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Economia
& Energia |
No
36 |
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O uso somente pacífico da energia nuclear Se Athina Onassis Investisse no Brasil O Comércio Irregular do Álcool
Novo
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COMÉRCIO IRREGULAR DE ÁLCOOL
João Antonio Moreira Patusco Brasília, 07 de fevereiro de 2003 OBJETIVO: Avaliação da oferta e demanda de álcool, de 1999 a 2002, a partir da análise cruzada dos dados de algumas instituições. MENSAGEM: As estatísticas produzidas pelo Ministério de Minas e Energia devem contemplar dados oficiais e não oficiais, de maneira a representarem a realidade de oferta e demanda de energia no País. Estudos de expansão do consumo de álcool que utilizem as informações da Agência Nacional de Petróleo podem incorporar margens significativas de erros. Os veículos do ciclo Otto consomem, no Brasil, gasolina pura, gasolina em mistura com o álcool anidro, álcool hidratado e gás natural. A maioria dos veículos ciclo Otto se destina ao transporte particular e praticamente toda a frota existente é de veículos leves. Estima-se uma frota de 15,7 milhões de veículos a gasolina e de 2,2 milhões de veículos a álcool, ao final de 2002. A frota a gás natural pode estar perto de 500 mil veículos. O aumento do poder de compra decorrente do Plano Real, em 1994, aliado a demandas reprimidas, proporcionou à população brasileira forte acesso a bens de consumo duráveis. O aumento de 48,4% no consumo dos combustíveis ciclo Otto, no período de 1993 a 1998 (de 14.352 mil tep - tonelada equivalente de petróleo - para 21.305 mil tep) é um exemplo que evidencia grande expansão no mercado de automóveis. A partir de 1999, com a desvalorização do real em relação ao dólar e o conseqüente ajuste nos preços da gasolina, o consumo destes combustíveis passou a decrescer, já acumulando uma redução de 12,7% até 2002.
O álcool etílico, que vinha perdendo participação no consumo total de combustíveis (de 32,4% em 1999 para 29,3% em 2001), por conta da redução das vendas de veículos a álcool hidratado e da respectiva frota, em 2002 apresenta recuperação, passando a 30,2%. O aumento do percentual de álcool para 25% na mistura com a gasolina foi uma das razões, entretanto, os preços do álcool bem menores do que os da gasolina, induziram a aumentos nas vendas de veículos a álcool hidratado, bem como a adição de álcool em veículos a gasolina. O gás natural, pela sua economicidade em relação ao álcool e à gasolina, vem demonstrando forte penetração no consumo veicular, já representando 4,4% do total.
Neste estudo foram pesquisadas quatro entidades que possibilitam a análise da oferta e demanda dos combustíveis ciclo Otto: (i) A ANP, que dispõe de sistemas de informações que consolidam os dados de vendas das Distribuidoras, por combustível, bem como os dados de produção e estoques de derivados de petróleo; (ii) O Departamento Sucroalcooleiro do Ministério da Agricultura, que acompanha a produção, saídas e estoques de álcool dos produtores; (iii) a Secretaria de Comércio Exterior, que registra as importações e exportações brasileiras de mercadorias e; (iv) a DATAGRO, entidade especializada em questões de açúcar e álcool e que acompanha a evolução do consumo de combustíveis veiculares junto aos produtores e distribuidores. A análise do material disponível mostra que os dados de consumo aparente de álcool anidro e hidratado da DATAGRO são bem aderentes com os dados de oferta e com as notícias atuais de baixos estoques de álcool ao final de 2002, incapazes de atender ao consumo dos primeiros meses de 2003 – em fevereiro o percentual de mistura do álcool anidro da gasolina C passou de 25% para 20%, como medida preventiva de redução do consumo, diante de provável escassez. Os dados de “saídas” de álcool veicular anidro e hidratado do Departamento Sucroalcooleiro são próximos dos da DATAGRO. Na tabela a seguir, as quantidades negativas na linha de variação de estoques representam os montantes que foram sendo subtraídos dos estoques reguladores existentes, em razão de demandas superiores às ofertas. Em quatro anos foram subtraídos 5.340 mil m3 de álcool dos estoques. Cabe lembrar que no início de 1999, por conta de grandes estoques reguladores, os preços do álcool tiveram significativa queda no mercado.
A gasolina pura misturada ao álcool anidro vem apresentando performances negativas desde 1999, tendo, em 2002, diminuído 8%. Já o álcool anidro, em 2002, apresentou crescimento de 6,8%, segundo a DATAGRO. Ao se considerar os dados da ANP de vendas de gasolina C, os resultados apontam para um menor consumo de álcool anidro, conforme mostrado na linha (f) da tabela a seguir. Os quatro últimos anos acumulam um consumo a menos de 2.530 mil m3 em relação aos dados da DATAGRO.
Considerando os dados de anidro da DATAGRO, os percentuais de mistura na gasolina C são crescentes em 2001 e 2002, tendo neste último ano atingido a 28,9%. Este percentual pode ser ainda maior, de cerca de 3 pontos percentuais, em se considerando que está havendo adição de álcool hidratado nos veículos a gasolina.
A análise dos dados de álcool hidratado veicular, da mesma forma que o anidro, aponta para montantes muito menores nos levantamentos da ANP. Os quatro últimos anos acumulam 5.474 mil m3 a menos nestes levantamentos.
Uma avaliação simples mostra que, se fossem considerados os números da ANP, haveria um consumo a menos de álcool etílico de 8.004 mil m3 nos últimos quatro anos e, que, portanto, os estoques de álcool estariam altíssimos, o que não é a realidade. Mesmo que os números apresentados não representem a fiel realidade dos fatos, há que se admitir significativa evasão de impostos na comercialização do álcool etílico. Os números mostram que, em 2001, o comércio irregular de álcool pode ter chegado a 27% do total consumido.
Em se considerando os dados de “saídas” de álcool para fins carburantes dos últimos quatro anos, do Departamento Sucroalcooleiro , os estoques reguladores de álcool se retraem em 4.385 mil m3, o comércio irregular acumulado alcança a 7.049 mil m3 e o percentual de mistura do álcool anidro na gasolina C passa dos 30% em 2002.
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Graphic Edition/Edição Gráfica: |
Revised/Revisado:
Thursday, 19 February 2004. |
Estima-se em 8 milhões de metros cúbicos a comercialização irregular de álcool etílico nos últimos quatro anos – montante equivalente a 17% do consumo total de álcool do período.