Economia & Energia
Ano1-No3
Jun/Jul 1997

Página principal
Alquimia Econômica

Destaques do Setor Energético
Proposta para Kyoto
BEN 1997
Equipe e&e

Edição Gráfica:
MAK
Editoração Eletrônic
a
marcos@rio-point.com
Revisado:
Thursday, 20 November 2003

Alquimia Econômica

Carlos Feu Alvim
feu@ecen.com

Um dos maiores males que os prestigitadores econômicos fizeram à ciência econômica é fazer crer que a inteligência comum é incapaz de perceber sua lógica.

O Ministro da Fazenda contribuiu para restabelecer a confiança nesta lógica ao afirmar recentemente (fim de Junho de 1997) que os mega-superávites na balança comercial não eram positivos para a economia brasileira porque representavam transferência de riquezas e de capital para o exterior. Ora, um país vive do que produz mais o que importa menos o que exporta. Quando o fluxo comercial é em direção ao exterior estão sendo transferidas riquezas e, às vezes com alguma defasagem, o capital.

Se ainda for preciso acrescentar algum argumento em favor do Ministro Malan basta lembrar que os anos setenta de déficit na balança comercial foram de crescimento e os anos oitenta, como ele aliás lembrou, de formidáveis superávites foram de recessão. Não se deve estranhar pois que para retomar o crescimento novamente estamos gerando um déficit na balança comercial nos últimos anos.

Obviamente o cidadão se sente perdido porque durante muitos anos ouviu as mais diversas autoridades do Governo lhe dizer que o superávit na balança comercial era altamente positivo para o país, que gerava empregos e riquezas e enfim que "exportar é o que importa" .

Para gerar os mega superávites dos anos oitenta o Brasil transferiu (dados oficiais do IBGE) entre 1983 e 1992 uma média de 6,2% do PIB em termos reais (base 1980) para o exterior. Se os valores em temos correntes foram menores (3,2%do PIB) foi porque houve degradação das relações de troca. Em 1992 o Brasil exportava o dobro de bens do que em 1980 e recebia o mesmo valor em dólares constantes.

A Alemanha de pós primeira guerra mundial , sujeita ás imposições do Tratado de Versailles nunca chegou a transferir mais do que 3,3% do PIB. Como se sabe foi baseado nesta insuportável carga para a economia alemã que foi gerada a crise e parte da retórica que Hitler se aproveitou para chegar ao poder.

Ainda no período 1983/1992 o Brasil, segundo dados do Fundo Monetário Internacional - FMI, foi o terceiro exportador de capital a nível mundial só sendo superado pelo Japão e Alemanha. O grande importador de capital foram os Estados Unidos que, por uma defasagem de informação que data do período pós segunda guerra mundial, continuam sendo visto como fonte de capital.

Resta lembrar que o esforço exigido do Brasil na década de oitenta teve sua origem nas dívidas contraídas nos anos setenta e no "choque de juros" internacionais do início da década de oitenta. O déficit comercial tem conseqüências futuras que não se deve ignorar.

A entrada de capitais, bem-vinda para o crescimento na forma de investimento direto ou de empréstimo, significa uma saída em algum momento já que ninguém investe sem perspectiva de lucro. A questão fundamental é saber se no futuro as novas riquezas geradas serão suficientes para pagar os dividendos ou os juros.

A atuação dos prestigidadores que falseiam a lógica econômica faz lembrar o que ocorreu nos primórdios das ciências físicas quando os alquimistas pareciam capazes de milagres que fugiam a compreensão humana. A divulgação dos conhecimentos astronômicos, químicos e físicos retirou prestígio e poder dos alquimistas ou bruxos que manipulavam esses conhecimentos como mistérios.

É certo que existem alguns fatos econômicos de difícil interpretação e que estão fundamentalmente ligados à moeda e sua validade como símbolo de poder de troca entre os homens e as nações. O processo de acumulação e as leis que governam o fluxo deste símbolo têm variáveis psicológicas e sociais importantes que mascaram no curto e até no médio prazo a lógica do processo econômico. Uma economia sem dinheiro, com trocas diretas, seria talvez de mais fácil compreensão mas, como já comprovaram nossos antepassados, muito pouco prática.

O problema com os presdigitadores econômicos é que eles realmente conseguem - em proveito de alguns poucos e em detrimento de muitos - transformar chumbo em ouro e vice-versa.

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