ferreira

Texto para Discussão:

Alternativa ao Protocolo Adicional a
Acordos de Salvaguardas Nucleares com a AIEA

Carlos Feu Alvim

 

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Opinião:

O Espírito Santo Vai Virar Bolívia

Genserico Encarnação Júnior
jornalego@terra.com.br

Voltei para minha terra natal, já aposentado, em 1997, depois de um périplo por mais de três décadas por outros brasís. Vim participar de um governo estadual que já cumprira a metade de seu mandato. Encontrei-o cheio de projetos aos quais me aliei tornando-me um dos seus entusiastas.

Entre os projetos, destacavam-se os da área de energia, minha especialidade. Os principais eram:

1 - Construção do gasoduto Cabiúnas (RJ) - Vitória para receber o gás natural da bacia de Campos e eventualmente de outras origens;

2 - Utilização de parte desse gás no complexo mínero-siderúrgico da Grande Vitória, sua expansão, com a construção de uma usina termelétrica;

3 - Desenvolvimento dos campos de gás natural de Peroá e Cangoá, no norte do estado para utilização em usina termelétrica a ser construída naquela região;

4 - Criação de uma companhia de distribuição de gás canalizado em substituição às atividades da atual concessionária, para atender o aumento do consumo do gás natural a partir das novas disponibilidades do combustível; e

5 - Criação de uma agência reguladora dos serviços públicos estaduais.

Não vou entrar no porquê de essas iniciativas não se terem concretizado da forma acima descrita. Algumas delas estão sendo efetivadas atualmente, embora com propósitos e direcionamentos diferentes. Contudo as principais causas da inércia foram, sem dúvida, a privatização da empresa que iria constituir-se no principal pólo de consumo, a CVRD, e a fraqueza econômica e política do estado.

O móvel principal dos projetos era aumentar o mercado do gás natural no Estado. O gás daqui seria utilizado aqui mesmo, complementado com o gás de fora.

Essa agenda foi descuidada no governo seguinte que se entusiasmou com as perspectivas de exploração e produção de petróleo e gás nas costas capixabas. Efetivamente, as expectativas estão se concretizando, mas tudo leva a crer que o petróleo será refinado alhures, e o gás servirá a outros mercados.   

Ficaremos tão-somente com os royalties, pequena participação nos investimentos e alguns serviços correlatos. O grosso dos benefícios da nova indústria – os chamados valores agregados aos produtos de uma atividade extrativa – será colhido pelos estados que nos circundam, de maior expressividade econômica e política.

A agenda anterior incorria na utilização não tão nobre do gás natural, há que se confessar. Por exemplo, fritar pelotas de minério de ferro não é a melhor maneira de usar o gás. Tampouco a utilização do gás na geração termelétrica. Contudo aquele consumo daria uma ancoragem melhor aos seus projetos e as termelétricas viriam aumentar a nossa autonomia no frágil esquema de oferta de energia elétrica do estado, no contexto de uma também frágil situação nacional. As mais nobres utilizações do gás natural são como matéria-prima para a indústria química e sua utilização energética no consumo doméstico (incluindo sua transformação em gás de botijão), industrial, comercial ou veicular.

Hoje a agenda é outra. Os campos de Peroá e Cangoá estão sendo desenvolvidos não para geração de energia elétrica (a interligação com a CEMIG - MG atenua a fragilidade do estado, situado na ponta de linha do sistema sul-sudeste-centro-oeste), e a ligação dos nossos gasodutos aos dois sistemas (nordeste e sudeste) tem como fito o escoamento do grosso do gás aqui produzido para outras plagas. Plagas essas que já estavam se ressentindo da falta do produto pelo crescimento vigoroso do mercado nacional. O Espírito Santo, mesmo com o concurso do gás boliviano, estava fadado a ser o pulmão do mercado de gás natural no Brasil.

Com os acontecimentos recentes na Bolívia, o abastecimento gaseífero daquele país ao Brasil está correndo perigo. A Petrobras, preocupada, já está olhando com mais carinho para o escoamento da produção capixaba, aumentando os investimentos por aqui.

Aí mora o perigo! O Espírito Santo vai virar Bolívia, suprindo com o seu gás o sedento (qual seria o termo para gás?) mercado brasileiro.

A população boliviana está se revoltando contra essa situação de exploração, vendo escoar suas preciosas reservas de gás natural para um país vizinho.

Se não forem tomadas algumas medidas para reverter esse quadro que, acredito, já viriam tarde, o cenário a vingar é este, pintado neste artigo opinativo.

Este é o futuro do Espírito Santo. Vai virar Bolívia, com um agravante: sem a brava gente boliviana.

 

Graphic Edition/Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a

Revised/Revisado:
Wednesday, 18 January 2012
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