Economia & Energia
No 34: Setembro-Outubro 2002  
ISSN 1518-2932

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Nossa Utopia: O Crescimento Econômico em uma Sociedade Democrática e mais Justa ou Nova Utopia 1

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Nossa Utopia:

O Crescimento Econômico em uma
Sociedade Democrática e mais Justa
 ou
Nova Utopia 1

Carlos Feu Alvim :
feu@ecen.com  

Resumo

Nosso objetivo é quantificar a trajetória macroeconômica que poderia levar o Brasil a retomar o caminho do desenvolvimento. Para isso utilizamos um modelo macroeconômico computadorizado que nos permite simular as variáveis mais relevantes ao desenvolvimento.

Nossas análises anteriores nos levaram à conclusão que, para nosso país, como para grande parte de outros países subdesenvolvidos, o principal limitante ao crescimento é o capital.

O atual modelo econômico, instalado nos anos noventa, supôs que o capital necessário para crescer viria da poupança externa. Tratava-se de inverter o fluxo negativo da década anterior quando o Brasil enviava ao exterior 3,1% do PIB.

A abertura ao capital externo e a oferta de juros, bastante superiores ao do mercado externo, trouxe um fluxo médio, na década de noventa, de capitais externo de apenas 0,3% do PIB. Os mesmos juros altos parecem ter inibido a poupança interna. Como resultado, investimos um menor percentual do PIB na década de noventa que na de oitenta como resumimos abaixo:

                Poupança Interna + Poupança Externa = Investimento

Anos 80             24,4%               -3,1%              = 21,3% do PIB

Anos 90             18,8%               +0,6%             = 19,4% do PIB

Por outro lado, a produtividade do capital vem caindo desde a década de sessenta. No ano de 1990 (Plano Collor 1) ela sofreu uma queda brusca de 15% e não se recuperou nos anos seguintes.

A primeira década do novo milênio começa com uma reversão do fluxo de capitais e, já em 2002, o Brasil deverá estar transferindo para o exterior cerca de 1% do PIB. Para manter sob controle o passivo externo líquido (dívida externa + montante de investimentos externos no Brasil) será necessário, na melhor das hipóteses, manter próximo de zero o fluxo de capitais externos ou voltar a exportar capital.

Nessas circunstâncias o difícil caminho para crescer passa por incrementar a produtividade de capital e recuperar a trajetória de crescimento da poupança interna.

Para amenizar os sacrifícios, estamos propondo que a recuperação possa ser iniciada com um incremento na produtividade de capital no Brasil. Países como Austrália, que possuem programa de governo de produtividade de capital, conseguiram incrementá-la em 10% em 6 anos.

Um ganho como esse para o Brasil, de 10% na produtividade de capital, significa um crescimento extra de 10% do PIB e menor investimento para crescer nos anos seguintes. Durante toda a década de noventa a única preocupação explícita com a produtividade foi a relativa à mão de obra. Nos próximos anos, a preocupação deveria ser principalmente com o capital. Decisões macroeconômicas coerentes com esse objetivo e medidas gerenciais semelhantes às usadas na garantia da qualidade poderiam tornar esse objetivo possível.

Também estamos supondo que as taxas de juros reais externos e as remessas de dividendos ao exterior estariam próximas às médias verificadas nos anos de 1998 a 2001, na faixa de 5%. Isto permitiria manter o fluxo de capitais praticamente zero, sem incrementar substancialmente nosso passivo líquido relativo ao PIB. O objetivo, para a poupança interna, é que ela atinja 27% do PIB em 2020.  Juros muito maiores tornam impossível qualquer utopia.

Com os valores propostos para a poupança interna e produtividade de capital e na presença de juros razoáveis seria possível um crescimento de 5,1% ao ano no período 2000 a 2020.

Introdução

No número 32 nos referimos à necessidade de uma Nova Utopia. Neste número vamos tentar explicitar a nossa que, no aspecto econômico, poderia ser sintetizada no crescimento econômico em uma sociedade democrática e mais justa.

Em nosso livro “Brasil: O Crescimento Possível” Bertrand do Brasil 1996, apontamos as limitações ao nosso crescimento. Naquele momento (1995), o País vivia a ilusão de uma grande retomada de crescimento com a estabilidade do Plano Real e a abertura econômica. Essa grande retomada não se verificou e o livro antecipava alguns dos problemas atualmente evidentes.

No livro chegamos a uma projeção baseada extrapolações das tendências históricas e a um diagnóstico sobre as limitações existentes. Tentamos, ainda, apontar fatores que poderiam conduzir a um maior crescimento.

Para tornar as repercussões de mudanças estruturais mais explícitas, surgiu o programa de computador Projetar_e que tenta balizar o crescimento brasileiro pela projeção de alguns parâmetros cujo comportamento também foi estudado para economias de outros países. Menos determinístico que o livro, o programa permite simular o comportamento das principais variáveis macroeconômicas e estudar cenários possíveis de crescimento.

O cenário para chegar a nossa utopia, um crescimento do PIB de 5,1% ao ano entre 2000 e 2020, está resumido na Tabela 1 abaixo. Como conseqüência de nosso trabalho anterior (no livro), nossa utopia guarda um pouco de compromisso com o possível.

Tabela 1:
Crescimento suposto para o PIB por período e valores do PIB e PIB/hab. no final do período

 

 

 

2000

2002

2005

2010

2015

 

 

2000

2005

2006(*)

2010

2015

2020

Crescimento real do PIB no Período

% aa

 

2,8%

4,0%

5,1%

5,9%

6,5%

Índice do PIB Final do Período

PIB 80=100

161

184

193

236

315

431

PIB no Final do Período

US$bi(1994)

554

635

665

813

1085

1484

PIB/hab no Final do Período

US$/hab

3240

3484

3603

4223

5379

7098

  (*) Período do próximo mandato presidencial

Capital como Fator Limitante

De nossas análises anteriores parece ter ficado claro que o capital é o fator limitante para o crescimento econômico do Brasil. Na época do livro apontávamos que o capital destinado a países em desenvolvimento era limitado e o Brasil já participava com parte substancial desse aporte. Logo não se poderia esperar que fosse o aporte externo de capitais que propiciasse o desenvolvimento.

A entrada de capital externo realmente veio em uma proporção média de cerca de 2% do PIB nos anos posteriores a 1994 (1,8% de 1995 a 2000). Este aporte foi até um pouco superior ao que projetávamos. Entretanto, a contribuição média do capital externo na década da abertura, a década de noventa, foi de apenas 0,6% do PIB como é mostrado na Tabela 2. No ano de 2002 ela deverá ter se reduzido a -1,0% do PIB e o que se espera para os próximos períodos é um fluxo quase nulo ou até negativo.

Tabela 2: Participação da Poupança Interna e Externa nos Investimentos Brasileiros

Década

50

60

70

80

90

00

10

Poupança Interna

15,0%

16,5%

20,2%

24,4%

18,8%

20,9%

26,9%

Poupança Externa

0,5%

0,0%

2,1%

-3,1%

0,6%

-0,1%

0,1%

Investimento

15,5%

16,4%

22,3%

21,3%

19,4%

20,9%

27,1%

Nossa poupança interna vinha, até o início dos anos noventa, crescendo a cada década e este era um fator positivo em nossa perspectiva de crescimento. Na década de oitenta, o Brasil continuou poupando embora tenha se sujeitado a uma remessa de capitais para o exterior semelhante à imposta à Alemanha após a Primeira Grande Guerra Mundial.


Figura 1: Médias quinquenais de Investimentos com a contribuição da poupança interna e da Poupança Externa

Na Figura 1 podemos observar, esquematicamente, a contribuição do capital externo que foi praticamente nula nas décadas de cinqüenta e sessenta, positiva na década do “milagre brasileiro” (de setenta), negativa na talvez mal denominada “década perdida” (de oitenta) e próxima a zero na primeira metade da década de noventa e positiva após o Plano Real. Neste período, o passivo externo líquido brasileiro (dívida externa + investimentos estrangeiros) atingiu 70% do PIB (cerca de 30% do estoque de capital). Nossas indicações são de que atingimos nosso limite de endividamento e que, para os próximos anos, devemos nos conformar em fluxos, pelo menos, próximos de zero ou ligeiramente negativos.

É bom lembrar que para o crescimento real o que interessa é o fluxo mercadorias e bens e serviços reais[1] que realmente pode contribuir para a formação bruta de capital fixo. Esta é a forma como as contas nacionais, que se ocupam na economia real, contabilizam os investimentos. Quase sempre os números divulgados oficialmente para realçar a importância do investimento externo se referem ao movimento financeiro. O valor normalmente citado é o da entrada bruta de recursos, sem descontar a remessa de juros e dividendos. Por isso nossos números relativos ao investimento externo parecem bem mais modestos que os anunciados no âmbito financeiro.

Ou seja, o dinheiro externo que chega para a acumulação de reservas ou para alimentar a especulação financeira só se transforma em capacidade de produzir quando é transformado em equipamentos ou construções que permitam aumentar essa capacidade. De uma maneira ou outra, entretanto, os fluxos líquidos financeiros, a menos das variações das reservas, coincidem, no médio prazo, com o fluxo de bens e serviços reais.

Em nossa avaliação o o caminho para voltar de crescer não parece estar nem no aumento linear de salários nem no aumento das exportações. As medidas de incremento de demanda interna (pelo aumento de salários) ou da demanda externa (pelo aumento das exportações) não podem resolver um problema que, segundo nosso diagnóstico, é fundamentalmente de capacidade de produção, de oferta.

No primeiro caso, aumentaríamos a demanda sem aumentar a oferta e a inflação gerada acabaria comendo o salário. No caso do aumento das vendas ao exterior, nosso perfil de exportações, concentrado em bens intermediários, implica uma interrupção na cadeia produtiva para poder exportar. Nas cinco últimas décadas, sempre foi necessário um choque para conter a demanda interna para poder exportar mais. Não é coincidência que nossos maiores saldos comerciais positivos sempre coincidem com períodos de recessão interna.

Ou seja, no Brasil as limitações ao crescimento estão fundamentalmente na oferta de médio e longo prazos e não na demanda. Todo aumento de produção passa por um aumento do estoque de bens de capital ou em ganhos de sua produtividade. Para aumentar o estoque de bens de produção é necessário um montante de investimento anual que seja capaz de repor o que necessita ser sucatado no ano e de  aumentar a capacidade produtiva. Ganhos na produtividade de capital são possíveis no parque existente por seu uso mais intenso dessa capacidade ou por aperfeiçoamento de técnicas gerenciais como discutiremos no tópico seguinte.

Como veremos adiante, algo pode ser feito com a capacidade de produção, momentaneamente ociosa[2], e muito terá de ser feito em relação à produtividade de capital. Este é talvez o “fio da meada” para voltar a crescer. Do lado da demanda, uma redistribuição da renda pode redirecionar a demanda para bens menos capital intensivos como alimentos e vestuário. Mudar o perfil da demanda e produção de bens entre os setores pode ser uma maneira de se alcançar uma menor razão capital/ produto para o País e, conseqüentemente, aumentar a produtividade de capital.

Nível de Poupança Interna Necessário para Crescer.

A primeira condição para voltar a crescer é voltar a contar com a poupança interna. Qual o nível necessário dessa poupança interna e como fazer para atingi-lo? Trataremos, aqui de responder a primeira parte da pergunta. Como adiantamento da resposta à segunda parte, vale lembrar que a queda na poupança interna coincide com a ocasião em que o Governo passou a pagar a seus credores juros reais positivos[3]. Juros altos reduzem, no curto prazo, a demanda e, se no médio prazo são superiores à remuneração da atividade produtiva, reduzem os investimentos e, conseqüentemente, a oferta nos anos seguintes[4].

Nossa utopia para a poupança interna consiste em voltar à trajetória anterior a dos anos noventa. Nossa projeção é mostrada na Figura 2. A mudança na poupança interna seria gradual e com constante de tempo semelhante à da queda dos últimos anos.


Figura 2: Poupança Territorial ou Interna, projeção para retomada do crescimento.

Embora estejamos propondo uma retomada vigorosa, a média para a primeira década deste século seria menor que a de oitenta e apenas 0,7% do PIB superior à de setenta. Os valores para a segunda década seriam 1,5% superiores aos da década de oitenta. Os valores históricos para as cinco últimas décadas e os projetados para as duas próximas estão indicados na Tabela 2.

Produtividade de Capital

É natural que produtividade de capital decresça com a renda per capita. Com efeito, sendo capital e mão de obra insumos concorrentes é natural supor que o aumento da renda per capita corresponda um aumento de salários e, conseqüentemente, sua substituição por máquinas e equipamentos. O problema do Brasil é que ele atingiu uma razão capital/ produto semelhante a dos países desenvolvidos sem haver atingido o nível de renda daqueles. Na Figura 3, mostramos a evolução da razão capital/ produto para o conjunto de países da OCDE. Os valores correspondentes aos últimos anos estão próximos dos brasileiros nestes mesmos anos.

A possibilidade de reduzir a razão capital/ produto (aumentar a produtividade de capital) não é uma incoerência teórica. O que a teoria prevê é que o modo de produzir se adapte de maneira a minimizar os custos de capital e mão de obra. Dada a enorme sobrecarga que incide sobre a mão de obra brasileira (no mínimo 70%) e a transposição de maneiras de produzir do primeiro mundo é muito possível e até muito provável que a utilização dos fatores mão de obra e trabalho esteja distante dessa otimização.

Existem medidas a nível micro e a nível macro para as quais o aumento da produção supera o de capital. Algumas dessas medidas requerem mudanças estruturais já que, em muitos casos, trata-se de ir mais longe na cadeia de produção agregando mais valor com investimentos adicionais proporcionalmente menores. Outras medidas são a nível micro (do setor ou das empresas) como a de eliminar estrangulamentos na cadeia de produção e medidas gerenciais semelhantes as da garantia da qualidade. Existem ainda as que poderiam requerer um pacto social que permitisse o uso mais intensivo do parque produtivo (mais horas e dias de funcionamento).

Vários países como Alemanha, Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido já têm programas para aumentar ou deter a queda da produtividade de capital. Trabalhos comparando a razão capital/ produto, a nível macro e setorial têm procurado investigar porque países, como Alemanha e Japão, têm produtividades de capital inferiores à dos EUA. Muito embora deva-se tomar cuidado em comparações entre países de dimensões diferentes, também seria interessante verificar porque países como o Chile têm mantido a razão capital/ produto próxima a 1,5 durante as últimas décadas já tendo atingido níveis de PIB/hab bastante superiores a do Brasil. Outro exemplo interessante é o da Índia que vem crescendo a renda sem perdas significativas na produtividade de capital.


Figura 3: Razão Capital/Produto para conjunto de países da OCDE
Fonte: Aumara Feu, tese de doutorado em elaboração na UNB

Nossa suposição para a produtividade de capital é de que o processo de perda de produtividade pode ser, em parte, revertido. Projetamos um valor tendendo para 2,45 nas próximas décadas. Os valores históricos e projetados são mostrados na Figura 4.


Figura 4: Razão Capital/ Produto (K/Y) para o Brasil histórica e projetada

Mais por uma questão didática que para acrescentar informações mostramos na Figura 5 a representação dos valores inversos da razão capital/produto, a produtividade do capital. Esta representação tem a vantagem de mostrar diretamente o fator que, multiplicado pelo estoque de capital, fornece o produto

 
Figura 5: Produtividade de Capital (Y/K) para o Brasil histórica e projetada

Fator de Utilização

O capital acumulado multiplicado pelo valor da "produtividade ajustada" aos dados históricos nos fornece um valor médio da produção esperada (PIB ajustado). Esta produtividade é obtida pelo melhor ajuste de uma função logística para a curva capital/ produto ao longo do tempo. Feita uma correção vinculada às transferências para o exterior, chega-se a uma produção esperada (PIB esperado) para cada ano histórico ou projetado.

Comparando-se os valores esperados chega-se a um fator de utilização relativo à produção média esperada. Era comum, no passado (e ainda persiste em alguns trabalhos), tomar-se como máximo a maior utilização histórica da capacidade instalada. Normalmente, os ajustes apontam para o ano de 1973 como o de máxima utilização.

O fator de utilização está fortemente ligado à conjuntura como pode ser visto na Figura 6. Para projeção do PIB supusemos uma utilização média da capacidade em um futuro próximo. A representação desse fator para o passado e projetado está representado na Figura 6 tanto em relação à produção média como em relação à máxima (eixos direito e esquerdo).


Figura 6: Fator de Utilização da capacidade de produção relativo ao máximo (eixo esquerdo) e à média (eixo direito) de utilização.

A boa notícia que surge dessa verificação é que estaríamos (supondo para 2002 um crescimento de 1% do PIB) 8% abaixo  do nível de produção médio o que abre a perspectiva de uma recuperação no curto prazo se as condições políticas favorecerem.

Primeiras Conclusões e Continuação para o Próximo Número

Retomar o crescimento parece possível seguindo as limitações da economia real. As contingências financeiras, sobretudo às da dívida pública, nos pareciam (quando escrevemos o livro) o maior limitador financeiro. O tempo nos deu razão. A política de juros altos que surgiu da decisão de apostar no investimento externo já produziu sua conseqüências limitando a poupança interna produtiva.

Devemos lembrar, no entanto, que se esta política influi sobre a disposição de poupar ela não representa uma limitação interna já que os créditos e débitos são, em grande parte, internos e devem determinar uma distribuição de ativos e passivos que pode, em princípio também ser resolvida internamente.

A principal limitação do sistema é o passivo externo líquido que está equacionado no cenário considerado. Este cenário considerou, no entanto, que as taxas de juros externos e a remessa de lucros e dividendos seguirão o padrão dos últimos anos. No próximo número pretendemos discutir as limitações do passivo externo e como, em nossa utopia, equacionaríamos o problema da dívida pública interna.   

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[1] Nas Contas Nacionais o Investimento é I = (Y-C) + (M-X) Onde Y é o Produto Interno Bruto (PIB), C é o consumo aparente (inclui variação de estoques) e M e X as importações de bens e serviços reais. Estes serviços não incluem taxas, juros e outros fatores da dívida.

[2] Já estamos em um choque negativo de demanda.

[3] Até a metade da década de oitenta por força de uma correção monetária apenas parcial onde o Governo pagava taxa de juros reais muito próxima a zero e a classe média ainda agradecia por se livrar de parte da inflação. De 1986 a 1990 os sucessivos planos heterodoxos (do Cruzado ao Collor II), implicavam confiscos que zeravam os ganhos. O último deles, o do Plano Real, não chegou a compensar os elevados ganhos reais a partir da chegada do Ministro Marcílio em 1992.

[4] A alta das taxas de juros tem sido usada pelos países em desenvolvimento, seguindo o exemplo de países centrais, para controle da demanda e, por conseqüência, da inflação. Esta prática tem sido, até mesmo, recomendada pelos organismos financeiros internacionais.  No caso dos países centrais ainda é cedo para questionar sua eficácia já que raramente os juros reais superaram as taxas de remuneração média das atividades produtivas. No entanto, ao serem aplicadas em países de pequena massa monetária e em índices que superam em muito os das atividades produtivas, não deveria ser surpresa que elas tenham conduzido ou ao colapso financeiro (caso da Argentina) ou tenham gerado forte pressão cambial (como no Brasil). Quando aplicadas a créditos de curto prazo elas aumentam, na prática, o volume da massa monetária e podem, inclusive, conduzir à hiperinflação. 

Graphic Edition/Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a

Revised/Revisado:
Thursday, 19 February 2004
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