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No 18 - Janeiro - Fevereiro 2000
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A NOVA ERA DA ENERGIA

Itapoã, Vila Velha (ES), Janeiro de 2.000.
Genserico Encarnação Júnior
genserico@ecen.com

A humanidade chega ao ano 2000 sem concretizar algumas das previsões feitas na metade do século que ora se finda. Os avanços foram expressivos em várias áreas - na da comunicação, informática e medicina, por exemplo – cujas previsões chegaram a ser superadas. Contudo, embora significativos, não alcançaram as expectativas no segmento dos transportes e principalmente no da energia.

Entenda-se como previsões frustradas aquelas relativas à conquista sideral, a exploração lunar e a chegada do ser humano à Marte, e àqueles engenhosos meios de transporte aéreo que enchiam nossa imaginação, com os quais nos deslocaríamos mais rapidamente, com segurança e sem poluição nos céus das grandes metrópoles, em mirabolantes aerovias.

A culpa desse "atraso" está na não viabilização técnica e principalmente econômica de novas formas de energia. Praticamente todas as nossas atuais necessidades de energia são atendidas de maneira "jurássica", não compatíveis com os avanços do final do século XX e os esperados para o século XXI.

A totalidade dessas necessidades primárias são preenchidas pelo carvão mineral, utilizado desde longa data e pelo petróleo, uma forma de energia que apareceu em grande escala já no século passado, bem próximo de ser tratado de século retrasado. Mais recentemente, o petróleo vem sendo complementado com o gás natural, de igual natureza. Embora o gás possua mais qualidades em relação ao óleo – sua combustão é mais limpa beneficiando o ambiente local – ele também contribui para o efeito estufa global. Tratam-se de fontes não renováveis de energia, de origem orgânica e fruto de atividades extrativas minerais.

Outra fonte é a energia hidráulica que, embora renovável, tem estoque fisicamente limitado no que diz respeito a novos projetos de geração, e que tem relativamente pequena capacidade de ser transportada em longas distâncias. Mais recentemente, vimos o aparecimento da fissão nuclear, dependente de minerais radioativos. Todas, sem exceção, em maior ou menor escala, ambientalmente perigosas, pelas emanações gasosas, por provocarem perigosas mudanças do espaço geofísico e pelos riscos de acidentes.

Chernobil e Three Miles Island, no campo da energia nuclear; o recente derrame de óleo combustível nas águas da Baía de Guanabara e possivelmente o surto de febre amarela proveniente da migração de macacos e mosquitos para a proximidade de centros urbanos, em decorrência do enchimento do reservatório de uma usina hidrelétrica, no Estado de Goiás, são exemplos patéticos a dar força aos argumentos aqui expostos.

O novo século vem chegando sem acenar com uma mudança revolucionária no quadro mundial da energia, o que prejudicará seriamente a evolução da humanidade no sentido de se atingir outros patamares do conhecimento, como o desenvolvimento extra-planetário (a conquista sideral já aludida) e mesmo intra-planetário (o maior conhecimento das profundezas oceânicas e subterrâneas). Tudo necessariamente cercado das imprescindíveis cautelas ambientais.

Os grandes impérios econômicos criados por essas fontes energéticas, especialmente as grandes corporações petrolíferas, na defesa do atual quadro, podem estar criando obstáculos para a transposição de novas fronteiras energéticas. Se depender unicamente dos interesses comerciais e de mercado essa ruptura pode não se efetivar. Os investimentos em outras novas fontes energéticas são muito maiores do que os necessários para manter o "status quo" da exploração e uso das fontes tradicionais em uso.

O movimento cíclico, ascendente e descendente dos preços do petróleo, em grande parte políticamente administrados, atende aos interesses dominantes, ora inviabilizando novas formas de energia, ora canalizando fluxos enormes de dinheiro para os atuais donos das fontes tradicionais de energia.

O novo século que se avizinha, pode trazer novidades neste campo. As novas tecnologias da comunicação, dos novos materiais, da otimização dos motores e dos investimentos em conservação de energia cada vez mais possibilitam menor consumo de energia e representam um fato concreto. Trata-se de uma grande força de mudança atuando pelo lado da demanda. Pelo lado da oferta, alguns obstáculos ao abastecimento das fontes tradicionais podem viabilizar maiores investimentos em energia "nova". Os movimentos políticos/ideológicos devem se constituir nos obstáculos mais importantes. Também para esta mudança, possivelmente, as pressões ambientais serão mais importantes do que a expectativa de esgotamento das reservas de energia "velha".

Que formas de energia "nova" serão essas: solar, hidrogênio, fusão nuclear segura, um novo tipo de bio-energia? Ou uma combinação delas? A simples especulação, a partir do quadro atual, de certa forma estagnado, é tarefa difícil.

O século XXI deverá ser o século dessa mudança revolucionária. O petróleo, segundo o Conselho Mundial de Energia e outros especialistas na matéria deverá reinar ainda até os anos 50 do próximo século. Diante da aceleração da história, esse período pode encurtar um pouco. Talvez o gás natural possa ter vida mais longa.

Para finalizar, é bom lembrar que o assunto enfocado neste artigo, logicamente o foi dentro de uma dimensão histórica, onde um quarto de século é o período mínimo a ser analisado. Pragmaticamente falando, pensando em Brasil e nas excelentes possibilidades petrolíferas, gaseíferas e até de minerais radioativos, no médio prazo, há tempo suficiente para melhor aproveitar as oportunidades nessa metade do século vindouro da maneira mais competente possível, se é que o aqui se especulou não vai se transformar em mais uma previsão não realizada.