Economia & Energia
Ano I - No 4
Set/Out 1997

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Depleção de Petróleo
A Dívida Brasileira
Neointervencionismo
Cogeração no ES
Equipe e&e
Vínculos

Edição Gráfica:

MAK
Editoração Eletrônic
a
marcos@rio-point.com
Revisado:
Monday, 17 November 2003.


Parte 1

Parte 2

Anexo.

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A Produção Futura

O consumo de petróleo (e a produção) no futuro a médio prazo é uma questão crucial da política energética. E deve ser à luz de alguns fatores fundamentais:

  • Não se considera provável que os países produtores mantenham uma produção crescente ou mesmo estável até a última gota de seu petróleo comercial para depois aumentarem os preços. Isto não é fisicamente possível (regime de produção dos poços) nem economicamente provável.

  • Na medida que os 6 países "Swing Producers" detenham uma maior porção do mercado eles estarão em melhor posição para impor preços.

  • O preço de equilíbrio quando esses países estiverem em condição de ditarem os preços dependerá (passada a transição onde tudo pode acontecer, inclusive nada) dos custos de substituição do petróleo. Estes custos são diferentes para cada aplicação.

A partir do estudo das condições de cada país e das regiões o trabalho a Petroconsultants chega a um modelo de depleção da reserva de petróleo mundial que considera:

A produção dos outros países dar-se-á segundo trajetória atual em relação ao seu ponto médio (na maioria dos casos de produção por pico)

Atingido o ponto médio a produção de cada país cairia hiperbolicamente mantendo a razão de depleção (produção/reserva total) desse momento

Os preços seriam alterados na medida que a contribuição dos "Swing Producers" atinja 30% o que ocorreria entre os anos de 1997 e 2000.

A produção se daria segundo 4 hipóteses ilustradas na figura 6. Os pontos de inflexão supõem uma alteração dos preços do petróleo para modificar o perfil de demanda. As diferentes hipóteses se relacionam com o nível de demanda que acionaria o aumento de preços.

Figura 6

A hipótese básica (A) considera que isso acontecerá gradualmente, a partir do momento que se atinja uma dependência de 30% dos países da região. Este limite considera implicitamente que se mantenha o atual equilíbrio de poder na região e a participação de empresas internacionais no mercado da região do Golfo.

Nessa hipótese o consumo de petróleo subiria gradualmente até atingir a referida participação e se manteria estável até que o mundo atinja o ponto médio de consumo da reserva total original quando passaria a decrescer mantendo a mesma taxa de depleção.

Nesta hipótese este final de década já experimentaria um gradual crescimento do preço do petróleo e aproximadamente em 2004 o consumo de petróleo entraria em decréscimo.

A Figura 7a mostra o cenário A indicando a participação histórica e projetada das diversas regiões. Note-se a recuperação da participação dos países do Golfo na produção mundial nos últimos e a predominância que deverá assumir na próxima década. A Figura 7b mostra os mesmos dados em termos percentuais.

Figura 7a e 7b

Na figura 8 compara-se a projeção logística para as reserva totais de 1630 e 1800 Giga barris com as da Petroconsultants. Pode-se observar que os ajustes coincidem em que estaríamos passando pelo máximo de produção próximo ao ano 2000.

Figura 8

Finalmente a figura 9 mostra a evolução observada para a produção petróleo e o que significaria em termos da reserva existente e remanescente ao longo dos anos passados e próximos para uma reserva total de 1800 Gb. Estaríamos passando justamente pelo consumo acumulado da metade do petróleo comercial existente no mundo.


Figura 9

Conclusões

A análise aqui apresentada tem tudo a ver com o tema deste seminário que procura antever o futuro do álcool no panorama energético brasileiro e mundial. Somos originários de um setor, o nuclear, que atravessou uma década de baixa no panorama mundial. Hoje a energia nuclear constitui a nítida opção energética dos países do extremo oriente e manteve sua participação nos países ricos do Ocidente. Até as objeções ambientais acham-se relativizadas pela preocupação com o efeito estufa.

O horizonte que se contempla para uma definição sobre o futuro do petróleo é de uma década que, em termos energéticos, é amanhã. As análises econômicas da época da instalação do PROALCOOL mostravam que ele era competitivo com petróleo aos preços da época, de 50 US$ o barril (corrigidos da inflação) e que havia espaço para redução de custo e que o álcool poderia ser competitivo para petróleo da ordem de 30 ou 35 US$ o barril. Deve-se lembrar ainda que o álcool apresenta, do ponto de vista de emissões, nítida vantagem sobre qualquer combustível líquido (ou gás) quando incluída a emissão de CO2.

A análise sobre a situação do petróleo no mundo não aconselha a redução do uso de seus sucedâneos menos poluentes devendo o programa ser mantido pelo menos nos níveis atuais. Tenho a convicção que a "travessia do deserto" deste combustível está próxima do fim. Ocorre que para manter a produção e o consumo atual é necessário que novos veículos a álcool cheguem ao mercado a menos que seja encontrado um uso alternativo. Ou seja como na "Alice no País dos Espelhos" de Lewis Caroll "é necessário correr para ficar parado".

Seria uma decisão estratégica (perdoem-nos de novo o palavrão) incorreta desmantelar a rede de distribuição e renunciar ao acervo tecnológico alcançado. Seria também incorreto seguir um ritmo de extração de petróleo tipo "Trinidad Tobago" - pico - de produção e não tipo USA ou ex URSS -plateau. No entanto este não é um argumento válido já que faz parte da estratégia da nova ordem mundial nos convencer que não existe estratégia.

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Anexo