Economia & Energia
Ano III - No 16
Setembro/Outubro 1999

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marcos@rio-point.com
Revisado:
Wednesday, 02 May 2012.

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O Fim da Modernidade?

Carlos Feu Alvim 
feu@ecen.com
"Cansei de ser moderno, agora quero ser eterno"
Carlos Drummond de Andrade

O Presidente FHC, ao endossar recentemente o acordo que suspendeu por um ano a prática do auto-serviço em postos de combustível, decretou simbolicamente o fim da modernidade ou, pelo menos, do fim da modernidade como dogma governamental.

O precedente pode encerrar algum risco ao desenvolvimento do país: Logo passarão a ser contestadas outras automatizações - dos caixas eletrônicos aos " pardais" aplicadores de infrações no trânsito - que como as bombas "self service" substituem a mão-de-obra. E que não venham dizer que a exceção é porque as bombas são inseguras já que, há décadas, elas funcionam em países com muito mais tradição de respeitar a segurança do cidadão.

Pode-se até esperar que os robôs que produzem carros no Brasil com tecnologia "igualzinha a da Alemanha" venham a ser humilhantemente deportados atendendo apelos de metalúrgicos - paulistas ou baianos - que restaurarão ou implantarão o "jeitinho brasileiro" de construir veículos.

Alguém pode argumentar que o ato presidencial é, quando muito, uma ação pontual e não rompe a orientação neoliberal que - confessadamente no Governo Collor e negada publicamente (muito provavelmente com sinceridade) por seus sucessores - predominou, nesta década de noventa, no Brasil como em outros países ditos emergentes. Só o tempo, no entanto, dirá se se trata apenas uma concessão ao também renegado populismo ou uma nova direção econômica.

O mito neoliberal renega este tipo de intervenção praticada pelo Presidente. A teoria neoliberal prefere o neointervencionismo em grande escala na taxa de juros, na política de câmbio e em uma série de mecanismos monetários como a recente redução do recolhimento compulsório dos bancos.

Modernos feiticeiros das finanças decidem, quase sozinhos, se está ou não na hora de deter, com meio ponto percentual nos juros, o crescimento da economia americana o que - acham outros - provocaria fantásticos desequilíbrios em todo o mundo.

Enquanto isso, nossos aprendizes tratam, com variações de uma dezena de pontos percentuais na taxa de juros, de regular o fluxo do capital especulativo de que passamos a depender. Essa elevação de juros aumenta, em dezenas de bilhões de dólares, a dívida pública acumulada que será legada a esta e a futuras gerações.

Provavelmente, no entanto, a atitude de FHC pode dar algum alento aos que resitem nos próprior órgãos govenamentais - até agora sem muita esperança de êxito - impedir o uso de dinheiro público a juros favorecidos para financiar a supressão de empregos.

Um bom exemplo é o financimaento de catracas eletrônicas que substituiriam os trocadores nos ônibus. Só na cidade de São Paulo seriam eliminados cerca de 30 mil empregos diretos (alguns poucos indiretos seriam criados).

De novo trata-se de uma automatização já praticada em vários países do mundo. O que não se sabe é se lá contaram com crédito oficial para instalá-la.

No Brasil, o empreendimento só parecia viável com algum tipo de subsídio oficial. Isso apesar da economia com os empregos suprimidos, economia que é ampliada por uma legislação tributária e social que penaliza a mão-de-obra em relação a outros fatores de produção.

No caso, nem mesmo existia a perspectiva de reduzir o preço das passagens de ônibus onde o benefício aos usuários teria que ser confrontado com a perda de alguns empregos. Seria certamente melhor deixar que a "sabedoria do mercado" decidisse ao invés de forçar a decisão modernizante.

O Presidente FHC, ao endossar recentemente o acordo que suspendeu por um ano a prática do auto-serviço em postos de combustível decretou simbolicamente o fim da modernidade como dogma governamental. Seria uma nova direção de Governo adotada por alguém que, como o Poeta, cansou de ser moderno ou apenas um ato pontual?

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