Economia & Energia
Ano III - No 14
Maio/Junho 1999
ollaoro.gif (978 bytes) Página Principal
ollaoro.gif (978 bytes)A Nova Era do Petróleo
ollaoro.gif (978 bytes)Setor Energético 1998/1999
ollaoro.gif (978 bytes)Dívida Pública Brasileira
ollaoro.gif (978 bytes)Vínculos e&e

Acompanhamento Econômico:
ollaoro.gif (978 bytes)Reservas Internacionais do Brasil
ollaoro.gif (978 bytes)Dívida Pública Brasileira

Energia:
ollaoro.gif (978 bytes) Coeficientes, Equivalências
ollaoro.gif (978 bytes) Glossário

Novidade para Download
ollaoro.gif (978 bytes)Balanço Energético do DF
ollaoro.gif (978 bytes)Balanço energético 1998 em inglês

Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a
marcos@rio-point.com
Revisado:
Thursday, 19 February 2004.

http://ecen.com

Economia & Energia
Ano III - No 14
Maio/Junho 1999
ollaoro.gif (978 bytes) Página Principal
ollaoro.gif (978 bytes)A Nova Era do Petróleo
ollaoro.gif (978 bytes)Setor Energético 1998/1999
ollaoro.gif (978 bytes)Dívida Pública Brasileira
ollaoro.gif (978 bytes)Vínculos e&e

Acompanhamento Econômico:
ollaoro.gif (978 bytes)Reservas Internacionais do Brasil
ollaoro.gif (978 bytes)Dívida Pública Brasileira

Energia:
ollaoro.gif (978 bytes) Coeficientes, Equivalências
ollaoro.gif (978 bytes) Glossário

Novidade para Download
ollaoro.gif (978 bytes)Balanço Energético do DF
ollaoro.gif (978 bytes)Balanço energético 1998 em inglês

Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a
marcos@rio-point.com
Revisado:
Thursday, 19 February 2004.

http://ecen.com

Economia & Energia
Ano III - No 14
Maio/Junho 1999
ollaoro.gif (978 bytes) Página Principal
ollaoro.gif (978 bytes)A Nova Era do Petróleo
ollaoro.gif (978 bytes)Setor Energético 1998/1999
ollaoro.gif (978 bytes)Dívida Pública Brasileira
ollaoro.gif (978 bytes)Vínculos e&e

Acompanhamento Econômico:
ollaoro.gif (978 bytes)Reservas Internacionais do Brasil
ollaoro.gif (978 bytes)Dívida Pública Brasileira

Energia:
ollaoro.gif (978 bytes) Coeficientes, Equivalências
ollaoro.gif (978 bytes) Glossário

Novidade para Download
ollaoro.gif (978 bytes)Balanço Energético do DF
ollaoro.gif (978 bytes)Balanço energético 1998 em inglês

Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a
marcos@rio-point.com
Revisado:
Thursday, 19 February 2004.

http://ecen.com

Economia & Energia
Ano III - No 14
Maio/Junho 1999
ollaoro.gif (978 bytes) Página Principal
ollaoro.gif (978 bytes)A Nova Era do Petróleo
ollaoro.gif (978 bytes)Setor Energético 1998/1999
ollaoro.gif (978 bytes)Dívida Pública Brasileira
ollaoro.gif (978 bytes)Vínculos e&e

Acompanhamento Econômico:
ollaoro.gif (978 bytes)Reservas Internacionais do Brasil
ollaoro.gif (978 bytes)Dívida Pública Brasileira

Energia:
ollaoro.gif (978 bytes) Coeficientes, Equivalências
ollaoro.gif (978 bytes) Glossário

Novidade para Download
ollaoro.gif (978 bytes)Balanço Energético do DF
ollaoro.gif (978 bytes)Balanço energético 1998 em inglês

Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a
marcos@rio-point.com
Revisado:
Thursday, 19 February 2004.

http://ecen.com

Economia & Energia
Ano III - No 14
Maio/Junho 1999
ollaoro.gif (978 bytes) Página Principal
ollaoro.gif (978 bytes)A Nova Era do Petróleo
ollaoro.gif (978 bytes)Setor Energético 1998/1999
ollaoro.gif (978 bytes)Dívida Pública Brasileira
ollaoro.gif (978 bytes)Vínculos e&e

Acompanhamento Econômico:
ollaoro.gif (978 bytes)Reservas Internacionais do Brasil
ollaoro.gif (978 bytes)Dívida Pública Brasileira

Energia:
ollaoro.gif (978 bytes) Coeficientes, Equivalências
ollaoro.gif (978 bytes) Glossário

Novidade para Download
ollaoro.gif (978 bytes)Balanço Energético do DF
ollaoro.gif (978 bytes)Balanço energético 1998 em inglês

Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a
marcos@rio-point.com
Revisado:
Thursday, 19 February 2004.

http://ecen.com

Economia & Energia
Ano III - No 14
Maio/Junho 1999
ollaoro.gif (978 bytes) Página Principal
ollaoro.gif (978 bytes)A Nova Era do Petróleo
ollaoro.gif (978 bytes)Setor Energético 1998/1999
ollaoro.gif (978 bytes)Dívida Pública Brasileira
ollaoro.gif (978 bytes)Vínculos e&e

Acompanhamento Econômico:
ollaoro.gif (978 bytes)Reservas Internacionais do Brasil
ollaoro.gif (978 bytes)Dívida Pública Brasileira

Energia:
ollaoro.gif (978 bytes) Coeficientes, Equivalências
ollaoro.gif (978 bytes) Glossário

Novidade para Download
ollaoro.gif (978 bytes)Balanço Energético do DF
ollaoro.gif (978 bytes)Balanço energético 1998 em inglês

Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a
marcos@rio-point.com
Revisado:
Thursday, 19 February 2004.

http://ecen.com

Economia & Energia
Ano III - No 14
Maio/Junho 1999
ollaoro.gif (978 bytes) Página Principal
ollaoro.gif (978 bytes)A Nova Era do Petróleo
ollaoro.gif (978 bytes)Setor Energético 1998/1999
ollaoro.gif (978 bytes)Dívida Pública Brasileira
ollaoro.gif (978 bytes)Vínculos e&e

Acompanhamento Econômico:
ollaoro.gif (978 bytes)Reservas Internacionais do Brasil
ollaoro.gif (978 bytes)Dívida Pública Brasileira

Energia:
ollaoro.gif (978 bytes) Coeficientes, Equivalências
ollaoro.gif (978 bytes) Glossário

Novidade para Download
ollaoro.gif (978 bytes)Balanço Energético do DF
ollaoro.gif (978 bytes)Balanço energético 1998 em inglês

Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a
marcos@rio-point.com
Revisado:
Thursday, 19 February 2004.

Economia & Energia

Ano III - No 14
Maio/Junho 1999
ollaoro.gif (978 bytes) Página Principal
ollaoro.gif (978 bytes)A Nova Era do Petróleo
ollaoro.gif (978 bytes)Setor Energético 1998/1999
ollaoro.gif (978 bytes)Dívida Pública Brasileira
ollaoro.gif (978 bytes)Vínculos e&e

Acompanhamento Econômico:
ollaoro.gif (978 bytes)Reservas Internacionais do Brasil
ollaoro.gif (978 bytes)Dívida Pública Brasileira

Energia:
ollaoro.gif (978 bytes) Coeficientes, Equivalências
ollaoro.gif (978 bytes) Glossário

Novidade para Download
ollaoro.gif (978 bytes)Balanço Energético do DF
ollaoro.gif (978 bytes)Balanço energético 1998 em inglês

A NOVA ERA DO PETRÓLEO

Genserico Encarnação Jr.
genserico@ecen.com

 

Há cerca de dois anos escrevi um artigo com um título semelhante a este, cuja inspiração vinha do livro de Eric Hobsbawn - Era dos Extremos - onde o autor analisava o "breve" século XX. Nesse artigo argumentava que a história recente tinha muito a ver com a do petróleo. Avanços tecnológicos, guerras, riquezas, golpes de estado e muitas desgraças, enfim, o bem e o mal, muito disso tinha origem nos negócios do "ouro negro". O petróleo marcou indelevelmente o século que se extingue.

Naquela oportunidade ousava discordar do renomado historiador, por ter considerado os choques do petróleo como simples armações da OPEP e dos árabes e não ver o petróleo como um instrumento de poder exercido principalmente pelos países dominantes. É comum analisar o mundo do petróleo a partir das forças do mercado, esgrimindo dados sobre reservas, oferta, demanda e evolução dos preços, sem tratá-lo com uma visão estratégica e, desta forma, passível de ser manipulada politicamente no contexto do poder mundial.

Àquela época fazia meus comentários tentando participar do debate sobre a mudança do quadro legal e institucional da indústria do petróleo no Brasil. Agora, com as decisões já tomadas, volto ao assunto visando os interesses do Espírito Santo, em vista do seu potencial neste setor e do momento de transição para o novo modelo nacional, aberto e privatizante.

O petróleo, que passou a ser utilizado em larga escala como fonte energética e matéria-prima no final do século passado, deve ainda reinar nos próximos trinta a quarenta anos. No fim desse período poderá vir a ser substituído por outra fonte energética ainda não descoberta ou ainda não viabilizada economicamente. O fim do seu reinado não deve se dar pela exaustão das reservas. As limitações ambientais devem ser mais restritivas ao seu uso.

A propósito, a grande mazela da era do petróleo é a deterioração ambiental provocada pelo uso intenso de seus derivados, principalmente pelos países desenvolvidos, nos seus parques industriais e em suas redes de transportes. Trata-se de um assunto seríssimo a ser equacionado, no qual esses países têm uma grande dívida a saldar para com a Humanidade.

Contudo, a própria indústria do petróleo conta com uma alternativa, trata-se do gás natural. O gás também é um hidrocarboneto que por ter combustão mais completa não agride tanto o meio ambiente local. É encontrado livre ou em associação com o óleo. Atualmente, as reservas mundiais de gás natural superam as de petróleo em termos equivalentes. Ele pode substituir o petróleo em grande escala, dependendo do desenvolvimento tecnológico e da vialibilidade econômica no que diz respeito ao seu transporte em grandes volumes e por grandes distâncias. Isso, na realidade, já vem sendo superado.

Até que essa situação se modifique, o petróleo e o gás estarão concorrendo com os grandes negócios internacionais, entre eles o sórdido comércio de armas e drogas.

A questão judáica/palestina/árabe tem muito a ver com o fato das maiores jazidas de hidrocarbonetos do planeta estarem localizadas no Oriente Médio, onde se situam aqueles povos e suas nações. As várias querelas nessa região, incluindo as guerras entre árabes e judeus, Irã-Iraque, a invasão do Kuwait pelo Iraque e os recentes embates entre o Iraque e os Estados Unidos (e aliados), repousam sobre questões petrolíferas.

O maior consumidor mundial de produtos de petróleo são os Estados Unidos. Manter poder sobre aquelas reservas é vital para a economia americana, pois as suas não sustentam a voracidade de seu mercado. Seu consumo é de mais de 18 milhões de barris por dia (mais de dez vezes o mercado brasileiro), dos quais a metade é importada. Influenciar a flutuação dos preços é outro mecanismo importante para administrar a conjuntura americana.

Por outro lado, seja pelos acumulados deficits comerciais que vêm apresentando ou como o provedor dos meios de pagamentos mais bem aceitos no mundo, pela pujança de sua economia, os Estados Unidos têm uma dívida externa que é gigantesca. A sua rolagem tem sido feita a poder de emissão das notas verdes de dólares e de saldos acumulados em contas bancárias, nesta mesma moeda, no caso, em forma escritural.

O Presidente De Gaulle teve um dia a audácia de exigir dos Estados Unidos o pagamento em ouro de seus superavits comerciais em dólar, sem sucesso. Os Estados Unidos não têm ouro, bens tangíveis, mercadorias e serviços disponíveis para saldar aquela dívida. O equilíbrio mantém-se porque vale a regra "não afundem o barco em que todos nós estamos navegando".

O quadro deficitário americano poderá ser mantido? A dolarização das Américas, o aparecimento da nova moeda européia, o futuro do yen, enfim o advento das "global currencies" pode deter a avalanche de uma possível prestação de contas?

O petróleo é um dos recursos tangíveis neste cenário, sem substituto economicamente viável na primeira metade do século XXI, que poderá se constituir numa garantia para a rolagem da dívida americana. Assim, o domínio sobre as reservas, sobre as rotas de transporte e sobre o comércio deste produto é imprescindível neste contexto. Se computarmos as despesas militares para a manutenção desse "status-quo", o consumidor americano paga os maiores preços do mundo pelo petróleo que consome, a despeito das cotações estarem em baixa.

Com o fim da União Soviética, houve um certo alívio para os países industrializados. A URSS, além de ter sido o maior produtor mundial de petróleo mantinha "olho gordo" no Oriente Médio, haja vista a sua intervenção no Afeganistão. Agora esfacelado e com o comunismo derrotado, a situação fica mais fácil de ser controlada.

A bomba deve estourar, como sempre, no Oriente Médio. Esse é o teatro das próximas guerras, tendo o petróleo como pano de fundo. Aliás, como soe acontecer neste século que se finda. Nenhuma novidade no "front".

Não se deve "fulanizar" o quadro. Se o italiano Enrico Mattei morreu "acidentado" ao querer se posicionar melhor neste enredo; se Mossadegh, o primeiro-ministro iraniano nacionalista, acabou na prisão; se o Aiatolá Khomeini finou-se; aí estão Kadaffi e Saddam Hussein a se contraporem aos interesses dominantes. Persistirá a busca pelo domínio das reservas e rotas de petróleo, quer pelos esforços nacionalistas quer, por outro lado, pelos países industrializados ávidos por sua energia.

Este cenário conflituoso não é um vaticínio, trata-se de uma simples especulação prospectiva para prosseguir com os argumentos.

As quatro grandes províncias petrolíferas descobertas na segunda metade deste século foram: Alaska, Mar do Norte, Majnoon (no Iraque) e Bacia de Campos. A Petrobras foi responsável pelas duas últimas. No Iraque, às vésperas da guerra com o Irã, o Brasil optou por um acordo que lhe permitiu se sair muito bem do compromisso de desenvolver aquele campo, num investimento de retorno então duvidoso que montaria à casa dos US$ 5 bilhões da época. Quanto à Bacia de Campos é a realidade que todos conhecem.

O jogo de xadrez do domínio do petróleo e do gás natural nos próximos anos está sendo jogado, seja com golpes duros (ações bélicas) seja com sutilezas diplomáticas onde expedientes financeiros são empregados com maestria.

No Brasil, com base em falaciosos argumentos financeiros, de que não temos os recursos suficientes para a exploração e produção de nosso potencial petrolífero, abriu-se o setor ao capital estrangeiro. O próximo e anunciado passo deverá ser a privatização (explícita ou velada) da Petrobras, na tentativa de superar a crise gerada pela manutenção da estabilidade monetária, com juros altos, câmbio valorizado, recessão e desemprego.

Em 1995, para tentar sair da crise financeira por que passava, o México empenhou suas reservas de petróleo para sacar um empréstimo do governo americano. Agora, isso vem sendo cogitado pelo Brasil, que poderá lançar um novo papel brasileiro no mercado internacional, lastreado nas nossas reservas de petróleo, para captar algo em torno de US$ 10 bilhões.

O potencial petrolífero e gaseífero brasileiro é muito grande em águas profundas. A descoberta da bacia de Campos pela Petrobras, sua liderança mundial em tecnologia de exploração e produção em grandes lâminas d’água, o desbravamento dos novos limites da mesma bacia é um atrativo sem igual para os grandes capitais da indústria mundial de petróleo. Não foi outro o motivo da chamada flexibilização do monopólio estatal do petróleo e da possível e provável privatização da Petrobras.

A continuação dos trabalhos exploratórios no mar fluminense mostra que as novas ocorrências se direcionam para o norte. O novo campo gigante de Roncador, a noroeste dos grandes campos de Marlim e Albacora, é a nova fronteira da bacia de Campos. Esta bacia, ainda com esta denominação, entra em águas capixabas e se expande mais ao norte já com o nome de bacia do Espírito Santo. Aqui, na porção sul do Estado, em nossas águas bem profundas e próximas da costa, possivelmente será descoberta uma nova província petrolífera, a se somar com as reservas e o potencial da parte norte. Os testes sísmicos indicam essa possibilidade.

Em termos nacionais as regras do jogo do petróleo já foram definidas e a sorte está lançada. Na repartição das áreas sedimentares brasileiras, a maioria dos blocos da bacia do Espírito Santo ainda ficou com a Petrobras. Ela vem se associando com parceiros privados para explorá-las.

No novo quadro legal e institucional, o Espírito Santo deve organizar sua ação para se beneficiar ao máximo dessa situação. Para tal é imprescindível conhecer com profundidade o terreno em que estamos pisando. O objetivo deste artigo é colaborar neste sentido.

A atividade de exploração e produção de petróleo e gás natural no mar capixaba, se tomadas as devidas providências, poderá ter aqui bons resultados para o Estado, como os que teve o Rio de Janeiro. No Mar do Norte, os grandes beneficiados foram a Grã-Bretanha e a Noruega. Nas décadas de 2000 a 2020 aquela atividade poderá funcionar para o Espírito Santo como um acelerador do nosso desenvolvimento industrial.

Por desconhecimento do pensamento estratégico que dava suporte à criação do monopólio estatal do petróleo e da Petrobras, em 1953, bem como do desenvolvimento posterior dos negócios do petróleo, o governo do Brasil está assumindo posições que, ao fazer o jogo dos grandes interesses internacionais, abrem mão da soberania nacional sobre este cacife (reservas de petróleo e gás natural) que vai desempenhar um papel importantíssimo no início do próximo século.

As nossas reservas podem até aumentar, mas não mais nos pertencerão totalmente. Seguindo o mau exemplo da Argentina, poderemos até nos tornarmos exportadores de petróleo, um bem não renovável. Por outro lado, poderemos ser importadores de derivados de petróleo, deixando ociosas nossas refinarias. Pode se dar um retrocesso, exportarmos um bem primário e importarmos produtos industrializados. O exterior fica com o valor agregado propiciado pela indústria.

Assim, é duvidoso que o abastecimento nacional se faça melhor e a preços mais módicos do que se deu até agora. Por certo perderemos a liderança mundial na tecnologia de ponta em exploração e produção de petróleo em águas profundas que a duras penas conquistamos. As plataformas serão construídas alhures. Em tempo de conflito, o mercado nacional será preterido.

Perdidos os anéis mas mantidos os dedos, que poderá ser feito no Espírito Santo, a nova fronteira petrolífera do sudeste brasileiro, que a mídia capixaba, muito apropriadamente, vem chamando de "costa rica"?

Com o conhecimento adequado desse panorama, devemos nos posicionar estrategicamente bem para obter as melhores vantagens que essa atividade possa oferecer e que, por direito, nos cabe.

Os raciocínios meramente financeiros - aumento na arrecadação de impostos, "royalties", receita de concessões e venda de ativos - devem ser complementados por considerações estratégicas, suas implicações no desenvolvimento industrial do Estado, na descentralização espacial desse desenvolvimento, nas repercussões ambientais, na geração de novos empregos e no crescimento cultural de sua população.

Os objetivos globais a serem perseguidos são:

1) Aumentar nossa participação nos investimentos do setor petrolífero/gaseífero, com atração de novas empresas do ramo e capacitação local para suporte e prestação dos serviços necessários.

2) Expandir o nosso mercado consumidor de derivados de petróleo e de gás natural, difundindo-o em toda a extensão do território do Estado. No caso do gás, apoiar os projetos que vão utilizá-lo e os que venham complementar a produção doméstica.

3) Agregar valor à produção local, como por exemplo a possibilidade de construção de uma refinaria no Estado para refinarmos o nosso petróleo e produzirmos os derivados que serão aqui consumidos.

No momento atual, o Estado deve concentrar sua atenção, esforços e prestígio, no que couber, para concretizar os investimentos em exploração e produção de petróleo e gás natural, na construção das usinas termelétricas de São Mateus e da Grande Vitória e na obra do gasoduto que vai ligar a Bacia de Campos a Vitória.

As grandes empresas locais são parte importante nesse contexto, ao "ancorar" os novos projetos permitirão sua viabilidade. Contudo, não devem ser os únicos condutores do processo e seus grandes beneficiários. A maneira como isso se fará é tão ou mais importante do que os seus resultados. A visão estratégica de longo prazo deve prevalecer sobre os aspectos circunstanciais, conjunturais e mesmo estritamente empresariais.

O bom equacionamento da atividade de distribuição de gás canalizado no Estado para permitir o advento de um grande mercado, ao lado da implantação de um órgão que regule e controle o setor, completam o quadro das ações a serem empreendidas.

Finalmente torcer para que nosso sub-solo seja na realidade o que se espera dele. Se a natureza nos for pródiga, que sejamos igualmente pródigos em sensatez quanto às nossas decisões, agora e no futuro.