e&e No 33
Geração de Energia
Elétrica no Horizonte 2020 e Angra III
Resumo Executivo
Texto completo
Brasil – Energia
em 2001
Principais Indicadores
Ao Fundo Novamente
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Matriz
Energética e de Emissões
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Balanço
Energético 1970/2000
Balanço
Energético e de Emissões
Matriz
Energética e de Emissões
Relatório
Fina
Resumo
Executivo

|
AO FUNDO NOVAMENTE
Publicação
simultânea do Jornalego e da
e&e
Dois
números do JORNALEGO já estavam na “caixa de saída” para serem enviados
aos meus seletos leitores - o de hoje e o próximo, daqui a dez dias -
quando resolvi sustar as remessas. Inicialmente, uma melhor reflexão sobre
os assuntos abordados levou-me a tomar esta decisão. Observei que estava
levando muito a sério o sufixo do jornal. Em vez de justificá-lo como
sendo seu único redator, corria o risco de me transformar no seu tema
principal. Uma boa dose de “simancol” e um certo policiamento para evitar
que o ego ande solto por aí a fazer estrepolias, não fazem mal a ninguém.
Os artigos, na primeira pessoa do singular, versavam sobre religião e a
morte. Além do mais, poderiam ferir suscetibilidades de alguns amigos. No
entanto, se alguém quiser lê-los eu os enviarei “personalizadamente”.
Fui salvo pelo superego e também pela
contundente conjuntura nacional, marcada pelo mais recente acordo com o
FMI.
Na semana que ora se encerra,
tudo é festa no Governo Federal, na mídia e nos mercados financeiro,
cambial e bursátil (!). As expectativas do candidato oficial à Presidência
da República se exacerbaram, embora sua atuação nas pesquisas de opinião
continue pífia. Por seu turno, a classe média foi para a cama mais
tranqüila, depois das novelas e dos noticiários noturnos. As eleições
presidenciais podem transcorrer sem percalços, pois foi jogado o tapete
vermelho para a saída honrosa do governo neoliberal e para a entrada da
nova administração, devidamente comprometida.
O que realmente houve, na minha
ótica, foi a constatação de nossa insolubilidade; o modelo mais uma vez
estava fazendo água, mostrando ser insustentável essa insensata e
insensível política neoliberal do período recente dos “Fernandos com um
Itamar no meio”. A indignação é tanta, que neste parágrafo constatei o
emprego do prefixo “in” por cinco vezes. Arre!
O acordo monta a US$ 30 bilhões.
Trata-se do valor que o país tem que pagar até o final de 2003.
Ele só foi realizado em
decorrência de fortes pressões da banca americana sobre o governo Bush,
visando garantir o retorno de seu dinheiro aqui aplicado e também com o
intuito de não matar a galinha dos ovos de ouro. A pressão teve como
cenário uma enorme onda especulativa provocada pelos mesmos e preclaros
atores. Assim, a grana não vai nem pagar CPMF, fica por lá mesmo numa
transferência eletrônica, a débito do Brasil junto ao FMI, aumentando
nossa dívida e a crédito dos credores, aumentando seus lucros. Um tremendo
“lobby”, um grande passivo sem correspondência no ativo, isto é, sem
investimentos, sem mudar nada, para melhor, na vida do brasileiro. A
contrapartida já esperada, porque a história não nos mostra outra direção,
é mais recessão, mais desemprego, mais miséria, mais dependência e até,
possivelmente, mais inflação.
É esse o país deixado pela
experiência neoliberal de 12 anos, envergonhando a retomada da nossa tênue
democracia e solapando as instituições que a sustentam. Nosso Congresso
atuou como pau mandado, desde a emenda constitucional da reeleição, até a
convivência com a enxurrada das medidas provisórias, votos de lideranças e
outros expedientes espúrios.
Alguma coisa positiva foi feita,
é claro. Apresso-me a citar a estabilização monetária do Plano Real, antes
que alguém a use como contra-argumento para esgrimir comigo por essas
mal-traçadas críticas.
“O mal que o homem faz vive
depois dele; o bem é geralmente enterrado com seus ossos”. *
O preço pago foi muito alto. No próprio
campo da estabilização monetária, a inflação durante os oito anos do FHC
deve fechar por volta de 130%. Meu salário, nem o salário de ninguém foi
corrigido por este percentual. Nesse período a participação dos salários
na renda nacional caiu de 33% para 27%. A década de 90 foi, igualmente à
de 80, uma década perdida.
E as tais privatizações?
Torramos um patrimônio de bilhões de dólares sem diminuir nossa dívida
que, ao contrário aumentou, sem transformar isso em bem-estar social para
a sociedade. Passaram nos cobres, a preço vil, a siderurgia, a mineração,
a petroquímica, a telefonia, grande parte da indústria de energia
elétrica, o sistema bancário e o que mais houvesse para ser queimado.
O regozijo com o fechamento do
acordo com o Fundo deve-se á necessidade criada pelo modelo vigente de
cobrir um buraco anual de US$ 50 bilhões – 30 para o serviço da dívida e
20 para o furo do balanço de pagamentos em conta-corrente. Uma necessidade
de um bilhão de dólares por semana! Que não vai terminar com este acordo.
É como o pai que sempre adverte
ao filho adolescente para a necessidade de dirigir com cuidado o seu
carro, sem imprudência, sem altas velocidades, evitando imperícias. De
repente acontece um acidente. Perguntar agora aos candidatos da oposição
se concordam com esse acordo com o Fundo é o mesmo que perguntar ao pai do
acidentado se seu filho deve receber oxigênio e ir para a UTI, a despeito
de tudo que ele falou sobre a possibilidade do inevitável acidente.
A comemoração do Governo e de
seus acólitos pelo fechamento do acordo pode ter como defesa um argumento
cínico, como o de quanto mais nos atrelarmos aos EUA e ao Sistema
Financeiro Internacional melhor para nós. Assim eles não podem nos
quebrar. No estilo: não afundem o barco onde todos estamos viajando.
Esse raciocínio, se de fato
existe, além de cínico é parcial, eminentemente financeiro e quem continua
a pagar o pato é o povão. O IPEA, órgão do Ministério do Planejamento
mostra que os contingentes de pobres e indigentes no país, que era de 33 e
de 17 milhões, respectivamente, há cerca de uma década, já superam as
casas dos 50 e 20 milhões.
Hoje, exatamente hoje, a América
Latina está conflagrada. Distúrbios em Caracas e Santiago. A Colômbia
continua em convulsão com a guerrilha. A Argentina e o Uruguai vivem em
estado de tensão. Inclusive, registre-se, a Argentina foi discriminada
pelos Estados Unidos e o FMI, relativamente à ajuda que foi prestada ao
Brasil e ao Uruguai. Vivemos na corda bamba por adotarmos o mesmo padrão.
Antigamente dizia-se que corríamos o risco de virar uma Belíndia (meio
Bélgica, meio Índia). Atualmente, com a violência e o narcotráfico por um
lado e a tênue estabilidade financeira por outro, somos fadados a nos
transformar numa Colombina (metade Colômbia, metade Argentina). O acordo
com o FMI não nos imuniza dos percalços vividos por nossos vizinhos, é um
mero paliativo. Empurra-se a crise com a barriga. Como disse o Veríssimo
em seu artigo de hoje, colocaram uma corda mais comprida no pescoço do
condenado.
Minha esperança reside na
expectativa de que minhas idéias e convicções continuem equivocadas,
conforme demonstram, à exaustão, os argumentos (lato sensu) da direita
conservadora, sempre mais convincentes, e daí porque, “unida, jamais foi
vencida”.
* Do discurso de Marco Antônio, em Júlio
César, de William Shakespeare.
Nota da Redação: O
Jornalego foi criado pelo Genserico (precursor e fundador da
e&e) para ele dar vasão ao seu ego de
escritor. Algumas vezes, como transcrevemos no último número, ele faz
algumas digressões econômicas como a presente.
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