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Economia & Energia |
No 46 |
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Opinião: Estado Pequeno & Grandes Empresas Artigo: A Prospectiva Tecnológica: Previsão com um Simples Modelo Matemático (2) Textos para Discussão: De Volta ao PetróleoEvolução do Investimento no Brasil Veja também nosso suplemento literário
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Texto para Discussão: Evolução do Investimento no Brasil
Aumara Feu Este texto procura mostrar que a tendência crescente observada, recentemente, na formação bruta do capital fixo (FBCF) é, em parte, decorrente da elevação do nível de preço do investimento. Adicionalmente, pretende analisar qual a implicação do aumento do nível de preços na taxa de investimento (FBCF/PIB) e, conseqüentemente, na sustentabilidade do crescimento brasileiro. A série da formação bruta de capital fixa como proporção do PIB a preços correntes (FBCF/PIB), bem como a variação real da FBCF e do PIB, Tabela 1, demonstram que, a partir do segundo semestre de 2003, tanto o investimento quanto o produto apresentam tendência crescente. Tabela 1: Evolução da Razão FBCF/PIB, da FBCF e do PIB
Fontes: IBGE e FBCF/PIB dessazonalizado pelo X12 Além disso, alguns indicadores antecedentes do comportamento da FBCF e do PIB, como a utilização da capacidade instalada (UCI), também mostram comportamento ascendente.
Gráfico 1: Utilização da Capacidade Instalada – Geral da FGV e FBCF/PIB a preços correntes (ambas dessazonalizadas pelo X12) Quando se observa o comportamento crescente da UCI, Gráfico 2, este indica não apenas a expectativa de maior crescimento do PIB e da FBCF, mas também a necessidade de maior investimento e a possibilidade de pressão inflacionária por parte da demanda (a UCI já ultrapassou a sua média histórica).
Gráfico 2: Utilização da Capacidade Instalada – Geral da FGV trimestral e média A respeito da recente elevação do nível do investimento, cabe a ressalva de que parte deste comportamento é determinada pela variação dos preços relativos. Ou seja, quando se observam as séries dos deflatores da FBCF e do PIB, nota-se maior crescimento da primeira em relação à segunda[1]. O Gráfico 3, abaixo, mostra a tendência crescente da relação entre o deflator da FBCF e do PIB[2]. Esta relação mostra mudança de patamar na década de 80, pequeno retrocesso em meados da década de 90, sendo que a partir de 1999 (ano da desvalorização cambial), esta tendência se torna crescente.
Gráfico 3: Deflator Implícito da FBCF/Deflator Implícito do PIB, ambas as séries consideram como ano base 1980. Ou seja, no que tange ao período recente, desde de 1999 o preço do investimento vem crescendo mais que o preço do produto, sendo necessário maior aporte em investimento corrente para gerar o mesmo investimento físico (preços constantes). O maior crescimento do preço de investimento, quando comparado ao do PIB desde 1999, reflete-se numa menor taxa de investimento (relação entre a FBCF e o PIB) a preços constantes (Gráfico 4).
Gráfico 4: %FBCF/PIB a preços correntes e a preços constantes de 2000. A tabela 2 mostra, portanto, que grande parte das modificações na taxa de investimento a preços constante se deve à variação nos preços relativos. Por exemplo, entre o primeiro trimestre de 2000 e o segundo de 2003, a queda de 8,3% na taxa de investimento média é decorrente da redução de 4,0% do preço do PIB em relação à FBCF[3]. Tabela 2: Taxa de Crescimento da %FBCF/PIB a preço constante decomposta na variação do preço relativo entre FBCF/PIB e na variação da %FBCF/PIB a preços correntes.
Segundo o modelo básico de Solow, função Cobb-Douglas, o aumento no preço de um fator acarretaria a elevação da produtividade deste fator na mesma proporção. Contudo, em Feu (2004), observou-se que a produtividade marginal do capital no Brasil não apresentou este comportamento, tendo inclusive caído consideravelmente na década de 70 e 80. O Gráfico 5 mostra a taxa de investimento (preços constantes de 2000[4]) anual até 1990 e trimestral desde 1991, bem como a média verificada entre o primeiro trimestre de 1991 e o segundo de 2004, 19,1%. A série formação bruta de capital fixo como proporção do PIB a preços constantes de 2000 tem o seu menor patamar histórico[5], verificado no segundo trimestre de 2003, 16,4%, sendo que a partir de então apresenta comportamento crescente. Contudo, no segundo trimestre de 2004, a taxa de investimento a preços constantes, 17,3%, continua cerca de 2% abaixo da média verificada do primeiro trimestre de 1991 ao segundo semestre de 2004.
Gráfico 5: %FBCF/PIB a preços constantes de 2000 e média do período. A esse respeito, em trabalhos anteriores[6], foi mostrado que mantida a média do crescimento da produtividade total dos fatores, do trabalho e a taxa média de investimento observada de 1994 a 2001, respectivamente de 1,2%, 2,0% e 19,9%, o crescimento[7] do produto esperado no Brasil seria de 2,8%, atingindo o máximo 3,5% quando se considera o crescimento potencial (esse último só se sustenta no curto prazo). Ressaltamos que a análise anterior só considera parâmetros médios, ou seja, choques em outros fatores podem elevar o crescimento sustentado brasileiro. Como exemplo, um choque positivo na produtividade do capital de 2% por 5 anos, elevaria o crescimento sustentado esperado para 3,1% (e o potencial para 4%), sendo que, nos cinco anos de transição, haveria um ganho extra da ordem de 2% no crescimento esperado[8]. Dessa forma, este trabalho visa reforçar o entendimento de que o Brasil está retomando uma trajetória positiva de crescimento, cujo nível e magnitude dependem do esforço de investimento a ser despendido nos próximos anos. O referido esforço se eleva consideravelmente com o aumento no nível de preços do investimento relativamente ao nível de preço do produto.
Anexo I – Relação entre os Deflatores e Taxa de Investimento a Preços de 2000
Continuação
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