Economia & Energia
Ano III - No 12 Janeiroro/Fevereiro 1999

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Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a
marcos@rio-point.com
Revisado:
Friday, 11 July 2003.

http://ecen.com

Matriz Energética Nacional

Matriz para 2010 com extensão para 2020

A Economia e Energia - e&e, Organização Não Governamental, pretende executar a projeção da matriz energética para o ano de 2010, com extensão para 2020. Esta resenha apresenta, resumidamente, a proposta e motivação do trabalho. A e&e pretende contar com parceiros a quem seriam fornecidos os instrumentos básicos que permitiriam trabalhar com diferentes cenários alternativos. A modalidade desta participação está descrita em documento a parte. Os resultados intermediários seriam divulgados pela revista bimensal na Internet Economy and Energy – e&e – Economia e Energia que há dois anos vem apresentando análises e projeções na área econômica e energética.

Motivação para o estudo

Sendo os investimentos energéticos - na produção, conservação e até no uso - de prazo de maturação da ordem de cinco anos é indispensável à iniciativa privada e ao governo alguma visão da demanda e oferta no futuro. Trata-se de insumo considerado estratégico por todos os países que encaram com responsabilidade o futuro. Grandes projetos têm horizontes típicos de mais de uma década. Por outro lado, é um setor intensivo em investimentos e de preços, que tem se revelado instáveis nas três últimas décadas. A falha na projeção da oferta pode causar sérios problemas ao desenvolvimento do País.

No passado, esta evidência foi usada com um certo abuso por planejadores, sujeitos a pressões corporativas e de escassa modéstia, cujas previsões de elevada demanda eram sistematicamente desmentidas pela realidade.

É certo, que grande parte de seus erros advieram de cenários econômicos otimistas, externos ao planejamento energético, que não se concretizaram. Estes cenários refletiam, na maioria dos casos, desejos políticos de crescimento econômico.

Durante algum tempo buscou-se o uso de vários cenários econômicos, contemplando diferentes taxas de crescimento, que terminavam sendo de pouca utilidade prática já que a diversidade de demanda resultante não orientava claramente os investimentos.

Outro erro comum no passado foi o planejamento setorizado (eletricidade, petróleo, álcool, etc.) que, na maioria dos casos, conduzia a soma das partes que superava o todo aceito por cada um dos setores.

A metodologia e&e

A metodologia proposta para avaliação da matriz energética pretende eludir a maioria dos problemas acima mencionados.

Ela alia a metodologia de projeção por energia equivalente, desenvolvida pelos técnicos que compõem atualmente a e&e para a então Comissão Nacional de Energia e Ministério das Minas e Energia, a um modelo de projeção da economia capaz de detectar as restrições ao crescimento extrapolando macrovariáveis econômicas do passado.

A metodologia utiliza:

  • Um modelo econômico que leva em conta as limitações ao crescimento econômico.
  • A estrutura setorial da economia adotada é fundamentalmente a do Balanço Energético do MME que destaca os setores de maior relevância no consumo energético.
  • O crescimento setorial projetado leva em conta a evolução histórica da participação desses setores na economia, o crescimento global e a taxa anual projetada.
  • O coeficiente energia útil (ou energia equivalente) / produto para cada setor da economia é usado para relacionar atividade econômica e demanda energética.
  • A participação de cada energético é inferida a partir da evolução histórica e de considerações sobre a competitividade entre os energéticos; diferentes subcenários podem ser considerados
  • Um balanço oferta X demanda de energéticos primários e seus derivados a nível nacional é usado para rever a participação relativa dos energéticos.

O modelo de projeção econômica

A metodologia foi apresentada no livro Brasil: O Crescimento Possível cujo coordenador e vários autores integram também a equipe e&e.

A avaliação do crescimento econômico é feita a partir de modelo próprio que leva em conta o comportamento inercial de algumas grandezas ao longo dos últimos 50 anos. A âncora temporal mostrou ser de muita utilidade em passado relativamente recente (últimos 4 anos), com já que ela possibilitou ao modelo detectar as restrições de disponibilidade de capital para investimentos, a importância da limitação do comercio externo brasileiro e a relevância da dívida interna.

A âncora temporal permite ainda evitar que fatores conjunturais influenciem excessivamente o planejamento, evitando que circunstâncias otimistas - como à época do lançamento do livro - ou pessimistas - como as existentes na presente crise - forjem cenários irrealísticos que comprometam as projeções.

Nas projeções econômicas trabalha-se com a experiência histórica de cerca de 50 anos (contas nacionais) e 30 anos para a composição setorial. Na demanda energética são usados os dados do BEN - de cerca de 30 anos - e os de energia primária relativos aos últimos 50 anos.

A estrutura setorial econômica - de considerável inércia ao longo do tempo- é projetada a partir da extrapolação da tendências históricas e da suposição sobre a composição futura que leva em conta a atual estrutura de países desenvolvidos mas considera algumas peculiaridades nacionais.

A demanda de energia

A demanda de energia usa conceito de energia útil. O Balanço de energia útil, elaborado pelo MME, busca determinar para cada setor econômico o uso do energético e a eficiência com que é usado. Nos usos em que concorrem vários energéticos é possível estabelecer entre eles uma equivalência de substituição.

A avaliação da demanda setorial em energia equivalente deixa liberdade para se discutir a demanda dos diversos energéticos usando alternativas coerentes com a demanda global. Determina-se, por exemplo, a demanda do setor transportes em litros de gasolina equivalente. Considerando-se limitações de uso e produção discute-se a demanda especifica de álcool, gasolina, diesel, gás natural comprimido, eletricidade e até mesmo GLP levando em conta a eficiência relativa desses combustíveis. Pode-se trabalhar com diferentes hipóteses de demanda final de cada combustível (ou outro energético) sem perder a coerência na demanda global.

O mesmo pode ser feito em cada setor industrial em relação a demanda de calor, que é expressa em óleo combustível equivalente considerando-se as equivalências médias. Demandas específicas de um energético, neste ou noutro uso, são consideradas estabelecendo-se um mínimo uso do energético por setor. São considerados, além disto, os usos específicos ou quase exclusivos da eletricidade, conforme identificados no balanço de energia útil.

A demanda de energia útil por produto é una variável "bem comportada" - em muitos casos aproximadamente constante - ao longo do tempo. Variáveis deste tipo são atrativas para projeções e permitem associar demanda energética e atividade econômica.

A participação dos diferentes energéticos é extrapolada a partir da experiência passada em que as possibilidades e limitações da substituição foram testadas nos vigorosos programas de substituição ocorridos no Brasil principalmente após o segundo choque de petróleo.