Economia & Energia
No 26 - Maio- Junho 2001   ISSN 1518-2932

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e&e No 26

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A Crise de Energia Elétrica - Causas e Soluções

Minimizando os Efeitos Negativos do Racionamento de Energia Elétrica

Valor Agregado por Setor e o Consumo de Eletricidade

Como lidar com o "Ano Seguinte"

Como Fica sua Conta de Luz Residencial

A Exportação de Produtos Intensivos em Eletricidade 

Informações Relevantes sobre o racionamento

O FENÔMENO ENERGÉTICO 
ou Salvem Nossos Netos

Efeito estufa e Consumo de Combustíveis

Dívida  Pública e Reservas do Brasil

Estaremos trabalhando nesta página durante a crise  (enquanto houver energia)

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Infome Político e Econômico no Brasil (em espanhol)


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Minimizando os Efeitos Negativos do Racionamento de Energia Elétrica:

Valor Agregado por Setor e o Consumo de Eletricidade

Carlos Feu Alvim
feu@ecen.com

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Introdução

Para gerar um US$ de produto gasta-se, no Brasil, cerca de 0,50 kWh de eletricidade. Algumas indústrias, como a de ferroligas, usam cerca de 10 Kwh para agregar um US$ ao PIB. Em serviços gasta-se apenas 0,20 kwh para gerar um US$ de produto.

Quando o produto se insere em uma longa cadeia de produção a interrupção de sua fabricação pode gerar perdas em atividades anteriores (à montante) e posteriores  ao produto (à jusante) na sua cadeia de produção. Nossa primeira análise se dirige a exportação de produtos semiacabados com poucos produtos à montante e praticamente nenhum à jusante.

Mostra-se que a interrupção de exportações ou a substituição da produção local é uma maneira de minimizar os impactos negativos do racionamento na geração do produto e da arrecadação. Em uma análise preliminar, a redução de postos de trabalho também não parece significativa.

Algumas Considerações sobre o Racionamento

A distribuição do consumo de eletricidade não é uniforme por habitante, nem por valor agregado em cada setor.

Uma política racional de restrição no uso de energia elétrica deve atingir o mínimo de pessoas e causar o menor impacto na produção, nas contas do Governo e na balança comercial.

O racionamento e uma campanha de racionalização do uso da eletricidade devem ser orientados para os setores onde a redução do consumo ofereça menor impacto social e econômico.

Os cortes lineares ou, pior ainda, a interrupção do abastecimento significam a renúncia a qualquer critério e a falência de coordenação na área.

Deve-se também lembrar que o aumento esperado do PIB para 2001, em particular do produto industrial, é que está gerando o aumento esperado da demanda. A pior maneira de resolver o problema é gerando uma recessão.

Valor Agregado ao PIB e Energia Elétrica Consumida do Setor

A Tabela 1, a seguir, mostra o valor agregado por Setor Econômico comparado ao consumo de Energia Elétrica no Setor (dados para 1999) (dólares de US$94).

Tabela 1:

Setor

Bilhões
de Kwh/ano
Bilhões
de US$/ano
Kwh/US$
T O T A L

314,7

606,1

0,52

RESIDENCIAL

81,3

-----

-----

SERVIÇOS

72,5

345,6

0,21

COMERCIO E OUTROS

71,3

324,8

0,22

TRANSPORTE

1,2

20,8

0,06

INDÚSTRIA

138,5

190,6

0,73

AGROPECUÁRIA

12,4

47,8

0,27

ENERGÉTICO

10,0

14,5

0,69

Figura 1

Na Figura 2 , representamos o consumo de energia por valor agregado nos diversos setores.

De modo geral, gasta-se 0,52 Kwh para gerar um dólar na economia brasileira.

Figura 2

Ou seja, para gerar um dólar no setor industrial ou energético gasta-se mais de três vezes mais energia que no setor serviços e quase três vezes mais que no agropecuário.(1)

(1) Os primeiros cortes programados no Setor Produtivo atingem diretamente alguns serviços. Suprimir uma festa junina no Nordeste parece uma medida óbvia do ponto de vista de que é uma atividade supérflua. No entanto, do ponto de vista do  impacto econômico na região, pode não ser a melhor opção econômica e social para economizar energia elétrica.

Valor Agregado por kWh no Setor Industrial

No Setor Industrial também a distribuição não é uniforme, já que existem setores mais intensivos no uso da energia elétrica. A Tabela 3 mostra (para 1998) a distribuição dos valores agregados por ramo industrial e a razão kWh de energia elétrica por valor agregado.

Tabela 2: Energia Elétrica, valor agregado e intensidade de uso

Energia Elétrica

Valor Agregado ao PIB

Intensidade de Uso de Eletricidade

Bilhões
de Kwh/ano de KWh

Bilhões
de US$/ano

Kwh/US$

INDUSTRIA

136,4

183,6

0,74

EXTRATIVA MINERAL

7,2

2,3

3,15

TRANSFORMAÇÃO

129,2

181,3

0,71

NAO-METÁLICOS

7,2

8,2

0,88

METALURGIA

47,0

18986

2,47

FERRO GUSA E AÇO

13,9

6,0

2,33

FERROLIGAS

5,3

0,5

10,25

NÃO FERROSOS/ OUTROS DA MET.

27,7

12,5

2,22

QUÍMICA

15,9

17,8

0,89

ALIMENTOS E BEBIDAS

15,1

22.2

0,68

TÊXTIL

6,1

10,2

0,60

PAPEL E PAPELÃO

10,9

6,7

1,64

OUTROS

26,9

97,2

0,28

ENERGÉTICO

9,6

14,3

0,67

Figura 3:

Como pode-se observar, para agregar valor de um dólar no setor ferroligas são necessários cerca de 10 kWh. Na indústria extrativa mineral cerca de 3 kWh e nos não ferrosos e outros da metalurgia são necessários mais de 10 kWh.

Obviamente, um corte seletivo de energia elétrica atingiria muito menos a geração de produto (e de arrecadação) que um corte indiscriminado. A questão, em boa parte dos casos, não é tão simples já que esses produtos fazem parte da cadeia de produção. No entanto, eles estão, muitas vezes, disponíveis no mercado internacional e sua importação pode ser, no médio prazo, uma maneira de não desorganizar a produção nacional.

 Exportação de Energia Elétrica Contida em Produtos

Os eletrointensivos têm importante participação nas exportações brasileiras. Nesse caso, trata-se de produtos no final da linha de produção nacional e o prejuízo gerado pode ser avaliado pelo impacto na exportação e no valor agregado ao PIB. Obviamente existem problemas com compromissos comerciais que não podem ser ignorados.

A e&e está realizando estudos sobre alguns produtos na pauta de exportações brasileiras nos anos de 1999 e 2000 que poderiam ser objeto de restrições sem que haja rompimento da cadeia de produção interna.

Preliminarmente, podemos verificar que somente dois produtos em nossa pauta de exportações representam as seguintes quantidades e valores (média 1999-2000):

Tabela 3:

Produto Quantidade (1000 t) Valor
10^6US$
Conteúdo de eletricidade MWh/t Consumo de Eletricidade
TWh/ano
Alumínio Bruto 637 905 15 9,6
Ferroligas 341 432 7,2 2,6
Total Brasil 1337 (1,9%) 12,2 
(3,8%)

Média (1999 e 2000)

O impacto da supressão das exportações dos dois produtos na balança comercial foi estimado em1,4 bilhões de dólares anuais que representam 1,9% das exportações e menos de 0,2% do PIB. Se praticado durante 4 meses esses valores seriam divididos por 3, representando uma redução de 4,1 TWh/ano no consumo industrial que representa cerca de 10% do consumo industrial na região. 

Existe também a hipótese de importar esses ou outros insumos do exterior. Nesse caso poderia se alcançar reduções maiores. No caso do Nordeste a produção de soda consome 15% da energia elétrica usada na indústria ou quase 70% do racionamento industrial previsto para a região.

Conclusão

O racionamento seletivo na indústria e em outros setores da economia é a maneira de minimizar os efeitos negativos sobre o PIB, a arrecadação e o desemprego. Quando essa restrição se faz às exportações assegura-se que não existirá o efeito em cascata interno causado pela interdependência dos setores. Isto é sobretudo válido para produtos primários e semimanufaturados, onde a cadeia anterior ao produto final é curta. Importação de eletrointensivos, em substituição aos produzidos para consumo interno também é uma maneira inteligente de importar energia elétrica contida.

Graphic Edition/Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a

Revised/Revisado:
Sunday, 28 August 2005
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