Economia & Energia
No 18 - Janeiro - Fevereiro 2000
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Balanço Energético 1999

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O ano 2000 chegou... Saúde!
ou
a Rede Sarah e a Saúde

Carlos Feu Alvim
feu@ecen.com
 

Acostumados a uma crítica ácida e generalizada às instituições brasileiras todo destaque positivo parece propaganda oficial ou oficiosa (geralmente o é).

Um elogio à administração do Dr. Campos da Paz na Rede Sarah não corre este risco já que ele defende uma medicina que foge aos padrões vigentes e, de certa forma, contraria o liberalismo dominante em nossos países periféricos.

A Carta Rede Sarah No 1 de Novembro de 1999 nos expõe uma concepção original e moderna de administração pública e chama a atenção para os perigosos conflitos de interesse que a Constituição de 1988 propicia e que tornam nossa saúde pública tão cara e ineficiente.

Anteriormente o Cirurgião-Chefe da Rede já havia exposto em vários oportunidades suas idéias com destaque para uma entrevista nas páginas amarelas na Veja há alguns anos e em artigo recente no Globo e no Correio Braziliense . Na Carta Rede Sarah e no endereço http://www.sarah.br ele nos expõe os méritos do modelo de "contrato de gestão" com o qual, lidando exclusivamente com recursos públicos e praticando uma medicina "igualitária e gratuita" consegue" altíssimos níveis de satisfação.

O Dr. Campos da Paz é conhecido por sua capacidade de navegar contra a corrente em benefício da saúde pública nas instituições que dirige. Não o conheço pessoalmente mas sei que, nessa luta, soube angariar amigos preciosos junto aos centros de poder e alguns inimigos de seus métodos considerados, por muitos, autoritários.

O brasileiro tem uma certa rejeição pelos vencedores e busca logo encontrar os defeitos em quem se destaca. Existe, além disto, no sistema brasileiro um fenômeno que o ex-ministro e atual embaixador do Brasil na UNESCO Israel Vargas denomina "auto-consistência do subdesenvolvimento" que tende a se perpetuar eliminando os destaques positivos.

O Dr. Campos da Paz tem vencido esta tendência e consolidado seu sistema do ponto de vista institucional. Conseguiu transplantar um modelo que funcionava em um hospital para toda uma rede de hospitais e nos apresenta argumentos para extendê-lo a toda rede pública.

Trabalhar com exemplos positivos (e viáveis em condições de contorno diferentes dos projetos originais) é uma técnica pouco explorada no Brasil. No caso da administração pública, ainda existe o risco dos bons exemplos serem contaminados pela exploração política contra e a favor.

A rede Sarah é um exemplo interessante porque não entusiasma nem o liberalismo da direita (recupera a credibilidade da instituição pública) nem o coletivismo da esquerda (política de pessoal considerada autoritária).

Conheço outros exemplos desta espécie de "terceira via" no trato da coisa pública.

Vou citar dois relativamente recentes: O primeiro o programa nuclear da Marinha, idealizado e liderado, por um bom período, pelo almirante Othon, onde o domínio da tecnologia de enriquecimento do urânio é apenas o resultado mais visível. O outro é de um diretor - ainda não consegui recuperar o nome - que transformou os Correios, com processos administrativos sérios, na instituição em que os brasileiros mais acreditavam no início dos anos noventa, conforme atestou uma ampla pesquisa nacional que incluía as principais instituições brasileiras entre entidades particulares, governamentais e sociais (igrejas inclusive).

Tomamos a liberdade de reproduzir na e&e dois artigos da "Carta Rede Sarah". O assunto tratado não é estranho a nosso tema economia já que saúde é cada vez um setor econômico mais relevante.

O verdadeiro motivo de nos referirmos ao assunto é que a leitura do seu conteúdo me deu - nesta transição de século - um motivo de solidificar minhas esperanças no Brasil em meio a tanta crise; quis compartilhar esta sensação com nossos leitores.