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Economia & Energia
No 26 - Maio- Junho 2001   ISSN 1518-2932

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e&e No 26

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A Crise de Energia Elétrica - Causas e Soluções

Minimizando os Efeitos Negativos do Racionamento de Energia Elétrica

Valor Agregado por Setor e o Consumo de Eletricidade

Como lidar com o "Ano Seguinte"

Como Fica sua Conta de Luz Residencial

A Exportação de Produtos Intensivos em Eletricidade 

Informações Relevantes sobre o racionamento

O FENÔMENO ENERGÉTICO 
ou Salvem Nossos Netos

Efeito estufa e Consumo de Combustíveis

Dívida  Pública e Reservas do Brasil

Estaremos trabalhando nesta página durante a crise  (enquanto houver energia)

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Infome Político e Econômico no Brasil (em espanhol)


Livro de Visitas

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O FENÔMENO ENERGÉTICO
ou
Salvem Nossos Netos

 Genserico Encarnação Jr
genserico@ecen.com

Energia é a força vital do ser humano e da humanidade. Daí a abrangência dos termos energia e energético, que engloba além do seu significado básico, também o de dinamismo,  firmeza, vigor, força moral e física, etc.

Com a utilização comercial e em larga escala do carvão mineral, petróleo, gás natural e das energias hidráulica e nuclear, o mundo testemunhou a sua fase mais intensa de desenvolvimento econômico. A revolução industrial e dos transportes, como de resto dos outros setores foram deflagradas e aceleradas com o concurso dessas relativamente recentes formas de energia. Recentes, bem entendido, no sentido histórico.  Sem os cuidados com a precisão podemos situar o advento do carvão no século XVIII, o petróleo e o gás no século XIX  e a energia nuclear no século XX.

Entramos no século XXI sem a perspectiva de uma nova fonte energética que seja técnica, econômica e ambientalmente viável de utilização universal. É a razão porque nossas previsões de meio século atrás não se concretizaram, tais como as viagens interplanetárias e os veículos pessoais voadores, como exemplos.

Por maiores que tenham sido os progressos nos campos da ciência e tecnologia, notadamente nos  setores da telemática e das comunicações de uma maneira geral, as fontes energéticas mais difundidas continuam as tradicionais. Frutos da mineração pesada de material orgânico em decomposição desde remotas eras ou de grandes projetos para a dominação e aproveitamento dos  cursos d’água. Fontes não condizentes com o requinte do estágio atual tecnológico, o que justificaria o apodo de fontes “jurássicas”.

 A inexistência de uma fonte energética que as substituísse impediu a realização daquelas previsões. Flash Gordon ainda não saiu de todo das histórias em quadrinhos. Kubrick viu seu “2001, Uma Odisséia no Espaço” transformar-se numa odisséia no tempo; a realização total de suas previsões, homericamente, ficou para as calendas gregas.

  Possivelmente a indústria de energia implantada hoje em dia, especialmente a do petróleo, com o seu poderio internacional, esteja impedindo o aparecimento dessa nova fonte.

  Neste inicio de século estamos testemunhando a mais rica nação do mundo, sede das principais empresas multinacionais do petróleo, vivenciar uma crise no seu Estado mais desenvolvido e às voltas com a implementação de um audacioso programa energético nacional para ofertar mais energia ao apetite voraz de sua economia. Para tal, conta com um presidente proveniente das hostes petroleiras.

  Por nosso lado, o Brasil está mergulhado na mais grave crise energética da sua história, irônica ou tragicamente, numa sociedade com parcos índices de consumo energético per-capita, onde milhões de pessoas não contam com energia elétrica em seus lares. Deixou-se relegada à sorte (ou ao azar) o que deveria ser alvo de um planejamento sério.

Quais as reflexões mais adequadas para este momento? Quero me permitir fazer algumas que destoam do quadro das recomendações, decisões e ações que fervilham nesta oportunidade. Pois observo que, cada crise gerada pelo modelo energético dominante gera novos planos dentro do mesmo critério. Um círculo vicioso centrífugo dinâmico que a cada volta aumenta seu raio (no sentido lato deste último termo). Há necessidade de quebrar esse processo.

Não vou me ater a analisar o que se passou ou sugerir esta ou aquela linha de aumento de oferta, racionalização do consumo, preservação ambiental, economicidade, etc. Já atuei à (minha) exaustão neste campo. Gente mais competente e com mais “energia” está empenhada neste importante mister.

  Fala doravante não mais o técnico, mas alguém com pretensões de tratar o assunto de maneira mais para o filosófico e até mesmo para o artístico. Vou especular da necessidade de uma drástica mudança na senda energética do mundo para a salvação do planeta, assim mesmo, sem inibição, com todas as letras e toda a paranóia. O livro Ponto de Mutação, de Fritjof Capra, deve ter aguçado minha sensibilidade nesta direção, quando ele até considera que as visões místicas podem, em alguns casos,  estar na vanguarda do pensamento humano, a serem confirmadas posteriormente pela ciência. Eu, que tenho grandes reservas com relação ao misticismo e principalmente à religiosidade no sentido de explicar e prever os acontecimentos, como já disse, prefiro as especulações filosóficas ou artísticas. Elas têm mais graus de liberdade, são mais soltas, inventivas, criativas, sem as peias técnicas e menos sujeitas aos delírios metafísicos.

  Não me aterei também ao curto prazo, quando os programas energéticos nacionais podem ter a sua necessária validade. Quero me perder em considerações mais estratégicas de longo prazo.

Que será do ano 2050, quando provavelmente os hidrocarbonetos estarão se exaurindo, as grandes reservas hídricas já estiverem aproveitadas, a atmosfera mais poluída, o efeito estufa mais gritante, o lixo atômico mais acumulado e o registro não-descartável de alguns acidentes nucleares? Em curto período recente tivemos três: Chernobyl, Three Miles Island e o do Japão.

  Ainda estaremos elaborando mirabolantes programas energéticos como esses que são preconizados pelos Estados Unidos ou, como presumivelmente se fará aqui no Brasil, depois do fiasco de nossa crise atual?

  O plano energético americano tem 2030 como horizonte temporal. O “remendo” brasileiro deve chegar quando muito até às próximas eleições de 2002. São, de certa forma, planos míopes ou cegos. O ano de 2050 não está tão longe assim. Lembro-me claramente da Copa do Mundo de 1950, na altura dos meus 11 anos, quando o Brasil perdeu a taça para o Uruguai. Foi ontem! E hoje aquele trauma ainda perdura na cabeça do sexagenário.

Como estará o nosso planeta cuja população já é grande, se ela aumentar sensivelmente o consumo energético per-capita; mais detidamente, se os mais de um bilhão de chineses vierem, um dia a ter o mesmo padrão de consumo energético dos americanos? Assustou-me ver fotos da construção da Usina de Três Gargantas no rio Yang Tsé, na China. Foi-me aterrorizante, por sua estrutura gigantesca e as gigantescas conseqüências ambientais. O lago da usina vai cobrir doze cidades e 356 vilarejos, com a remoção de 2 milhões de pessoas. O planeta dificilmente suportará a continuação deste modelo.

Os estadistas deste mundo, devem-nos um plano energético para propiciar um Ponto de Mutação nesta louca carreira energética em que o mundo se vê prisioneiro, cujo fim, está a saltar às vistas, é profeticamente catastrófico.

Os Estados Unidos, como potência hegemônica, têm esta responsabilidade e não se dão conta ao elegerem um “businessman” (ou com o mesmo espírito de corpo) como seu primeiro mandatário, que recentemente apresentou um plano de visão eminentemente empresarial, sem grandes preocupações ambientais. Um plano guarda-chuva tem que emergir, nas instituições internacionais, com o devido respaldo americano, para que se desenvolva uma nova forma de energia mais viável, mais condizente com as condições de vida do planeta, e, também, permitir a realização de nossos já antigos sonhos de progresso humano.

  Porque embora sabido que a energia é o combustível que impulsiona a atividade humana no planeta e isso nos foi incutido à exaustão, os indicadores energéticos são mesmo sinônimos de desenvolvimento, é preciso compreender doravante que para a vida a parcimônia em energia é melhor do que sua proliferação desenfreada como vem sendo feito.

  Parafraseando Lincoln, que se referia à liberdade, concluo “Energia, energia, quantos crimes foram cometidos em seu nome”.  E o derradeiro crime a ser cometido será a impossibilidade da vida saudável, a possibilidade da extinção do fenômeno humano e, com este desastre, desgraçadamente, permitir à Mãe-Terra respirar limpa  e aliviada das agressões energéticas.

Genserico Encarnação Júnior

Itapoã, Vila Velha, ES, Maio de 2001.

Graphic Edition/Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a

Revised/Revisado:
Sunday, 28 August 2005
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