Economia & Energia
Ano VIII -No 42:
Janeiro-Fevereiro 2004  
ISSN 1518-2932

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e&e No 42

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Opinião:

Desenvolvimento Sustentável

Desemprego

Artigo:

Distribuição do Potencial Hídrico em uma Bacia Hidrográfica

Tese:

A Produtividade do Capital no Brasil de 1950 a 2002

 

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Opinião:

Desenvolvimento Sustentável

Duas matérias publicadas na Gazeta Mercantil de 19 de janeiro de 2004 chamaram a atenção tendo em conta a necessidade do País de gerar empregos e vislumbrar caminhos para um desenvolvimento sustentável.

Em Pernambuco foi concedida licença ambiental para a implantação de uma Refinaria de Petróleo, com capacidade de processar 30 mil barris/dia, exigindo US$ 90 milhões (cerca de 270 milhões de reais) de investimentos e gerando 300 empregos diretos.

No interior da Bahia será implantado um novo pólo calçadista que exigirá investimentos de R$ 6 milhões e irá gerar 3200 empregos diretos.

Estes dois exemplos de empreendimentos mostram que na refinaria de Pernambuco será gerado 1,1 emprego por milhão de reais investidos e no pólo de calçados serão gerados 533 empregos por milhão de reais investidos, o que proporciona 485 empregos a mais em favor da indústria de calçados para um mesmo montante de investimentos.

Estas matérias me levam a análises anteriores, baseadas em dados das pesquisas anuais da Gazeta em mais de dez mil empresas, que confirmam que as áreas de exploração, produção e refino de petróleo são intensivas em capital e tecnologia e muito pouco intensivas em mão-de-obra. Por exemplo, a Petrobrás com ativos de cerca de 100 bilhões de reais, gera perto de 70 mil empregos diretos (dos quais 50% terceirizados). A relação de empregos e ativos dá 0,7 emprego por milhão de reais de ativos.

Na mesma linha de raciocínio, analisando outros números de estudos sobre refinarias de grande porte, percebe-se que a discrepância entre investimentos e empregos é ainda maior. Uma refinaria de 200 mil barris/dia pode chegar a necessitar de investimentos de 2,8 bilhões de dólares  (8,4 bilhões de reais), dependendo da sua complexidade, com geração de apenas 700 empregos diretos. Uma relação de 0,08 emprego por milhão de reais investidos.

A Petrobrás investe anualmente perto de 20 bilhões de reais, montante que se situa entre 8 a 10% dos investimentos totais do País e que praticamente não acrescenta novos postos de trabalho ao mercado.

Supondo que a Petrobrás pudesse aplicar 10% dos seus investimentos (dois bilhões de reais) em biocombustíveis e considerando uma relação conservadora de 50 empregos diretos por milhão de reais, teríamos a cada ano um adicional de 100 mil postos de trabalho. Provavelmente, para a empresa Petrobrás a alternativa não seja a mais atrativa, mas para o desenvolvimento sustentado do Brasil parece ser uma alternativa altamente positiva.

O baixo valor agregado das exportações – exportamos produtos a uma média de US$ 230/t e importamos produtos a US$ 520/t – indica, também, a pouca presença de mão-de-obra e de conhecimento em boa parte dos processos industriais brasileiros, sem contar o baixo volume de comércio externo do País em relação ao PIB, quando comparado com outros países emergentes.

Mais importante do que ações atribuídas a um mandato dos nossos governantes, que nos últimos 23 anos configuraram tão somente algumas “bolhas” de crescimento econômico, é pensar em se estabelecer no País um processo de planejamento de longo prazo, que cubra horizontes de 5, 6 ou 10 mandatos e que permita melhor utilizar os recursos de investimentos, segundo uma visão intersetorial mais ampla e em benefício de setores maiores geradores de empregos e de bem-estar para a população, como educação, saúde, moradia, agroindústria, calçados, têxteis, turismo, eletroeletrônica, material de transporte, etc.

Apenas 20% da carteira de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico são destinados a pequenas empresas e estas são as maiores geradoras de empregos.

Vamos torcer para que nossos governantes e congressistas se dediquem a liderar este processo de pensar a longo prazo e de criar mecanismos de compromissos e regras estáveis que ultrapassem mandatos, interesses corporativos e convicções ideológicas, para que daqui a alguns anos possamos contar com um vigoroso crescimento econômico e uma substancial melhoria da renda per capita da população brasileira. 

Adendo:
Segundo notícia veiculada pela Central de Notícias Biodiesel Brasil, em 23/01/04, no relatório final do Grupo de Trabalho Interministerial que estudou a viabilidade do biodiesel, composto por representantes dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário, da Agricultura, da Integração Nacional e das Cidades, consta que o custo de cada posto de trabalho na produção de biodiesel, considerando agricultura familiar, indústria, comércio e distribuição, é de R$ 4,9 mil. Em números redondos, este custo dá um indicador de 200 empregos por milhão de reais investidos.

Já, em se considerando o agronegócio da soja, de produção extensiva, o custo de cada posto de trabalho passa a R$ 80 mil, o que representa 12,5 empregos por milhão de reais investidos.

Assim, a suposição da aplicação de 10% dos investimentos da Petrobrás (dois bilhões de reais anuais), poderia adicionar ao mercado, a cada ano, entre 25 mil e 400 mil empregos, numa escala de 0% a 100% de participação da agricultura familiar na produção de biodiesel.

Diante de tão diferentes possibilidades de geração de empregos, mais uma vez teríamos a necessidade de um adequado planejamento na configuração de um projeto nacional de produção e distribuição de biodiesel, que buscasse uma relação capital/trabalho equilibrada, que pudesse beneficiar tanto o capital como o emprego e uma melhor distribuição de renda.

João Antonio Moreira Patusco

patusco@ecen.com

em 21/01/2004

(Adendo de 23/01/2004)

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MAK
Editoração Eletrônic
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Revised/Revisado:
Friday, 19 March 2004
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