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Economia & Energia
No 30-Janeiro-Fevereiro 2002   ISSN 1518-2932

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A CAMINHO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO

João Antonio Moreira Patusco
jpatusco@brnet.com.br

 

Este artigo amplia as análises feitas em artigos anteriores,  Aço e Alumínio – Exportar é bom para quem?, publicado no Diário do Nordeste de 15/07/2001; A crise de energia elétrica – causas e soluções, publicado no Correio Brasiliense de 10/08/2001 e outros 4, divulgados na Revista http://ecen.com (Energia e Economia) e na página do Ilumina.

Se os números estão certos e as análises decorrentes também, pode-se afirmar que país desenvolvido é aquele que importa energia, aço, alumínio e ferroligas (produtos intensivos em capital e energia e pouco intensivos em empregos) e exporta produtos de maior valor agregado (intensivos em tecnologia e mão-de-obra).

É verdade que os países desenvolvidos impõem barreiras e criam subsídios para alguns de seus produtos, mas também é verdade que este imenso Brasil, com quase 170 milhões de habitantes, não dispõe de instrumentos e políticas eficazes que permitam à economia um desenvolvimento crescente e sustentado. As exportações brasileiras são de baixo valor agregado e estão, na maioria, concentradas nas grandes empresas. Estas mesmas grandes empresas estão adquirindo as melhores hidrelétricas nos leilões da ANEEL para manutenção da expansão. Estamos investindo maciçamente para a auto-suficiência de petróleo, setor muito pouco gerador de empregos. A maioria dos financiamentos do BNDES se concentra nas grandes empresas. Os MW autorizados e outorgados pela ANEEL, para expansão da geração, estão muito acima do necessário. Falta uma política para o fator de utilização da geração termelétrica (as térmicas operando na base reduzem a necessidade de capacidade instalada hidráulica. Se operarem na ponta, teremos de pagar o gás natural de qualquer forma).

O País gera pouca poupança interna e é altamente dependente de investimentos externos. Prioridade para os investimentos, canalizando-os para setores mais intensivos em empregos e menos intensivos em capital parece ser condição essencial para um desenvolvimento econômico e social sustentado. Não é o que estamos presenciando.

Segundo o Balanço Anual da Gazeta Mercantil de 2001, que pesquisou cerca de 9700 empresas, as diferenças de empregados por milhão de Reais de Ativos de alguns setores econômicos são significativas. Há setores que geram 30 vezes mais empregos do que outros. Por exemplo, os setores de aço, alumínio, petróleo e energia elétrica geram cerca de 1 emprego por milhão de Reais de Ativos, enquanto que o setor de couros e calçados gera acima de 30 empregos por milhão de Reais de Ativos.

 

Com base em dados da Agência Internacional de Energia – AIE, 69% do Produto Interno Bruto-PIB mundial correspondem a paises com 45% de dependência de energia e PIB per capita de US$23500.

 

Por outro lado, 72% da energia exportada correspondem a paises com PIB per capita médio de apenas US$1800, e cujo montante representa 8% do PIB mundial. Os poucos paises desenvolvidos que são exportadores de energia têm baixa densidade demográfica e representam apenas 2% da população mundial.  

 

 Da mesma forma, dados do Instituto Brasileiro de Siderurgia e da Associação Brasileira de Alumínio, mostram que os países desenvolvidos são importadores de aço e alumínio e os exportadores são países em desenvolvimento.

 

 

Nos artigos anteriores foi mostrado que o País aumentou significativamente a intensidade energética, em parte, pelo grande aumento da expansão da metalurgia (aço, alumínio e ferroligas) voltada para a exportação. Foi mostrado, também, que estas exportações pouco contribuíram para a formação do PIB brasileiro. Foi mostrado, ainda, que nas três últimas décadas, sempre que o País teve superávit comercial foi muito mais pela redução das importações do que pelo aumento das exportações. Ou seja, ainda não encontramos uma maneira de crescer com superávit comercial. No período em que tivemos o maior superávit comercial, 1980 a 1993, o PIB cresceu apenas 1,6% ao ano.

Pelos dados até agora apresentados, e tomando alguns dados de outros artigos, pode-se construir o quadro a seguir, onde podemos observar que, com os ativos equivalentes às exportações de aço, alumínio e ferroligas, mais os ativos equivalentes à energia agregada, o País poderia colocar no mercado mais de 1 milhão de empregados na indústria de couros e calçados. Ponderando-se esta equivalência de ativos por uma cesta de setores, ainda assim, agregaríamos ao mercado mais de 600 mil empregados. O setor de couros e calçados, com ativos da ordem de 3,4 bilhões de R$, exporta cerca de 2,3 bilhões de US$ e emprega 102000 pessoas. Os ativos de aço e alumínio são 20 vezes maiores, geram o mesmo número de empregos e exportações de 3,7 bilhões de US$.

 

A Petrobrás, com ativos de 68 bilhões de R$, gera apenas 46 mil empregos (nos últimos anos, apesar de elevados investimentos, o contingente de empregados tem diminuído). Com os investimentos de um ano da Petrobrás poder-se-ia duplicar a indústria de couros e calçados e agregar ao mercado mais 100 mil trabalhadores, além da possibilidade de aumento das exportações. Os investimentos de 32 bilhões de R$,  previstos pela Petrobrás para os próximos 5 anos, dariam para dobrar as instalações do setor de veículos e autopeças, que hoje emprega cerca de 650 mil pessoas e exporta 8,5 bilhões de US$.

O aprofundamento de debates sobre as questões a seguir apresentadas talvez seja o caminho para o desenvolvimento sustentado deste País, que é maravilhoso, tem terra, sol, água, riquezas minerais e um povo trabalhador que apenas quer uma oportunidade para mostrar o seu valor.

   

Autor: João Antonio Moreira Patusco

E-mail: jpatusco@brnet.com.br

tel: (61) 248 5402

 

Graphic Edition/Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
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Revised/Revisado:
Thursday, 19 February 2004
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