| Economia & Energia No 19 - Março - Abril 2000 |
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Modelo
Macroeconômico |
O
Modelo Macroeconômico Simplificado e&e Projetar No livro "Brasil: O Crescimento Possível" - Bertrand do Brasil 1996 - Carlos Feu Alvim et al. estudaram limitações ao crescimento econômico brasileiro, adotando uma metodologia análoga à utilizada neste trabalho. O programa, aqui apresentado, simplifica algumas etapas e torna automática, a incorporação de novos anos à base de dados históricos. O modelo do livro usa, como âncora, o comportamento histórico de algumas variáveis macroeconômicas que apresentaram, no passado, forte inércia. Trata, por outro lado, da "economia real" onde, em uma primeira aproximação, faz-se uma abstração dos fatores financeiros, tais como: inflação, juros e fluxos de dinheiro. A análise se concentra na acumulação de bens de capital, na produção física e na transferência de bens e serviços não financeiros, conforme expressos nas Contas Nacionais. O dinheiro, corrigido pelo deflator do PIB, é usado para exprimir
estes valores em uma unidade comum. As limitações financeiras - dívida acumulada e taxa
de juros - são introduzidas, como conseqüência de mudanças na economia real
(transferências para o exterior) e como parâmetros para o estabelecimento de limites de
endividamento, que restrinjam ou determinem o fluxo de recursos. A equipe e&e (ONG ou revista http://ecen.com), em muitos casos em cooperação com o consultor Eduardo Marques, vem desenvolvendo alguns trabalhos de planejamento integrado que usa como ponto de partida um módulo macroeconômico. Este módulo macroeconômico de projeção é uma adaptação dinâmica do modelo do livro. Esse módulo mantém, em sua abordagem, a idéia de "ancorar" nossas projeções no comportamento histórico usando, em média, um período, de cerca de 50 anos, para as projeções econômicas (sempre que possível baseados nas Contas Nacionais do IBGE ou coerentes com ela). As projeções energéticas têm sido "ancoradas" em dados do Balanço Energético Nacional - BEN editado pelo Ministério das Minas e Energia do Brasil - MME, de cerca de 30 anos. Existe a possibilidade de expansão de sua base de dados históricos, fazendo-se, endogenamente, o reajuste das funções de comportamento de acordo com os novos valores históricos ou revisões dos existentes. Também foi introduzida a opção de modificar tendências históricas, em virtude de mudanças de política econômica ou de tecnologia projetadas. A transição, no entanto, sempre leva em conta a inércia histórica do comportamento anterior. O modelo, ao poder se adaptar a novas políticas, tornou-se menos determinístico que o do livro. Em contrapartida, o mesmo assinala, claramente, que esta é uma modificação da tendência histórica que só é possível pagando-se o preço de instalar uma política global, coerente com o objetivo proposto. A amarração com os dados históricos cria, por outro lado, dificuldades em formular hipóteses muito incoerentes com o comportamento passado. Sempre que possível, também utilizamos comparações externas com outros países para orientar nossa escolha. Apresentamos, nesse trabalho, uma "rodada-revisão" que
sugerimos ser um valor de referência para outras "rodadas". O modelo está disponível em linguagem Visual Basic para Excel (Microsoft) o que permite a fácil utilização de seus resultados em outras aplicações. Sua apresentação inicial, depende da aplicação específica, e
se parece com a mostrada abaixo (Figura 1). Eventualmente, outras figuras deste capítulo
apresentarão outras opções, que se referem a outras aplicações, que utilizam o mesmo
módulo macroeconômico.
O estoque de bens de capital é calculado a partir dos
investimentos históricos (em valor percentual do PIB do ano, convertido para fração do
PIB de 1980, através do deflator implícito do PIB), corrigidos do sucatamento mediante
função de sobrevivência logística, com vida média diferente para investimentos em:
construção civil; e, máquinas e equipamentos (+ outros). O sucatamento considera o
investimento em cada ano e o intervalo de tempo decorrido até o ano em que se calcula o
estoque do capital. Estes gráficos, como diversos outros disponíveis, podem ser
visualizados como indicado na Figura 2.
Resultando na exibição do gráfico da função de
sobrevivência, mostrado na Figura 3:
O programa permite a visualização dos resultados por meio
de gráficos, como exposto acima, e também em planilhas numéricas específicas:
Os outros itens do "menu" apresentam referências às
ações já previstas no EXCEL ou de ações específicas do programa. Outras
opções, além das referentes ao módulo macroeconômico, podem estar presentes.
Na Figura 5, estão indicadas diferentes ações do
programa. Neste item do menu, encontram-se algumas ações de caráter geral. A primeira
ação da lista corresponde a "Entrar Dados" de um cenário, como parâmetros de
cálculo, e deve ser executada para carregar dados, eventualmente, ausentes da memória em
virtude da ordem em que foram operadas as janelas. Portanto, ao acioná-la o programa faz
um trajeto semelhante ao de percorrer todas as janelas em ordem predeterminada, refazendo
os cálculos e atualizando os valores de acordo com os elos de programação existentes.
Devido a esta característica, esta ação deve ser acionada sempre que houver alguma
dúvida sobre a atualização dos dados. A maioria das outras ações correspondem a
cálculos que podem ser feitos a partir de parâmetros históricos ou do programa. De modo
geral, essas ações são auto-explicativas. 4 - Inserindo ou Alterando Cenários O programa prevê o trabalho com diferentes cenários, que podem ser acoplados a outros programas, como o de projeções regionais ou de demanda de energia. Para economia de espaço no disco do computador e para facilitar a substituição do cenário econômico em outras aplicações, guardam-se apenas os dados fundamentais destes cenários. É de se enfatizar que estes dados são suficientes para rodar o cenário novamente e obter todos os resultados: gráficos e tabelas. Igualmente os dados históricos são agrupados em uma única planilha que permite sua fácil atualização. Pode-se usar esta planilha para inserir ou atualizar os dados históricos que serão tomados em consideração, mediante a ação "Entrar Dados", em qualquer dos cenários considerados. A revisão de cenários ou dos dados históricos é feita através
do menu pelas ações indicadas no item "Entrada", veja Figura 6.
Figura 6: Entrada de dados históricos ou de dados relativos a cenário através do menu. No que concerne aos cenários, o programa permite três ações:
introdução de um novo cenário, revisão do atualmente em uso (atual) ou revisão de um
cenário existente. Pode-se ainda, como ilustraremos no exemplo a seguir, partir de um
cenário existente para a configuração de um novo. Assinalando um cenário existente,
teríamos:
Figura 7: A célula em vermelho indica a variável a ser mudada e a coluna em negrito assinala os dados de entrada correspondente ao cenário atual. No local da caixa indicada pelo título "Cenário Econômico", poderá ser feita a escolha de um dos cenários existentes por meio da barra de rolagem (assinalar um cenário não preenchido pode resultar em erros). Os dados de entrada, dos cenários disponíveis ,são guardados nessa planilha (observe as colunas ao lado da em negrito). Para optar pelo cenário "inercial", por exemplo,
deve-se escolhê-lo na "caixa de escolha" indicada pelo título "Cenário
Econômico". O programa, então, alterará todos os dados de entrada de acordo com o
cenário selecionado. Se escolhermos a ação "Rever Atual", veja Figura 7, iniciaremos a revisão do cenário atual, o qual poderá ser transformado em um novo cenário, no final do processo. Abaixo mostraremos a evolução em um exemplo prático: Conforme mencionado acima, ao clicarmos "Rever Atual" o programa nos transporta para a primeira tela do processo de construção do cenário, que corresponde à variável Poupança Territorial. Cabe destacar, que a maioria das telas do programa permite retornar à tela anterior ou passar para a próxima, acionando os botões correspondentes. Normalmente, "Retornar" não modifica a ação anterior e "Próximo Dado" introduz as novas informações no cenário, indo em seguida para a tela correspondente ao próximo passo do procedimento O título em vermelho assinala o parâmetro que se espera seja atualizado. No presente caso, diferentemente do que acontece no geral, ao selecionar "Retornar" o programa conduz a tela de escolha do último ano de dados conhecidos cuja planilha, normalmente, só é acionada quando necessitamos mudar o referido ano. A variável em questão, veja Figura 8, é a Poupança Territorial
(P) que é a fração do PIB anual não consumida. Esta "renúncia ao consumo"
é uma variável relativamente "bem comportada" no passado, como pode-se ver no
gráfico da figura abaixo, sendo que a forte oscilação, no final da década de 90, pode
ser atribuída a variações nos preços relativos. A taxa de poupança territorial é
determinante na projeção do investimento, como será visto a seguir. A representação
do passado, como já assinalamos, visa orientar a escolha de sua evolução futura.
O valor da poupança territorial era crescente nas últimas décadas, e indicava um fator positivo para o crescimento econômico. Aparentemente, o Plano Real teve forte influência nesse parâmetro e desestimulou a poupança interna, incentivando o consumo. Parte da melhora da condição de vida verificada no período deveu-se a esta redução da poupança em benefício do consumo. Como será visto, a entrada de recursos externos não chegou a compensar esta queda da poupança interna na formação do investimento. Na planilha utilizada, considerou-se, como último ano de dados conhecidos, o de 1998. Na medida em que existam estimativas, mesmo que parciais, dos dados referentes a 1999 pode ser conveniente utilizá-los como base da projeção. Isto é feito através dos comandos: "Mudar Último Ano"; e, "Entrada" Þ "Rever Dados Históricos", veja Figura 6 para o último comando. Pode-se, ainda mudar o "ano atual" que, no programa, resulta na alteração de anos intermediários, como será indicado mais adiante. Este procedimento é adotado em algumas projeções no Setor Elétrico e também é seguido nessa versão do programa. Essa flexibilidade de anos de referência permite introduzir novos anos na série histórica, quando se tornam disponíveis. Para a projeção, foi suposto que a poupança territorial
tenderia, no futuro, a uma fração constante do PIB. Este valor limite foi usado para
ajustar uma curva logística. O cenário "inercial" supõe uma saturação em
21% do PIB que representa o melhor ajuste para os dados do passado. Mesmo sendo este valor
3% superior ao dos anos 1996 a 1997, ele conduz a um crescimento do PIB inferior a 2% ao
ano nas próximas duas décadas. Em nosso cenário de referência, consideramos que a
poupança territorial retomaria ao comportamento de crescimento anterior ao Plano Real e
tenderia a um valor de 27% do PIB. Esta mudança é realizada mediante a alteração do
valor limite, na casa indicada pelo título em vermelho na Figura 8. O novo resultado é
mostrado na Figura 9.
Como pode ser visto na Figura 9, a variação da poupança
territorial implica uma retomada da disposição de trocar consumo por investimento real
(em bens de capital fixo). Para "casar" o ajuste com os dados históricos,
usou-se uma função de Poisson, cujo parâmetro pode ser alterado de maneira a suavizar,
com diferentes retardos no tempo, a transição entre o último dado histórico e a
projeção. 6 - Projeção da Razão Capital/Produto
Figura 10: Introdução da razão Capital/Produto: o valor máximo é introduzido na célula indicada; e, logo após clicando "OK" vê-se o ajuste e a projeção cuja transição com o último dado é feita com uma curva de Poisson. No caso, está sendo feita uma mudança do valor limite de 3 (mostrado no gráfico da figura) para 2,7 (gráfico produtividade do capital mostrado na figura seguinte). A razão Capital/Produto pode ser encarada como a função inversa da produtividade global do capital. Ou seja, como pode ser observado na Figura 11, a produtividade de capital vem decrescendo nas últimas décadas. Uma razão capital/produto 3 significa que é necessário um estoque de bens de capital de 3 mil dólares para cada mil dólares de produto. No cenário de referência, fizemos a suposição que a produtividade de capital tenderia a um valor de 37% (razão capital/produto = 2,7) que é muito próximo do observado nos últimos anos.
A queda na produtividade de capital, como já mencionamos em
vários artigos na e&e e em outros meios de
divulgação, é identificada como um dos problemas maiores na retomada do crescimento.
Este não é um fenômeno isolado da economia brasileira, e atinge vários países
desenvolvidos e em desenvolvimento, como demonstrou recentemente um estudo de Aumara Feu ,
em fase de publicação (parte de tese de doutorado UnB). |