Economia & Energia
Edição Gráfica: |
PROJEÇÃO
DA DEMANDA DE COMBUSTÍVEIS PARA O CICLO OTTO NO BRASIL.
Omar Campos Ferreira Os dados sobre a demanda foram extraídos do Balanço Energético Nacional, edições de 1997 e de 1986 ( dados da década de 70). Os dados anteriores a 1980 mostram oscilações bruscas no consumo de combustíveis, explicáveis pela crise de preços e pela rápida variação de eficiência dos motores ,devida ao aumento do teor de álcool anidro na gasolina, de difícil quantificação. O gráfico de demanda ao longo do período sugere que a função adequada à projeção é a logística, que também descreve a evolução da demanda de energia elétrica no setor residencial, como verificamos. Esta função se aplica, em geral, nos fenômenos transitórios em sistemas isolados, como os dois casos citados. De fato, não havia então outros combustíveis para o Ciclo Otto no País e a energia elétrica não tem substituto adequado na iluminação e na motorização doméstica ; os sistemas considerados são portanto funcionalmente isolados nessas aplicações. A elaboração da projeção segue a marcha ortodoxa: obtidos os dados de demanda, calculam-se as demandas médias em subintervalos bastante pequenos para proporcionar número de dados adequado e bastante grandes para alisar convenientemente a função, visto que a metodologia supõe a continuidade das funções envolvidas. As taxas médias são ajustadas à parábola
onde a derivada é substituída pela taxa média.
ou fazendo-se f a razão entre
mediante a qual se ajustam os valores observados do consumo e do tempo, por regressão linear. Os dados elaborados a partir do BEN, conforme o roteiro exposto, estão na tabela a seguir.
RESULTADOS DOS AJUSTES O ajuste das taxas médias de variação da demanda, entre triênios, à parábola fornece o valor máximo da demanda do Ciclo Otto como 730 Pcal, cerca de 4,1 vezes a demanda média no triênio 93/95. O ajuste de ln F/(1-F) como função da demanda média no triênio permite projetar a demanda para além do intervalo observado e, assim, determinar o triênio em que a curva de demanda sofre inflexão. O ponto de inflexão marca o alcance da metade da demanda máxima. Conforme o gráfico 1, a inflexão ocorrerá por volta do triênio 2013-2015, quando a demanda será o dobro da observada entre 93 e 95. Gráfico 1
Obviamente o exercício de projeção supõe que as condições determinantes da demanda, como a política de preços dos combustíveis, a oferta de derivados de petróleo, a estabilidade da moeda, etc., permaneçam como no período estudado. As expectativas são de queda na oferta de petróleo e de recuperação da demanda de álcool hidratado , motivada pela necessidade de diminuição do déficit na balança de comércio com o exterior e, também , pela escalada do desemprego, que seria agravada com a diminuição da produção desse combustível. Espera-se, ainda, melhoria na eficiência dos motores , que poderia aumentar cerca de 10% . Para atender a demanda projetada para o triênio 2013-2015 somente com gasolina C (gasolina A com 22% de álcool anidro) seriam necessários cerca de 35,1 milhões de metros cúbicos de gasolina A e 9,9 de álcool anidro. Se for mantida a atual participação do álcool hidratado ( 34% em energia motriz ), seriam necessários 24,4 milhões de metros cúbicos de gasolina A, 6,9 de álcool anidro e 19,6 de álcool hidratado. Observe-se que o teor médio de álcool anidro na gasolina C, no triênio 93-95 foi de 20%. |