Economia & Energia
Ano II - No 6
Jan/Fev/1998

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Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a
marcos@rio-point.com
Revisado:
Monday, 21 July 2003.

PROJEÇÃO DA DEMANDA DE COMBUSTÍVEIS PARA O CICLO OTTO NO BRASIL.

Omar Campos Ferreira
omar@ecen.com

A projeção pretendida tem interesse óbvio para o planejamento da produção ou do suprimento dos combustíveis em questão. A função projetada é proporcional à energia motriz usada no transporte de passageiros e de cargas leves. Ela é calculada como o produto do volume do combustível, a densidade , a entalpia (poder calorífico) e a eficiência do combustível no Ciclo Otto. Como a eficiência do motor a gasolina não variou significativamente no período analisado (1980-l995), apenas introduzimos o fator de normalização de 1,17no cálculo relativo ao álcool hidratado para ter em conta a maior eficiência do respectivo motor. Este número foi extraído da publicação "Escolha Certo" que a antiga Secretaria de Tecnologia Industrial divulgava anualmente na década de 80, em que se comparavam as autonomias de veículos a gasolina C e a álcool hidratado. Com a extinção da Secretaria, na tumultuada reforma administrativa do Governo Collor, aquela importante informação deixou de ser divulgada.

Os dados sobre a demanda foram extraídos do Balanço Energético Nacional, edições de 1997 e de 1986 ( dados da década de 70). Os dados anteriores a 1980 mostram oscilações bruscas no consumo de combustíveis, explicáveis pela crise de preços e pela rápida variação de eficiência dos motores ,devida ao aumento do teor de álcool anidro na gasolina, de difícil quantificação.

O gráfico de demanda ao longo do período sugere que a função adequada à projeção é a logística, que também descreve a evolução da demanda de energia elétrica no setor residencial, como verificamos. Esta função se aplica, em geral, nos fenômenos transitórios em sistemas isolados, como os dois casos citados. De fato, não havia então outros combustíveis para o Ciclo Otto no País e a energia elétrica não tem substituto adequado na iluminação e na motorização doméstica ; os sistemas considerados são portanto funcionalmente isolados nessas aplicações.

A elaboração da projeção segue a marcha ortodoxa: obtidos os dados de demanda, calculam-se as demandas médias em subintervalos bastante pequenos para proporcionar número de dados adequado e bastante grandes para alisar convenientemente a função, visto que a metodologia supõe a continuidade das funções envolvidas. As taxas médias são ajustadas à parábola

-

onde a derivada é substituída pela taxa média. wpe15.jpg (706 bytes) e wpe3.jpg (699 bytes) representam a demanda no tempo t e a demanda final respectivamente. O ajuste fornece as melhores estimativas para as constantes a e h barra, permitindo elaborar a projeção através da equação

 

ou fazendo-se f a razão entre wpe6.jpg (706 bytes) e wpe5.jpg (699 bytes)

ln f/(1-f) = at + b

mediante a qual se ajustam os valores observados do consumo e do tempo, por regressão linear.

 Os dados elaborados a partir do BEN, conforme o roteiro exposto, estão na tabela a seguir.

ANO

DEMANDA
P cal

DEMANDA MÉDIA NO TRIÊNIO

TAXA MÉDIA INTER-
TRIÊNIOS

ln F/(1-F)

DEMANDA AJUSTADA

1981

106,3

82

108,9

106,3

-1,769

106

83

103,6

5,0

84

105,8

85

119,5

121,3

-1,613

121

86

138,6

5,4

87

130,9

88

133,5

137,4

-1,462

138

89

147,7

5,7

90

149,5

91

158,7

154,6

-1,314

157

92

155,7

8,3

93

163,7

94

176,4

179,4

-1,121

177

95

198,1

96

220,7

-1,031

192

 RESULTADOS DOS AJUSTES

O ajuste das taxas médias de variação da demanda, entre triênios, à parábola fornece o valor máximo da demanda do Ciclo Otto como 730 Pcal, cerca de 4,1 vezes a demanda média no triênio 93/95. O ajuste de ln F/(1-F) como função da demanda média no triênio permite projetar a demanda para além do intervalo observado e, assim, determinar o triênio em que a curva de demanda sofre inflexão. O ponto de inflexão marca o alcance da metade da demanda máxima. Conforme o gráfico 1, a inflexão ocorrerá por volta do triênio 2013-2015, quando a demanda será o dobro da observada entre 93 e 95.

Gráfico 1

Obviamente o exercício de projeção supõe que as condições determinantes da demanda, como a política de preços dos combustíveis, a oferta de derivados de petróleo, a estabilidade da moeda, etc., permaneçam como no período estudado. As expectativas são de queda na oferta de petróleo e de recuperação da demanda de álcool hidratado , motivada pela necessidade de diminuição do déficit na balança de comércio com o exterior e, também , pela escalada do desemprego, que seria agravada com a diminuição da produção desse combustível. Espera-se, ainda, melhoria na eficiência dos motores , que poderia aumentar cerca de 10% .

 Para atender a demanda projetada para o triênio 2013-2015 somente com gasolina C (gasolina A com 22% de álcool anidro) seriam necessários cerca de 35,1 milhões de metros cúbicos de gasolina A e 9,9 de álcool anidro. Se for mantida a atual participação do álcool hidratado ( 34% em energia motriz ), seriam necessários 24,4 milhões de metros cúbicos de gasolina A, 6,9 de álcool anidro e 19,6 de álcool hidratado. Observe-se que o teor médio de álcool anidro na gasolina C, no triênio 93-95 foi de 20%.