Economia
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e&e No 26 A Crise de Energia Elétrica - Causas e Soluções Minimizando os Efeitos Negativos do Racionamento de Energia ElétricaValor Agregado por Setor e o Consumo de Eletricidade Como lidar com o "Ano Seguinte" Como Fica sua Conta de Luz Residencial A Exportação de Produtos Intensivos em Eletricidade Informações Relevantes sobre o racionamento O FENÔMENO
ENERGÉTICO Efeito estufa e Consumo de Combustíveis Dívida Pública e Reservas do Brasil
Infome Político e Econômico no Brasil (em espanhol) Matriz Energética e de Emissões
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REFLEXÕES SOBRE A CRISE DE ENERGIA ELÉTRICA A Exportação de Produtos Intensivos em Eletricidade é Coerente com a Geração Elétrica a partir de Gás Natural? Omar Campos Ferreira A crise de oferta de energia elétrica é o principal assunto brasileiro nestes dois últimos meses.Temas como a provável duração do racionamento, a adequação das medidas propostas pelo Governo Federal e a suficiência do programa de economia no setor residencial vêm ocupando considerável espaço nos meios de comunicação. O setor empresarial tem manifestado preocupação sobre os efeitos da crise na produção e no nível de empregos. Até aqui temos ouvido manifestações mais passionais do que racionais. No momento, trata-se principalmente de contornar o problema, mas as responsabilidades devem ser apuradas oportunamente, ao menos para direcionar as possíveis modificações no trato do problema energético em geral, visto que a carência de eletricidade é apenas um dos aspectos da carência esperada para a energia em geral. Se houver alta significativa do preço do petróleo ainda na vigência da crise elétrica, a economia do País ficará em posição assaz delicada. Na linha de trabalho da e&e, interessam-nos principalmente os reflexos econômicos, embora, como cidadãos, nos preocupemos com os aspectos sociais da crise, eis que a economia deve estar a serviço de toda a sociedade, sendo discutível a premissa inversa (" A Lei é para o Homem, mas o Homem não é para a Lei", disse o Mestre Jesus). Nesta linha de consideração, resta esperar que o bom senso prevaleça, já e em 2.002, ano em que a opinião pública terá oportunidade de manifestar-se sobre globalização, FMI e outros assuntos. Como primeira abordagem das implicações da produção e exportação de eletro-intensivos, alinhamos alguns dados para discussão da possível nova etapa da compressão do uso da eletricidade. A EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS INTENSIVOS EM ELETRICIDADE. Exportar produtos primários e semi-manufaturados é uma das sinas dos países em desenvolvimento. Além de perder-se a oportunidade de agregar valor, corre-se o risco de exportar energia de alta qualidade requerida na produção de tais artigos. É o que parece acontecer na exportação de alumínio, ferro-ligas, papel-celulose e ferro-gusa, os artigos mais citados quando se pensa em restringir o uso da eletricidade na indústria. Um índice da eletricidade exportada indiretamente poderá ser útil para eventual extensão do esforço de economia de eletricidade. Usando dados do Balanço Energético Nacional e da literatura técnica, para o conteúdo de eletricidade nos produtos, dos preços vigentes no mercado mundial (MDIC-Secex) para as exportações, as tarifas médias industriais publicadas pela ANEEL e do Banco Central para a taxa de câmbio, é possível tentar-se uma análise de custos e benefícios no comércio desses produtos com o exterior, tomando a razão do custo da eletricidade contida pelo preço de exportação como indicador. O intervalo coberto por estas considerações é de 1996 a 2000, sendo o fato mais marcante a mudança na política cambial que, conjugada com o estado do mercado mundial, determina o sentido do comércio exterior. Uma seleção preliminar dos artigos de exportação a se examinar parte da intensidade de energia elétrica na produção (kWh/kg), considerada constante no intervalo, e do preço de exportação que variou ao sabor do mercado externo (Gráfico 1).
Houve também variações importantes da tarifa de energia elétrica para o Setor Industrial, como mostra o gráfico 2, distinguindo-se as regiões Norte e Sudeste que têm vocações diferentes para a exportação
Para simplificar o texto, a análise será referida aos valores médios dos preços, indicando-se a dispersão calculada (Tabela 1). Tabela 1
O comportamento dos preços de exportação deve ser considerado como oscilante, pois depende de ações e de reações do mercado mundial, ainda refratário à modelagem, ao passo que as tarifas têm tendência definida e crescente. Quanto à taxa de câmbio, a atual situação econômica do Brasil parece indicar tendência de desvalorização do Real em face do dólar. Por estas razões, as tarifas de eletricidade e a taxa de câmbio consideradas são as vigentes em dezembro de 2000, embora já estejam defasadas na data em que se elaborou o artigo. Note-se que a exportação de alumínio e de pasta química aumentou após o reajuste cambial, o que se interpreta como indício de existência de um nicho no mercado mundial para esses produtos brasileiros, aparentemente garantido pela baixa tarifa da eletricidade (Tabela 2).
O custo da eletricidade contida no produto e a sua
razão para o preço de exportação, que de alguma forma é um índice de
custo e benefício, estão listados abaixo na Tabela 3. Tabela 3: Índice de custo/benefício ou de vulnerabilidade da exportação à tarifa
Os
resultados acima mostram que o produto de exportação mais vulnerável à
tarifa é o alumínio, não apenas pela intensidade (15 MWh/t) mas também
pelo volume da produção que usa cerca de 19 milhões de MWh (quase 6% da
eetricidade usada no Brasil). Ressalta a vantagem para os produtores
abastecidos pelo Sistema Norte advinda da tarifa elétrica, além da posição
geográfica favorável à exportação. É possível que, na qualidade de
grandes consumidores, a tarifa para os produtores de alumínio seja menor
do que a média industrial. As ferro-ligas secundam o alumínio na
vulnerabilidade. A pasta química, produto intermediário para a produção
de papel, e o ferro-gusa, intermediário para a produção de aços,
apreciado para uso em fornos elétricos de reciclagem, não são muito
sensíveis à tarifa. Parece-nos
racional promover a produção de alumínio no Norte do Brasil, em condições
de normalidade no sistema elétrico, dado que há capacidade de geração,
instalada ainda na esteira do “Milagre Econômico Brasileiro” e que de
outra forma ficaria ociosa, pois o alumínio poderia funcionar como vetor
energético entre o Norte e o Sudeste, cujos sistemas elétricos ainda não
são interligados. Seria, entretanto, desejável aumentar o
processamento no Brasil, sendo irrelevante a região onde se daria este
passo de agregação de valor. O alumínio manufaturado alcançou preço
por kg cerca de 55% maior que o do alumínio bruto, em 2000. Do alumínio
primário produzido no Brasil em 2000 (1,25 Mt), apenas 53% é
transformado em chapas, perfis e tubos. Os
produtores de alumínio reclamam do Governo a definição do preço do gás
natural, visando a geração de eletricidade em termoelétricas.
Entretanto, a prevalecer o realismo tarifário que estaria sendo aplicado
à hidroeletricidade, dificilmente se conseguiria chegar a valores
competitivos, visto que o preço do gás é amarrado ao do petróleo e
este tende a aumentar no futuro próximo. Para examinar esta questão,
elaboramos um estudo genérico sobre a tarifa que seria praticável na
geração nas condições atuais. GERAÇÃO A GÁS NATURAL. Uma decisão bem fundamentada sobre a geração de eletricidade para a
produção de alumínio deve partir do estudo das perspectivas para esta
indústria. O Gráfico 3 indica que a produção mundial tende para a
saturação (mais um indicador da aproximação de um impasse na economia
mundial) , de forma que a participação do Brasil no mercado mundial
depende vitalmente da tarifa elétrica.
Pode-se
estimar o custo de geração em central a gás natural supondo o
investimento de 800 dólares/kW, vida útil de 30 anos, custo de
oportunidade de 15% aa., fator de capacidade de 80% e custo de
combustível compatível com o do mercado mundial. O
gás natural da Bolívia, segundo estudos na Comissão do Gás Natural do
MME (1994/95), chegaria a S. Paulo ao custo de 2,79 US$/M Btu, o que
equivale a cerca de 30 US$/MWh (suposta a eficiência de conversão de
32%). Dado o tempo decorrido desde esses estudos e consideradas as tendências
atuais do preço do petróleo, pode-se inferir que o custo atual seria
consideravelmente maior do que o apontado. Nos EUA, que têm consideráveis
reservas desse combustível e o utilizam largamente, o preço médio anual
em 2000 para as geradoras de eletricidade era de cerca de 50 US$/MWe (a
conversão é de nossa responsabilidade), tendo subido a cerca de
2,8% aa. entre 1994 e 2000. Parece-nos prudente considerar esse valor como
referência para os 2 próximos anos, enquanto se define melhor o preço
boliviano. Assim, o custo de geração pode ser estimado como abaixo:
Como
a tarifa industrial em cerca de US$ 20/MWh no Norte e 30/MWh no
Sudeste, é pouco provável, suposto o realismo tarifário, que a geração
a gás natural seja opção aceitável para os produtores de alumínio,
ainda que as termoelétricas fossem operadas por auto-produtores,
desobrigados de atender às condições de otimização do setor elétrico
nacional, com fator de capacidade superior ao suposto. Enquanto este
artigo estava sendo revisto, o Governo fixou o preço do gás natural em
US$ 2,65/M Btu, ainda inferior ao considerado na Comissão do Gás
Natural, o que acentua o irrealismo do programa de geração com esse
combustível. Providências
mais simples e inteiramente sob o controle nacional, se tomadas no tempo
certo, quando “ palpiteiros” chamavam a atenção para a crise que se
aproximava, poderiam te-la evitado. Chamam a atenção, pela obviedade, o
estímulo ao uso de coletores solares para o aquecimento de água,
equivalente a 3.900 MW firmes, e a cogeração de vapor d´água e
eletricidade nas destilarias de álcool, equivalente a 1.300 MW firmes com
as turbinas em uso, que teria melhorado a posição do álcool combustível
no mercado artificialmente liberado e que poderá vir a ter problemas com
o suprimento de petróleo no futuro próximo.
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Graphic Edition/Edição Gráfica: |
Revised/Revisado:
Sunday, 28 August 2005. |