Economia & Energia
No 29-Novembro-Dezembro 2001   ISSN 1518-2932

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ANÁLISE CRÍTICA DE RESULTADOS                                

    em 26/11/01

Por: João Antonio Moreira Patusco
patusco@ecen.com

Projeto: Fornecimento de Instrumentos de Avaliação de Emissões de Gases de Efeito Estufa, Acoplados a uma Matriz Energética.
É UMA ANÁLISE INDEPENDENTE - GOSTARÍAMOS, COM SUA APRESENTAÇÃO, DE ESTIMULAR AS OBSERVAÇÕES DOS LEITORES DESTA REVISTA

Redação Preliminar

Executor: Economia & Energia  -  ONG

Convênio Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT e Economia e Energia - e&e - ONG Nº 01.0036.00/2000

Metodologia

            A partir de uma leitura geral no documento, foram selecionados os dados da tabela 1, julgados mais representativos para a análise. Sobre estes dados foram calculadas taxas de crescimento e elasticidades para verificação de consistências econômicas e energéticas.

            Cabe acrescentar que no documento em análise, foi considerado 1999 como ano base, dado que à época do início dos trabalhos, os dados econômicos e de energia de 2000 ainda não estavam disponíveis. Nesta data, com a disponibilidade destes dados, é feita, também, uma abordagem sobre os dados  projetados e os realizados. 

Tabela 1

 

 

 

 

 

 

2000

2005

2010

2015

2020

DADOS ECONÔMICOS - 10^9 US$(94)

 

 

 

 

 

  PIB

624,5

716,2

821,9

963

1138,1

  RESIDENCIAL

 

 

 

 

 

  COMERCIAL E OUTROS

318

367

426,7

502

592,6

  TRANSPORTE

27,8

32,7

39,6

47,4

56,7

  AGROPECUÁRIA

74,3

80,6

86,1

100,1

118,9

  INDÚSTRIA

175,5

202,5

230,6

268,6

318,7

  SETOR ENERGÉTICO

28,9

33,4

38,9

44,9

51,2

CONSUMO FINAL - mil tep

 

 

 

 

 

  TOTAL

223410

255877

305245

360663

436354

  RESIDENCIAL

37863

41733

50960

62661

79215

  COMERCIAL E OUTROS

22805

29238

36514

43117

51859

  TRANSPORTE

49296

56487

65895

77659

96650

  AGROPECUÁRIA

10320

10669

11787

13480

15885

  INDÚSTRIA

86829

99183

117872

138533

164695

  SETOR ENERGÉTICO

16297

18567

22217

25213

28050

CONSUMO DE ELETRICIDADE - GWh

93401

110364

137797

166505

203375

  RESIDENCIAL

24670

28970

36816

46046

59147

  COMERCIAL E OUTROS

21195

27223

33749

39308

46360

  TRANSPORTE

313

383

644

1028

1508

  AGROPECUÁRIA

3728

3946

4526

5479

6644

  INDÚSTRIA

40490

46882

58545

70283

84288

  SETOR ENERGÉTICO

3005

2960

3517

4361

5428

FONTES DE ENERGIA - mil tep

 

 

 

 

 

  GLP RESIDENCIAL

6409

7201

9135

11178

13001

  GÁS NATURAL INDUSTRIAL

3384

5910

8549

11848

16606

  GÁS NATURAL COM E OUT

78

282

671

1133

1837

Análise

  Em 2000, a economia brasileira cresceu 4,46% (dados preliminares), alavancada por bons desempenhos dos setores: Comunicações (16,96%), Extrativa Mineral (11,48%) e Indústria de Transformação (5,74%). Os Serviços cresceram 3,85% e a Agropecuária cresceu 3,02%. O baixo desempenho da construção civil (2,14%) e da produção de cimento (-1,8) demonstram uma queda no poder de compra da população, queda esta também comprovada pelas performances de consumo da eletricidade residencial (2,7%), do consumo residencial de gás de cozinha – GLP (0,2%) e do consumo de gasolina e álcool (-3,4). Somam-se  as  estas, as baixas    performances    da   produção  de  açúcar       (-20,7%) e  do álcool (-17,6%). Nestas condições, a Oferta Interna de Energia – OIE do País cresceu apenas 2,35%, proporcionando uma das elasticidades renda (0,53) mais baixas desde 1970.    

            Os resultados de 2000 mostram  performances econômicas e energéticas atípicas, de difícil previsibilidade. Assim, na tabela 2, são identificadas as divergências entre os dados projetados  e os   do  Balanço  Energético  Nacional – BEN,  ano    base    2000. No consumo final total, a diferença foi de apenas 0,3%, entretanto, ao nível setorial e de energéticos as diferenças se acentuam. Por importância, merece destaque o consumo industrial projetado que ficou 4% abaixo do realizado e o consumo do setor energético projetado que ficou 9% acima do realizado. Os comentários do parágrafo anterior justificam estas diferenças. Ao nível de energéticos, o gás natural industrial projetado ficou 9,1% abaixo do realizado e o GLP residencial projetado ficou 3,1% acima do realizado. Com a implementação de termelétricas, o Gás Natural vem apresentado grande penetração na indústria nos últimos anos, fato que deve ser melhor avaliado nas projeções.

Tabela 2

 

 

 

Dados Projetados x Realizados

 

BEN

BEN

 

BEN

(-)

SOBRE

 

2000

PROSP.

PROSP.

CONSUMO FINAL - mil tep

 

 

%

  TOTAL

224150

740

0,3

  RESIDENCIAL

37500

-363

-1,0

  COMERCIAL E OUTROS

23507

702

3,0

  TRANSPORTE

47982

-1314

-2,7

  AGROPECUÁRIA

9783

-537

-5,5

  INDÚSTRIA

90431

3602

4,0

  SETOR ENERGÉTICO

14947

-1350

-9,0

CONSUMO DE ELETRICIDADE – GWh

95647

2246

2,3

  RESIDENCIAL

24213

-457

-1,9

  COMERCIAL E OUTROS

21928

733

3,3

  TRANSPORTE

362

49

13,5

  AGROPECUÁRIA

3603

-125

-3,5

  INDÚSTRIA

42509

2019

4,7

  SETOR ENERGÉTICO

3032

27

0,9

FONTES DE ENERGIA - mil tep

 

0

 

  GLP RESIDENCIAL

6216

-193

-3,1

  GÁS NATURAL INDUSTRIAL

3722

338

9,1

  GÁS NATURAL COM E OUT

74

-4

-5,4

             A tabela 3 apresenta as taxas médias de crescimento ao ano das variáveis selecionadas, para períodos de cinco, dez e vinte anos. A análise destas taxas induz às seguintes considerações:

a)     o consumo de GLP residencial, com taxas de crescimento próximas de 4% ao ano, parece estar alto. Este energético, por ser pouco elástico em relação à renda familiar e por estar praticamente em todas as residências, deverá apresentar taxas de crescimento próximas do crescimento da população.

b)     o gás natural deverá continuar avançando no uso industrial, em paralelo com o seu uso em termelétricas. Assim, é de se esperar, para os primeiros anos, taxas bem maiores de crescimento, por exemplo, próximas das taxas projetadas para o grupo comercial e outros.

c)      ainda não há estudos e informações suficientes para uma análise dos efeitos do racionamento na demanda futura de energia elétrica,  entretanto, a taxa média de crescimento do setor comercial e outros, para o período 2005_2000, parece estar alta, demonstrando, aparentemente, que é o único setor que não é afetado pelo racionamento. Cabe lembrar que o setor público, com grande parcela de racionamento, está inserido neste grupo. A forte penetração do gás natural em centros comerciais pode, também, vir a substituir parcela de eletricidade.

d)     os dados econômicos indicam que o grupo comercial e outros, a exemplo do passado, continua com melhor performance no período do estudo, com a agropecuária apresentando a menor performance, o que parece razoável.

tabela 3

 

 

 

 

 

 

 

 

2005_00

2010_05

2015_10

2020_15

2010_00

2020_10

2020_00

DADOS ECONÔMICOS - 10^9 US$(94)

 

 

 

 

 

 

 

  PIB

2,78

2,79

3,22

3,40

2,78

3,31

3,05

  RESIDENCIAL

 

 

 

 

 

 

 

  COMERCIAL E OUTROS

2,91

3,06

3,30

3,37

2,98

3,34

3,16

  TRANSPORTE

3,30

3,90

3,66

3,65

3,60

3,65

3,63

  AGROPECUÁRIA

1,64

1,33

3,06

3,50

1,48

3,28

2,38

  INDÚSTRIA

2,90

2,63

3,10

3,48

2,77

3,29

3,03

  SETOR ENERGÉTICO

2,94

3,10

2,91

2,66

3,02

2,79

2,90

CONSUMO FINAL - mil tep

 

 

 

 

 

 

 

  TOTAL

2,75

3,59

3,39

3,88

3,17

3,64

3,40

  RESIDENCIAL

1,97

4,08

4,22

4,80

3,02

4,51

3,76

  COMERCIAL E OUTROS

5,10

4,54

3,38

3,76

4,82

3,57

4,19

  TRANSPORTE

2,76

3,13

3,34

4,47

2,94

3,90

3,42

  AGROPECUÁRIA

0,67

2,01

2,72

3,34

1,34

3,03

2,18

  INDÚSTRIA

2,70

3,51

3,28

3,52

3,10

3,40

3,25

  SETOR ENERGÉTICO

2,64

3,65

2,56

2,16

3,15

2,36

2,75

CONSUMO DE ELETRICIDADE - GWh

3,39

4,54

3,86

4,08

3,97

3,97

3,97

  RESIDENCIAL

3,27

4,91

4,58

5,14

4,08

4,86

4,47

  COMERCIAL E OUTROS

5,13

4,39

3,10

3,36

4,76

3,23

3,99

  TRANSPORTE

4,12

10,95

9,80

7,96

7,48

8,88

8,18

  AGROPECUÁRIA

1,14

2,78

3,90

3,93

1,96

3,91

2,93

  INDÚSTRIA

2,97

4,54

3,72

3,70

3,76

3,71

3,73

  SETOR ENERGÉTICO

-0,30

3,51

4,40

4,47

1,59

4,44

3,00

FONTES DE ENERGIA - mil tep

 

 

 

 

 

 

 

  GLP RESIDENCIAL

2,36

4,87

4,12

3,07

3,61

3,59

3,60

  GÁS NATURAL INDUSTRIAL

11,80

7,66

6,74

6,99

9,71

6,86

8,28

  GÁS NATURAL COM E OUT

29,31

18,93

11,05

10,15

24,01

10,60

17,11

            A tabela 4, apresenta elasticidades do consumo de energia em relação ao PIB, para algumas variáveis selecionadas, cabendo os seguintes comentários:

a)     para os níveis de crescimento econômico propostos, as elasticidades do consumo final total, para os diversos períodos, demonstram coerência quando comparadas com elasticidades históricas.

b)     as elasticidades da eletricidade e do consumo final do grupo comércio e outros, para o período 2005_2000, parecem elevadas, conforme já comentado. 

Tabela 4

 

 

 

 

 

 

 

ELASTICIDADES AO PIB

2005_00

2010_05

2015_10

2020_15

2010_00

2020_10

2020_00

  CONSUMO FINAL

0,99

1,29

1,05

1,14

1,14

1,10

1,12

  RESIDENCIAL

1,18

1,76

1,42

1,51

1,47

1,47

1,47

  COMERCIAL E OUTROS

1,83

1,63

1,05

1,11

1,73

1,08

1,38

  TRANSPORTE

0,99

1,12

1,04

1,32

1,06

1,18

1,12

  AGROPECUÁRIA

0,24

0,72

0,85

0,98

0,48

0,92

0,72

  INDÚSTRIA

0,97

1,26

1,02

1,04

1,11

1,03

1,07

  SETOR ENERGÉTICO

0,95

1,31

0,80

0,63

1,13

0,71

0,90

  ELETRICIDADE TOTAL

1,22

1,63

1,20

1,20

1,42

1,20

1,30

  ELETRICIDADE C&P

1,83

1,63

1,05

1,11

1,73

1,08

1,38

  ELETRICIDADE INDUSTRIAL

0,97

1,26

1,02

1,04

1,11

1,03

1,07

Outras Considerações

            Na tabela de consumo final do documento, referente ao grupo comércio e outros, há equívocos entre a legenda (energias) e os dados em tep.

            Seria interessante apresentar no documento alguns indicadores de emissões no tempo, por exemplo, t de CO2 por tep, t de CO2 por PIB, de 5 em 5 anos, total e por setor econômico.

Graphic Edition/Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a

Revised/Revisado:
Tuesday, 17 May 2011
.

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