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Economia & Energia
No 26 - Maio- Junho 2001   ISSN 1518-2932

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e&e No 26

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A Crise de Energia Elétrica - Causas e Soluções

Minimizando os Efeitos Negativos do Racionamento de Energia Elétrica

Valor Agregado por Setor e o Consumo de Eletricidade

Como lidar com o "Ano Seguinte"

Como Fica sua Conta de Luz Residencial

A Exportação de Produtos Intensivos em Eletricidade 

Informações Relevantes sobre o racionamento

O FENÔMENO ENERGÉTICO 
ou Salvem Nossos Netos

Efeito estufa e Consumo de Combustíveis

Dívida  Pública e Reservas do Brasil

Estaremos trabalhando nesta página durante a crise  (enquanto houver energia)

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Infome Político e Econômico no Brasil (em espanhol)


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Matriz Energética e de Emissões
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REFLEXÕES SOBRE A CRISE DE ENERGIA ELÉTRICA

 A Exportação de Produtos Intensivos em Eletricidade é Coerente com a Geração Elétrica a partir de Gás Natural? 

Omar Campos Ferreira
omar@ecen.com

A crise de oferta de energia elétrica é o principal assunto brasileiro nestes dois últimos meses.Temas como a provável duração do racionamento, a adequação das medidas propostas pelo Governo Federal e a suficiência do programa de economia no setor residencial vêm ocupando considerável espaço nos meios de comunicação. O setor empresarial tem manifestado preocupação sobre os efeitos da crise na produção e no nível de empregos. Até aqui temos ouvido manifestações mais passionais do que racionais. No momento, trata-se principalmente de contornar o problema, mas as responsabilidades devem ser apuradas oportunamente, ao menos para direcionar as possíveis modificações no trato do problema energético em geral, visto que a carência de eletricidade é apenas um dos aspectos da carência esperada para a energia em geral. Se houver alta significativa do preço do petróleo ainda na vigência da crise elétrica, a economia do País ficará em posição assaz delicada.

Na linha de trabalho da e&e, interessam-nos principalmente os reflexos econômicos, embora, como cidadãos, nos preocupemos com os aspectos sociais da crise, eis que a economia deve estar a serviço de toda a sociedade, sendo discutível a premissa inversa (" A Lei é para o Homem, mas o Homem não é para a Lei", disse o Mestre Jesus). Nesta linha de consideração, resta esperar que o bom senso prevaleça, já e em 2.002, ano em que a opinião pública terá oportunidade de manifestar-se sobre globalização, FMI e outros assuntos. Como primeira abordagem das implicações da produção e exportação de eletro-intensivos, alinhamos alguns dados para discussão da possível nova etapa da compressão do uso da eletricidade.

 A EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS INTENSIVOS EM ELETRICIDADE.

Exportar produtos primários e semi-manufaturados é uma das sinas dos países em desenvolvimento. Além de perder-se a oportunidade de agregar valor, corre-se o risco de  exportar energia de alta qualidade requerida na produção de tais artigos. É o que parece acontecer na exportação de alumínio, ferro-ligas, papel-celulose e ferro-gusa, os artigos mais citados quando se pensa em restringir o uso da eletricidade na indústria. Um índice da eletricidade  exportada indiretamente poderá ser útil para eventual extensão do esforço de economia de eletricidade. Usando dados do Balanço Energético Nacional e da literatura técnica, para o conteúdo de eletricidade nos produtos, dos preços vigentes no mercado mundial (MDIC-Secex) para as exportações, as tarifas médias industriais publicadas pela ANEEL e do Banco Central para a taxa de câmbio, é possível tentar-se uma análise de custos e benefícios no comércio desses produtos com o exterior, tomando a razão do custo da eletricidade contida pelo preço de exportação como indicador. O intervalo coberto por estas considerações é de 1996 a 2000, sendo o fato mais marcante a mudança na política cambial que, conjugada com o estado do mercado mundial, determina o sentido do comércio exterior. Uma seleção preliminar dos artigos de exportação a se examinar parte da intensidade de energia elétrica na produção (kWh/kg), considerada constante no intervalo, e do preço de exportação que variou ao sabor do mercado externo (Gráfico 1). 


Gráfico 1

Houve também variações importantes da tarifa de energia elétrica para o Setor Industrial, como mostra o gráfico 2, distinguindo-se as regiões Norte e Sudeste que têm vocações diferentes para a exportação 


Gráfico 2

Para simplificar o texto, a análise será referida aos valores médios dos preços, indicando-se a dispersão calculada (Tabela 1).

Tabela 1

 

Variáveis econômicas entre 1996 e 2000.

 

 

 

Alumínio

Ferro-liga

Ferro-gusa

Pasta Química

kWh/kg

 

14,8

6,7

0,123

0,55

US$/kg

1996

1,55

1,09

0,154

0,444

 

1997

1,6

1,21

0,15

0,403

 

1998

1,38

1,53

0,143

0,368

 

1999

1,31

1,35

0,106

0,396

 

2000

1,54

1,2

0,117

0,527

 

Média

1,48

1,28

0,134

0,428

 

Dispersão

0,12

0,17

0,021

0,062

 

%

8

13,5

16

14

O comportamento dos preços de exportação deve ser considerado como oscilante, pois depende de ações e de reações do mercado mundial, ainda refratário à modelagem, ao passo que as tarifas têm tendência definida e crescente. Quanto à taxa de câmbio, a atual situação econômica do Brasil parece indicar tendência de desvalorização do Real em face do dólar. Por estas razões, as tarifas de eletricidade e a taxa de câmbio consideradas são as vigentes em dezembro de 2000, embora já estejam defasadas na data em que se elaborou o artigo. Note-se que a exportação de alumínio e de pasta química aumentou após o reajuste cambial, o que se interpreta como indício de existência de um nicho no mercado mundial para esses produtos brasileiros, aparentemente garantido pela baixa tarifa da eletricidade (Tabela 2).

 

Variáveis econômicas entre 1996 e 2000.

 

 

 

Aluminio

Ferro-ligas

Ferro-gusa

Pasta química

 

 

 

 

 

 

kWh/kg

 

14,8

6,7

0,123

0,55

 

 

 

 

 

 

US$/kg

1996

1,55

1,09

0,154

0,444

 

1997

1,6

1,21

0,15

0,403

 

1998

1,38

1,53

0,143

0,368

 

1999

1,31

1,35

0,106

0,396

 

2000

1,54

1,2

0,117

0,527

 

Média

1,48

1,28

0,134

0,428

 

Dispersão

0,12

0,17

0,021

0,062

 

%

8

13,5

16

14

O custo da eletricidade contida no produto e a sua razão para o preço de exportação, que de alguma forma é um índice de custo e benefício, estão listados abaixo na Tabela 3.

Tabela 3: Índice de custo/benefício ou de vulnerabilidade da exportação à tarifa

 

Preço de Exportação

Custo Eletricidade

 

índice

 

 

 

Norte

Sudeste

Norte

Sudeste

Produto

US$/kg

R$/kg

R$/kg

R$/kg

 

 

Alumínio

1,48

2,71

0,68

1,11

0,25

0,41

Ferro-ligas

1,28

2,34

0,31

0,5

0,13

0,21

Ferro-gusa

0,13

0,25

0,0057

0,0092

0,023

0,037

Pasta Química

0,43

0,78

0,025

0,041

0,032

0,053

 

Os resultados acima mostram que o produto de exportação mais vulnerável à tarifa é o alumínio, não apenas pela intensidade (15 MWh/t) mas também pelo volume da produção que usa cerca de 19 milhões de MWh (quase 6% da eetricidade usada no Brasil).  Ressalta a vantagem para os produtores abastecidos pelo Sistema Norte advinda da tarifa elétrica, além da posição geográfica favorável à exportação. É possível que, na qualidade de grandes consumidores, a tarifa para os produtores de alumínio seja menor do que a média industrial. As ferro-ligas secundam o alumínio na vulnerabilidade. A pasta química, produto intermediário para a produção de papel, e o ferro-gusa, intermediário para a produção de aços, apreciado para uso em fornos elétricos de reciclagem, não são muito sensíveis à tarifa.

 Parece-nos racional promover a produção de alumínio no Norte do Brasil, em condições de normalidade no sistema elétrico, dado que há capacidade de geração, instalada ainda na esteira do “Milagre Econômico Brasileiro” e que de outra forma ficaria ociosa, pois o alumínio poderia funcionar como vetor energético entre o Norte e o Sudeste, cujos sistemas elétricos ainda não são interligados. Seria, entretanto, desejável aumentar  o  processamento no Brasil, sendo irrelevante a região onde se daria este passo de agregação de valor. O alumínio manufaturado alcançou preço por kg cerca de 55% maior que o do alumínio bruto, em 2000. Do alumínio primário produzido no Brasil em 2000 (1,25 Mt), apenas 53% é transformado em chapas, perfis e tubos.    

 Os produtores de alumínio reclamam do Governo a definição do preço do gás natural, visando a geração de eletricidade em termoelétricas. Entretanto, a prevalecer o realismo tarifário que estaria sendo aplicado à hidroeletricidade, dificilmente se conseguiria chegar a valores competitivos, visto que o preço do gás é amarrado ao do petróleo e este tende a aumentar no futuro próximo. Para examinar esta questão, elaboramos um estudo genérico sobre a tarifa que seria praticável na geração nas condições atuais.

 GERAÇÃO A GÁS NATURAL.

Uma decisão bem fundamentada sobre a geração de eletricidade para a produção de alumínio deve partir do estudo das perspectivas para esta indústria. O Gráfico 3 indica que a produção mundial tende para a saturação (mais um indicador da aproximação de um impasse na economia mundial) , de forma que a participação do Brasil no mercado mundial depende vitalmente da tarifa elétrica.


Gráfico 3

Pode-se estimar o custo de geração em central a gás natural supondo o investimento de 800 dólares/kW, vida útil de 30 anos, custo de oportunidade de 15% aa.,  fator de capacidade de 80% e custo de combustível compatível com o do mercado mundial.

 O gás natural da Bolívia, segundo estudos na Comissão do Gás Natural do MME (1994/95), chegaria a S. Paulo ao custo de 2,79 US$/M Btu, o que equivale a cerca de 30 US$/MWh (suposta a eficiência de conversão de 32%). Dado o tempo decorrido desde esses estudos e consideradas as tendências atuais do preço do petróleo, pode-se inferir que o custo atual seria consideravelmente maior do que o apontado. Nos EUA, que têm consideráveis reservas desse combustível e o utilizam largamente, o preço médio anual em 2000 para as geradoras de eletricidade era de cerca de 50 US$/MWe (a conversão é de nossa responsabilidade), tendo subido a  cerca de 2,8% aa. entre 1994 e 2000. Parece-nos prudente considerar esse valor como referência para os 2 próximos anos, enquanto se define melhor o preço boliviano. Assim, o custo de geração pode ser estimado como abaixo:

Gás Boliviano
 Folha 02/06/01
Custo de capital  US$ 17/MWh 
Combustível  US$ 50/MWh  US$ 28,3/MWh 
Operação&manutenção US$  04/MWh
Total US$ 71/MWh US$ 49,3/MWh

Como a tarifa industrial em cerca  de US$ 20/MWh no Norte e 30/MWh no Sudeste, é pouco provável, suposto o realismo tarifário, que a geração a gás natural seja opção aceitável para os produtores de alumínio, ainda que as termoelétricas fossem operadas por auto-produtores, desobrigados de atender às condições de otimização do setor elétrico nacional, com fator de capacidade superior ao suposto. Enquanto este artigo estava sendo revisto, o Governo fixou o preço do gás natural em US$ 2,65/M Btu, ainda inferior ao considerado na Comissão do Gás Natural, o que acentua o irrealismo do programa de geração com esse combustível.

Providências mais simples e inteiramente sob o controle nacional, se tomadas no tempo certo, quando “ palpiteiros” chamavam a atenção para a crise que se aproximava, poderiam te-la evitado. Chamam a atenção, pela obviedade, o estímulo ao uso de coletores solares para o aquecimento de água, equivalente a 3.900 MW firmes, e a cogeração de vapor d´água e eletricidade nas destilarias de álcool, equivalente a 1.300 MW firmes com as turbinas em uso, que teria melhorado a posição do álcool combustível no mercado artificialmente liberado e que poderá vir a ter problemas com o suprimento de petróleo no futuro próximo.

 

Graphic Edition/Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a

Revised/Revisado:
Sunday, 28 August 2005
.

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