Economia & Energia
Ano II - No 6
Jan/Fev/1998

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MAK
Editoração Eletrônic
a
marcos@rio-point.com
Revisado:
Thursday, 20 November 2003.

O Custo das Reservas Internacionais II ou a Dívida Invisível

Carlos Feu Alvim(*)
feu@ecen.com
 

         No número anterior avaliamos o custo direto das reservas internacionais. De Dezembro de 1991 até Outubro de 1997 ele  foi de 31 bilhões de dólares. Este custo advém das reservas serem absorvidas por títulos da dívida interna pública pelo qual o Governo paga taxas muito superiores às que recebe no mercado externo. Nos últimos meses de 1997, o Governo Federal estava pagando um juro real de 3% ao mês internamente e recebendo 0,4% aplicando a reserva externamente.

Mesmo anteriormente à crise de Outubro, o diferencial de juros diretos, vinculado às reservas representavam um custo mensal de 600 milhões de dólares mensais (1% de 60 bilhões).

A avaliação que fizemos na eee 05 não considerou - como nos chamaram a atenção -  os juros diretos sobre o montante das reservas, já que   não havíamos computado os juros sobre o capital acumulado, uma vez que estas aplicações se incorporaram à dívida interna.

Considerando esta acumulação o custo passa a 45 bilhões de dólares. Ou seja, os aplicadores teriam, em Agosto de 1997, 105 bilhões de dólares a retirar (60 de reserva e 45 US$ bilhões de juros acumulados). Este é apenas um valor especulativo já que o valor real depende do uso e origem dessas reservas.

Também caberia estimar qual o efeito dos juros altos induzidos, pela necessidade de manter as reservas, sobre o montante da dívida interna. Esta é uma apreciação subjetiva já que, provavelmente, existia também a necessidade de oferecer remuneração suficiente ao aplicador interno para conter o consumo. Para avaliar a influência das reservas  no acréscimo de juros internos, teríamos que arbitrar qual o juro real "normal" e compará-lo com o induzido pela necessidade de manter as reservas.

Existem dois caminhos para fazê-lo: um é comparar os juros atuais com os anteriores à política de aumento do volume das reservas o outro é comparar com taxas pagas por países que adotaram política semelhante.

Como mostramos anteriormente, na década de oitenta os juros reais estiveram próximo a zero: contentava-se o aplicador em não perder para a inflação. Ocasiões de juros nitidamente positivos foram logo compensadas com o confisco de cada plano econômico. Conservativamente preferimos considerar, em nossas estimativas, como normal a taxa "prime" mais um "spread" de 3% ao ano. Esse é um valor coerente com as taxas alcançadas em outros países que adotaram a convertibilidade para captar reservas. O efeito de manter juros altos ao invés dos juros "normais" seria, no período considerado, da ordem de 89 bilhões de dólares atingindo-se um custo total de 133 bilhões de dólares para manter reservas internacionais médias de cerca de 40 bilhões de dólares entre Dezembro de 1991 e Outubro de 1997.

Sejam 30, 45 ou 130 US$ bilhões o custo de manter as reservas é expressivo e este mecanismo de estabilização necessita, na nossa opnião, ser reavaliado.

Na década de oitenta, quando a explosão de juros multiplicou a dívida externa brasileira costumava-se dizer - como consolo - que parte daquela dívida era uma dívida visível já que resultara de obras, muitas inacabadas, iniciadas na década de setenta. Podia-se, por exemplo, ver Itaipu funcionando, Angra II inacabada e os túneis e pontes da Ferrovia do Aço. Outros países haviam se aproveitado do crédito fácil da década de setenta para incrementar o consumo e tinham, na década de oitenta, uma dívida invisível. Como lembrou um nosso amigo, temos também agora nossa dívida invisível.