Economia & Energia
No No 37: Março-Abril 2003   
ISSN 1518-2932

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Cotação do Dólar Comercial

Carlos Feu Alvim(*)
feu@ecen.com
Aumara Feu(*)

É habitual dizer-se que o Brasil tem memória fraca. Nas questões de preços o Brasil sofre de completa amnésia.  Essa amnésia se justifica, em parte, pela doença da inflação mas também existe um profundo desinteresse em utilizar parâmetros históricos de preços para projetar o futuro.

O IPEADATA está fazendo um trabalho excelente de coleta e disponibilização (http://ipeadata.gov.br/) de dados históricos. Corremos, com isso, um sério “risco” de recuperarmos nossa memória.[1]

Com auxílio das séries de dados disponíveis, procuramos recuperar a cotação média mensal do dólar comercial, em moedas do final de Janeiro de 2003. Usamos, para isso, os dados mensais do IGP-DI da FGV para correção do Real e das moedas que o antecederam e os do IPC dos EUA, ambos disponíveis no IPEADATA. As cotações do dólar comercial mensal encontram-se também disponíveis naquele saite[2]. Corrigindo-se as cotações pelos índices de preço chega-se ao gráfico mostrado na figura.

A cotação media histórica é de 2,61 R$/US$. Como foi demonstrado em Aumara Feu, no número 36 da revista e&e[3] , a cotação média coincide com os anos em que a balança de bens e serviços reais esteve equilibrada.

Cotações acima de 4,00 R$/US$, como a registrada em outubro de 2002, só aconteceram quatro vezes em mais de 50 anos. A primeira vez, setembro de 1958, quando o presidente JK foi levado a romper com o FMI, na segunda foi antes da declaração da moratória em 1986 e a terceira precedeu ao confisco de depósitos e aplicações do Plano Collor. A quarta foi no final do Governo FHC.

Como contrapartida poucas vezes a cotação do dólar, em moeda atual, esteve abaixo de 2,00 R$/US$. Só duas vezes ela esteve abaixo desse valor por um período de alguns anos. A primeira foi no início do período representado no gráfico, enquanto ainda se liquidavam os créditos de Guerra e, a segunda, no primeiro mandato de FHC onde foi praticado um câmbio médio de 1,86 R$/US$ em moedas atuais. Como ficou demonstrado era um câmbio artificial que gerou boa parte da difícil situação atual.

Durante o período de 1983 a 1985, que coincide aproximadamente com a segunda passagem do Ministro Delfin Neto no governo, o câmbio foi mantido por volta de 3,75 R$/US$ possibilitando gerar mega superávits da balança comercial de até 5% do PIB.

Coerentemente com o observado em outras ocasiões, o saldo da balança comercial cresceu nos últimos meses o que ajuda no equilíbrio das contas externas. A questão que o gráfico não consegue responder é se já estamos definitivamente na parte declinante do pico de outubro e as coisas estariam sendo resolvidas por essa reação do mercado ou se, mais uma vez, será necessário algo mais drástico.

Carlos Feu Alvim e Aumara Feu em 26/02/2003

Carlos Feu Alvim é doutor em Física  Aumara Feu é economista e está em fase final do doutorado em Economia pela UnB.


[1] O Brasil tem, apesar dos pesares, um sistema estatístico bastante razoável e uma boa transparência  de suas contas nacionais. O pouco interesse pelos dados históricos - ou a ilusão de que haveria demanda comercial por eles - fazia que não fosse fácil reuni-los.

 [2] O Millor Fernandes diz que é assim que se escreve.

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MAK
Editoração Eletrônic
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Revised/Revisado:
Tuesday, 10 May 2011
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Se o Brasil continuasse pagando juros reais de 15% ao ano Athina Onassis, que recebeu 100 milhões de dólares ao completar dezoito anos, teria transformado esse dinheiro no equivalente a 500 milhões de dólares quando chegasse aos trinta anos. Ou seja, aplicando 10% de sua fortuna total (estimada em 1 bilhão de dólares) ela teria uma vez e meia sua fortuna atual. Isto ilustra a enormidade de juros paga internamente pelo Brasil nesses últimos 12 anos.