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A
NOVA UTOPIA
Carlos Feu Alvim Nossa geração
(os nascidos nos anos 40) cresceu na ilusão de que estava mudando o
mundo. Os caminhos que seguíamos eram diversos e nem sempre convergentes
mas todos (ou boa parte) tínhamos um ideal e perseguíamos uma utopia de
um país melhor em um mundo mais livre, mais justo, mais solidário e mais
humano. Não tardou
percebermos que a alegria dos tempos JK não eram um fato natural da vida.
Mas a loucura do Jânio, os desencontros do Jango e a noite do regime
militar não apagaram a esperança já que, apesar dos pesares, o Brasil
crescia e se modificava. Ainda a década perdida de oitenta foi de
voluntariosa reação contra a adversidade onde o País reagia à crise
enfrentando o desafio (para ficar na área energética) de produzir petróleo
em águas profundas, no esforço pioneiro do álcool, de construir Itaipu
e de enriquecer o urânio e também de reconstruir a democracia. Os anos noventa
foram os do “laissez faire” do neoliberalismo e, paradoxalmente, do
neointervencionismo na moeda, no câmbio, nos juros. Anos do não
planejar, de destruição da capacidade do Governo de intervir nas políticas
industrial, educacional e de desenvolvimento. Como havia que exercer o
poder, auxiliava-se o mercado com brutais intervenções nas variáveis
financeiras cujas conseqüências de médio e longo prazo nunca eram nem são
corretamente avaliadas. O deus mercado
resolveria tudo, o investimento externo substituiria a poupança interna,
a modernidade eliminaria o atraso, a abertura nos tiraria do
subdesenvolvimento. A concorrência nos tornaria competitivos. As crianças
teriam direito de escolher entre a escola e a rua, protegidas pelo novo
estatuto da criança e do adolescente e assistidas por ONGs. Parcerias com
a iniciativa privada resolveriam problemas que o governo não conseguia
resolver. Os empresários
retrógrados brasileiros seriam obrigados a se virar sem a proteção do
Estado e até sob brutais intervenções
no câmbio e nos
juros. em compensação, eles estariam livres dos “excessivos”
direitos dos trabalhadores e reformas estruturais aliviariam a carga
tributária. Salvo as “carreiras de estado” seria destruída a função
pública e revogados os privilégios dos servidores[1].
Menos governo
era o lema, Planos e Políticas Setoriais: coisa do passado. As privatizações
trariam melhores serviços e menores tarifas. Reações contra a destruição
de capacidade nacional de produzir, contra o desmonte de empresas
eficientes (embora estatais) e contra a deterioração de centros de excelência
eram apenas reações corporativistas.Foi decretado o fim das ideologias e
de certa forma, das nações. As coisas não
deram certo? Deve-se aprofundar as reformas. As reformas conduziram a
resultados desastrosos? Elas foram feitas com irresponsabilidade e houve
muita corrupção. As tarifas subiram e os serviços não melhoraram?
Falhas no processo de privatização e tarifas comprimidas e irrealistas
do passado. As idéias
mudaram e mudarão a História. Se as ideologias são a dogmatização das
idéias a ausência de idéias significa o “fim da História”. As
grandes mudanças no destino das nações se basearam em idéias e até em
ideologias. Foi uma revolução na forma de pensar que criou e perpetuou a
civilização grega. Uma nova idéia sobre forma de governo e do papel do
estado criou o Império Romano. A idéia da República elevou a importância
da França no mundo e fez nascer a nação, hoje hegemônica, dos EUA. O
nazismo recuperou a Alemanha também gerou o maior desastre humanitário.
As idéias marxistas produziram o Império Soviético. Dessas mesmas idéias
e de uma reforma da ideologia surgiu a nova China. [1] Interessante que essas “carreiras de estado” parecem não incluir as funções relacionadas com a educação, a saúde e a segurança que foram consagradas como as funções precípuas do Estado [2] Também a necessitamos para nossa América do Sul e quiçá para o Mundo.
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Graphic Edition/Edição Gráfica: |
Revised/Revisado:
Sunday, 28 August 2005. |