1 - Introdução

A necessidade de previsão do futuro pode ser parcialmente atendida por uma metodologia científica simples, avalizada por centenas de exemplos (1,2,3,4), que permite projetar o desenvolvimento de certo tipo de fenômenos. Esta metodologia só se aplica a fenômenos já em andamento o que lhe tira um pouco da graça mas ainda conserva boa margem de interesse, sobretudo econômico e social.

O exemplo mais sugestivo dos fenômenos a serem considerados é o da propagação de uma "epidemia" (doenças, modas, gírias, especulação financeira, etc). Esses fenômenos se baseiam em mecanismos de imitação de comportamentos supostamente fadados ao sucesso. A imitação supõe a transmissão de uma informação (ou de um virus) o que exige algumas condições: proximidade do observador com o observado, tempo de observação, credibilidade ou prestígio do indivíduo observado, etc..

Para estabelecer uma lei matemática que leve à previsão do desenvolvimento da nova moda podemos seguir diversos modelos :
1) o modelo biológico desenvolvido por Volterra-Lotka ;
2) o modelo termodinâmico de inter-difusão de dois gases perfeitos ;
3) um modelo probabilístico na linha da Termodinâmica Estatística.

O modelo probabilístico parece ser o mais intuitivo e será exposto a seguir.

Topo

Documento Principal

2 - Modelo probabilístico da "lei" logística

Consideremos um conjunto de indivíduos dos quais N' exibem um dado comportamento (contaminado) e N não o exibem. Como foi dito, a propagação do comportamento supõe certos requisitos, alguns mensuráveis objetivamente (proximidade,tempo,...) e outros de caracterização subjetiva (credibilidade, prestígio, ...). Suponhamos provisoriamente que todos sejam mensuráveis por algum parâmetro. O conjunto desses parâmetros define o que se conhece, na Termodinâmica Estatística, como um espaço de fases. Este espaço representa um extensão do conceito euclideano do espaço de três dimensões (comprimento, largura e altura) em que as variáveis descritivas de um dado fenômeno são tomadas no lugar das variáveis de Euclides (esta generalização foi usada por Lagrange, em sua Mecânica Analítica de coordenadas generalizadas, e retomado por Boltzmann na tentativa de "reduzir" a Termodinâmica à Mecânica).

Suponhamos que as condições necessárias à transmissão da informação, sejam representadas por intervalos das variáveis do espaço de fases. Podemos então associar a cada elemento N' (que já tenha o comportamento) um volume no espaço de fases tal que se um elemento de N estiver dentro desse volume ele poderá interagir com um elemento de N'.

A variável tempo merece um tratamento especial dado que qualquer fenômeno demanda um certo tempo. A duração do intervalo de tempo em que os dois participantes da interação mantêm as demais condições requeridas é uma medida do número de oportunidades de interação e, portanto, da probabilidade de que ela ocorra.

Seja um espaço de fases que contenha, no instante t, N' indivíduos, a cada um dos quais se associa o volume de interação V = x1 x2...xn e um único indivíduo do conjunto N colocado aleatoriamente neste espaço. A probabilidade de que este indivíduo caia dentro de um dos volumes de interação é proporcional a N' , onde V é o volume do espaço de fases associado com o fenômeno). Se considerarmos os N indivíduos, colocados aleatoriamente no espaço de fases, o número deles que provavelmente caem em volume de interação será proporcional a N. Assim, o número de interações que provavelmente ocorrerão no intervalo de tempo t será N = a N N' t. Se considerarmos t como infinitésimo (para supor que as demais condições não se alteraram) , onde a é uma constante de proporcionalidade que inclui a eficiência de conversão, suposta constante; e a taxa de contaminação.

Se chamarmos a população total

N + N' =

podemos escrever :

(1)

Esta equação é integrável e pode ser colocada como função linear do tempo mediante mudança de variável, dando :

(2)

(3) ln

em que F é a proporção de indivíduos N na população total e a e b são constantes características de cada tipo de fenômeno considerado. A função expressa pelas equações 2 e 3 é conhecida como função logística.

Observando o andamento do fenômeno é possivel determinar as constantes a e b, para prever o desenvolvimento futuro, com precisão dependente do número de informações sobre a história do fenômeno.

Se o número de dados não for suficiente para a determinação confiável das constantes a e b, deve-se estender a observação até o ponto em que passe pelo valor máximo para completar a previsão.

Derivando a equação (1), obtem-se

e como somente se anula para N = 0 e N = podemos deduzir que para , ou seja, se observarmos o fenômeno até o ponto em que a derivada segunda se anula, podemos calcular o valor de max , sendo Nmax . o ponto (observado) em que ( ponto de inflexão da curva N = N (t) ).

Vê-se que a segunda metade da história do fenômeno pode ser prevista a partir da história conhecida da primeira metade. Entretanto, há alguns requisitos a observar :

a) os dados da observação devem ser confiáveis o que nem sempre acontece com estatísticas dos fenômenos

b) as variáveis que regem o fenômeno devem estar todas identificadas para não haver engano quanto a Nmax

c).a observação deve se estender algo além da metade pois, em geral,a identificação do ponto Nmax (de máximo ou mínimo) é incerta

d) o sistema estudado deve ser isolado, isto é, não estar sujeito a influências externas

Topo Documento Principal

3 - Exemplos de aplicação da "lei" logística

Bibliografia