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Energia e Emissões
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Evolução
da Razão Capital/Produto no Brasil e nos Países da OCDE
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Pública e Reservas do Brasil
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Energética e de Emissões
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Evolução da Razão
Capital/Produto
no Brasil e nos Países da
OCDE
Resumo:
O objetivo do nosso
artigo é calcular e analisar a tendência das séries da razão
capital/produto a nível agregado para o Brasil e para os países da OCDE,
bem como estimar as séries da razão capital/produto por atividade para
os países da OCDE. Pretendemos, ainda, contribuir para verificar a influência
da variação na razão capital/produto por atividade ao longo do período
estudado (efeito conteúdo) e da realocação do produto em atividades
(efeito estrutura) na variação da razão capital/produto agregada.
Mostramos que as razões capital/produto tem tendência crescente
de 1970 a 1996, com queda na inclinação desta tendência a partir da década
de 80 na maioria dos países. Estimamos as razões capital/produto por
atividade, onde fica claro a maior influência de choques, como o de petróleo
e de juros, nas razões por atividade. Concluímos que a realocação nos
países desenvolvidos ocorre no sentido de aumentar a participação no
produto de atividades mais intensivas em capital, e que a razão
capital/produto é crescente na maioria das atividades, principalmente até
meados da década de 80. Contudo, justamente na atividade mais intensiva
neste fator de produção, notamos uma tendência decrescente da razão
capital/produto na maioria dos países. A grande e crescente participação
desta atividade e a queda na sua razão, é um dos motivos observados para
explicar a queda no efeito conteúdo e, conseqüentemente, a diminuição
da tendência crescente na razão capital/produto após meados da década
de 80.
No Brasil, houve uma expressiva variação da razão
capital/produto no período, que dobrou de valor, de 1,5 para 3 da década
de 70 a de 90, aproximando-se do nível observado para a maior parte dos
países desenvolvidos. Sendo a razão capital/produto o inverso da
produtividade de capital, o rápido aumento dessa razão é uma causa
importante na redução do ritmo de crescimento.
Palavras-Chave:
Razão
Capital/Produto, Produtividade do Capital e Crescimento Econômico
I – Introdução
A razão
capital/produto (K/Y), ou seja, o inverso da produtividade do capital,
indica o montante de capital necessário para se gerar uma unidade de
produto interno. Assim, quanto maior for esta razão mais o país tem que
ter em estoque de bens de capital para obter a mesma quantidade de produto. A taxa de
crescimento de um país, dado o nível de investimento, é limitada
por uma função inversa da razão capital/produto. O comportamento desta
razão e dos fatores que o determinam é, portanto, de suma importância
para conhecer a capacidade e as limitações do crescimento de uma economia. Esta importância se acentua, quando
se trata de economias em desenvolvimento, onde, entre os fatores de produção
tradicionais - trabalho, capital e recursos naturais -, o mais escasso é
o capital, que parece ser também o maior limitante ao crescimento econômico.
Portanto, afora os escassos períodos onde o fluxo de capital externo
torna-se abundante como, por exemplo, na década de 70, o crescimento
depende da poupança interna
e esta terá que ser tanto maior quanto maior for a razão
capital/produto.
Segundo Jones
(1999), dos fatos estilizados de Kaldor[2]
pode-se inferir que, nesse contexto, a razão capital/produto é,
aproximadamente, constante. No entanto, de acordo com Foley e Michl
(1999), as produtividades do
capital de seis países (Estados Unidos da América (EUA), França,
Alemanha, Países Baixos, Inglaterra e Japão) têm caído desde 1973. Os
autores ressaltam, ainda, as
estimativas das Extended Penn World Tables, em uma base de dados de
49 países, que demonstram uma tendência do desenvolvimento econômico
a
poupar trabalho e, ao mesmo tempo, diminuir a produtividade do capital.
Esta queda na produtividade seria explicada pelo uso, no desenvolvimento,
de métodos de produção mais intensivos em capital. Logo, os
trabalhadores se tornam mais produtivos, mas o montante de capital com o
qual eles trabalham cresce mais que sua produtividade, de forma que a
produtividade do capital, atualmente, tende a cair.
Tanto a teoria
econômica como os formuladores de política econômica têm dado maior ênfase
à produtividade do trabalho e à produtividade de alguns recursos
naturais, como terra e energia. Foley e Michl (1999) alertam para a negligência
de muitos economistas sobre esta forte (apesar de não uniforme) evidência
de decréscimo da produtividade do capital. Segundo estes autores, a relação
positiva entre capital e produto per capita, ao mostrar que
o crescimento econômico tende a aumentar o estoque de capital ao mesmo
tempo em que o produto cresce, faz com que alguns economistas pensem que
uma função de produção estabelece um comportamento uniforme entre o
estoque de capital e o produto.
Os
dados da International Sectoral Data Base (ISDB) da Organização
de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, 1999) apontam para uma
tendência de aumento na razão capital/produto, a partir dos anos 60,
para a maioria de seus países membros. O mesmo comportamento crescente
foi verificado por Alvim et alii.(1996) para o Brasil. Segundo estes
autores: A razão capital/produto cresceu do valor inicial, na década
de 50, próximo a 1,2 para alcançar cerca de 2,7 no ano de 1992. O
crescimento da razão capital/produto significa que a produção no Brasil
passou a ser mais exigente em aporte de capital. Esta seria uma das
principais causas para a redução do crescimento econômico nas últimas
décadas.
O comportamento
crescente da razão capital/produto para o Brasil é igualmente verificado
por Hofman (1992), Carvalho(1996) e Morandi(2001), sendo que Carvalho (1996) destaca, nos últimos
anos de sua série (primeira metade da década de 90) um arrefecimento da
tendência crescente da série, quando a razão K/Y passaria a ser
constante.
Dentre
as possíveis causas elencadas por Pinheiro e Matesco(1989) para o aumento
da razão capital/produto - “a) aumento no preço relativo dos bens
de investimento; b) crescente importância do capital como fonte de expansão
do produto potencial; c) alterações ocorridas na composição do
investimento; e d) realocação setorial dos investimentos e da produção”
- procuraremos contribuir para a análise da segunda e da quarta causa. A
análise da razão capital/produto por atividade procurará verificar se a
tendência crescente a nível agregado se deve a aumentos da razão em
cada atividade ou em algumas atividades específicas (segunda causa), ou
à realocação do produto por atividade (quarta causa).
Neste
trabalho, analisaremos as séries da razão capital/produto a nível
agregado para os países membros da OCDE e para o Brasil, procurando
verificar se as suas tendências têm uma evolução uniforme. Depois,
utilizando a metodologia descrita no corpo do artigo, tentaremos, por meio
de uma análise por atividade, contribuir para verificar a influência da
variação na razão K/Y por atividade (efeito conteúdo) e da realocação do produto em atividades (efeito estrutura) na variação
da razão K/Y agregada.
Este
trabalho está organizado como se segue. A Seção II descreve a
metodologia a ser adotada. A Seção III discrimina os resultados sobre a
tendência da razão capital/produto por país e para a OCDE. A Seção IV
indica quais os resultados encontrados sobre as razões capital/produto
por atividade. A Seção V analisa os efeitos estrutura e conteúdo
(descritos na Seção II); e, finalmente, a Seção VI apresenta as
principais conclusões.
II
– Descrição da Metodologia
Abaixo
descreveremos, em duas subseções, a metodologia a ser utilizada neste
trabalho. A primeira discrimina os passos a serem seguidos no cálculo da
razão capital/produto para o
Brasil e das razões capital/produto agregada e por atividade para os países
da OCDE. Por falta de dados, não calcularemos as razões por atividade
para o Brasil. A segunda descreve os
efeitos - estrutura e conteúdo - a serem utilizados na análise dos
fatores que afetam a razão K/Y.
II.1 - Cálculo da Razão Capital/Produto
Agregada e por Atividade
O primeiro passo
para determinar a razão capital/produto é calcular o estoque de capital,
e o segundo passo é dividir o estoque pelo produto. O estoque de capital
será estimado pelo mesmo método utilizado pela OCDE, assim como por
diversos autores, tais como Alvim et alii(1996), Hofman(1992) e Morandi(2001). Este método, chamado de “Método de
Investimento Perpétuo”, consiste na soma dos investimentos passados, ainda
em processo de sucatamento, descontada a depreciação gerada por um
desgaste normal, seja ele físico, acidental ou decorrente da obsolescência.
Trabalharemos, portanto, com o estoque de capital “líquido”, ou seja,
com o estoque de capital “bruto” descontado do consumo de capital fixo
– da depreciação.
A
aplicação do método depende do período disponível sobre os dados de
investimento, da função utilizada para calcular o desgaste do
investimento no tempo, bem como da estimativa do desgaste considerado como
normal. Quanto à função
de mortalidade, utilizaremos a função linear com defasagem, seguindo,
novamente, a metodologia da OCDE, a qual, por sua vez, segue de perto as
funções adotadas oficialmente por seus países membros.
Destacamos que
Hofman e Morandi utilizam funções lineares (sem defasagem), enquanto
Alvim et alii utilizam uma função em forma de sino. Nas Figura 1 e
2 a seguir, apresentamos as quatro formas mais usuais de funções de
mortalidade – linear, linear com defasagem, forma de sino e morte súbita
- e suas correspondentes funções de sucatamento para um tempo de vida médio
de 24 anos. Destas quatro formas, segundo o manual da OCDE(1993), duas não
refletem a realidade, a linear e a morte-subita. Na verdade, não parece
plausível que todos os bens de determinado grupo sejam descartados ao
mesmo tempo (função morte súbita), bem como que, em todo o período,
estes bens se desgastem à mesma taxa (função linear), principalmente,
nos primeiros anos de vida, quando espera-se, por definição, que o bem
tenha plena capacidade de agregar valor.
Das duas formas
restantes, linear com defasagem e em forma de sino, ambas pressupõem uma
menor depreciação nos primeiros anos (linear com defasagem – depreciação
zero nos anos de defasagem; e, forma de sino – depreciação aumenta
gradualmente nos primeiros anos). Apesar da forma de sino ser a que mais
se assemelha à realidade, com um menor descarte nos primeiros e nos últimos
anos, a nossa escolha pela depreciação linear com defasagem se justifica
por sua simplicidade e pelo menor número de parâmetros a estimar,
fugindo assem de suposições espúrias. Na função linear com defasagem,
precisa-se dos tempos de vida médio e de defasagem, na função em forma
de sino, do tempo de vida médio e dos parâmetros de descarte, que visam
determinar a curtose e a skewnees – a
velocidade em que se dá a variação gradual dos descartes.
Função de Mortalidade – Linear

Função de Mortalidade - Linear com defasagem
Função
de Mortalidade - Forma de Sino

Função de Mortalidade - Morte Súbita

Figura 2 –
Funções de Mortalidade - Mostra taxa de depreciação no tempo
para um capital com tempo de vida médio de 24 anos para
este tipo de bem (máquinas e equipamentos). É uma função de
densidade probabilística com área igual à unidade.
Função de Sobrevivência – Linear

Função de Sobrevivência - Linear com defasagem

Função
de Sobrevivência - Forma de Sino
Função e Sobrevivência – Morte Súbita
Figura 3
– A função de sobrevivência indica qual a proporção de um
capital que continua agregando valor durante o tempo de vida médio
para este tipo de bem.
A função de mortalidade linear com defasagem gera uma função
de sucatamento nula nos primeiros anos após o investimento (período de
defasagem) e linear crescente nos anos seguintes. A inclinação da reta,
conseqüência do tempo sucatamento médio(h)[3]
dos bens, variará quanto ao tipo de bem, se máquina e equipamento ou se
construção, e quanto à atividade (veja Quadro I).
Supondo o número de anos de defasagem igual a cinco, m=5, ou seja,
sendo a capacidade de agregar valor do capital inalterada durante os
primeiros cinco anos, teremos uma função de sucatamento linear crescente
com o tempo, que começa no ano m+1 e termina no período final da vida média
(v) do bem (veja Figura III).
A função de sucatamento de um investimento no tempo é representada
por dx, onde x é a diferença entre o ano t e m, ou seja, é a quantidade
de anos em que a depreciação deve incidir[4],
e d é a taxa de depreciação adicional[5]
determinada pelo inverso do tempo de sucatamento médio (d=1/h). Logo, a
depreciação acumulada é igual a zero no ano m, igual a d no ano m+1,
igual a 2d no ano m+2, e assim por diante, até que no ano (h+m) [6]
ela seja igual a hd e, conseqüentemente, igual a um.
Figura
III - Representação,
semelhante à utilizada pela OCDE (1999) [7],
da função de mortalidade (dx), mostrando a depreciação acumulada ano a
ano, com m = 5, v = 24, e, conseqüentemente,
h = 19 = v-m; bem como de
sua imagem (1-dx), que nos dá o capital ainda não sucatado, ou seja,
a sobrevivência do capital .
Calcularemos, portanto, o estoque de capital para cada ano,
subtraindo da soma dos investimentos[8],
ainda em processo de sucatamento, a depreciação correspondente a sua
idade, ou seja, somaremos os investimentos sobreviventes:
(1)
O capital em t+1 é dado pela soma dos investimentos anteriores, ainda
em processo de sucateamento,
menos a depreciação destes investimentos, conforme o sucateamento[9]
de cada um. O número de anos em que a depreciação deve incidir (x=
t-m-r)
é dada pela diferença entre o ano anterior (t), o tempo de defasagem (m)
e a data em que foi realizado o investimento (r), enquanto que a taxa de
depreciação para cada investimento é calculada multiplicando-se a taxa
de depreciação adicional (d) por x. Salientamos que, como m=5, x corresponde à idade do bem de capital menos cinco.
Cabe ressaltar,
que não existem dados oficiais sobre o estoque de capital para o Brasil,
enquanto que, para os países membros da OCDE, eles estão disponíveis.
Esta organização fornece o estoque de capital agregado e por atividade,
obtido, na maioria dos casos, dos sistemas nacionais de cada país, e caso as séries
não sejam comparáveis, pela soma dos investimentos passados
depreciados segundo taxas de depreciação distintas para cada atividade e
para cada país. O guia do usuário da International Sectorial Database
(ISDB) da OCDE esclarece que as taxas de sucateamento
utilizadas pelas diversas autoridades nacionais diferem enormemente.
Segundo o Guia: Esta diferença deve-se muito mais a métodos distintos
de estimativa do que a diferenças fundamentais na natureza dos bens de
capital ou na sua utilização. Como exemplo, podemos citar o tempo de
sucateamento médio das construções, que é tomado como 42 anos
na Finlândia e 70 anos na Suécia.
A OCDE comparou
os cálculos dos estoques de capital, utilizando o tempo de sucateamento médio(h)
segundo as estimativas[10]
de cada país e segundo a média destas estimativas, concluindo que os
resultados são significativamente distintos no que concerne ao nível do
estoque, mas relativamente semelhantes quando se comparam as tendências
da razão K/Y. Esta instituição conclui, que, em geral, as razões K/Y,
usando a média de h por atividade, tendem a ser mais similares
entre seus países membros do que seria esperado, sem, contudo, explicar o
porquê desta esperada disparidade entre as razões. Parece-nos que seria
mais fácil justificar uma maior similaridade das razões pela existência
de semelhanças entre os países considerados, entre o tipo de bens
produzidos, inclusive no que tange ao nível tecnológico que, com a
abertura comercial, tem se disseminado com maior facilidade e rapidez, do
que encontrar razões que expliquem divergências tão grandes nos tempos
de sucateamento entre países.
Tendo
em mente o exposto acima e levando em consideração que pretendemos
comparar os resultados, entre países, da razão K/Y agregada e por
atividade, optamos por recalcular o estoque de capital utilizando a média,
para os diversos países, de h por atividade. Estas médias estão
disponíveis na base de dados da ISDB e apresentadas no Quadro I – Tempo de
Sucateamento Médio[11]
por Atividade e por Tipo de Bem, abaixo. O critério de
classificação utiliza o primeiro nível de desagregação por atividade
da OCDE[12]
e comporta nove atividades industriais, duas atividades de serviços não-mercantis
e o total. Portanto, temos onze atividades e o total que, por sua vez, são
subdivididos por tipo de bens em: máquinas e equipamentos (M&EQP); e,
bens de construção(CONST).
Quadro I – Tempo de Sucateamento Médio (h)
por Atividade e por Tipo de
Bem

Nota:
a
Como o h da atividade SAP
para todos os países não é fornecido pela ISDB, pressupomos como sendo
a média de h desta atividade para os países onde elas são
conhecidas.
b
Como h OUT não é fornecido pela ISDB, pressupomos igual a h do TOT. Na realidade, somente a Finlândia possui dados completos sobre
esta atividade.
a) obteremos a taxa de depreciação adicional
(d=1/h) para cada uma das atividades (a) e por tipo de bem
(i) como o inverso do tempo de sucateamento médio (h), conforme Quadro I;
Þ

onde:
fração de máquinas e equipamentos na atividade 1
tempo de
sucateamento médio
de máquinas e equipamentos na atividade 1
tempo de
sucateamento médio
de bens de construção na atividade 1
tempo de sucateamento médio total da atividade
Esta estimativa
desconsidera a variação entre a f
e (1-f)
durante o período
considerado, pois é calculada
com base nos tempos de sucateamento
fornecidos que não variam no tempo. Este procedimento não será necessário para o Brasil, tendo em vista
que a série de investimento (FBKF[20])) divulgada nas Contas Nacionais (CN) pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) disponibiliza a
porção de investimento por tipo de bem para o período de 1947 a 1999.
e) estimaremos o estoque de capital para cada
ano (Equação I), com base no investimento por atividade e por
tipo de bem e da sua respectiva taxa de depreciação determinada no item
a). Lembramos que o estoque de capital por atividade, é obtido somando o
estoque de capital para máquinas e equipamentos e para bens de construção
em cada atividade.
f)
calcularemos a porcentagem do PIB para cada atividade em valores correntes
e multiplicaremos pelo PIB total(a preços de 1990), achando o PIB por
atividade (a preços de 1990), da mesma forma utilizada para calcular o
investimento por atividade(a preços de 1990), no item b) e c);
e,
g)
por fim, estimaremos a razão K/Y por atividade, dividindo o estoque de
cada atividade (a preços de 1990), item e), pelo seu PIB (a preços
de 1990), item f) e a razão K/Y agregada, que corresponde à soma
dos estoques por atividade dividida pela soma dos PIB por atividade. Para
o Brasil, a única razão calculada é a total, que é a soma dos estoques
estimados para máquinas e equipamentos e para bens de construção,
dividida pelo PIB (a preços de1990).
II.2
- Cálculo do Efeito Conteúdo e Estrutura
Na Seção
IV, será examinada a variação da razão capital/produto por país,
analisando o peso das mudanças de estrutura e de conteúdo,
conforme descrição e procedimento abaixo
explicitados.
Uma alteração
no comportamento da razão K/Y pode ser dividida em dois efeitos: a) o
efeito "estrutura", que se deve à re-alocação de recursos
entre atividades, modificando a razão K/Y total ao concentrar o produto
em atividades com níveis de intensidade de capital diferentes; e, b) o efeito "conteúdo",
resultado da evolução da razão capital/produto em cada atividade.
Logo,
partindo de:

onde:
Kat = estoque
capital da atividade a no período
t
podemos
escrever a razão capital/produto agregada como a média ponderada das razões
capital/produto por atividade, sendo os pesos dados pela participação de
cada atividade no produto total.

Fazendo:
va = Kat
/ Yat = razão capital/produto da atividade
a no período t
ea = Yat /
Yt =
participação do produto da atividade a no produto total
temos:
(2)
Calculando
a variação de cada termo, temos:

Como
encontramos:

A expressão acima permite,
finalmente, decompor a variação da razão agregada capital/produto em três
partes:

Esta metodologia
nos permitirá verificar a contribuição da variação das razões K/Y
por atividade e da re-alocação de recursos na determinação do
comportamento da razão K/Y agregada. Poderemos então verificar, por
exemplo, se a intensidade e a evolução do capital para cada atividade,
confirmam ou não a hipótese de que o desenvolvimento poupa trabalho e
intensifica a necessidade de capital.
Cabe
mencionar que os efeitos estrutura e conteúdo serão calculados sobre as
séries v e
e ajustadas por um processo
de média móvel centrada em
cinco anos. A equação, abaixo, exemplifica este procedimento para v,
onde a razão capital/produto no ano t (vt) é igual à média das razões no período que compreende dois anos
antes de t e dois anos posteriores a t .

O
ajuste tornou-se necessário para suavizar, na série originalmente
calculada, as variações conjunturais decorrentes por exemplo de retrações
e expansões do produto ao longo de sua tendência.
III – Razão Capital/Produto no Brasil e
nos Países da OCDE
Analisamos
as razões K/Y de doze países, cujos dados são disponibilizados pela
International Sectorial Data Base (ISDB) [21]
da OCDE: Austrália, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos da América,
Finlândia, França, Inglaterra, Itália, Japão, Noruega e Suécia. Cabe
mencionar que a ISDB excluiu alguns países, como a Espanha e a Áustria,
por falta de uma base de dados detalhada para eles.
Conforme
proposta acima apresentada para este estudo, calculamos a razão
capital/produto para a economia como um todo no Brasil. Como exercício,
bem como para melhor visualização do comportamento médio ponderado,
determinamos as razões K/Y da OCDE como sendo a soma (após a conversão
das séries para uma mesma moeda[22])
dos estoques de capital de cada país dividida pela soma de seus
respectivos produtos[23].
Estimamos,
portanto, a razão capital/produto agregada e a razão K/Y do total (TOT)
para cada país. As duas séries diferem na forma de cálculo: a razão
agregada, por ser resultado da soma dos estoques de capital por atividade
dividida pela soma dos produtos por atividade, usa diferentes tempos de
sucateamento médio por atividade; enquanto a razão do total por advir da
divisão do estoque do capital total dividido pelo produto total, usa
apenas o tempo de sucateamento médio do total.
As razões K/Y
agregada e do total são similares em nível, na tendência e nos ciclos,
por isto optamos por apresentar, abaixo, a razão K/Y do total (TOT), bem
como tendência logarítmica ajustada a essa última.











Esta
convergência poderia ser explicada pela disseminação tecnológica, função
direta da abertura comercial, que aumenta o acesso a tecnologias
intensivas em capital geradas em países onde este fator é abundante - países
desenvolvidos. Particularmente para os países da OCDE, com a formação
de blocos regionais, a convergência poderia ocorrer por causa do aumento
na semelhança existente entre estas economias e, conseqüentemente, sobre
a pauta de bens e serviços produzidos.
Notamos
que a maioria (dez) dos países analisados tinha uma razão K/Y entre 2,5
e 3,5 em 1996, destacando-se a Noruega e a Itália por apresentarem razões
entre 3,5 e 4 e os EUA por terem razões abaixo de 2,5. Observamos, ainda,
uma retração na inclinação da razão K/Y, na maioria dos países, na década
de 80, acentuada no final da primeira metade da década de 90. A maior
queda razão após a recessão de 1992, coincidi, com um período de
aceleração do crescimento do produto na economia como um todo.
Conforme
mencionado anteriormente, no Brasil, podemos verificar uma tendência
fortemente crescente da razão K/Y. Este comportamento ascendente
apresenta, contudo, períodos de estagnação. A primeira queda no
crescimento da razão, quando esta permanece praticamente constante,
acontece no período após golpe militar, até a primeira crise do petróleo. De
1974 a 1982, a tendência da razão volta a ser fortemente crescente,
sofrendo nova quebra, no período posterior ao choque de juros, quando
chega a cair. Retorna novamente a se elevar em 1987 até que, no início
da década de 90, época de retração mundial, ela volta a ter um
comportamento constante, retornando a crescer após meados da década de
90.
Quanto à razão K/Y na OCDE, seu comportamento confirma a tendência
crescente da razão K/Y, bem como o arrefecimento desta tendência a
partir da década de 80. Como a razão nos EUA (com nível e tendência
crescente, relativamente, inferiores aos da maioria dos países) tem um
maior peso (aproximadamente 40%) no cálculo da razão K/Y na OCDE,
notamos, conseqüentemente, que o nível da razão na OCDE é menor que a
média aritmética e semelhante
à média ponderada (veja Quadro II).
IV
– Razão Capital/Produto por Atividade
No Quadro II a seguir, mostramos, para os anos de
1970 e 1994[24],
a média[25]
aritmética das razões K/Y por atividade, os desvios padrões da
razão em cada país em torno da média aritmética por atividade, a média
ponderada pela participação das atividades no produto da OCDE, e, ainda,
as variações percentuais das médias entre estes dois anos.
Apresentamos as atividades por ordem decrescente da média aritmética
das razões K/Y em 1970, afora as razões do total e agregada que
colocamos nas duas últimas colunas. Notamos que as variáveis com as
maiores médias nesse ano: eletricidade, gás e água (EGA), instituições
financeiras e de seguro, negócios imobiliários e serviços prestados às
empresas (INF) e serviços
da administração pública não-mercantis (SAP); foram justamente
as que apresentaram as menores variações. Duas delas EGA e INF foram as
únicas que diminuíram
no tempo.
Quadro II – Médias das Razões Capital/Produto
por Atividade
|
|
eletricidade,
gás e água (EGA)
|
Insti
tuições
financeiras e de seguro, negócios imobiliários e serviços
prestados às empresas
(INF)
|
serviços
da administração pública não- mercantis (SAP)
|
transporte,
armazenamento e comunicação (TAC)
|
indústria
extrativa mineral (MIN)
|
agricultura,
caça, silvicultura e pesca
(AGR)
|
|
|
7,2
|
5,3
|
3,8
|
3,3
|
2,7
|
2,6
|
|
M.Aritmética(1994)
|
6,9
|
4,5
|
3,9
|
4,0
|
4,5
|
4,7
|
|
Variação
|
-4%
|
-14%
|
3%
|
21%
|
70%
|
83%
|
|
|
3,6
|
1,0
|
2,1
|
0,9
|
1,5
|
0,9
|
|
|
1,9
|
1,1
|
2,6
|
0,8
|
1,9
|
1,3
|
|
|
5,4
|
4,3
|
3,1
|
2,9
|
3,6
|
2,5
|
|
M.Ponderada
(1994)
|
5,7
|
3,7
|
3,8
|
3,6
|
6,1
|
5,0
|
|
|
6%
|
-14%
|
23%
|
26%
|
70%
|
103%
|
|
|
manufatura
(MAN)
|
serviços
fornecidos à coletividade, serviços sociais e serviços prestados às
pessoas
(SSO)
|
Comércio de
atacado e varejo, restaurantes e hotéis
(CRH)
|
construção
(CST)
|
total
(TET)
|
agregada
|
|
|
1,7
|
1,7
|
1,2
|
0,6
|
2,7
|
2,6
|
|
M.Aritmética(1994)
|
2,4
|
1,9
|
1,6
|
1,0
|
3,2
|
3,1
|
|
Variação
|
41%
|
17%
|
38%
|
70%
|
20%
|
20%
|
|
|
0,3
|
1,0
|
0,5
|
0,2
|
0,5
|
0,5
|
|
|
0,5
|
1,0
|
0,6
|
0,4
|
0,4
|
0,4
|
|
|
1,5
|
0,8
|
0,8
|
0,6
|
2,3
|
2,3
|
|
M.Ponderada (1994)
|
2,3
|
1,2
|
1,0
|
0,9
|
2,8
|
2,8
|
|
|
50%
|
50%
|
31%
|
45%
|
21%
|
21%
|
As médias das razões K/Y com maior
crescimento foram, em ordem decrescente, as das atividades: agricultura,
caça, silvicultura e pesca (AGR), indústria
extrativa mineral (MIN) e construção (CST). Esta última atividade é a que apresenta menor média, ponderada e
aritmética. Analisando o desvio padrão das razões por atividade para
cada país em torno da média, as razões com maior desvio foram as das atividades:
indústria
extrativa mineral (MIN), eletricidade,
gás e água (EGA) e serviços
da administração pública não-mercantis (SAP).
O
alto desvio da razão na atividade SAP pode ser explicado pelas séries da
Austrália e do Japão. Em 1970, a Austrália se sobressai, pelo elevado nível da razão, 9,7, para uma média
aritmética de 3,8, enquanto que, em 1994, são dois os países com o nível
muito acima da média de 3,9, Austrália e o Japão, ambos com razões de
9,4. Cabe enfatizar aqui que o valor elevado da razão na Austrália se
deve ao fato desta atividade, diferentemente do que ocorre nos outros países,
só incorporar serviços da administração pública e de defesa, não
incluindo por exemplo saúde, educação, cultura e outros.
As razões capital/produto por atividade apresentam níveis e tendências
díspares entre os países. No entanto, podemos verificar algumas características
semelhantes, como por exemplo, as tendências das razões referentes à
agricultura, caça, silvicultura e pesca (AGR), manufatura (MAN), construção
(CST) e comércio de atacado e varejo, restaurantes e hotéis (CRH) que são
crescentes em quase todos os países.
Particularmente, na
AGR, onde a tendência ascendente é mais acentuada,
distinguimos, no final do período, o nível elevado da razão em dois países,
Itália e Japão. Na CST, três países
se destacam por terem razões elevadas a Dinamarca, a França, a Itália e
temos, em quase todos os países, um ciclo positivo que se inicia no começo
da década de 80, coincidentemente, com o aumento da taxa de juros e se
reverte em meados da década de 80, quando da queda da taxa de juros. Na
atividade CRH, destacamos o
alto nível da razão na Finlândia e na Noruega. Nos gráficos abaixo,
confirmamos a tendência ao crescimento da razão nas atividades AGR, MAN,
CST e CRH na OCDE.
Razão
Capital/Produto por Atividade na OCDE


Conforme
visto anteriormente, a razão K/Y na indústria extrativa mineral (MIN)
tem grandes variações positivas e grande dispersão entre os países. A
tendência crescente desta série não é comportada, destacamos, como
característica da maioria dos países, a elevação acima da tendência
da razão em meados da década de 80 e uma queda nos últimos anos.
Ressaltamos também grandes ciclos do início da década de 70 ao início
da de 80 (Dinamarca, Suécia e Inglaterra - ciclos positivos, e Austrália
e Noruega - ciclos negativos). A razão para a França é, singularmente,
baixa.
Como esta
atividade inclui a extração de petróleo, os dados parecem indicar que
os choques de petróleo, 1973 e 1979, causaram uma alteração no
comportamento normal das razões em alguns países. É interessante
observar ainda, quando da queda do preço de petróleo em 1986, a razão
parece ter aumentado em vários países, em conseqüência da queda do
valor do produto desta atividade (denominador da razão capital/produto).
É bom lembrar que trabalhamos com a participação das atividades no
produto e no investimento a preços correntes.
A série
da razão K/Y na atividade MIN na OCDE segue de perto o comportamento da série
nos EUA, uma vez que o peso do estoque de capital e do produto desse país
em relação ao conjunto dos países analisados[27]
é enorme, maior que 48%.
As atividades
instituições financeiras e de seguro, negócios imobiliários e serviços
prestados às empresas (INF) e eletricidade, gás e água (EGA) têm razões
K/Y com tendência não crescente. Na EGA, destacamos a tendência
decrescente da Inglaterra, Noruega e Suécia, e como exceção o
comportamento crescente do Japão e da Dinamarca. Na INF, salientamos a
existência de um ciclo positivo na maioria dos países da metade da década
de 70 à metade da década de 80, quando da queda dos juros em 1986. O
comportamento da razão na OCDE é semelhante para a atividade INF e
praticamente constante para a atividade EGA, onde as tendências
crescentes (no Japão e na Noruega) contribuíram para diminuir o peso do
comportamento declinante mais acentuado nos países acima mencionados.
Nas séries da
razão K/Y da atividade transporte, armazenamento e comunicação (TAC), o
comportamento, para a maioria dos países, é crescente, com ciclo
positivo acima da tendência pós choque de petróleo até meados da década
de 80, tornando-se praticamente constante no restante do período.
Ressaltamos a tendência decrescente na Finlândia. A série na OCDE segue
o comportamento da maioria dos países nesta atividade.
Por
outro lado, as atividades serviços fornecidos à coletividade, serviços
sociais e serviços prestados às pessoas (SSO) não têm razão com tendência
definida. Destacamos o comportamento crescente da razão na Dinamarca e no
Japão, decrescente na Finlândia, no Canadá e nos EUA, e crescente até
1987 e decrescente até o final do período na Inglaterra. Conforme
mencionado anteriormente (nota de rodapé 15), esta atividade, na Bélgica
e na Itália, incorpora a atividade INF, mais especificadamente os negócios
imobiliários e serviços prestados às empresas, que correspondem a
noventa porcento do capital investido em INF. Como a maior razão
capital/produto e a maior
participação no produto (veja Quadro III na Seção V) é
justamente da atividade INF, esta altera significantemente a razão e o
comportamento da atividade SSO nestes países, por isto o comportamento
crescente da razão na OCDE foi calculado retirando a Bélgica e a Itália.
Finalmente,
o comportamento da razão na atividade serviços da administração pública
não-mercantis (SAP) é decrescente na maioria dos países, excetuando a
França e o Japão, onde tem tendência com inclinação positiva.
Lembramos que nesta atividade o nível é elevado em relação à média
na Austrália e no Japão.
V – Efeito Estrutura e Conteúdo por Atividade
Os gráficos abaixo representam os efeitos estrutura e conteúdo e o resíduo,
acumulados ano a ano, e a variação da razão K/Y (soma dos dois efeitos
e do resíduo):









O efeito estrutura acumulado é positivo em nove países
(Austrália, Bélgica, Canadá, Dinamarca, EUA, Finlândia, França, Itália
e Suécia) e oscila entre positivo e negativo em três (Inglaterra, Japão
e Noruega). O efeito conteúdo acumulado é positivo em nove países e
oscilante em três (Dinamarca, Noruega e Suécia), a tendência positiva
do efeito conteúdo, contudo, torna-se negativa após início da década
de 80 com pequeno ciclo positivo no início da década de 90 na maioria
dos países.
Na OCDE, como um todo, notamos que os dois efeitos acumulados são positivos,
crescentes até 1984, e após esta data praticamente constantes (o efeito
estrutura com pequena inclinação decrescente, e o efeito conteúdo
oscilando entre decrescente e crescente). A variação da razão K/Y é
crescente até meados dos anos 80, quando sua inclinação positiva cai,
chegando a ficar negativa e depois voltar a crescer no final da década de
80, mantendo-se a partir do início da década de 90 até o final do período
praticamente constante. Estes movimentos na variação da razão K/Y,
seguem de perto o efeito conteúdo acumulado, o qual tem um peso maior que
o efeito estrutura.
Como
os efeitos, acumulados, estrutura e conteúdo são positivos na maioria
dos países e na OCDE, no geral, o comportamento crescente da razão
capital/produto é determinado pela combinação da re-alocação do
produto em atividades mais intensivas em capital e pelo aumento da razão
K/Y em algumas atividades. Para uma análise mais detalhada destes efeitos
apresentamos, no Quadro III abaixo, a participação do produto de
cada atividade[28]
no PIB e o peso da razão de cada atividade, ponderada por sua participação
no produto, na razão K/Y total.
|
|
eletricidade,
gás e água (EGA)
|
Instituições
financeiras e de seguro, negócios imobiliários e serviços
prestados às empresas
(INF)
|
serviços
da administração pública não-mercantis (SAP)
|
transporte,
armazenamento e comunicação (TAC)
|
indústria
extrativa mineral (MIN)
|
agricultura,
caça, silvicultura e pesca
(AGR)
|
|
M.Aritmética(1970)
|
7,2
|
5,3
|
3,8
|
3,3
|
2,7
|
2,6
|
|
M.Aritmética(1994)
|
6,9 | |