Economia & Energia
Ano IX -No 51:
Agosto-Setembro
2005 
ISSN 1518-2932

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e&e No 51

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Textos para Discussão:

O Gás Natural na Bolívia: Riscos e Oportunidades

Petróleo no Brasil  

Artigo:

Balanço de Carbono: A Contabilidade das Emissões nas Metodologias “Top-Down” Estendida (“Top-Bottom”) e “Bottom-Up”

 

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Texto para Discussão:

Petróleo no Brasil

  Omar Campos Ferreira.

  

A edição de Nº 46 desta Revista apresentou um artigo sobre a situação das reservas mundiais de petróleo (“De volta ao petróleo”, nº 46, out/nov 2004), mostrando que a razão da reserva acumulada para o consumo acumulado se aproxima do seu limite, devendo atingir em 2020 o valor 1,5. O tema tem importância estratégica, pois a alta persistente do preço internacional do óleo provocou reações no mercado financeiro e em planos de  governos. Esperava-se que ao fim do inverno no hemisfério norte os preços voltassem a baixar, como de outras vezes, mas apenas se registram oscilações sem que seja possível identificar tendência de baixa. Procuramos, neste trabalho, avaliar as reservas brasileiras de petróleo e o fôlego para sustentar a auto-suficiência pelo tempo necessário para se efetuar a transição tranqüila para as novas tecnologias energéticas.

  Reserva de petróleo

  Avalia-se a reserva brasileira de petróleo “convencional”[1]  usando o mesmo método empregado no artigo anterior. A série de dados é consideravelmente mais curta do que a usada naquele trabalho, o que acarreta maior incerteza nos resultados dos cálculos. Os dados, retirados do Balanço Energético Nacional 2002, estão mostrados em forma bruta no gráfico Nº 1. A contabilidade usada no Balanço deduz da reserva a produção no ano; para obter a reserva original, que pode ser projetada com o método logístico, é necessário fazer a correção. Além disso, o critério de distinção entre recursos e reservas foi mudado em 1990, o que exigiu uma outra correção, já incorporada nos dados do gráfico.  

Gráfico 1- Dados de produção e Reserva

Como de costume, os dados de reserva foram agrupados em centróides trienais e a taxa trienal média de descoberta (variação da reserva) foi representada em função da descoberta acumulada, distinguindo-se 2 pulsos mostrados nos gráficos 2, 3 e 4.

Gráfico 2.- Os pulsos de descoberta de petróleo

Gráfico 3 – Tratamento do primeiro pulso.

 O primeiro pulso teria a descoberta máxima de 1.880 Mm3 (12 bilhões de barris); o segundo, corrigido da influência do primeiro, chegaria a 4.210 Mm3 (26,5 bilhões de barris). Para testar a fidelidade dos cálculos, a série histórica foi reconstituída conforme se vê no gráfico 4. Segundo esses resultados, a reserva remanescente (reserva original – consumo acumulado até 2001) seria de 3.210 Mm3  ou 20 bilhões de barris.

        

 Gráfico 4 – Interferência do primeiro pulso sobre o segundo

 

Gráfico 5 – Recomposição da série histórica

Conclui-se que a reserva original de petróleo é de 4,210 Mm3, dos quais já foram consumidos 1.000 Mm3. Para avaliar a duração da reserva, caso se atinja a auto-suficiência, deve-se projetar o consumo com base na projeção de crescimento da economia. As relações testadas (consumo versus PIB, PIB/hab, população e população-PIB) deram coeficientes de correlação pouco satisfatórios, possivelmente devido à diversidade de fatores que condicionam o consumo (preços no mercado internacional, atividade econômica, balança de pagamentos, tecnologia de motores, etc...). Assim, a avaliação que se segue, baseada na correlação consumo-PIB mostrada no gráfico 6, é uma das várias que podem ser feitas, todas mais ou menos equivalentes do ponto de vista da aderência aos dados.  

Gráfico 6- Projeção de Consumo

Na edição nº 49 da revista, Carlos Feu et al. apresentaram o modelo macroeconômico desenvolvido pela equipe da e&e (“O Futuro do Sistema Elétrico Brasileiro – anexo 2: Cenário Macroeconômico de Referência”), prevendo para 2025 o PIB de US$2003 1.950 bilhões de dólares em paridade de poder de compra para a população projetada de 229 milhões de habitantes. Com esses dados, estima-se em 2630 Mm3 o consumo acumulado entre 2003 e 2025 (média diária = 2060 M barris), restando neste último ano 580 Mm3.

Vê-se que a reserva de petróleo é confortável, em relação à de outros países, mas é preciso preparar a transição para as novas tecnologias energéticas. Aproveitando a experiência do bem-sucedido Programa do Álcool, pode-se esperar o domínio da tecnologia dos óleos vegetais para resolver o problema de combustível para motores Diesel, que condiciona o consumo de petróleo (gráfico 7), no prazo disponível (25 a 30 anos). Ademais, o alto preço do petróleo e o crédito de carbono poderão estimular o uso da célula a combustível no transporte (individual, coletivo e de cargas), com hidrogênio eletrolítico e/ou com etanol reformado a bordo. Outras possibilidades seriam o aumento da fração de óleo diesel na destilação do petróleo, o estímulo ao transporte ferroviário, fluvial e de cabotagem e outras possibilidades.

 

      

 Gráfico 7- Projeção do Consumo de Petróleo e Óleo Diesel


 


 

[1] Óleo convencional é o que pode ser extraído e processado a custos competitivos com outras fontes primárias.

 

Graphic Edition/Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a

Revised/Revisado:
Wednesday, 28 December 2005
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