Economia & Energia
No 39: Julho - Agosto 2003  
ISSN 1518-2932

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BRASIL – ENERGIA EM 2002: 
PRINCIPAIS INDICADORES

junho de 2003

I – ABORDAGEM SETORIAL

ENERGIA ELÉTRICA

             A geração pública e de autoprodutores do Brasil atingiu 344,6 TWh em 2002, resultado 4,9% superior ao de 2001. Configuram este resultado, a geração hidráulica pública de 278,7 TWh (+6,1%), a geração térmica pública de 36,7 TWh (-5,2%) e a geração de autoprodutores de 29,3 TWh (+7,9%).

1. DADOS DE ENERGIA ELÉTRICA

ESPECIFICAÇÃO

UNIDADE

2001

2002

% 02/01

DISPONIBILIDADE TOTAL

TWh

366,4

381,2

4,1

GERAÇÃO TOTAL (PÚBLICA E AUTOP.)

TWh

328,5

344,6

4,9

GERAÇÃO HIDRO PÚBLICA

TWh

262,7

278,7

6,1

GERAÇÃO TERMO PÚBLICA (+nuclear)

TWh

38,7

36,7

-5,2

GERAÇÃO A ENERGIA NUCLEAR

TWh

14,3

13,8

-3,1

GERAÇÃO PÚBLICA A GÁS NATURAL

TWh

6,9

9,7

41,1

GERAÇÃO PÚBLICA A CARVÃO MINERAL

TWh

7,4

5,1

-31,1

GERAÇÃO DE AUTOPRODUTORES

TWh

27,2

29,3

7,9

IMPORTAÇÃO LÍQUIDA

TWh

37,8

36,6

-3,4

CONSUMO FINAL TOTAL

TWh

309,7

321,6

3,8

CONSUMO RESIDENCIAL

TWh

73,8

72,7

-1,4

CONSUMO COMERCIAL

TWh

44,7

45,8

2,4

CONSUMO INDUSTRIAL

TWh

139,4

148,6

6,6

CONSUMO OUTROS SETORES

TWh

51,9

54,5

5,0

PERDAS SOBRE A OFERTA TOTAL

%

15,5

15,7

1,3

CAPACIDADE INSTALADA (PÚBL. + AUTOP.)

GW

76,3

82,5

8,1

As importações de 36,6 TWh, somadas à geração interna, permitiram uma oferta total de energia de 381,2 TWh, montante 4,1% superior ao de 2001.

            A geração nuclear que em 2001 havia tido um grande incremento em decorrência da plena geração de Angra II, passando de 6,1 TWh para 14,3 TWh, em 2002 teve um ligeiro declínio, passando a 13,8 TWh (-3,1%).         

Já o gás natural continuou a trajetória de crescimento na geração pública e de autoprodutores. Na geração pública passou de 6,9 a 9,7 TWh (+41,1%), representado 26% da geração térmica e 3,1% da geração pública total. 

            O incremento de 7,9% na geração de autoprodutores se concentrou, principalmente, nos setores de aço, alumínio e sucroalcooleiro.

             A estrutura da oferta de energia elétrica de 2002 pode ser observada no gráfico a seguir. Comparativamente à estrutura mundial nota-se que a hidroeletricidade no Brasil tem peso bem significativo.

 

 

O consumo final de eletricidade atingiu 321,6 TWh em 2002, montante 3,4% superior ao de 2001, mas ainda inferior ao de 2000 (-3,0%). Neste contexto, o consumo residencial, de 72,7 TWh, manteve performance negativa (-1,4%), o consumo comercial, de 45,8 TWh, reverteu a queda anterior e cresceu 2,4% e o consumo industrial, de 148,6 TWh, foi o que apresentou maior recuperação, crescendo 6,6%.

A performance negativa do consumo residencial por dois anos seguidos frustrou, de certa forma, as expectativas dos Agentes do Setor, que esperavam uma recuperação após o racionamento de 2001. Entretanto, o reajuste médio do salário dos trabalhadores abaixo dos índices de inflação, o aumento da tarifa média de eletricidade residencial (de 16,3%) taxa superior ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor do IBGE – INPC (14,74%), as altas taxas de juros e a retração da economia vêm freando sobremaneira o acesso a bens de consumo duráveis pela população, sem falar nos hábitos de conservação absorvidos durante a crise.

            Em 2002, com acréscimos de 6,2 GW, a capacidade instalada de geração do Brasil atingiu o montante de 82,5 GW, dos quais 76,8 de serviço público e 5,65 de autoprodutores. As principais usinas que entraram em operação foram: UHE Machadinho RS – unidades 1, 2 e 3 (1140 MW), UTE Macaé Merchant RJ (900 MW), UHE Lajeado TO, unidades 3, 4 e 5 (542 MW), UTE Araucária PR (484 MW), UHE Cana Brava – GO (472 MW), UHE Porto Primavera – unidades 12 e 13 (220 MW) e UTE Termoceará – CE (200 MW).

  Em 2002,  a energia elétrica manteve a participação de 13,6% na Matriz Energética Brasileira.

PETRÓLEO E DERIVADOS

     A produção de petróleo e LGN (líquido de gás natural), em 2002, foi de 1499 mil bbl/d (barris por dia), montante 12,2% superior ao de 2001. A produção de derivados de petróleo, de 1763 mil bep/d (inclui gás de refinaria e coque de FCC), decresceu 2%, com o consumo também decrescendo em 2,6%. Com estes resultados, a dependência externa destes produtos foi significativamente atenuada, de 22,9% em 2001 para 10,0% em 2002 (base de dados em tep). As importações líquidas de petróleo somaram 147 mil bbl/d em 2002, contra 320 em 2001 – redução de 54,1% e as importações líquidas de derivados somaram 53 mil bbl/d em 2002, contra 104 em 2001 – redução de 48,8%.

            O balanço produção e consumo dos derivados de petróleo mostra, ainda, déficits de diesel (14% da demanda), de GLP (26% da demanda) e de nafta (27% da demanda) e de superávits de óleo combustível (44% da oferta) e de gasolina (17% da oferta).

O maior uso do diesel se dá no transporte rodoviário (75%), seguido do agropecuário (16%) e do uso na geração elétrica (5%). No transporte rodoviário o diesel cresceu 2,5% em 2002 e na agropecuária cresceu 7%.

A gasolina  automotiva  continuou,  em 2002,  com  taxa  negativa de crescimento, (-4,4%), enquanto que em 2001 a taxa foi de (-2,6%) e em 2000 de (-0,6%).

O óleo combustível continuou sendo substituído pelo coque verde de petróleo e pelo gás natural. Em 2002 foi mantida a queda  no consumo industrial (-14,2%).

O aumento médio nos preços do GLP residencial acima de 30%, e em alguns estados acima de 50%, acrescido dos comentários anteriores sobre energia elétrica residencial, são os fatos determinantes de mais uma expressiva queda no consumo deste energético na cocção de alimentos (-3,5%).

2. DADOS DE PETRÓLEO E DERIVADOS

 

 

 

ESPECIFICAÇÃO

UNIDADE

2001

2002

% 02/01

PRODUÇÃO DE PETRÓLEO E LGN

mil bbl/d

1336

1499

12,2

PRODUÇÃO DE DERIVADOS

mil bep/d

1798

1763

-2,0

CONSUMO TOTAL DE DERIVADOS

mil bep/d

1887

1838

-2,6

IMPORTAÇÕES LÍQUIDAS PETRÓLEO

mil bbl/d

320

147

-54,1

IMPORTAÇÕES LÍQUIDAS DERIVADOS

mil bep/d

104

53

-48,8

CONSUMO DE GASOLINA VEICULAR

mil bbl/d

291

278

-4,4

CONSUMO DE DIESEL RODOVIÁRIO

mil bbl/d

489

501

2,5

CONSUMO DE ÓLEO COMB. INDUSTRIAL

mil bbl/d

108

106

-2,7

CONSUMO DE GLP RESIDENCIAL

mil bbl/d

179

172

-3,5

CONSUMO DE COQUE VERDE

mil bbl/d

73

69

-5,4

RESERVAS PROVADAS DE PETRÓLEO

bilh bbl

8,485

9,813

15,7

CAPACIDADE INSTALADA DE REFINO

mil bbl/d

1818

1822

0,2

A estrutura da demanda de derivados em 2002 é mostrada no gráfico a seguir.

 

As reservas provadas de petróleo de 9813 milhões de barris equivalem a cerca de 18 anos da atual produção, o que assegura uma situação confortável para o País. Para os países da OECD as reservas equivalem a 11,5 anos da produção, enquanto que a média mundial é de 40,3 anos.

Petróleo e derivados participam com 43,1% na Matriz Energética.

GÁS NATURAL

            A produção de gás natural foi de 42,7 milhões m3/d em 2002, montante 10,8% superior ao de 2001.  As importações da Bolívia somaram 14,4 milhões m3/dia, apresentando crescimento de 14,4% em relação a 2001.

            Em 2002, o principal uso do gás natural se deu no seguimento industrial, com 17,6 milhões m3/d e crescimento de 25,3%. Em seguida vem o uso nas atividades industriais da Petrobras, com 6,7 milhões m3/d e crescimento de 1,3%.

3. DADOS DE GÁS NATURAL

ESPECIFICAÇÃO

UNIDADE

2001

2002

% 02/01

PRODUÇÃO

milh m3/d

38,5

42,7

10,8

IMPORTAÇÃO

milh m3/d

12,6

14,4

14,4

USO TÉRMICO DA PETROBRAS

milh m3/d

6,6

6,7

1,3

CONSUMO INDUSTRIAL

milh m3/d

14,1

17,6

25,3

CONSUMO VEICULAR

milh m3/d

1,6

2,7

71,5

CANSUMO NA GERAÇÃO PÚBLICA

milh m3/d

4,2

5,9

39,9

CONSUMO NA COGERAÇÃO

milh m3/d

2,1

2,3

7,9

USO NÃO ENERGÉTICO

milh m3/d

2,2

2,1

-4,7

RESERVAS PROVADAS

bilh m3

219,8

236,6

7,6

CAPACIDADE INSTALADA DE UPGNs

milh m3/d

28,4

30,3

6,7

Merecem destaque o crescimento de 39,9% do consumo de gás natural na geração  elétrica pública (5,9 milhões m3/d) e o forte crescimento no transporte veicular, de 71,5%, correspondendo a um consumo de 2,7 milhões m3/d. Em menor volume, é de se destacar, também, o crescimento de 7,9% na geração de autoprodutores (2,3 milhões m3/d)

A estrutura de todos os usos do gás natural em 2002 é mostrada no gráfico a seguir.

 

As reservas provadas de gás natural, de 236,6 bilhões de m3,  equivalem a 15,2 anos da atual produção. Para os países da OECD as reservas equivalem a 13,7 anos da produção, enquanto que a média mundial é de 61,9 anos.

            O gás natural já participa com 7,5% na Matriz Energética Brasileira.

PRODUTOS DA CANA

            A produção de álcool em 2002, de 216,9 mil bbl/d, representou um incremento de 9,8% em relação a 2001, repetindo a boa performance de 7,2% de 2001 em relação a 2000. O consumo total de álcool reverteu a performance negativa do ano anterior, tendo apresentado em 2002 um incremento de 3,2% (206 mil bbl/d), fato explicado pelo baixo preço do álcool hidratado em relação à gasolina e pelo aumento do percentual de participação do anidro na gasolina C. Após grande redução nos estoques de álcool nos anos de 1999 e 2000, os anos de 2001 e 2002, praticamente mantiveram um equilíbrio entre a oferta e a demanda. 

4. DADOS DE PRODUTOS DA CANA

 

 

 

 

ESPECIFICAÇÃO

UNIDADE

2001

2002

% 02/01

PRODUÇÃO TOTAL DE ÁLCOOL

mil bbl/d

197,6

216,9

9,8

IMPORTAÇÃO (+) OU EXPORTAÇÃO (-)

mil bbl/d

-3,5

-13,0

 

VARIAÇAÕ DE ESTOQUES, PERDAS, AJUSTES

mil bbl/d

5,5

2,2

 

CONSUMO TOTAL DE ÁLCOOL

mil bbl/d

199,6

206,0

3,2

CONSUMO DE A. ANIDRO VEICULAR

mil bbl/d

103,5

110,6

6,8

CONSUMO DE A. HIDRATADO VEICULAR

mil bbl/d

73,4

79,4

8,3

OUTROS USOS DE ÁLCOOL

mil bbl/d

22,7

16,0

-29,4

RENDIMENTO DE ÁLCOOL DE CANA

l/t cana

82,7

84,2

1,8

RENDIMENTO DE ÁLCOOL DE MELAÇO

l/t melaço

325,6

331,6

1,8

CONSUMO TÉRMICO DE BAGAÇO (1)

milh t

78,0

87,2

11,8

            O consumo de bagaço de cana cresceu 11,8%, chegando a 87,2 milhões t, resultantes do crescimento da produção de álcool e, especialmente, do crescimento de 14,6% da produção de açúcar.

            Cerca de 75% do álcool produzido é proveniente do caldo de cana (rendimento próximo de 84 l/t de cana). Os restantes 25% têm origem no melaço resultante da produção de açúcar (rendimento próximo de 330 l/t de melaço).

            Em 2002 a produção total de bagaço ficou próxima de 94,4 milhões t, gerando uma sobra de 7,2 milhões t para usos não energéticos.

            Os produtos energéticos resultantes da cana representam 12,8% da Matriz Energética Brasileira.

CARVÃO MINERAL

            O uso do carvão mineral no Brasil se dá segundo dois tipos, o carvão vapor (energético) que é nacional e tem cerca 90% do seu uso na geração elétrica e o carvão metalúrgico, importado, que tem a característica de se expandir quando da combustão incompleta, produzindo o coque, este especialmente usado na indústria siderúrgica.

            Neste contexto, os números apresentados na tabela a seguir retratam o desempenho da geração elétrica a carvão mineral e o desempenho da indústria siderúrgica (acréscimo de 10,8% na produção de aço), no ano de 2002.

            O carvão mineral representa 6,6% da Matriz Energética Brasileira.

5. DADOS DE CARVÃO MINERAL - CM

ESPECIFICAÇÃO

UNIDADE

2001

2002

% 02/01

PRODUÇÃO

mil t

5654

5144

-9,0

IMPORTAÇÃO DE CARVÃO E COQUE

mil t

14618

15096

3,3

VARIAÇÃO DE ESTOQUES,PERDAS, AJUSTES

mil t

1053

-258

-124,5

CONSUMO INDUSTRIAL DE CM+COQUE

mil t

13233

14037

6,1

CONSUMO NA GERAÇÃO ELÉTRICA

mil t

6125

4061

-33,7

OUTROS USOS (1)

mil t

1968

1884

-4,3

(1) diferença, em toneladas, entre o carvão metalúrgico que é processado

nas coquerias e o coque produzido

            A estrutura dos usos do carvão mineral,  calculada com base em dados convertidos a tep, é mostrada no gráfico a seguir.

 

 LENHA

            Os números da tabela a seguir mostram que a utilização da lenha no Brasil é ainda significativa, principalmente, nas carvoarias para produzir carvão vegetal e na cocção de alimentos nas residências.

O setor residencial consumiu cerca de 25 milhões t de lenha em 2002, equivalentes a 33% da produção e 11,9% superior ao de 2001. Este acréscimo complementa o baixo desempenho do consumo residencial de GLP. Na produção de carvão vegetal foram consumidos cerca de 29 milhões t (cerca de 38% da produção). Os restantes 29% representam consumos na agropecuária e indústria.       

            Em 2002, o consumo de carvão vegetal cresceu 4,5%, sendo que o seu principal uso ocorre na produção de gusa.

            A lenha e carvão vegetal representam 11,9% da Matriz Energética Brasileira.

6. DADOS DE LENHA

ESPECIFICAÇÃO

UNIDADE

2001

2002

% 02/01

PRODUÇÃO DE LENHA

mil t

72407

75971

4,9

CONSUMO EM CARVOARIAS

mil t

27836

29114

4,6

CONSUMO FINAL DE LENHA

mil t

44208

46437

5,0

CONSUMO RESIDENCIAL DE LENHA

mil t

22129

24767

11,9

CONSUMO DE CARVÃO VEGETAL

mil t

6828

7137

4,5

 

II – MATRIZ ENERGÉTICA DE 2002

 NOTAS METODOLÓGICAS

            A Oferta Interna de Energia - OIE representa a energia que se disponibiliza para ser transformada (refinarias, carvoarias, etc), distribuída e consumida nos processos produtivos do País. A menos de ajustes estatísticos, a soma do Consumo Final nos setores econômicos, das perdas na distribuição e armazenagem e das perdas nos processos de transformação é igual a OIE.

            A contabilização das diferentes formas de energia se dá com a utilização de fatores de conversão, que levam em consideração a capacidade de liberação de calor, em calorias, de cada energético quando da sua combustão completa (conceito de poder calorífico). Para a eletricidade, pelo primeiro princípio da Termodinâmica, 1kWh=860 kcal, entretanto, é comum a utilização de critérios de equivalentes térmicos, os quais valorizam a geração hidráulica como se fosse oriunda de termelétricas, incorporando todas as perdas térmicas. Este critério serve apenas para harmonizar comparações da OIE entre países com distintas estruturas de geração hidráulica e térmica. Assim, para termelétricas com eficiência média de 27,5%, 1kWh=860/0,275=3132 kcal (critério utilizado no Balanço Energético Brasileiro – BEN, até 2001), e para eficiência média de 38%, 1kWh=2263 kcal (critério utilizado pela BP Statistical Review – este boletim da BP não considera biomassa, e no caso do Brasil, não considera as importações de eletricidade). A Agência Internacional de Energia – IEA, o Conselho Mundial de Energia – WEC e o Departamento de Energia dos Estados Unidos - DOE utilizam o fator teórico de 1kWh=860 kcal.

            Quando se quer os resultados em tep – tonelada equivalente de petróleo, calculam-se os fatores de conversão pela relação entre o poder calorífico de cada fonte e o poder calorífico do petróleo adotado como referência.

            A análise deste documento considera 1kWh = 860 kcal, considera os poderes caloríficos inferiores - PCI e um petróleo de referência com PCI de 10000 kcal/kg. Estes critérios são aderentes com os critérios da IEA, do WEC e do DOE e retratam a realidade das perdas de transformação, não causam distorções na análise da evolução da OIE e permitem comparações diretas com dados de outros países existentes nas publicações anuais destas Organizações. No próximo quadro, nota-se que o critério anterior do BEN resulta num montante de OIE bem maior, em razão do fator de 0,29 tep/MWh (3132/10800) utilizado para hidráulica e eletricidade. O fator de conversão desta análise é de 0,086 tep/MWh (860/10000).

Nota: o Balanço Energético Nacional de 2003, ano base 2002, vai adotar os mesmos critérios deste documento, para todas as séries temporais das tabelas em tep e para os anexos F.

ENERGIA E SOCIOECONOMIA

            O Brasil com uma OIE per capita de 1,13 tep, em 2002, se situa bem abaixo da média mundial (1,65 tep/hab), abaixo da Argentina (1,73) e muito abaixo dos USA (8,11). Já a OIE em relação ao PIB – Produto Interno Bruto, de 0,33 tep/mil US$(90) se mostra mais alta, comparativamente a Argentina (0,27), USA (0,31) e Japão (0,15). Este último indicador mostra que, por unidade de PIB, o Japão necessita de investir, em energia, metade do que o Brasil investe. Na condição de exportador de aço, alumínio, ferroligas e outros produtos de baixo valor agregado, o Brasil apresenta estrutura produtiva intensiva em energia e capital e pouco intensiva em empregos, fatos que, em parte, justificam as desigualdades na distribuição de renda. Cabe mencionar, ainda, que estes setores estão adquirindo as concessões de boa parte das hidroelétricas brasileiras.

Dados preliminares do IBGE indicam que o PIB cresceu 1,52% em 2002, desempenho resultante do crescimento de 2,1% da indústria, de 1,41% do comércio e de (–)0,31% da agricultura.

A OIE, influenciada pelo crescimento de setores energointensivos, apresentou crescimento superior ao do PIB, revertendo a situação verificada nos dois anos anteriores. Em 2000, de 1% contra 4,36% do PIB e em 2001, de 0,8% contra 1,42% do PIB.

O gás natural continuou, em 2002, a aumentar a sua participação na OIE, passando de 6,6% em 2001 para 7,5%, resultado da sua crescente utilização na indústria, no transporte e na geração elétrica. A hidráulica, depois de ter perdido significativa parcela de participação em 2001, de 15,7% para 13,6%, manteve a participação em 2002.

7. DADOS GERAIS

ESPECIFICAÇÃO

UNIDADE

2001

2002

% 02/01

POPULAÇÃO

milh

172,4

174,6

1,30

PRODUTO INTERNO BRUTO - PIB

10^9U$/2002

444,1

450,9

1,52

    INDUSTRIAL

%aa

1,64

2,09

-

    SERVIÇOS

%aa

0,51

1,41

-

    AGROPECUÁRIA

%aa

6,64

-0,31

-

INDICE GERAL DE PREÇOS

IGP/DI-FGV

10,40

26,41

-

TAXA MÉDIA DE CÂMBIO

R$/US$

2,3507

2,9298

24,6

OFERTA INT.ENERGIA-OIE - BEN(i)

milh tep

252,0

260,3

3,3

OFERTA INT.ENERGIA - IEA (ii)

milh tep

192,6

197,9

2,7

ESTRUTURA % DA OIE - IEA

%

100,0

100,0

-

  PETRÓLEO E DERIVADOS

%

45,0

43,1

-4,1

  GÁS NATURAL

%

6,6

7,5

14,5

  CARVÃO MINERAL

%

6,9

6,6

-5,1

  URÂNIO

%

2,0

1,8

-7,3

  HIDRÁULICA E ELETRICIDADE

%

13,6

13,6

0,0

  LENHA E CARVÃO VEGETAL

%

11,7

11,9

2,1

  PRODUTOS DA CANA

%

11,8

12,8

7,9

 

  OUTRAS FONTES PRIMÁRIAS

%

2,4

2,5

4,0

DEPENDÊNCIA EXTERNA ENERGIA (ii)

%S/OIE

20,5

13,7

-33,3

(i) 1 kWh = 3132 kcal (equivalente térmico adotado no Balanço Energético Nacional até 2001 - BEN, para HIDRÁULICA E ELETRICIDADE)

(ii) 1 kWh = 860 kcal , Petróleo de referência = 10000 kcal/kg e utilização de Poderes Caloríficos Inferiores - PCI

       (critério aderente com a Agência Internacional de Energia - IEA e outros organismos internacionais)

            A redução das importações de eletricidade do Paraguai/Itaipu e uma boa performance do setor de petróleo permitiram reduzir significativamente a dependência externa de energia de 20,5% em 2001 para 13,7% em 2002.

            O Brasil caminha na direção da matriz energética mundial, onde há uma maior participação de gás natural e uma menor participação de hidráulica, entretanto, ainda apresenta situação privilegiada em termos de utilização de fontes renováveis de energia. No país, 41% da OIE é renovável, enquanto que a média mundial é de 14% e nos países da OECD é de 6%. 

     

     Os países com grande geração térmica apresentam perdas de transformação e distribuição entre 25 e 30% da OIE. No Brasil estas perdas são de apenas 8%, dada a alta participação da geração hidráulica. Esta vantagem, somada a grande utilização de biomassa, faz com que o Brasil apresente baixa taxa de emissão de CO2 – 1,7 tCO2/tep - pela utilização de combustíveis, quando comparada com a média mundial, de 2,36 tCO2/tep.

CONSUMO SETORIAL DE ENERGIA E PRODUÇÃO FÍSICA

             Com um resultado de 177,4 milhões tep em 2002, o consumo final de energia apresentou taxa de crescimento de 3,0% em relação a 2001, valor ligeiramente superior ao crescimento de 2,7% da OIE em razão, principalmente, da redução das perdas de transformação decorrentes de uma menor participação da geração térmica na matriz energética.

A exceção do transporte particular (ciclo Otto) e da indústria de cimento, que apresentaram desempenhos negativos, os demais setores apresentaram desempenhos positivos no consumo de energia, com destaque para os setores intensivos em energia, ferroligas, aço, celulose, alumínio e açúcar.

 As performances negativas no consumo do transporte Ciclo Otto, de –0,9%, e do consumo da indústria de cimento, de –4,6%, dão mais um sinal de que o poder de compra da população tem diminuído sobremaneira nos últimos anos. Os baixos desempenhos dos usos do GLP e da eletricidade residencial e a queda na produção de veículos ratificam esta afirmativa.

8. CONSUMO SETORIAL DE ENERGIA – critério (ii)

ESPECIFICAÇÃO

UNIDADE

2001

2002

% 02/01

CONSUMO FINAL TOTAL

milh tep

172,2

177,4

3,0

SERVIÇOS (COM+PÚBL.+TRANSP.)

milh tep

55,7

56,6

1,7

TRANSPORTE CICLO OTTO

mil bep/d

362,6

359,3

-0,9

RESIDENCIAL

milh tep

20,2

20,7

2,7

AGROPECUÁRIO

milh tep

7,7

8,0

4,1

SETOR ENERGÉTICO

milh tep

13,6

13,6

0,0

INDUSTRIAL TOTAL

milh tep

61,5

65,1

5,8

CIMENTO

milh tep

3,4

3,2

-4,6

FERRO GUSA E AÇO

milh tep

14,8

15,8

6,8

FERROLIGAS

milh tep

0,9

1,1

21,8

NÃO FERROSOS

milh tep

4,0

4,3

8,0

QUÍMICA

milh tep

6,4

6,4

0,1

ALIMENTOS E BEBIDAS

milh tep

14,4

15,8

9,3

PAPEL E CELULOSE

milh tep

6,2

6,6

6,9

OUTRAS INDÚSTRIAS NÃO ESPECIFICADAS

milh tep

11,5

11,9

3,5

Os setores intensivos em energia, após forte retração em 2001, recuperaram  a produção em 2002, aço (10,8%), alumínio (16,2%), ferroligas (19,3%). As taxas negativas da produção de cimento e da produção de veículos são reflexo da baixa performance da economia em 2002.

9. PRODUÇÃO FÍSICA

ESPECIFICAÇÃO

UNIDADE

2001

2002

% 02/01

AÇO BRUTO

mil t

 

26717

29604

10,8

ALUMÍNIO

mil t

1132

1315

16,2

FERROLIGAS

mil t

736

878

19,3

CELULOSE

mil t

7412

8011

8,1

CIMENTO

mil t

38938

38086

-2,2

AÇÚCAR

mil t

19480

22318

14,6

PRODUTOS QUÍMICOS

mil t

30739

32261

5,0

VEÍCULOS

mil unid.

1817

1793

-1,3

 

Graphic Edition/Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a

Revised/Revisado:
Friday, 12 December 2003
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