Economia & Energia
Ano III - No 16
Setembro/Outubro 1999

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Revisado:
Wednesday, 02 May 2012.

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Frota de Veículos diesel no transporte rodoviário

Equipe e&e-ONG

1. Introdução

Este trabalho é parte de um estudo cujo objetivo é avaliar a emissão de gases causadores do efeito estufa por veículos rodoviários diesel entre os anos de 1990 e 1997 como contribuição ao levantamento nacional coordenado pelo MCT.

Também serão apresentados proximamente resultados paramétricos a partir de 1970 e dados prospectivos até o ano de 2010 dependendo de hipóteses de crescimento macroeconômico e de evolução da frota.

A participação do transporte rodoviário no Brasil é bastante importante como mostram as estatísticas de transporte de carga divulgadas pelo GEIPOT-MT

Figura 1.1: Fonte: Geipot Anuários Estatísticos diversos anos, os valores para o tráfico rodoviário são estimados e houve mudança de metodologia em 1997 e (provavelmente) em 1997- Até 1980 os dados aparecem em Estatísticas Históricas do Brasil IBGE 1987

No consumo de combustíveis esta participação é ainda mais significativa segundo os dados do Balanço Energético 1998 - MME.

Figura 1.2: O consumo de energia reflete o predomínio do transporte rodoviário no Brasil, ressaltado por sua relativa ineficiência energética em relação ao transporte ferroviário e rodoviário.

O transporte de cargas e coletivo de passageiros é predominante a diesel como será visto no decorrer do trabalho.

2.Avaliação da Frota Diesel

Com o levantamento do cadastro único de veículos que está sendo realizado pelo DENATRAN surge a esperança de se ter uma idéia menos imprecisa da frota de veículos existente no Brasil.

Infelizmente só parecem estar disponíveis resultados parciais que foram divulgados no Boletim da ANFAVEA e que faz a seguinte estimativa para a frota existente no Brasil em 1997 (registrados até Agosto de 1998)

Tabela 2.1

Automóveis Com.Leves Caminhões Ônibus Microônibus Total
Tot. licenciado

15.352.638

2.070.977

1.019.889

208.162

73.702

18.725.368

Outros Veíc.

895.005

184.331

58.221

12.338

11.640

1.161.535

Total Brasil

16.247.643

2.255.308

1.078.110

220.500

85.342

19.886.903

Id. Média

9,9

8,3

14,5

10,1

5,9

10

Denatran/Ministério da Justiça Notas:
a) os dados referem-se a autoveículos fabricados até 1997 e licenciados até agosto/98         b) Outros veículos referem-se aos cadastrados, porém não licenciados até agosto/98  

Estes dados contrastam com os divulgados pelo GEIPOT e que se referem a veículos registrados nos DETRAN´s e sujeitos a dupla contagem e cuja utilização para avaliação da frota vinham sendo contestada por vários grupos dentro e fora do Governo

Tabela 2.2: FROTA NACIONAL DE VEÍCULOS AUTOMOTORES
NÚMERO DE VEÍCULOS EXISTENTES - 1997

COMERCIAIS

TRANSPORTE

TRANSPORTE

BICICLOS

(1)

LEVES

COLETIVO

CARGA

TRICICLOS

TOTAL

IMPORTADOS

3.158.695

348.168

1.699.338

3.365.121

28.766.204

1.293.446

FONTES: DETRAN's e GEIPOT. NOTA: Dados referentes a veículos registrados nos DETRANS, até 31/12. (1) - Estes valores já estão somados na coluna de total. 

Neste trabalho tomamos como base os dados globais do DENATRAN como representativos da frota em 1998 e adaptamos a curva de sobrevivência de veículos de maneira a reproduzir aproximadamente a frota e idade média levantada por esse órgão.

2.1 Venda de Veículos de Fabricação Nacional

Os dados de Venda de Veículos de produção nacional que serviram de base para a estimativa de frota estão relacionados abaixo de acordo com transcritos da ANFAVEA.

Tabela 2.3 Vendas de autoveículos a diesel de produção nacional ao mercado interno - 1957/1997

Figura 2.1: Vendas de fabricantes nacionais no
mercado interno. Fonte: ANFAVEA

As vendas de veículos importados estão sujeitas a maiores imprecisões mas foram pouco significativas de 1960 a 1990.

2.2 Venda de Veículos Importados

Para a determinação da frota existente a cada ano partiu-se dos dados de venda e importações de veículos disponíveis.  Os dados de venda dos produtores nacionais afiliados a ANFAVEA bem como suas importações são facilmente encontráveis nos boletins daquela organização. Os dados referentes a outras importações são mais difíceis de recuperar. Foram usados, neste caso, dados colhidos pelo GEIPOT e suposta distribuição por tipo de combustível análoga aos da ANFAVEA.

Para os dados de importação anteriores a 1957 (data do início das atividades da indústria automobilística nacional) foram tomados os dados fornecidos por BARROS e al. em comunicação do IPEA (1). que fornece os dados a partir de 1937 e estima a fração gasolina e diesel para alguns anos. A frota inicial existente em 1936 foi tomada de dados do GEIPOT coletados na publicação Estatísticas Históricas do Brasil IBGE - .Estatísticas Históricas do Brasil (2). Usou-se para distribuição entre gasolina e diesel o mesmo critério adotado por Barros para os primeiros anos. Nota-se que os dados iniciais têm influência praticamente nula na apuração dos dados de frota a partir de 1970 e nula a partir de 1990 segundo os critérios de sucatamento adotados.

A coleta de dados foi abrangente e não se limitou aos veículos diesel. Isto será útil nas projeções a serem realizadas em que torna-se necessário estudar a possível substituição de combustíveis.

Os dados de Importação estão resumidos na Tabela 2.4. Os dados até o ano de 1990 referem-se a importações e os dados posteriores a este ano referem-se a vendas de veículos importados. Para efeito deste trabalho considerou-se para os anos anteriores a 1990 as importações como correspondete a  vendas desses veículos no mercado interno. Entre 1980 e 1990 faltam as informações mas sabe-se que as importações foram mínimas em virtudes das restrições quase absolutas então vigentes.

Tabela 2.4: Importação (até 1990) e vendas de veículos importados no Brasil                                                                                     

Os dados para os veículos diesel são os mostrados na tabela 2.5

Tabela 2.5: Importação (até 1990) e vendas de veículos importados no Brasil movidos a diesel

2.3 Venda Total de Veículos

A partir dos dados de vendas de veículos nacionais e importados chega-se ao total ce veículos vendidos no Brasil por categoria que foram usados na determinação da frota.

Tabela 2.6 – Venda de Veículos no Brasil - Todos

 Tabela 2.7 – Venda de Veículos no Brasil movidos a diesel

Tabela 2.8 – Venda de Veículos no Brasil movidos a gasolina

Tabela 2.9 – Venda de Veículos no Brasil movidos a álcool    

Os gráficos abaixo mostram que as vendas no mercado interno sofreram grandes variações no decorrer das três últimas décadas. Na implementação da indústria automobilística no Brasil o diesel foi definido como de uso exclusivo para carga e transporte coletivo o que levou a favorecer seus usuários com um preço menor por energia fornecida. Esta tendência foi acentuada após o primeiro choque de petróleo (1973) quando a participação do diesel nos comerciais pesados chegou a praticamente 100%.

Figura 2.2: Participação do Diesel nas vendas de veículos pesados por combustível

Com o evento do segundo choque de petróleo em 1979 houve um grande incentivo ao uso do álcool e acentuou-se o subsídio ao preço do diesel. A participação do álcool nos veículos pesados foi episódica mas teve maior importância nos comerciais leves onde os três combustíveis concorreram realmente mantiveram uma concorrência efetiva. A tendência á diesilização foi contida pelo álcool que perdeu o espaço para a gasolina. Em virtude da diferença importante de custo do veículo nesta faixa a concorrência entre o combustível do ciclo Otto e do Diesel ainda é possível, mesmo com a diferença de preços dos combustíveis.

Figura 2.3: Participação do Diesel nas vendas de veículos comerciais leves por combustível

Como no mercado dos automóveis houve uma forte retração da venda de veículos a álcool que praticamente foi reduzida a zero.

Figura 2.4: Venda de veículos diesel por tipo de veículo (inclui importados)

A venda de veículos pesados, contrariamente ao verificado na de automóveis de passeio, não apresentou uma reação tão espetacular nos anos noventa. Ela está fortemente condicionada ao crescimento econômico e particularmente ligada aos setores produtivos primários. A venda de ônibus cresceu de maneira consistente ao longo das quatro últimas décadas refletindo o processo de urbanização verificado no período.

2.3 Sucatamento de Veículos

Na ausência de estatísticas confiáveis da frota tem-se que recorrer a aplicação sobre as vendas de veículos de uma curva de sucatamento. No caso usamos como contorno as estimativas do DENATRAN que fornecem a frota total e a idade média da frota. Aplicamos uma curva logística (integral ) da forma;

Y = Y0/(1+Exp(a*(t-t0)))

onde t0 corresponde ao ponto de inflexão da curva em S (valor remanescente metade do inicial).

Nota: Não se tratando de uma curva com valor 1 no tempo zero é necessária uma renormalização adotando-se a soma da curva  “espelhada” para fazê-lo, tomando-se Y = Y0/(1+Exp(a*(t-t0)))+Y0/(1+Exp(a*(t+t0))) que para os valores de t0  utilizados neste trabalho representa uma correção apenas de rigor.

Os valores de a e t0 , foram ajustados para reproduzir aproximadamente os valores da frota e idade média dos veículos dados para 1997 pelo DENATRAN.

As curvas utilizadas para os diversos tipos de veículos não sofreram modificações substanciais para os diversos tipos de veículos e são mostradas na figura seguinte

Curvas de sucatamento

Figura 2.5: Curvas de sucatamento adequadas para reproduzir os parâmetros de frota e idade média dos veículos

A tabela seguinte registra as constantes de ajuste utilizadas

Veículo t0 a Frota Estimada Idade Estimad Frota DENATRAN Idade DENATRAN
Automóveis 21,0 0,19 161187 9,90 16248 9,90
Comerciais Leves 15,3 0,17 2416 8,15 2340 8,21
Caminhões 17,0 0,10 1096 14,45 1078 14,50
Ônibus 19,1 0,16 220 10,09 220 10,10

Outras formas de curva de sucatamento foram utilizadas (parabólica, de Gompertz e polinomiais). Particularmente no caso de caminhões a frota e idade só conseguem ser reproduzidas com curvas de sucatamento próximas da linear para os primeiros anos.

Apresentamos neste relatório, em caráter preliminar, os resultados obtidos com estes parâmetros. Existem alguns testes de consistência relacionados com o consumo de combustíveis que poderão servir de indicação sobre a validade dos parâmetros.

De qualquer forma foi elaborado um programa de computador (visual basic + Excel) que permitem, com alguma facilidade testar outras hipóteses de curva de sucatamento. A frota de diesel obtida está mostrada na tabela 2.10.

Tabela 2.11 - Frota a Diesel

O gráfico seguinte ilustra a evolução da Frota a Diesel

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Figura 2.6: Frota diesel no Brasil por tipo de veículo

No gráfico seguinte indicamos o consumo médio de diesel por veículo pesado. A frota mais significativa em termos de consumo é a de comerciais pesados (caminhões e ônibus). Para uma equivalência de 5 comerciais leves (ou automóveis) para 1 veículo pesado pode-se estimar o consumo médio por veículo pesado.

No gráfico seguinte estão representadas as idades dos veículos diesel por tipo.

Figura 2.7:Idade  média da frota diesel no Brasil por tipo de veículo

Continuação

REFERÊNCIAS

(1)   Um Modelo econométrico para Demanda de Gasolina pelos Automóveis de Passeio Ricardo Paes de Barros e Silvério Soares Ferreira IPEA - Maio de 1992 - 135 pag

(2) Estatísticas Históricas do Brasil  IBGE 1987 - Volume 3

(3) Últimos anos GEIPOT e ANFAVEA (paginas na Internet ver víuclulos)

 

A evolução da frota de veículos brasileiros é reproduzida a partir de dados de venda e da frota e idade dos veículos fornecida pelo DENATRAN para 1997. Uma função de sucatamento é ajustada para reproduzir os valores de 1997 a partir dos dados de venda.

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