Economia & Energia |
No 39 |
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BRASIL – ENERGIA EM 2002:
junho de 2003 I – ABORDAGEM SETORIALENERGIA ELÉTRICAA geração pública e de autoprodutores do Brasil atingiu 344,6 TWh em 2002, resultado 4,9% superior ao de 2001. Configuram este resultado, a geração hidráulica pública de 278,7 TWh (+6,1%), a geração térmica pública de 36,7 TWh (-5,2%) e a geração de autoprodutores de 29,3 TWh (+7,9%).
As importações de 36,6 TWh, somadas à geração interna, permitiram uma oferta total de energia de 381,2 TWh, montante 4,1% superior ao de 2001. A geração nuclear que em 2001 havia tido um grande incremento em decorrência da plena geração de Angra II, passando de 6,1 TWh para 14,3 TWh, em 2002 teve um ligeiro declínio, passando a 13,8 TWh (-3,1%). Já o gás natural continuou a trajetória de crescimento na geração pública e de autoprodutores. Na geração pública passou de 6,9 a 9,7 TWh (+41,1%), representado 26% da geração térmica e 3,1% da geração pública total. O incremento de 7,9% na geração de autoprodutores se concentrou, principalmente, nos setores de aço, alumínio e sucroalcooleiro. A estrutura da oferta de energia elétrica de 2002 pode ser observada no gráfico a seguir. Comparativamente à estrutura mundial nota-se que a hidroeletricidade no Brasil tem peso bem significativo.
O consumo final de eletricidade atingiu 321,6 TWh em 2002, montante 3,4% superior ao de 2001, mas ainda inferior ao de 2000 (-3,0%). Neste contexto, o consumo residencial, de 72,7 TWh, manteve performance negativa (-1,4%), o consumo comercial, de 45,8 TWh, reverteu a queda anterior e cresceu 2,4% e o consumo industrial, de 148,6 TWh, foi o que apresentou maior recuperação, crescendo 6,6%. A performance negativa do consumo residencial por dois anos seguidos frustrou, de certa forma, as expectativas dos Agentes do Setor, que esperavam uma recuperação após o racionamento de 2001. Entretanto, o reajuste médio do salário dos trabalhadores abaixo dos índices de inflação, o aumento da tarifa média de eletricidade residencial (de 16,3%) taxa superior ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor do IBGE – INPC (14,74%), as altas taxas de juros e a retração da economia vêm freando sobremaneira o acesso a bens de consumo duráveis pela população, sem falar nos hábitos de conservação absorvidos durante a crise. Em 2002, com acréscimos de 6,2 GW, a capacidade instalada de geração do Brasil atingiu o montante de 82,5 GW, dos quais 76,8 de serviço público e 5,65 de autoprodutores. As principais usinas que entraram em operação foram: UHE Machadinho RS – unidades 1, 2 e 3 (1140 MW), UTE Macaé Merchant RJ (900 MW), UHE Lajeado TO, unidades 3, 4 e 5 (542 MW), UTE Araucária PR (484 MW), UHE Cana Brava – GO (472 MW), UHE Porto Primavera – unidades 12 e 13 (220 MW) e UTE Termoceará – CE (200 MW). Em 2002, a energia elétrica manteve a participação de 13,6% na Matriz Energética Brasileira. PETRÓLEO E DERIVADOS A produção de petróleo e LGN (líquido de gás natural), em 2002, foi de 1499 mil bbl/d (barris por dia), montante 12,2% superior ao de 2001. A produção de derivados de petróleo, de 1763 mil bep/d (inclui gás de refinaria e coque de FCC), decresceu 2%, com o consumo também decrescendo em 2,6%. Com estes resultados, a dependência externa destes produtos foi significativamente atenuada, de 22,9% em 2001 para 10,0% em 2002 (base de dados em tep). As importações líquidas de petróleo somaram 147 mil bbl/d em 2002, contra 320 em 2001 – redução de 54,1% e as importações líquidas de derivados somaram 53 mil bbl/d em 2002, contra 104 em 2001 – redução de 48,8%. O balanço produção e consumo dos derivados de petróleo mostra, ainda, déficits de diesel (14% da demanda), de GLP (26% da demanda) e de nafta (27% da demanda) e de superávits de óleo combustível (44% da oferta) e de gasolina (17% da oferta). O maior uso do diesel se dá no transporte rodoviário (75%), seguido do agropecuário (16%) e do uso na geração elétrica (5%). No transporte rodoviário o diesel cresceu 2,5% em 2002 e na agropecuária cresceu 7%. A gasolina automotiva continuou, em 2002, com taxa negativa de crescimento, (-4,4%), enquanto que em 2001 a taxa foi de (-2,6%) e em 2000 de (-0,6%). O óleo combustível continuou sendo substituído pelo coque verde de petróleo e pelo gás natural. Em 2002 foi mantida a queda no consumo industrial (-14,2%). O aumento médio nos preços do GLP residencial acima de 30%, e em alguns estados acima de 50%, acrescido dos comentários anteriores sobre energia elétrica residencial, são os fatos determinantes de mais uma expressiva queda no consumo deste energético na cocção de alimentos (-3,5%).
A estrutura da demanda de derivados em 2002 é mostrada no gráfico a seguir.
As reservas provadas de petróleo de 9813 milhões de barris equivalem a cerca de 18 anos da atual produção, o que assegura uma situação confortável para o País. Para os países da OECD as reservas equivalem a 11,5 anos da produção, enquanto que a média mundial é de 40,3 anos. Petróleo e derivados participam com 43,1% na Matriz Energética. GÁS NATURALA produção de gás natural foi de 42,7 milhões m3/d em 2002, montante 10,8% superior ao de 2001. As importações da Bolívia somaram 14,4 milhões m3/dia, apresentando crescimento de 14,4% em relação a 2001. Em 2002, o principal uso do gás natural se deu no seguimento industrial, com 17,6 milhões m3/d e crescimento de 25,3%. Em seguida vem o uso nas atividades industriais da Petrobras, com 6,7 milhões m3/d e crescimento de 1,3%.
Merecem destaque o crescimento de 39,9% do consumo de gás natural na geração elétrica pública (5,9 milhões m3/d) e o forte crescimento no transporte veicular, d | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||